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Capítulo 2 de 13
Alphonse de Grand Boulogne — parte 1 de 3
Carta de um Católico sobre o Espiritismo · Dr. Grand
DR. GRAND (1810 - 1874) (80) Autor da "Carta de um católico sobre o Espiritismo" publicado em 1860, ele era doutor em medicina, cavaleiro da legião de honra, antigo secretário da Sociedade Acadêmica de Medicina de Marselha, antigo vicecônsul da França em Cuba e médium correspondente da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em Havana, tendo sido mencionado apenas como Dr. Grand a partir da 2ª edição de OLM (Primeira parte - Noções preliminares > Capítulo IV - Dos sistemas). Mas na 1ª edição de 1861 aparece como Dr. Grand Boulogne. Na RE aparece como Dr. Grand e Dr. De Grand Boulogne. (81) Desencarnou de uma doença do coração em 1874 em Paris.
Fragmento da 1ª edição de O Livro dos Médiuns, com menção ao Dr. Grand-Boulogne.
Ver ainda sua genealogia, (82) além de outras informações relevantes, como sua fotografia. (83) Foi autor de vários livros sobre medicina, por exemplo, sobre inflamações (84) e doenças infantis (85), tendo trabalhado também na Argélia e no México (Vera Cruz, em missão, conforme vemos, entre outras fontes, no The New (86) York Times de 14 de agosto de 1863. Estaria Amélie se referindo à 1ª edição de O Livro dos Médiuns nesta carta que endereçou a Kardec em 14/09/1860? (ver foto adiante) Esta edição é de janeiro de 1861. Kardec estava provavelmente na região de Lyon (Lyon, Mâcon, Saint Étienne e Sens), na sua 1ª viagem espírita, já que em 19/09/1860 participou do famoso banquete oferecido pelos espíritas (87) lioneses.
O texto onde o Dr. Grand é referido não aparece na obra precursora de O Livro dos Médiuns, as Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, de junho de 1858.
80. Disponível em https://bit.ly/36o5vPz 81. Ver https://bit.ly/35fcqdk 82. Em https://bit.ly/2YDnM8P 83. Ver a página 599 de https://bit.ly/2PDea9Y (referenciada em https://bit.ly/2E8qWbo) e https://bit.ly/2sj9Kx2 (fotografia) 84. Ver: https://bit.ly/2PdsRl6 85. Ver: https://bit.ly/346Ua4R 86. Ver: https://nyti.ms/2PbeVIB
87. Ver: https://bit.ly/35ff17I CSI do Espiritismo: Codification Séances Investigation ou Investigação das Sessões mediúnicas da Codificação, Imagens e registros históricos do Espiritismo (facebook.com/HistoriaDoEspiritismo)
Sumário
Carta de um católico sobre o Espiritismo - Pelo Dr. Grand, antigo Vice- Cônsul da França. (Apresentação por Allan Kardec na R.E. de Novembro de 1860) — pág. 08 Prefácio — pág. 10 I — pág. 15 II — pág. 25 III — pág. 29 IV — pág. 32 V — pág. 35 VI — pág. 37 VII — pág. 41 VIII — pág. 46 IX — pág. 48 X — pág. 54 XI — pág. 58 XII — pág. 61 XIII — pág. 64 XIV — pág. 68 XV — pág. 73 XVI — pág. 75 XVII — pág. 79
Carta de um católico sobre o Espiritismo
Pelo Dr. Grand, antigo Vicecônsul da França.
(Apresentação por Allan Kardec na R. E. de Novembro de 1860)
O autor desta brochura propôs-se a provar que se pode ser, ao mesmo tempo, bom católico e fervoroso espírita. Neste sentido, prega pela palavra e pelo exemplo, pois é sinceramente uma e outra coisa. Por fatos e argumentos de uma lógica rigorosa, estabelece a concordância do Espiritismo com a religião, e demonstra que todos os dogmas fundamentais encontram, na Doutrina Espírita, uma explicação susceptível de satisfazer à razão mais exigente, que em vão a teologia se esforça para dar; de onde conclui que, se esses dogmas fossem ensinados desta maneira, encontrariam bem menos incrédulos e que, portanto, devendo a religião ganhar com essa aliança, dia virá em que, pela força das coisas, o Espiritismo estará na religião, ou a religião no Espiritismo. Parece difícil que, após a leitura desse opúsculo, aqueles que os escrúpulos religiosos ainda afastam do Espiritismo não sejam levados a uma apreciação mais sadia do problema. Aliás, há um fato evidente: é que as ideias espíritas marcham com tal rapidez que, sem ser adivinho nem feiticeiro, é possível prever o tempo em que serão tão gerais que, querendo ou não, ter-se-á que contar com elas; essas ideias conquistarão foros de cidadania, sem haver necessidade da permissão de ninguém, e em breve se
reconhecerá, se ainda não se fez, a absoluta impossibilidade de lhe deter o curso. As próprias diatribes dar-lhes-ão um impulso extraordinário e não se poderia crer no número de adeptos que, sem querer, fez o Sr. Louis Figuier com a sua Histoire du merveilleux (História do maravilhoso), na qual pretende tudo explicar pela alucinação, quando, definitivamente, nada explica porque, sendo seu ponto de partida a negação de toda força fora da Humanidade, sua teoria material não pode resolver todos os casos. Os gracejos do Sr. Oscar Comettant não são argumentos: ele faz rir, mas não à custa dos espíritas. O impudente e grosseiro artigo da Gazette de Lyon só prejudicou a ela mesma, pois todos o julgaram como o merece. Após a leitura da brochura de que falamos, que dirão os que ainda ousam avançar que os espíritas são ímpios e que a sua doutrina ameaça a religião? Não percebem que, assim falando, fariam crer que a religião é vulnerável; realmente, seria muito vulnerável se uma utopia, pois, segundo eles, tratase de utopia, pudesse comprometê-la.
Não receamos dizer: todos os homens sinceramente religiosos — e por isso entendemos os que o são mais pelo coração do que pelos lábios — reconhecerão no Espiritismo uma manifestação divina, cujo objetivo é reavivar a fé que se extingue. Recomendamos insistentemente essa brochura a todos os nossos leitores, e cremos que farão uma coisa útil, procurando propagá-la. [*] Dr. Grand in-18, preço 1 fr.; pelo Correio 1 fr. 15 cent, Ledoyen, livreiro-editor, Palais-Royal, 31, galerie d’Orléans e no escritório da Revista Espírita. Allan Kardec - Revista Espírita de novembro de 1860
Prefácio
Um de meus amigos dirigiu-me certa vez as seguintes reflexões sobre o Espiritismo do ponto de vista religioso: "Escutei com vivo interesse o resumo que vós tivestes a bondade de fazer-me da Doutrina Espírita. Não sou daqueles que negam brutalmente os fatos; o pouco que vi me basta, e se o dogma da imortalidade da alma não houvesse sido há muito tempo aceito por minha razão e minha fé, os fenômenos, poucos na verdade, dos quais fui testemunha, seriam suficientes para dissipar todas as minhas dúvidas. Mas se me é demonstrado que a morte não é senão a passagem da vida corpórea para a vida espiritual, nada ainda me autoriza a considerar as revelações espíritas como emanadas de Espíritos aos quais possais outorgar legítima confiança. Nós levamos, Vós e eu, o nome de católicos, e compreendo com dificuldade como vossas crenças religiosas concordam com vossas crenças espíritas.
Ainda que eu vos contrarie um pouco em vossas novas ideias, direi que a minha fé me basta, e não me sinto impelido a pôr os pés num caminho que me parece todo semeado de perigos. Melhor do que eu, sabeis com que curiosidade e, frequentemente, com que entusiasmo as classes mais inteligentes da sociedade se lançaram, há alguns anos, nas experimentações espíritas; conheceis os resultados. Ao lado de algumas manifestações respeitáveis, houve coisas tão revoltantes, que muita gente honesta, gente piedosa sobretudo, ficou espantada, e deveu acreditar que o Espiritismo por inteiro era obra do demônio. Apenas toleradas pela Igreja, formalmente condenadas por padres e bispos, as experimentações prosseguem em algumas sociedades pouco numerosas, em alguns salões, em círculos íntimos, e dois jornais na França mantêm o público a par desses fatos misteriosos. Vós me comunicastes brochuras e alguns desses jornais. Constatei numerosas contradições, encontrei interessantes um certo número de
comunicações, outras me pareceram pueris, outras, enfim, são para mim anticristãs. No meio desses fatos, que estão longe de concorrer para o estabelecimento de uma mesma doutrina, parece-me muito difícil apreender a verdade e afastar o erro, e, eu o confesso, encontro-me até nova ordem muito mais à vontade na minha fé católica, do que numa doutrina absolutamente desprovida dessa autoridade que constitui a base e a beleza do Cristianismo. Certamente não irei até dizer que sois todas vós vítimas de Satanás, mas muito sinceramente confessarei que nessas práticas vejo um perigo sério para as nossas almas; que elas me parecem inconciliáveis com a fé católica, donde estou disposto a concluir que elas são destinadas sobretudo a perturbar as consciências e a inquietar os sentimentos religiosos. Ficaria feliz, no entanto, se pudésseis dissipar estas nuvens, pois, eu o concedo, o pouco que vi me inspira um vivo desejo de ver ainda, e certos pontos de vossa doutrina me encantaram. Tranquilizai minha fé, que se inquieta, e eu continuarei com interesse um estudo começado de modo tão agradável convosco."
Estas reflexões, eu as havia feito a mim mesmo, mas elas tiveram de ceder, em meu pensamento, perante a evidência e o raciocínio; pois, em presença de fatos averiguados, toda oposição deve se render, e é preciso aceitá-los com suas consequências, a menos de uma teimosia que acaba por se tornar ridícula. Tanto para satisfazer o desejo de meu amigo, quanto com o objetivo de esclarecê-lo e acalmar escrúpulos que me pareciam de modo algum fundamentados, resumi minha resposta na carta seguinte, que acompanhei dos desenvolvimentos que constituem o objeto deste opúsculo, destinado a mostrar que a religião, longe de ter a perder, tem tudo a ganhar com a propagação do Espiritismo.
Senhor e muito honrado amigo, Compreendo e respeito os vossos escrúpulos, e começarei por uma reflexão que provavelmente vos deixará mais à vontade. Se sois verdadeiramente católico, se amais e praticais a vossa religião, não sois daqueles para quem Deus julgou apropriado renovar as maravilhas dos primeiros dias.
Que pediríeis ao Espiritismo? A fé? Já a tendes; o ensino dos vossos deveres? Já os conheceis; uma apreciação mais perfeita dos vossos destinos? A vossa religião vos diz o suficiente. Não vejo, portanto, em suma, que bem vós, pessoalmente, poderíeis retirar do estudo e da prática do Espiritismo. Contudo, uma coisa me comove: é importante que os homens religiosos não vejam um perigo numa ordem de fenômenos chamada, se não me engano, a salvar a sociedade. Portanto, se as manifestações espíritas não vos são necessárias, a sua sã apreciação vos é indispensável, ainda que seja apenas para vos impedir de colocar entraves à propagação de uma verdade tão importante. Tendes lido, dizeis, nas nossas coletâneas espíritas, coisas pueris ou anticristãs, e isso vos faz duvidar da autoridade das nossas comunicações. Haveis refletido bem sobre a puerilidade desta objeção? Supondes que toda palavra emanada de um Espírito é por nós aceita como uma palavra celeste? Enganar-vos-íeis gravemente.
Não cessamos de o dizer; a maior prudência deve ser trazida a todas as práticas do Espiritismo, e se alguma vez um apelo deve ser feito à nossa razão e à nossa inteligência, é quando se trata de apreciar o valor das comunicações obtidas. O que as pessoas alheias aos nossos trabalhos parecem ignorar, é o dever estrito de bem distinguir os Espíritos tão diversos que entram em relação conosco. O ponto capital da doutrina é precisamente esta distinção, e notai bem, meu amigo, que nisto obedecemos aos ensinamentos dos Apóstolos e dos Padres da Igreja. Todos reconhecem que os homens podem ser postos em relação com bons e maus Espíritos. Os textos abundam, e São João, na sua Primeira Epístola, expõe categoricamente os meios certos de reconhecer * todo Espírito vindo de Deus. Os demonófobos ( ) dos nossos dias não se dão a este trabalho: a sua reprovação é absoluta. * [ ] Demonófobos (Do grego: "aqueles que temem demônios") Termo utilizado pelo autor para se referir àqueles que, de forma preconceituosa e irrefletida, atribuem toda e qualquer manifestação espiritual à influência de demônios.
Ímpia ou edificante, toda comunicação espírita é votada à sua maldição. Por sua autoridade, as mais admiráveis graças de Deus são declaradas obras do diabo, e o nosso Pai celeste encontrou homens que têm a pretensão de colocar limites à sua bondade como à sua onipotência.
De certas comunicações dadas por Espíritos elevados, suprimamos a fórmula evocatória, e desafio o cristão mais escrupuloso a não ser edificado. Segue-se que, nestas circunstâncias, o nosso crime ou a nossa impiedade consiste nas nossas orações fervorosas, nas nossas ardentes súplicas a Deus, para nos permitir receber da boca dos seus anjos as lições de que precisamos; assim, o ato mais piedoso torna-se, para o demoníaco, uma profanação indigna! Em verdade, a imaginação poderia sonhar algo mais insensato? Tal série de comunicações poderia ornar os livros mais piedosos; tal outra não deslustraria o Evangelho, nem a Imitação de Cristo, nem os escritos dos Padres mais venerados: não importa; que sejam malditas! Uns maus crentes obtêm a fé, uns ímpios se convertem, vidas escandalosas são bruscamente substituídas por existências votadas à caridade e à oração, tanto pior: estas conversões são operadas pelo diabo. Tantas coisas insensatas não seriam proferidas contra o Espiritismo, se se quisesse simplesmente apreciar os Espíritos como se apreciam os homens.
Se distinguis aqui embaixo os bons e os maus pela sua linguagem e pelas suas ações, por que não distinguiríeis os Espíritos pelos seus conselhos e pela sua influência? Não é monstruoso chamar Demônio a um Espírito que vos obriga a tornar-vos melhor? Não esqueçais, portanto, nunca esta verdade que domina todo o Espiritismo: há bons espíritos, mas há maus. Se não trouxerdes às vossas experimentações nem fervor, nem respeito, nem piedade, entrareis numa via deplorável. Abrireis a porta a seres perversos; mesmo para além do túmulo, sereis o brinquedo das almas que, no mundo dos Espíritos como na erra, se comprazem no mal, e não têm outro objetivo, como outro desejo, a não ser corromper-vos, aviltar-vos e tornar-vos semelhantes a eles. Prevenindo contra o perigo, abordaríeis tremendo esses formidáveis fenômenos; mas, ajudado pela oração, tomaríeis com felicidade a vossa parte da verdade nova.
Mas sois católico sincero, e os Espíritos, repito, não têm nada a ensinarvos sobre os vossos deveres ou sobre os vossos destinos que a religião já não vos tenha ensinado. Permiti-me, contudo, uma simples questão. Quantos católicos sinceros, fervorosos e praticantes podeis contar na França? E agora, quantos materialistas, ateus, panteístas, libertinos, ímpios,
indiferentes etc.? Por que declive desliza a nossa sociedade egoísta, corrompida, acorrentada à matéria e por ela dominada? Onde nos conduzem essas baixas paixões, essa sede do ouro, esse ardor pelos prazeres dos sentidos, que agitam e atormentam os homens, desde os cumes mais altos até às profundezas mais perdidas do mundo social? Donde vêm essas tendências materiais, senão das doutrinas materialistas que se infiltram na sociedade? Não será necessária uma potência sobre-humana para nos arrancar a esses lamentáveis aviltamentos? Essa potência, é o Espiritismo. Quando a voz dos homens já não é escutada, quando a voz dos vossos pastores se perde no vazio, é necessário que vozes do alto se façam ouvir, e, como sempre, é ainda Deus que deve salvar-nos.
Portanto, meu caro amigo, se desejo ver-vos participar dos nossos trabalhos, é menos para pôr diante dos vossos olhos as maravilhas que devem regenerar o mundo, do que para afastar da vossa alma esse infeliz pensamento, de que toda comunicação com os Espíritos é uma coisa ímpia; é menos para pedir, seja a vós mesmo, seja àqueles que vos assemelham, que concorrais ao nosso apostolado, do que para obter uma apreciação mais justa, mais lógica e mais caridosa dos nossos trabalhos e da nossa doutrina. Este objetivo, poderemos atingi-lo? Ouso mal esperá-lo. Conheço o poder do preconceito. No entanto, o interesse com que me tendes escutado várias vezes autoriza-me a pensar que vós, pessoalmente, me lereis com benevolência. Estas humildes páginas não se dirigem aos nossos adversários de ontem, o seu tema está feito; eles se agarrarão de tal modo às suas teimosias, que os mais esplêndidos milagres não os converteriam. Mas penso nos adversários de amanhã. Seria para nós uma tão grande felicidade reunir à nossa jovem família os bons e fiéis cristãos!
Seria um resultado tão grande prevenir a sua hostilidade. Também, apesar da minha insuficiência, tento piedosamente um esforço que suplico ao Céu que abençoe. Lede, pois, meu amigo, estas poucas páginas que vos dirijo, e dizei se tenho razão em protestar contra os vossos escrúpulos. O vosso dedicado, A. GRAND - Doutor Medicina
Quando, pela primeira vez, ouvi falar de Espíritos batedores (raps), tratei com indiferença. Eu estava na América e tive, logo em seguida, a oportunidade de assistir a algumas experiências; vi mesas girar; vi-as balançar sob a voz de certas pessoas chamadas médiuns, e nem mesmo tive a satisfação de achar aquilo divertido. Vi nisso um entretenimento pueril, mais repleto de estupidez do que de loucura, e minha incredulidade não foi abalada por um instante. Vários anos depois, o acaso colocou em minhas mãos o livro do Sr. De Mirville. Li-o com interesse; reli-o uma segunda vez, e diante de uma massa impressionante de fatos tão bem observados, tão bem analisados, tão perfeitamente autênticos, não me pôde restar qualquer dúvida. E, no entanto, pela especialidade de meus estudos, pelos trabalhos de minha profissão, por meu gosto pelas ciências positivas, eu pertencia, certamente, à categoria dos céticos. Mas que negação pode resistir contra fatos amplamente reconhecidos? A dificuldade, para mim, não estava em aceitar os relatos do Sr. De Mirville, mas em interpretá-los.
Em minha qualidade de católico, eu deveria me encontrar disposto a concluir como ele; mas se as pretensas manifestações diabólicas se apresentam, por vezes, com circunstâncias aterradoras, elas frequentemente revestem caracteres tão fantasiosos, tão grotescos, tão pueris, que, intuitivamente, eu buscava alhures a interpretação desses fenômenos surpreendentes. Finalmente, me mostraram o O Livro dos Espíritos, publicado pelo Sr. Allan Kardec. Esse livro era a contrapartida daquele do Sr. De Mirville, mas com esta diferença capital: em vez de atestar apenas a existência dos bons Espíritos e suas manifestações exclusivas, ele estudava os fatos mais dessemelhantes, examinava todas as comunicações, quer tivessem um caráter diabólico ou divino, e provava que, em seu conjunto, elas concorriam igualmente para formar uma doutrina admirável de lógica, sabedoria e verossimilhança. Foi, para mim, um raio de luz. (Nota 1).
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.