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Capítulo 7 de 13

VIII — parte 1 de 2

Carta de um Católico sobre o Espiritismo · Dr. Grand

Embora a crença na comunicação exclusiva do demônio esteja hoje bastante desacreditada, como tudo aquilo que carece de lógica, julguei necessário dedicar alguns desenvolvimentos a esta questão, a fim de me apoiar tanto nos fatos quanto na razão. Consideremos agora outra parte de nosso assunto e deixemos, inicialmente, a palavra aos Espíritos: "Escreve, meu filho. Não basta afirmar a concordância do Espiritismo com o Cristianismo, deves ter a honestidade de constatar as suas diferenças. No que concerne aos deveres, não existe nenhuma. No que concerne ao dogma, existem duas capitais: 1º a reencarnação; 2º a não eternidade das penas; acrescenta uma terceira, a saber: Que o homem de bem, aquele que ama a Deus e ao próximo, aquele cuja vida é preenchida por atos de virtude, será recompensado segundo suas boas obras, qualquer que tenha sido a sua religião. Nada direi aqui sobre a reencarnação; reproduz o que te comuniquei a esse respeito. Quanto à eternidade das penas, afirmo-te que essa crença é incompatível com a bondade e a justiça de Deus.

Do ponto de vista prático, ela pôde, nos séculos passados, exercer uma influência positiva sobre uma sociedade menos adiantada que a vossa; hoje, ela não produz senão uma coisa: a Incredulidade. Apresentada como um dogma fundamental do Cristianismo, em vez de aterrorizar as almas, ela suscita inicialmente a dúvida, e mais tarde a negação; e como tudo se encadeia nos dogmas, os homens conservam o nome de Cristãos, mas a fé cristã se esvai. Se considerarmos atentamente a família cristã, se sondarmos os corações, descobriremos que todas as virtudes são filhas do amor e não do temor. Bem reduzido é o número de cristãos que o temor do inferno mantém no dever.

Bem grande é o número daqueles que, para se livrarem dessa ameaça, rejeitaram a fé, e se tornaram ateus, ou simplesmente deístas, o que pouco difere. Pensa agora na súbita revolução que se operaria nas almas, se os ministros cristãos entrassem em comunicação com os Espíritos. À nossa voz, uma reaproximação irresistível reuniria todas as Igrejas, e a religião, com justa razão, se chamaria católica. O que responderia o perverso, quando uma voz de além-túmulo o chamasse de volta ao dever? Que terror gelaria o assassino, quando um outro assassino lhe dissesse, como tu mesmo ouviste: "Faz duzentos anos que estou nas trevas. Não vejo senão a minha vítima. Meu suplício é atroz e não prevejo o seu término." Já não se trata de uma ameaça proferida pela boca de um sacerdote; é uma realidade terrível e mil vezes mais aterradora que todos os sermões sobre o inferno. Oh!

Se algo deve excitar o arrependimento, se algo deve eletrizar as almas, se algo deve conduzi-las inevitavelmente para Deus, não será esse comércio piedoso com os bons Espíritos, que podem, misericórdia do Céu! Sustentar-vos, inspirar-vos, amar-vos. E quando esses Espíritos vos falam da religião com respeito, com amor; quando eles atestam o Cristo, quando eles extinguem as vossas paixões, quando eles vos mantêm irresistivelmente no bem; quando eles fazem correr de vossos olhos lágrimas de arrependimento e de amor, vós os maldiríeis! Vós os chamaríeis filhos do inferno!... Não, meu filho, não; este blasfemo nunca será proferido seriamente. Os vossos mais violentos detratores virão, por sua vez, à nova verdade. Compadece-te deles hoje, não os condenes. Lembra-te da doce palavra de Jesus: Perdoai-lhes, meu Pai, eles não sabem o que fazem."

IX

As três comunicações seguintes foram obtidas após discussões um tanto acaloradas, entre um espiritualista e eu, sobre a incompatibilidade do Espiritismo com o Cristianismo e, sobretudo, com o catolicismo. "Eu te disse, meu filho, não te abandones a essas preocupações. Discutir com os incrédulos não trará resultado algum. Pensas que teus contraditores sentem a necessidade de se converter? De modo algum; eles desejam firmar-se na sua incredulidade. Nela permanecem por teimosia; argumenta, prova, demonstra, eles terão mil pretextos para não crer; e, coisa penosa de admitir, não lhes faltarão textos para afirmar que os Espíritos (eles dirão os Espíritos) contradizem formalmente o dogma católico. Pois bem! Eu, teu pai, afirmo-te que deves agradecer a Deus por teres nascido no seio de uma religião que, pela grandeza de seus ensinamentos, é incontestavelmente a que mais se aproxima da verdade absoluta. Eu te disse um dia: Queres um critério da bondade e da legitimidade de nossos ensinamentos, ei-lo: Impulso para o Bem.

Lança um olhar sobre o passado, e desde a missão de Cristo, que religião fez mais homens absolutamente devotados, absolutamente caritativos, absolutamente consagrados ao bem? Que religião fez os missionários, os irmãos São João de Deus, as irmãs de São Vicente de Paulo, as Pequenas Irmãs dos Pobres? Que religião colocou nos corações mais caridade, mais amor, mais abnegação?... Se é a religião católica, e é ela, evidentemente aí mais que em qualquer outro lugar tu encontras a aplicação do critério: Impulso para o Bem. Portanto, é a mais verdadeira; portanto, mais que as outras, ela te aproximará de Deus. Será que por isso ela possui toda a verdade? Eu te compreendo; esta questão te parece uma heresia, e tu te perguntas se a dúvida não é uma separação. Não, meu filho, tranquiliza-te. A heresia não consiste, de modo algum, em não estar exatamente no mesmo ponto de vista que a Igreja. É assim que a eternidade das penas, a remissão absoluta dos pecados por certas orações

indulgenciadas, o empréstimo a juros, a sentença ‘Fora da Igreja não há salvação’, os casos de consciência, o inferno, o purgatório não são encarados da mesma maneira por todos os católicos. É ainda assim que o que é proibido numa diocese é frequentemente permitido noutra. Pensas que os sacerdotes esclarecidos creem no fogo material e nas fornalhas do inferno, nos chifres de Satanás, na maçã que perdeu o gênero humano? Desfaze-te desse engano, eles veem as coisas mais atenuados e não se consideram, por isso, hereges. Quem diz heresia, diz revolta. Tu não és herege se pretendes viver e morrer em tua religião, se a práticas como se tudo fosse verdade, se te inclinas com respeito diante de sua autoridade, e se guardas no fundo do teu coração as dissidências secundárias que tua razão aí colocou. Exigir que creias de maneira absoluta, completa e sem reticências, numa coisa que revolta tua razão, é exigir que o braço de uma criança sustente um fardo que esmagaria o braço de um Hércules.

O impossível não pode ser, e não se pode exigir de tua razão o que lhe é impossível dar. Entretanto, o que tua razão também te ensina, é sua própria fraqueza. Quantas verdades às quais tu não podes atingir! Poder-se-ia, portanto, supor que certas coisas perfeitamente antipáticas à tua razão fossem verdadeiras. Isso deve afastar de teu coração os pensamentos orgulhosos; isso deve inspirar-te a humildade. Pois bem! Meu filho, humilha-te. Antes que Deus te fizesse a graça de comunicar com os Espíritos, eras um católico bastante medíocre, mas atestavas tua fé. O que fazias, quando a dúvida penetrava em tua alma? Tu a afastavas, ou te consolavas firmandote no bem. Faze o mesmo hoje; tem a sabedoria de discernir no ensino religioso o dogma fundamental da prescrição secundária. Sempre o critério: Impulso para o Bem. Tudo o que o inspira, eis o verdadeiro prático; tudo o que te deixa indiferente, eis o detalhe, eis o que não tem mais que uma importância medíocre.

E nota bem que o princípio de autoridade, uma das bases fundamentais do catolicismo, perde atualmente sua importância. Os milagres (Nota 8) reveladores renovam-se todos os dias; os conselhos que te são igualmente dirigidos têm, eles também, seu caráter de autoridade e de grandeza. (Nota 8) Se se entende por milagre um fato em contradição formal com as leis da natureza, não se pode dar este nome às manifestações espíritas; mas esta questão se reduz a uma

disputa de palavras. No estado atual, seja da ciência, seja da filosofia moral e religiosa, pode-se chamar milagre todo fenômeno insólito, evidentemente produzido por uma inteligência, a qual evidentemente também não pertence a um ser humano. Que estes fenômenos sejam raros ou frequentes, isso nada muda na questão, e se se recusa dar-lhes o nome de milagre, risquemos esta palavra de nossa linguagem, pois se as coisas chamadas até hoje sobrenaturais entram na categoria dos fenômenos físicos, a imaginação nada pode conceber que não tenhamos o direito de atribuir a forças naturais. Antes de comunicar conosco, era teu dever estrito inclinar-te em tudo e por tudo diante da autoridade da Igreja, sob pena de ver surgir tantas seitas religiosas quantos indivíduos existem. Atualmente, não é apenas tua razão que fala, são Espíritos purificados, são Espíritos aproximados de Deus.

Opera-se neste momento uma evolução misteriosa, que necessariamente e num futuro próximo influirá sobre os ensinamentos da Igreja; nossas vozes serão ouvidas; e uma vez que Deus permite estes redutíveis fenômenos, será preciso que os resultados por Ele previstos se cumpram. Que loucura supor que estas maravilhas são produzidas unicamente para alguns privilegiados, dos quais a maioria não pôde ir ainda além de uma simples curiosidade, ou de uma observação nesciamente filosófica! O Espiritismo começa apenas, e dentro de alguns anos terá metamorfoseado o mundo. Até lá, meu filho, permanece na via para a qual te enviei resolutamente. Sê sempre católico; tua candura agrada a Deus, enquanto Ele reprova a arrogância e o orgulho do ímpio. O futuro, eu to predigo, não mudará vossos dogmas; apenas alguns serão modificados. Jesus Salvador, Jesus, Filho de Deus, será sempre vosso Rei.

Nada será mudado nem em vossas cerimônias nem no texto de vossas orações; celebrar-se-á sempre no santo Sacrifício a memória eterna da Paixão; amar a Deus e ao próximo será mais que nunca a lei, e os homens compreenderão então as adoráveis verdades que desconhecem hoje. Pergunta. Mas, ainda uma vez, sou herege? R. Não, meu filho, não, tu não és herege. Sonda teu coração: Amas a Igreja? Respeitas a Igreja? Obedeces aos seus preceitos? Executas os seus mandamentos? És dócil e submisso? O que não podes admitir, excita em teu coração sentimento de revolta ou de desprezo? Estás perfeitamente de acordo com ela sobre todas as verdades que te firmam no bem, que aumentam em tua alma o amor de Deus e a dedicação a teus irmãos? Sim. Pois bem! Tu és católico."

Zenão

"Examina tua consciência; diz-te ela que há para ti a menor obrigação de expor a teu amigo o encadeamento lógico de tuas crenças? Se ele fosse católico, se tu fosses para ele um objeto de escândalo, poderia ser útil edificá-lo. Mas diante da sua teimosia, não tens nada melhor a fazer senão sorrir e guardar silêncio. Ele afirma que combate pela verdade; possui, portanto, o critério da verdade? O fato é que ele não combate por alguma coisa, mas contra alguma coisa. O velho ódio antirreligioso fermenta no fundo de seu coração, e da sua pretensa lógica, o que ressalta com mais evidência, é o horror invencível ao padre e ao catolicismo, podes acrescentar a toda religião. Oprimido pela formidável verdade espírita, ele quer permanecer ‘espírito forte’. Tu o ouviste, suas novas crenças não o melhoraram, e esta imobilidade em sua existência moral lhe parece sem dúvida o que há de mais encantador e mais natural.

Este filósofo, este lógico, este homem de progresso, deveria crer, no entanto, que é obrigado a progredir, e se professa uma doutrina qualquer, deve sem dúvida ter escolhido aquela que o leva mais longe na via do aperfeiçoamento. De modo algum, ele se mantém no que é, e o impulso para o bem pouco lhe importa. Portanto sua doutrina, ou sua lógica, chamelhe como quiseres, não tem nada de prático; portanto ela não é verdadeira, pois somente o verdadeiro é prático. Evidentemente sua filosofia não é igual às suas destinações. Ele admite que o Espiritismo nada fez por sua alma; é que ele é simplesmente um espiritualista falhado. É que ele não conhece do Espiritismo senão os fenômenos curiosos, e Deus ainda não o achou maduro para compreender e apreciar a Doutrina. Em resumo, evita com ele as discussões religiosas, elas não levariam a nada. A solidez de tua fé está a salvo de todos os assaltos, mas não te esforces em operar conversões impossíveis. Deixa o ímpio voluntário embaraçar-se nos meandros da sua pretensa lógica, e permanece simples e resolutamente na tua via. Luta de ações e não de vãs palavras; prova por uma caridade sempre crescente, por uma doce paciência, por uma fidelidade constante aos teus

deveres, que a tua doutrina é uma árvore que dá bons frutos, e abençoarás o Céu por te haver aberto tesouros de alegria e de consolações." Zenão

Permita-me uma pergunta. Acabais de dizer que Deus ainda não o achou maduro para compreender e apreciar a Doutrina. No entanto, é um homem inteligente; como Deus o deixa voluntariamente no erro? Não dependeria d’Ele esclarecê-lo? Deus não deixa ninguém voluntariamente no erro e nas trevas da ignorância. É precisamente porque um homem é inteligente que é menos desculpável não se render à evidência; a incerteza na qual ele flutua, apesar de todos os meios que têm para se esclarecer, é uma punição, e uma vez que ele não tira dos fenômenos que observa nenhum proveito para sua alma, que isso não o torna melhor, ele não merece gozar das sublimes consolações que o Espiritismo dá. Aquele que não compreende estas consolações, que não vê nada além dos fatos materiais, qualquer que seja sua inteligência, não está maduro para apreciar a Doutrina. Não é, portanto, Deus que o priva da luz, é ele mesmo que se priva das doces alegrias que ela proporciona." Outra vez, tendo voltado ao assunto das discussões relatadas acima, obtive a resposta seguinte: "Ainda esta preocupação!

Uma vez por todas, faze compreender ao teu amigo que é perfeitamente inútil gastar tantas palavras sem a sombra de um resultado. Quando tiveres afirmado durante uma hora que és católico; quando durante uma hora ele o houver negado, nem um nem outro tereis dado um passo. É evidente que se não podeis colocar-vos no mesmo ponto de vista, não podeis entender-vos. No fim de contas, onde quereis chegar? Espera ele tornar-te melhor? Tem ele em reserva algum ensino novo para te aproximar de Deus? Admitindo que a religião é a ciência de nossos deveres para com Deus e para com o próximo, tem ele algum preceito esquecido pelo catolicismo para te indicar? E este preceito far-te-á amar mais a Deus e teus semelhantes? Pensas que não? Eu te afirmo que não. Uma graça imensa te foi concedida. Desde o primeiro dia, o Espiritismo tomou para ti o caráter de uma revelação. Teu coração comoveu-se, e o sentimento religioso quase extinto em teu espírito reanimou-se de repente. Nunca cumpriste teus deveres de cristão com mais assiduidade, nem oraste

com mais fé. Que te é preciso mais? Ficarás desesperado porque teu amigo, o filósofo, dirá que não és lógico? Sabe, meu filho, que não se trata de lógica, mas de sentimento. Por acaso o amor é lógico? As grandes e nobres paixões são lógicas? Mas, em verdade, que te importa a lógica dos outros! Tua razão vale bem a deles. Ora, que te diz esta razão? Que não há no mundo dois homens absolutamente de acordo sobre alguma coisa; os católicos não mais que os outros. Portanto, se eles diferem em algum ponto, fosse o mais ínfimo, deveriam formar uma grande sociedade de excomunhão mútua? Abarca num golpe de vista tua religião, e compara-a aos ensinamentos dos Espíritos; sobre o que versam as divergências? É sobre a imortalidade da alma? Não. Sobre o poder e sobre a bondade infinita de Deus? Não. Sobre vossos deveres para com o próximo? Não. Sobre a missão do Cristo Salvador? Não. Sobre a obrigação estrita de orar pelos mortos? Não. Sobre a eficácia das orações?

Não. Sobre as penas e as recompensas futuras? Não. Sobre a existência dos bons e dos maus anjos? Não. Sobre a necessidade da penitência? Não. Sobre a veneração dos santos? Não. Pois bem! Fora destas verdades maiores, o que resta? Simples detalhes. Continua, portanto, tranquilamente teu caminho: é o bom, afirmo-te. Não é apenas uma religião que é necessária, é um culto, isso é necessário à natureza do homem. É-lhe preciso reuniões piedosas, onde sua alma se impregne dos eflúvios celestes que espalham ao seu redor os bons Espíritos pairando a seu lado. É-lhe preciso orações em comum, cantos piedosos que o comovam e o exaltem até o êxtase. É assim que ele preludia sua verdadeira vida. Pois bem! O culto católico é sem contestação o mais belo, o mais comovedor de todos. Os preceitos de tua Igreja são os mais sábios; mais eficazmente que os outros, eles te ensinam a dominar tuas paixões, a desprender-te da matéria. Obedece, portanto, sê cristão, e, sem desagradar aos zombadores, sê cristão católico, é tua missão; ela é bastante bela para que a ames, e a cumpras fielmente."

Em apoio ao que me foi ditado pessoalmente sobre a eternidade das penas, creio dever citar o que está dito sobre o mesmo assunto em O Livro * dos Espíritos ( ). * ( ) Os números são os dos parágrafos de O Livro dos Espíritos. 1003. É arbitrária ou sujeita a uma lei qualquer a duração dos sofrimentos do culpado, na vida futura? “Deus nunca obra caprichosamente e tudo, no Universo, se rege por leis, em que a sua sabedoria e a sua bondade se revelam.” 1004. Em que se baseia a duração dos sofrimentos do culpado? “No tempo necessário a que se melhore. Sendo o estado de sofrimento ou de felicidade proporcionado ao grau de purificação do Espírito, a duração e a natureza de seus sofrimentos dependem do tempo que ele gaste em melhorar-se. À medida que progride e que os sentimentos se lhe depuram, seus sofrimentos diminuem e mudam de natureza.” SÃO LUÍS

1005. Ao Espírito sofredor, o tempo se afigura tão ou menos longo do que quando estava vivo? “Parece-lhe mais longo: para ele não existe o sono. Só para os Espíritos que já chegaram a certo grau de purificação, o tempo, por assim dizer, se apaga diante do infinito.” 1006. Poderão durar eternamente os sofrimentos do Espírito? “Poderiam, se ele pudesse ser eternamente mau, isto é, se jamais se arrependesse e melhorasse, sofreria eternamente. Mas, Deus não criou seres tendo por destino permanecerem votados perpetuamente ao mal. Apenas os criou a todos simples e ignorantes, tendo todos, no entanto, que progredir em tempo mais ou menos longo, conforme decorrer da vontade de cada um. Mais ou menos tardia pode ser a vontade, do mesmo modo que há crianças mais ou menos precoces, porém, cedo ou tarde, ela aparece, por efeito da irresistível necessidade que o Espírito sente de sair da

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