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Capítulo 12 de 14
Novo Lar — parte 1 de 3
As Margens Do Mar Morto · Osvaldo Polidoro
Teóclito, em fração de minuto, fez tudo quanto julgou exato; levou-nos para a casa onde habitava Ambrósio e partiu. A madrugada ia bela com a lua em minguante. Espiando na esteira do horizonte visual, divisava-se a seqüência de acidentes geográficos a perder de vista; é que a casa ficava sobre uma elevação, facilitando o prazer de uma paisagem, que de dia era belíssima e, à noite, invocativa de lembranças perdidas nos abismos do subconsciente. Ficamos, por alguns minutos, perdidos na vastidão de nós mesmos, a revolver as coisas com que a Suprema e Íntima Causa nos brindara, nesse dia maravilhoso e ungido de mil proveitos! Fomos para nossos leitos; sim, leitos, pensem lá o que quiserem, é verdade, uma verdade um pouco estranha e inacreditável para os seus entendimentos relativos. — Nessa cama dormia Décio, um companheiro que se foi para as vielas redentoras da encarnação. — disse Ambrósio, tornando-se melancólico — Você vem, com certeza, para a Justiça Divina ter curso normal; mas, também, para que corações saudosos sejam recompensados... Eu quero pensar assim... Minha irmã adotara-o como filho, há uns vinte anos atrás, deixando um profundo sulco em seu coração!... Ela, que errou e não soube ser mãe na Terra, chora agora, todos os dias, por causa desse erro... Eis mais um pouco de Justiça, sob bases éticas e estéticas... O dia, rico em acontecimentos superiores, não esgotara em mim a capacidade de emoção; fiquei triste, porque já sentia, dado as coisas que vinha de saber, alegrar-me com o gozo e padecer com os sofrimentos alheios. E prometi: — Espero corresponder aos nobres sentimentos que me irão embalar nesta casa. Sinto muita satisfação em saber disso, pois assim tudo poderei empregar de esforços, para contrabalançar a perda. E dormimos. APRENDENDO SEMPRE Não me detenho em detalhes, por estar avançada a série de trabalhos a respeito das coisas cá de extratumba, onde nas duplicatas etéreas da Terra, pode-se viver do melhor ou pior modo. Assim, portanto, tendo-nos levantado pelas onze horas, depois de ter lanchado, partimos. Ambrósio anotara, num seu caderninho de apontamentos, um rol de serviços a prestar, tudo relativo a atividades junto a grupos espíritas. O chefe dividia atribuições e os trabalhadores entreajudavam-se quando era necessária a cooperação. A não ser isso, cada um agia por si. Agora cumpria-me servir e aprender com Ambrósio, eu que, desde o meu crescimento até o dia em que fui chamado por aqueles arroubos, nunca havia visto uma sessão. Cabia-me preparar para esses outros misteres do mecanismo da vida. Saindo do seu domicílio — agora nosso — Ambrósio entrou pelos jardins adentro da casa vizinha e chamou por um irmão de nome Alencar. Quando este saiu, fui-lhe apresentado, e ele, por sua vez, quis apresentar-me à família. Fiquei contando, no meu
farnel de conhecimentos e amizades, com mais uma meia dúzia de adoráveis criaturas. Alencar, pouco depois, saiu conosco. Marchamos rumo a um lugar medonho! — Lembra-se — segredou-me Ambrósio — daquele tal de Luís, por quem fizeram preces ontem e de quem demos notícias pouco lisonjeiras? — Lembro-me, é claro — respondi-lhe, relembrando os trabalhos do grupo espírita. — Agora iremos fazer por ele alguma coisa, em virtude de se ter cumprido um período de purgação. Aquela senhora era sua esposa, quando vivia na carne. E por ter em sonho falado com espírito de suas relações, sobre o marido, uma vez acordada não sossegou enquanto não pediu por ele. Eis um pouco mais do mecanismo judiciário do universo. Encontram-se as pedras e os homens... — Agora — balbuciou Alencar — tenhamos muito cuidado; estamos em zona perigosa. Legiões de infelizes enxameam por aqui, ao rés-do-chão, movidos pelos mais negros instintos e propósitos. Embora nada tenhamos em comum com esta atmosfera nem contato com ela, por comida ou bebida, cumpre-nos manter vigilância superior. De fato, ao longe, um alarido fez-se ouvir, que num crescendo se foi aproximando, tendo em seguida desaparecido. Depois, de longe em longe, pios de aves noturnas se fizeram ouvir. Tendo eu dito se eram corujas da Terra para aqui vindas com a morte do corpo, Alencar explicou-me baixinho: — Pode ser isso; mas pode ser um som emitido por alguém, que havendo regredido tanto em moralidade, tenha revolvido em si características orgânicas primitivas. Como sabe, em nós albergam-se o pior e o melhor. E tudo pode desabrochar... Agora, com o ruído, gritos angustiosos levantaram-se na escuridão, uns praguejando, outros clamando por socorro, outros prometendo sevícias. Foi como mexer em vespeiro tremendo, o havermos confabulado. Resolvemos prosseguir em silêncio. Ambrósio devia estar se guiando por faculdade ou amparo superior. Eu, pelo menos, pouco conseguia ver. Ao cabo de jornadear pelo campo seco e escuro por alguns bons quarenta minutos, estacou Ambrósio, pondo-se à escuta. Depois, devagarinho, encaminhou-se para um dos flancos, de onde voltou para dizer: — Está aqui... Vamos arrastá-lo... Fomos acompanhando o obreiro do bem; quando se pôs a apalpar no chão, alguém fez um berreiro infernal. Ambrósio fez-nos, também, deitar. Como nenhum dos dois falasse, mantinha o meu silêncio. Medo, garanto, não tinha. O mais fácil seria zarpar à custa de poderes à vontade; mas, pensava, e o socorro ao irmão sofredor? Como executá-lo sem sacrifício próprio? — Vamos arrastá-lo... — convidou Ambrósio baixinho. Fizemos qualquer coisa que poderia ser chamada de grande! Arrastamos, pareceume, ao tal irmão, por muitas centenas de metros, antes de lhe podermos dizer que éramos de paz e agíamos com Deus, a pedido de sua mulher e por ter-se acima de tudo, cumprido um tempo de purgação. O homem aceitou nossos argumentos, tendo pedido preces, muitas preces... Isso foi muito bom, pois o tornou acessível às nossas emissões eletromagnéticas. Passou a andar com muita dificuldade. Caminhava trôpego, mas era
bom; evitava esforço nosso... Falo com pureza d'alma, que jamais me passara pela mente que coisas assim tivessem de ser realizadas. Sabia dos planos inferiores, mas julgava a libertação por outros processos, os quais não sei bem como explicar. Hoje sei que os há, dependendo a variação de múltiplos fatores. Uns penam nos abismos; outros se redimem socorrendo-os. Isso em linhas gerais. Como se vê, sempre em equilíbrio de razões, sempre surgindo a força dos contrários como propulsora dos fenômenos restabelecedores. Sempre as leis de Causa e Efeito! Quando ia consultar a Alencar sobre a possibilidade de vencermos o peso específico de Luís, com os nossos poderes de dinamismo psíquico, eis que prontamente me diz, sorrindo entre dentes: — Ele vai ainda para lugar bem sofrível, embora muito melhorado em relação àquele de onde o fomos tirar. Luís poderá melhorar bem, em pouco tempo, mas a poder de esforços próprios. Chegou-lhe o tempo de purgação consciente, porque até aqui, como pode facilmente compreender, nada tinha para ter vontade; note outra fase de matiz judiciário... Andou o homem longo trecho, falando e defendendo-se. Quando fez a primeira pergunta, respondeu-lhe Ambrósio: — Deixamo-lo falar, propositadamente, para sabermos um pouco de suas razões. Contudo, amigo, lembre-se de que esteve entregue à Suprema Justiça, ela que não consulta e se impõe de dentro para fora, por automatismo ingênito. Logo, tendo de esbarrar no que é de dentro e não de fora, por que comenta? Não sabe ao menos confiar nos Supremos Desígnios? Custa-lhe muito olhar para dentro do seu coração? — Não posso defender-me?... — apelou Luís, parando para falar. — Defenda-se, sim, porém de si para consigo; em si errou e em si lavrou sentença cominadora. Nenhum tribunal externo o condenou! — Então, sem ter pessoas ou organização judiciária perante quem me possa defender, como poderei ser atendido e liberto?... — tornou Luís, acabrunhado, revelando desconhecer tudo em matéria de Lei Divina. — Em si mesmo — explicou-lhe Ambrósio — encontrará a Suprema Justiça, perante a qual poderá atacar e defender à vontade. Estude em si o quanto possa sobre a sua atuação no mundo. O que soube e ignorou. O que fez e o que deixou de fazer. Encare os problemas do bem, da paz, do amor, da piedade, da paciência, da resignação, da lealdade. Lembre o quanto foi de bom como filho, irmão, marido, pai, empregador, empregado. Confira tudo sob o guante da Divina Lei, a quem deve ter ferido, na parte tocante à sua identificação e parcela de responsabilidades. Confronte o que lhe pôs Deus, em natureza, ao dispor, com aquilo que com malícias e menosprezos desmereceu, sem dúvida. Levante, em si, um balancete sério. — O senhor sabe a meu respeito alguma coisa?!... — atalhou, confuso. — Eu sei de mim mesmo... E isso já é o bastante. Decerto, também tenho experiência quanto à intangibilidade da Justiça Superior, por essa razão enfronhada em nossa individualidade, para não ter de julgar de fora. Antes, nós mesmos é que a fazemos funcionar pró ou contra. Vede bem, caro Luís, não adianta ir à procura de bode expiatório
a respeito dessa questão. Caso queira discutir, afianço que voltará ao lugar de onde acaba de ser tirado; porque deve acertar por si, de hoje em diante, para melhorar. — Isto é bem encrencado!... — comentou, aturdido. — O mais encrencado ficou para trás; como poderá ver, bem longe está daquela região ressequida e trevosa. Isto já não é bem melhor? O homem olhou em volta e viu certa claridade. Tudo avermelhado, mas podendo-se enxergar; havia vegetação e campos mirrados. No céu fumaçado percebia-se a claridade superior. A luz da esperança iluminava-lhe o coração. — Sim, está muito melhorado!... — respondeu submisso e ponderado. — Então — recomendou-lhe Ambrósio — faça como vou dizer-lhe. Pense nos erros que outros contra si praticaram; reflita, muito mais, porém, nos deveres que não soube exercitar. Quem acusa se acusa; quem se acusa se defende. Defenda-se descobrindo falhas íntimas e trabalhando para saná-las. Só isso vale por todos os argumentos que queira somar em seu favor. As condições corográficas melhoravam cada vez mais. Em certo momento, galgando elevado cume, divisamos vastíssima muralha, lembrando aqueles muros que protegiam as cidades antigas, as primeiras trincheiras imaginadas pelo homem. Alencar disse a Luís. — Eis aí o país onde irá morar, pelo tempo que dele carecer. Come-se ali o pão duro e veste-se a roupa grosseira. Tudo é inferior nesse país expiatório, tudo é rude e pronunciadamente sofrível. Procure, portanto, vencer e sair o mais depressa possível. Com boa vontade, vencerá. É só querer; o poder está em si mesmo. — Mas tenho vontade de ir para melhor! — exclamou Luís. — Muito bem, pois faça por merecê-lo. Quem quiser ser benquisto, para tanto se apreste. De resto, só com boa vontade não se faz pão; primeiro os ingredientes, depois a boa vontade e em seguida o trabalho executor. Como poderá ver, entender e sentir, o reino do céu é em igual molde, realizável. Está em nós como ingrediente; precisamos de boa vontade e trabalho executor para manipulá-lo. Nada mais justo e simples, não acha? O difícil seria se estivesse fora de nós. — Contudo — argüiu Luís estacando na vagarosa marcha — de que me valeu ser religioso?!... Deus parece que... que não cumpre tratos!... Ambrósio fitou-o bem, avizinhou-se e falou com bondade: — Entre as verdades de Deus, que representam leis naturais, e as verdades religiosas — formalismos humanos e quitandas vendáveis — há muita diferença. Enquanto Deus, de dentro dos seres, pede conhecimento e obras, os religiosismos pedem formalismos tapeadores, fanatismos, exclusivismos, ódios sectários, etc. Não se esqueça de que o estamos cuidando, à Luz do Consolador restaurado, daquela eclosão mediúnica do Pentecoste, de onde, por ordem de seqüência, viriam todos aqueles informes de que lhe disse o Divino Mestre: "Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará todas as coisas..." (João, 14-26).
Se, portanto, houve truncamento na ordem de ensinos subseqüentes, isso se deve ao romanismo que, banindo aquele culto que ficou sendo o dos Apóstolos, implantou o paganismo romano, rotulado de Cristianismo. É hora, porém, em que toda a Terra será sacudida pelo aguilhão da Verdade. O Elias que devia vir e restaurar as coisas, já veio e lançou as bases, em obras fundamentais. O que produz essa base, logo poderá saber, quer pelo que se passa na Terra, quer pelo que se dá nos nossos planos inferiores. O Cristo, portanto, está em dia com as suas profecias. Resta que os homens o compreendam e sigam. Não há religião, por conseguinte, fora da VERDADE, e a VERDADE está no homem, nos seus poderes interiores. — Vou estudar esse assunto, quando possa — concordou Luís. — Terei prazer em oferecer-lhe um catecismo. — propôs-se Alencar — Um catecismo sem jaça, porque acima dos interesses de seita, bolso e estômago. Poderá saber como nasceu, viveu e morreu o Cristo, reaparecendo dos mortos, ou em Espírito, para testemunhar sua obra na grande manifestação mediúnica da qual já falamos. Foi em relação à VERDADE que o Cristo fundamentou o sentido religioso de Sua obra, nunca, no entanto, sobre esta ou aquela religião. A VERDADE é a RELIGIÃO. Assim conversando, atingimos as muralhas. Esperamos até que nos viessem buscar. Vieram e introduziram-nos, encaminhando-nos para as autoridades da região, que eram espíritos bem impositivos e pouco escrupulosos, pelas características que evidenciavam. A elas ficou entregue Luís. Prometi-lhe entregar um catecismo e partimos todos em demanda a outras obrigações, deixando Luís acentuadamente entristecido. DE RETORNO À CASA DE JASMIM Um outro trabalho que fomos atender, constituiu na condução de um homem recém-desencarnado, em regulares condições, ao cadinho mediúnico. É muito interessante o que ocorre em uma comunicação de espírito necessitado, desde que seja o ambiente simples, sincero e instruído. À custa dos elementos ectoplásmicos retirados aos médiuns e presentes bem intencionados, operam espíritos conhecedores, verdadeiras reformas. Manifestam-se brutos, dementes, doentes, estropiados, e saem humildes, mansos, ponderados, submissos, curados, menos imperfeitos, etc. Há qualquer coisa de mais profundo nisso que o mediunismo faz; algo que os estudiosos não penetram ainda, por via de sua inerência transcendente. Esse novo atendido tinha alma regularmente plasmada nos moldes cristãos, à altura de suas posses hierárquicas, isto é, pelo que pôde viver do cristianismo em si, como o podemos deduzir, nós os seres ainda constituintes da grande massa terrenal, que pouco fazemos mentalmente e quase nada praticamente... — Bem... Embora me sinta doente... Como poderia esperar isto?... Contudo, pelo que se vê... — foi tudo o que Fabrício pôde dizer. Ambrósio falou-lhe dos planos em crescente esplendor, para aqueles que em si mesmos, interiormente, procuram crescer. Fez ver como seria prejudicial uma mudança profunda e repentina, para a organização emocional da maioria. Prometeu-lhe levar a
assistir a uma sessão espírita, onde muito poderia lucrar, em melhoras e aprendizados imortais. — Aceito, aceito!... Sempre fui contra toda ordem de religião, mas quero ver daqui como é esse negócio de Espiritismo... Minha cunhada era médium... Eu nunca quis saber nada disso... Como o velhinho falasse em ser do contra com relação a toda religião, aguçou-me o desejo de trocar com ele idéias. Queria saber um pouco mais sobre esse intrincado problema psicológico, de onde crentes partem para as trevas e céticos ascendem ao conhecimento do estado e merecimento de socorros imediatos. Por isso, falei a Ambrósio nesse sentido e ele me disse, oferecendo oportunidade: — É sempre o mesmo porquê. Clamar: “Senhor! Senhor!”, em ladainhas e peditórios besuntados de melosidades afetadas, não resolve o problema do céu interno; o que lhe irá contar o velhinho, como poderá esperar, é isso. Não ganhou algum aprendizado, que por certo vem em demanda a quem busque um credo qualquer, mas, também, não se comprometeu acreditando nas falsas virtudes absolvicionistas de certas afirmações litúrgicas e sacramentistas. Retirou-se Ambrósio, prometendo voltar em breves minutos, penso eu que precisamente para dar-me ensejo à prosa tão desejável. Pilhando-me a sós com o trêmulo e encarquilhado homem, inquiri: — Então, amigo, não cultivou idéias deístas durante tão longa romagem pela carne? — Idéias sim, amigo, mais do que idéias... O que fiz foi fugir das religiões... Nunca vi credo algum que não fosse fábrica de fanáticos!... Cada religião faz questão de fazer uma turba de cretinos que só sabe querer Deus para si e para mais ninguém!... São pios que querem ver aos ímpios nos infernos, como já disse sério autor, que li faz bem anos... Logo, amigo, procurei fazer do culto da moral estabelecida através do Decálogo, a religião de minha vida. Não me sinto arrependido!... Respeitei ao máximo o direito alheio. Aos homens dei o melhor dos meus exemplos. Aos filhos e netos pedi uma conduta decente. Como cidadão, em geral, procurei servir mais do que ser servido. Fiz minha parte sem reclamar da sociedade e sinto que a sociedade nada me deve; poderia eu ter feito mais por ela? Não sei... Sabe-o Deus... Sabe-o Deus... Parei por algum tempo a meditar em tão interessante organização mental. Reparei que o homem vibrava em uníssono com a mais poderosa sinceridade. Que seus olhos radiavam fulgor elevado. E comentei: — Parece que as religiões, o que fazem, é toldar o bom senso nas criaturas; por isso deve ser que o Cristo, falou sempre na VERDADE e nunca na religião. É que a VERDADE vem de Deus e as religiões os homens as fazem e desmancham. Jesus partiu do princípio sólido das obras conscientes e amorosas, significando que fora disso tudo é falácia. O senhor, portanto, foi mais lúcido até certo ponto... O homem estranhou mesmo minhas reticências. Presto, empertigado, inquiriu: — Até certo ponto?!... Como assim?!... — Moralmente o senhor venceu; mas cientificamente, deixou muito a desejar. Não aprendeu o que poderia ter aprendido, se tivesse buscado um credo, o mais racional possível, o mais experimental e filosófico. Como deve conceber, a religião, de fato, abarca
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