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Capítulo 5 de 14
Capítulos Da Vida — parte 4 de 5
As Margens Do Mar Morto · Osvaldo Polidoro
de derrame do espírito sobre a carne . Voltando ao episódio em que me vi às margens do Mar Morto, deparei com o Divino Mestre, por entre dunas e cordeiros, a meditar nas coisas que tinha de mister, na solidão das noites cálidas de verão, em preparos para a grande e triunfal sortida. Tinha ele mais ou menos vinte anos de idade. Eu beirava os meus quarenta. O aspecto sonhador e angélico daquele jovem não me comovia. Interpelei-o um dia sobre o assunto das suas meditações. Falou-me, então, das veredas de Deus, dos anjos instrutores, das faculdades dos profetas, das coisas que iria fazer, da grande mensagem que trazia ao mundo. Eu não podia compreender a sua preocupação com coisas tão transcendentes e, muito menos, as suas teorias sobre do que o mundo precisava. O espiritismo de hoje, cristianismo restaurado, bem faz supor o que me teria dito o Mestre. Impacientei-me, sem conseguir que ele se alterasse. Belo, muito belo, manso, muito manso, hoje me espanto de não ter percebido a sublimidade daquele ser. Mas, eu pouco pensava nas coisas superiores e o principal da chamada criação para mim era o mundo terreno. O resto, secundário. Ele voltava o seu olhar claro e profundo na direção de Jerusalém, onde devia saber findaria seus dias por entre os apupos de uns, as sanhas assassinas de outros, as preces de alguns e todas as bênçãos do céu. Não obstante o seu todo pacífico, as idéias que expelia me escandalizavam. Increpei-o de incompetente e inexperiente para opinar sobre o assunto. — Um dia me dareis razão — respondeu ele, fitando-me serenamente. — Nunca! — exclamei exaltado, com ímpetos de feri-lo. Prometi-lhe pancada e por pouco não o agredi, como primeira dose de veneno que o mundo lhe daria. Ele, porém, manso e compassivo, foi-se indo pelo areal afora, depois de dizer com profundíssimo acento: — Se a Verdade estivesse contigo, por certo serias manso e humilde, tolerante e benigno, ainda mesmo que eu estivesse errado. A meu mau grado, não pude deixar de sentir o tom melodioso e agradável daquela voz bem timbrada. Causou-me também admiração a novidade da resposta, bem como a doçura desassombrada do adolescente. Depois desse fato, mais de dez anos passados, havendo-me trasladado para Jerusalém, de novo vim a atritar com o mesmo homem, agora já bem mais grave em sua apresentação fisionômica. Os mesmos belos traços, mas um pouco mais de gravidade nos olhos infinitamente sonhadores. Descalço, o manto opalino, cabelos repartidos ao meio, barba bipartida, voz sonora, com harmoniosas modulações, dotada de possante convicção, caminhava ele por entre a turba de admiradores, curiosos, doentes e discípulos: — "Buscai o reino de Deus e sua Justiça, e tudo o mais vos será dado de acréscimo" — repetia sempre. Suas palavras, a meu ver, espargiam o veneno da desobediência ao código de Moisés. Com os poderes cabalísticos que todos os nazireus pareciam possuir,
Vide — "Um Médium de Transportes" e "A Caminho do Céu" (do mesmo autor)
prodigalizava ele curas espantosas, milagres esses que eu acreditava serem provas irrefutáveis de conluio com Belzebu. Com freqüência recordava aos ouvintes que a sua passagem pelo mundo seria rápida, que meditassem nas suas palavras pois era depositário de grande mandato, da celeste promessa do derrame do espírito sobre a carne, a fim de que todos pudessem profetizar e testemunhar a realidade do mundo espiritual. Declarou que deixaria na Terra, para sempre, a prova da sua passagem, tanto pelas obras como pelos ensinos, e acima de tudo pelo Consolador, que mandaria para representá-lo e ficar conosco, quando fosse sacrificado pelos homens. Vi-o dizer, várias vezes, aquilo que os livros não registram, de serem todos os homens iguais perante as leis que regem o universo. Muitas e belíssimas coisas disse ele ainda, que os livros não consignam mas que, a seu tempo, virão a ser conhecidas. Dotado de fascinadora eloqüência, vi-o arrulhar como pomba e bramir como leão, chorar com o povo e enfrentar sobranceiro o orgulho de uns e a prepotência de outros. Vi-o arrastar pelas estradas poeirentas em fora, multidões e multidões, quer da carne, quer de gente de outros planos da vida. Vi, acreditem, o Cristo dentro e fora dos quadros físicos. Acompanhei, como comprometido, ao martírio da cruz! Meu primo, padre fanático e cruel, tinha por certo que liquidar aquele perturbador da ordem, era dever sagrado a cumprir. As vibrações da ignorância e do egoísmo, do mal enfim, excitadas desde o início da missão renovadora do Mestre, tinham atingido o paroxismo! A conturbação, senti-o mui bem, fazia fremir a atmosfera da Terra. O mundo e tudo o que era do mundo repelia com violência aquele que lhe falava do espírito. O homem materialista esquece as faculdades superiores de que é dotado e despreza os prazeres sublimes da alma, empenhado em satisfazer os do corpo. Um dia chegará, porém, em que as dores e desilusões o levarão a procurar uma felicidade mais durável e ele compreenderá e aceitará o que antes rejeitava. Cristo a todos veio apressar esse dia. Pregando e exemplificando a superioridade do espiritualismo, ele nos leva a pensar nas verdades que revelou e a converter-nos ao Bem mais depressa. Revendo hoje a cena culminante do Calvário, percebo, graças ao duplo poder de penetração deste aparelho, as falanges trevosas dos dois planos exultando de ódio e alegria com a morte do Justo. Encarnados e desencarnados , identificados pelos mesmos sentimentos, vibravam de gozo com a derrota aparente do Cristo. As mentes ensombradas excitavam-se uma à outra, ensejando os maiores crimes. Focalizei os dois ladrões e vi que eles vociferavam e maldiziam, sendo errônea a lenda do bom ladrão! É invenção humana, assim como muita coisa mais, que é tida por verdade provada, ou como verdade admitida. Pareceu-me ter visto dois vultos deslumbrantes de luz, amparando o moribundo e por fim conduzindo-o, por entre legiões de legiões de seres alegríssimos. Vi que se formou então uma nítida separação entre o que ia mais para cima e o que ficava embaixo, ao rés do chão! Vi, saiba quem quiser saber, o que estou relatando e aquilo que não quero relatar. Basta isso que aí fica. Não posso — porque não é possível — com o meu pouco, salvar os meus irmãos terrenos, mesmo porque a libertação de cada um há de ser resultado do esforço próprio e só virá por obras. Todos deverão aliviar a sua carga de defeitos, para poder librar-se aos ares. Cada imperfeição eliminada é mais um grilhão de que nos
desprendemos. Atos, palavras, pensamentos incorretos são bolas de ferro a reter-nos no solo. Milhares de pessoas têm escrito sobre o drama do Calvário. Disseram o que entenderam dizer, baseando-se no que ouviram contar. Em conseqüência, muitos erros passam por acertos, mas não prejudicam nem alteram o fundamental, contido no Evangelho. Também pedi para contar alguma coisa, por mim mesmo vivida, como parte daquele drama. Procurei entravar a missão do Cristo, resultando ficar ligado à mesma, pois não há ato nem pensamento que não tenha suas resultantes. Todavia, os obstáculos opostos pelos homens já estavam previstos e a missão do Santo cumpriu-se. Trouxe ele, assim, para a praça aquilo que era ocultamente praticado pelos grandes mestres. Foi o Cristo quem vazou aos homens um batismo em Revelação, sem as características de cor, credo ou fronteiras. Foi o Cristo quem fundiu todos os ensinos num só: o Amor; todos os deuses num só: o Pai; todos os homens num só: o Filho. ANTÔNIO NA BERLINDA Foi o Cristo quem demonstrou inteligentemente aos homens o sentido do versículo bíblico que diz: "Vós sois deuses". Fê-lo exibindo os poderes de fato desdobrados. Todo homem é em si portador de um Cristo interno, o qual deve fazer resplandecer e nessa refulgência alçar-se aos páramos do Supremo Estado, onde não mais poderá ser atingido pelas maldades, que terão deixado de exercer sua influência sobre ele. Jesus disse: vós também podereis fazer isto que eu faço e mesmo mais, convidando-nos assim a desenvolver os referidos poderes latentes, hoje chamados mediunidades. Sim. Na mensagem do Cristo todas as mensagens estão inclusas, as passadas e as futuras. Porque o Evangelho é a Vida em função, em todos os sentidos. Seus capítulos ir-se-ão desdobrando, suas sentenças distendendo-se, seus profundos sentidos irão penetrando cérebros e consciências, sob o manto esclarecedor do mediunismo bem cultivado à luz do Amor. O Consolador, prometido por Jesus, ou seja o espiritismo, que nada mais é que o cristianismo em sua pureza e beleza originais, é o informante eterno ao dispor do homem. Ao cabo de pouco, quando o meu suor de espírito me banhava todo, despertei para o estado consciente. Antônio, então, entre medroso e confiante, balbuciou: — É a minha vez?... O mentor principal disse-lhe, benévolo: — Por ora não, irmão Antônio. Terá que passar ainda outra vez pela carne, pelo cadinho redentor e evolutivo, antes de enfrentar essa visão retrospectiva. O seu estado não permite ainda que entre no gozo de tal conhecimento, pois saber é sempre um prazer, principalmente quando se sabe que quase tudo está desfeito, por meio de atos meritórios praticados posteriormente. Você viu o primo de Ambrósio, aquele clérigo fanático, que tanto tomou parte no tremendo drama? — Vi, sim senhor. Mas vi somente como quem vê num teatro... — Pois eu te afirmo, pelo que sei da história de ambos, que da próxima vez que vier da carne, se bem se desempenhar por lá, este aparelho estará ao seu dispor para entrar
no conhecimento vivo daquela encarnação, assim como Ambrósio viveu e reviveu hoje o dele. Porque foi você quem viveu aquela personalidade... Não se assuste, porém, com essa informação, por já estar quase tudo pago e resgatado. Falta um nonada, apenas, para um grande passo... Ora, mesmo conturbado mentalmente, não podia ouvir falar em boas ações praticadas, sem me lembrar de certos fatos da última encarnação, a pesarem no quadro das circunstâncias gerais e a influenciarem desagradavelmente no meu estado, onde poderia reinar desejável paz de espírito. Tínhamos, bem nos lembrávamos, procedido mal para com os nossos fregueses, embora sem grave prejuízo para eles, em vista da fragilidade do suborno por nós posto em circulação. Lesamos muito, lesamos pouco, em face do Tribunal da Consciência? Eu sentia que havia errado e que o peso do erro ia como me achatando, comprimindo, aterrorizando! E foi nessa hora que uma angústia invencível me invadiu, obrigando-me a reclamar explicação da parte daqueles benévolos instrutores. Foi em pranto que me volvi ao instrutor chefe para lhe falar. Não pude fazê-lo, é claro, tão emocionado estava. Ele compreendeu e dirigiu-me palavras de consolo. Não negou que eu tinha errado bastante, enchendo o farnel de responsabilidade com muitos agravos. Porém, disse: você também fez boas coisas; foi solidário com obras de alcance social, auxiliou na construção de hospitais, abrigos, deu esmolas bem precisadas, criou dois filhos alheios, etc. Passou-me a mão pela mente, levantou-me o semblante, acrescentando em seguida, plenamente consciente da realidade que defronta cada criatura: — Ambrósio, ninguém nasce perfeito. A evolução é lenta e laboriosa para todos. Não se deixe aniquilar pela impressão da própria inferioridade. Mais culpa carreiam aqueles que absolvem faltas alheias e ensinam de modo tão frouxo. Você não era tão responsável quanto hoje lhe parece, porque o "quantum" dos seus conhecimentos era e é relativamente baixo, em matéria de leis e de religião. E como no passado cometeu falta bem mais grave, o que realizou na última encarnação já representa um progresso, que é levado em conta. Outro, no seu estado, mas contando com mais vantagens e precedentes mais favoráveis, não teria recebido tão depressa o acolhimento que você está estranhando. Terá tempo para desfazer-se desse peso, bem como para alar-se aos empíreos lugares, às mais puras regiões. Encarou-me com os seus olhos lúcidos, com a força da sua personalidade possante e sorrindo confidenciou, colocando-se modestamente no mesmo nível que eu: — Também tenho muito por liquidar ainda... Vislumbro uma volta à densidade da matéria, para, em resgatando faltas e conquistando méritos, poder elevar-me àquelas regiões de que falamos... Todos nós, aqui, somos ainda grandes devedores... E como vê, não nos pede o Deus Interior, por meio dos Seus agentes orientadores, e distribuidores de serviços, uma reforma pronta e radical, uma total e imediata emancipação. Teremos sempre tempo, desde que não cometamos faltas pronunciadamente cruéis, crimes sérios contra as leis de Harmonia Universal. Enxuguei o meu pranto, sentindo-me como que mil quilos mais leve. Observei que Antônio estava aflito, ensimesmado, e julguei que fosse devido aos mesmos fatos.
Contudo, não me parecia estar ele sentindo a mesma comoção que eu, depois de passar por aquele crivo impressionante, por aquela revisão potente. Havia-me tornado muito mais sensível, delicado. Os homens e as coisas apareciamme sob novos prismas, inspirando-me simpatia. Fisicamente a mudança não era menor. As pernas fraquejavam-me. Uma fraqueza tremenda invadia-me todo, atingindo, a meu ver, o próprio espírito, o mais profundo do meu ser, tal a sensação aguda da pressão moral. Estava refeito daquela ânsia de pranto, mas a debilidade me obrigava quase a ter de reclamar um leito. O instrutor principal notou isso e fez-me o mais favorável convite que no momento seria imaginável: — Desçamos um pouco na escala hierárquica dos planos erráticos; vamos ao lugar que virá a ser o de sua moradia. Lá tudo está pronto para recebê-lo, com um bom leito a aguardá-lo... Vamos... Num segundo, para lá nos havíamos dirigido. Pareceu-me que tudo mudou instantaneamente. Dois leitos em uma sala ampla, onde vasta biblioteca também figurava. Franqueando-nos o aposento agradável, o mentor esclareceu em tom de despedida: — Fiquem à vontade... Depois do sono voltarei para lhes dizer alguma coisa mais. Não vindo eu, procurem Manoel, que é também morador deste prédio. Manoel era um daqueles espíritos bons, o primeiro amigo que nos acatara, grande trabalhador no grupo espiritista que funcionava na casa pobre de Jasmim, alma lustral a animar o corpo de ébano, coração amante a desgastar-se pelos semelhantes. UMA VISÃO CELESTIAL Entregue às ordens de um sono profundo, tive um sonho deslumbrante. Não sei se prolongou pelo tempo todo do sono, ou se durou apenas o suficiente para ver o que de mais alto me estava determinado. Sabemos que o dormir de um espírito é agir fora do corpo respectivo, em plano mais rarefeito, tal como acontece com o encarnado, que tem assim a possibilidade de desenvolver atividade em terreno dimensionalmente mais livre, onde as possibilidades de ação quase não conhecem tropeço. As distâncias, ali, nada significam e tudo se processa rapidamente, em segundos desenvolvendo-se cenas que custariam horas e dias na vida carnal. O que sei é que o mentor principal, aquele que tudo tinha encaminhado, que tinha ordenado a Marta que me fizesse atingir tal plano, de novo apareceu, mas em companhia de minha mãe. O laço fluídico que prende um espírito ao seu perispírito não é menos potente que o que ata o encarnado ao seu corpo. É um fato! Por isso mesmo, lembravame de tudo, mas da forma que um espírito encarnado lembra, uma vez que o fenômeno se dê em forma de sonho, e não como no caso de desdobramento lúcido. É bom conceber sensatamente o que é ou sucede por faculdade mediúnica, distinguindo do que é sonho ordinário. No curso do sonho, pois, minha mãe tomou o lugar daquele mentor, no papel de guia, para os esclarecimentos que fossem de mister. Foi ela quem passou a
argumentar, a explicar, a perguntar, ficando o mentor apenas ao dispor de algumas oportunidades de ingerência dialogal, ora assentindo, ora não, o mais das vezes fazendo um gesto inteligente, assim como se dá nas conversações em grupo, em que não é possível falem todos. O mais interessante foi um convite de minha mãe, para que fôssemos orar em um templo do local, daquele que eu então desconhecia, e que agora sei ser o plano-moradia de minha mãe. Frente ao belo templo, também encimado por uma cruz, que era atravessada em diagonal por um peixe, disse-me ela com aquele sotaque português dos seus dias na carne, e com a mais carinhosa inflexão de voz que lhe era possível, também, durante a romagem pelas estradas do mundo, onde as formas são mais grosseiras: — Ambrósio, para se adorar a Deus não se precisa de coisas exteriores, bem como dispensáveis são os templos materiais. Nenhum ser poderia adorar melhor ao seu Emanador do que sabendo bastante, e muito mais amando, no convívio universal. Todavia, uma casa preposta a esse fim, é um lugar onde os homens podem reunir-se, com ordem e método, para efeito do culto santo. De nada valerá o cerimonial de adoração se no íntimo dos fiéis não houver amor ao próximo e sentimentos benevolentes. Este templo não comporta imagem alguma, havendo apenas um crucifixo pregado na parte posterior do mesmo. Isto porque é um lugar de concentração mental e elevação interna, como todos os templos desta região. Sendo interno, o culto não comporta o sacerdócio profissional, que aqui não existe. Aqui se fala, se prega, se debate, tudo em ordem e para fim edificante. Duas legendas ornam os lados da igreja. Uma diz: DEUS É TAMBÉM ÍNTIMO AO TEU PRÓXIMO. E a outra diz: AMAR PRATICAMENTE É A LEI DO CRISTÃO. Estas duas divisas completam-se, oferecendo oportunidade para todos os mais belos e edificantes pensares, conferindo bases de fato para as compenetrações que levam aos grandes empreendimentos espirituais. A consciência da unidade divina entre os seres há de ser a força propulsora de todos os atos de fraternidade, como sejam a tolerância, o perdão, a resignação e o espírito de renúncia e abnegação. Isso é o que se procura inculcar nas mentes, em nossos cultos e palestras. E pude considerar: — Nem é preciso mais que educar, para que o homem se porte como deve. Em tudo que presenciei, até hoje, por estes lados da vida, como programa instrutivo, a educação ocupa lugar primordial, sendo mesmo a pedra angular do sistema. — Na Terra — observou-me ela — os homens também pensam assim; mas pensam sectariamente... Seus pontos de vista tendem para o exclusivismo. Educação, para eles, só o é o que cheire a rotinismo carcomido, a partidarismo, a teoria engarrafada... — Assim é... — foi o que me ocorreu dizer, rememorando certas coisas. — Aqui — prosseguiu — não é assim; a palavra é dada a toda e qualquer idéia. Adora-se a Deus no todo e na parte. Estuda-se livremente. Ninguém tem o direito de pensar que a VERDADE foi feita para ele saber e os demais ignorarem. O método é agir sempre pró-bem de todos e estudar livremente. Não se admite pureza doutrinária que não comporte sentido evolutivo. — E o clero não é, de certa forma, uma instituição necessária? É claro que deve haver um programa... — arrisquei.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.