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Capítulo 11 de 14
Uma Agradável Personalidade
As Margens Do Mar Morto · Osvaldo Polidoro
Como exerce diferença sobre o ser, ou suas manifestações psicológicas, o tornarse consciente das origens divinas e dos soberanos destinos da vida! É idéia, admitida e tornada padrão ético, sucedem variações preciosas de ordem psíquica. Eis o Ambrósio que vim de encontrar. — Quando para estas bandas veio — informou-me Teóclito, enquanto dávamos entrada no lar simples e feliz — era ele, ainda, portador daqueles caracteres que definem o homem embutido no que de animal e econômico haja ou possa haver em sua conformação de dignidade. Depois, porém, tomando conhecimento da lei, a qual independe do raciocínio humano e que é transcendente a todo e qualquer elocubrar relativo, cedeu aos imperativos do Amor e da Razão superiorizada, lavrando em si significativa metamorfose. Seus próprios traços modificaram-se à pressão de um ideal de pureza e necessidade de melhores conhecimentos. É esse o homem, o irmão a quem irá conhecer. Embora tenha sido dele inseparável em outras vidas, agora é ou será uma amizade nova. É inferior a você em conquistas hierárquicas, mas, não se esqueça, igual em natureza e destinos, sendo que o plano de evolução, por isto ou aquilo, pode trair o presumido, fazendo com que as situações se invertam, isto é, elevando-se o de mais baixo e vice-versa. Sei do quanto é capaz em bondade e em valores de fato; falo, porém, apenas para lembrar a nossa falibilidade. Não poderia eu, jamais, julgar de outra forma as palavras de Teóclito. Eram sempre avisos e lembretes, apenas. E como sabia e sabe ainda, a tudo matizar com seus requintes de irmandade solícita! Seria incapaz de menosprezar ou tecer um conceito menos digno, a quem pensasse ou sentisse revelando-se inferior no cotejo do orçamento hierárquico. Porque, de fato, em Teóclito respeitava-se tudo: simplicidade, ternura, devoção ao dever, amor às melhores sapiências, etc., sobretudo ao dever funcional! Não valia só por si; valia pela razão do que elaborava, daquilo de que era órgão relator, por injunção de abalizadíssimos mentores, de eméritos condutores. Ao darmos entrada na moradia simples, deparamos com simpática figura de mulher. Para ser franco, quem é antipático em lugar atraente? A quem vi, jamais, por estes continentes do bem, da paz, que pudesse dizer ser menos simpático? É o homem mesmo
quem tem natureza para influenciar e ser influenciado. Com escola, propósitos e merecimentos, espírito crítico e vontade de trabalhar, quem deixaria de somar seus poderes de manipulação, de cooperador na obra de harmonização em geral? Assim, pois, esta mulher era igual, por dentro, ao plano que habitava por fora. Os dois céus, diremos assim, conviviam bem junto desta alma feliz a seu modo e possibilidades. — Está trabalhando? Disso estou certo — comentou Teóclito, sorridente, depois de apresentar-me. — Dois irmãos de mais alto o estão auxiliando na preparação do pequenino relato. Creio, porém, não devem demorar. Ambrósio tem trabalho, hoje, na casa de Jasmim, e estamos quase na hora... Assim dissertava a bondosa irmã, quando foram saindo da sala contígua, três homens. Reconheci a Ambrósio, é claro; notei a elevada catadura dos outros dois, na radiante personalidade. A distinção dos altos seres é poderosa em sua simplicidade transbordante; mas não deixa dúvidas, outrossim, pelo halo de indiscernível ternura que os cerca, característica essa que, quando menos, de muito prestígio dispõe e de muitas glórias imarcescíveis faz eloqüência. Altos, muito altos, eram esses irmãos; nos excediam de quase meio metro, sendo todos os demais ali presentes também avantajados em altura; não sei se é do conhecimento dos encarnados, mas aqui se fica bem mais alto!... Chegaram-se a nós conversando amavelmente, chamando-nos pelos nomes; já conheciam a Teóclito, não a mim. Prosseguiram trocando impressões, os dois homens e Teóclito, enquanto Ambrósio me conduzia para outro compartimento, onde nos sentamos comodamente. Ali, uma menina de três anos e um menino um pouco mais crescido, estudavam. O álbum era desses que por aqui todos os escolares conhecem, mostrando por gravuras coloridas os diferentes planos do astral, isto é, uma geografia à luz de melhores verdades. Na capa encontra-se a Terra sólida. Para dentro, vão aparecendo os como anéis paralelos e superpostos, isto a contar do centro da esfera; e descrevendo regiões, comprovam zonas hierárquicas ou a lei dos merecimentos. A não ser no plano da carne, cada um mora onde deve morar! Conceber e gozar, isso é lá com as realizações do homem e suas possibilidades sensitivas; relativamente à Justiça, a Deus, à Harmonia, nem há mais claro, nem menos escuro. Tudo é relativo ao merecimento do indivíduo? Então tudo é, por si mesmo, justo. Por justiça vive-se entre deuses e em esplendentes regiões? Então, também por justiça, poder-se-á viver encafuado em tredos lodaçais, em lúgubres países, em sofríveis regiões. Considere, portanto, o homem como quiser, em torno ao limbo ou dos excelsos empíreos; o dispositivo mecânico da Suprema Justiça só se fará conhecer pela própria vida? Não se discute com ela porque ninguém a vê. Falam os santos, anunciam os arautos, proclamam os grandes mensageiros! Mas, se bem possam todos os bons viver a própria Suprema Justiça, em gozo intraduzível, nem por isso se faz ela, que eu o saiba, palpável em sua intimidade, em sua natureza. O bom encontra-a em forma de paz e glória? Pois a ela mesma topará o ímpio, sob o manto negro das expiações inenarráveis! Justiça é justiça, e de todos, faltosos ou não, ela está a par dos que em glória vivem e daqueles que em pranto se afogam. Ladainhas convencionais, arrependimentos de última hora, miscelânea sacramentista, peditórios nauseantes, lamentações de qualquer jaez, nada adiantam! É mesmo pelas obras que o homem se define ante a Soberana Justiça! Cultivem por conseguinte, amigos em geral, atos dignos
de admiração. Somos muito livres e não nos devemos perder por culpa própria, essa é a regra por excelência! — De quem são? — perguntei, mais para forçar um início de prosa do que mesmo por desejar saber, indicando as duas crianças. — São de Deus. — respondeu-me Ambrósio sorrindo — Quando fui trazido para esta casa, encontrei-as como a filhos do meu amor e das minhas obrigações. São crianças da região, administrativamente a cargo de certas pessoas. — Então, amigo Ambrósio, as famílias daqui também podem admitir crianças para educar, tal qual na região onde habito? — Para que elas eduquem pessoas grandes, isso sim! Minha irmã viveu uma péssima mãe e como poderá deduzir... Bem... Por segundos, meditei sobre o que acabara de ouvir e como não tinha por hábito discutir o mérito da Legislação Superior, nem seus atos executivos, contornei logo outros campos da cultura espiritual. Ambrósio devia ter lido muito daquela biblioteca ali presente. De tudo sabia um pouco, estendendo-se em certos setores específicos do saber com maestria. Ao cabo de meia hora, lembrou seu trabalho junto aos encarnados, convidandome para acompanhá-lo. Nesse momento, surgiu a bondosa mulher com dois copos sobre a bandeja, oferecendo-nos o conteúdo — saboroso líquido com gosto de frutas. Não sabia, quanto à solicitação de acompanhá-lo ao trabalho, se aceitar o convite ou recusá-lo, pois Teóclito nada me havia referido sobre os seus quefazeres. Contudo, fomos para junto deles, ouvindo que falavam a respeito do relato de Ambrósio, ou melhor, por ele transmitido. Com a nossa chegada, disse-lhe um daqueles dois vultos: — Contam com a sua presença, Ambrósio, na sessão... Leve o amigo Licínio; quando terminar, iremos buscá-los. Partimos pelos caminhos do pensamento, cavalgando eu a vontade de Ambrósio. Chegamos, sem demora, junto de uma casa bem pequenina e pobre, onde nobres vultos destas terras, procuravam servir, em companhia de devotados e notáveis servidores encarnados. O que era pequeno e pobre por fora, muito se multiplicava em belezas e distinções espirituais. Jasmim, a médium de cor, estava ornada de uma elegantíssima e absorvente vestidura de luz! Almas amantes zelavam por todos os presentes, quais anjos de guarda! Trabalhadores do bem, soldados do exército de Jesus Cristo, batalhavam com amor junto de inconscientes e sofredores em geral! Cada um por sua vez, assim como reza o bom senso, assim como ensina o Apóstolo dos Gentios, no Capítulo quatorze da Primeira Epístola aos Coríntios, ia sendo conduzido para junto do cadinho refundente da mediunidade gloriosa. Entravam brutos, xingando, repelindo, etc.; saíam debruçados sobre suas próprias reverências ao Sagrado Princípio. Uns agradeciam de um modo, outros em expressões diversas. A totalidade, por tradição, errava pensando em um Deus externo, em uma justiça de fora. Muito custará, sem dúvida, modificar concepções ronceiras! Haja, porém, pelo menos, boa vontade, para que, a custo, outras e mais justas venham a ser as concepções com relação a Deus e Sua Justiça, por parte dos espíritos do planeta. Muitos atribuíam tudo ao favoritismo de Deus. Diziam: "Como Deus foi bom para mim no dia de hoje!" — "Até que enfim, Deus se lembrou de mim!" — "Deus que se lembre também dos outros que sofrem!", etc.
Tudo, pois, respirando antropomorfismo, favoritismo e necessidade de lembrarem a Deus! Quando surgirá mais conhecimento no cérebro humano, relativamente às verdades fundamentais? É preciso, então, esforço, para imaginar sobre um Deus que a tudo rege do interior para o exterior? É difícil conceber que Deus não pode ser um esquecido? Seria preciso apelar para a lógica, sem ser a comum, a fim de notar que a Deus não é preciso que se lhe peça Amor, Justiça ou qualquer daqueles atributos que constituem Sua natureza? É que, acostumados a desleixar dos divinos bens, queremos depois admitir que, apelando por favores de fora, venhamos a ser melhor aquinhoados, perdoados ou tornados puros e sábios, por mágicas tais. Ninguém, contudo, receberá coisa alguma que não seja por justiça! Nos abismos medram bilhões de seres que gritam: Senhor! Senhor!... mas que, infelizmente, descuraram dos Seus ensinos, quando ao tratar com os irmãos de jornadas e destinos... Eis do que todos os alunos da vida haverão de convencer-se, através dos ensinos do Consolador! No final dos trabalhos, chegaram os três; Teóclito e aqueles dois irmãos; os demais trabalhadores saudaram-nos reverentemente, dado evidenciarem grande superioridade. Com o encerramento, houve debandada. Apenas vários espíritos familiares permaneceram ao lado de alguns presentes, seguindo logo, cada qual mais satisfeito. Aquela gente simples, humilde, parece que sabia, por sentimento, da imensa verdade que se passava para além de suas vistas! A intensidade de um sentir elevado supria, sem dúvida, aos rudimentos da cerebração analítica. A intuição, por certo, vencia de muito às deficiências racionais. Nada queria do Espiritismo, aquela gente simples, contanto se lhe facultasse o poder dar, quer pensamentos, sentimentos ou propósitos sãos. Em mente alguma percebi invocações e pedidos que não fossem pelo bem alheio, pela saúde e prosperidade espiritual de todos. Lembrei-me, isso sim, daqueles que só fazem religiosismo e nada pelo gosto espiritual de auxiliar, ou pelo bem alheio, mas, sim, visando sempre as recompensas de favor ou semelhantes. UMA PALESTRA ENTRE AMIGOS Por Moral Divina, compreendo a própria Lei Divina; logo, por moral humana, devo compreender aquilo que, à luz da humana razão, seja a concepção daquela moral e a obrigação de cultivá-la diuturnamente. Quem disse que moral é produto do chicanismo humano, ou quis fazer humorismo, e bem mal sucedido, ou então devia ter a cabeça onde se tem os pés... Porque, afinal, seja para o fim que for, não se admite peça Deus ao homem, abdique de seus foros de inteligência para estimar as leis e os princípios por onde se filtra a Sua Lei, nos mais belos florões já conquistados pela humanidade. O homem, para entender, precisa fracionar! Para fracionar, só apelando para o senso discernitivo. E discernir sem ser por etapa, será do poder humano? É certo existirem no mundo uns crentes em si mesmos, uma certa classe que pensa com isso fazer mais e melhor; porém, no fundo desse cabotinismo, saiba-se, está sempre alguém que dele fez mercado ou meio de vida. De resto, todo homem deve gostar de progredir, uma vez que sua rota natural é a do progresso; sem esse desiderato, só mesmo
focalizando o homem pela objetiva do taradismo. E quem fala jungido por uma tara qualquer, por um vício extra-recalcado, não vale por um homem! Foi a esse respeito que girou a conversa, ali mesmo no reduto do pequeno grupo, iniciada em virtude de haver um dos presentes, um encarnado, dito a Jasmim: — A Moral Espírita assombra-me! Com seus ensinos tornados específicos, à custa do Espiritismo, o próprio Evangelho tornou-se muito mais intenso. Tudo deixou de ser apenas regra, para constituir-se vida. Sinto que tenho a obrigação de guardar em mim o Evangelho, pois reconheço que saber as lições, só por isso, nada se pode conseguir, a não ser mais responsabilidade. A teoria aumentando a responsabilidade, quem poderá atribuir-nos o merecimento sem ser a prática? Tenho certeza de que Jesus, ao ensinar e não escrever, ao viver e não grafar, nada mais, nada menos quis demonstrar senão que em matéria de Evangelho, tudo é questão de prática. — Maravilhoso! — exclamou um daqueles elevados seres. E partimos em demanda a outros rincões do planeta, bem para longe de suas contexturas, sólidas de certo modo, para penetrarmos em outros de seus mesmos matizes condicionais. Na residência de Teóclito, muito para cima do plano onde exercia mandato, aportamos, e a conversa encaminhou-se para outros assuntos. O que eu queria era tratar do meu caso; mas, eu e meu caso sumíamos ante aqueles subidos irmãos. Por sinal que, agora, em melhores celeiros da espiritualidade, todos crescemos em certo brilho. No entanto, aqueles amigos tornaram-se potentes em uma radiação que infundia não apenas a força do brilho, mas e acima de tudo, um profundo poder moral. Valiam como se fossem leis soberanas, ou pelo menos agentes delas. Ambrósio estava maravilhado! Creio que seus olhos jamais haviam visto tais coisas. Pareceu-me ter sido tudo aquilo previamente preparado, uma vez que estas manifestações de ordem superior, intensamente celestiais, carreiam consigo a pujantes lastros de força estimuladora. Ante uma tal grandiosidade, pura em sua excelsitude, onde cada qual cresce pelo que é, quem não se sentiria convidado ao máximo empenho pró elevadas conquistas internas? As glórias que se manifestam em suas características de simplicidade, fundamentadas na soberania das leis gerais, nunca amesquinham a ninguém! Tenham paciência os arautos de fictícias modéstias, deste ou de outro plano qualquer, porque isso tudo reflete apenas falso e vicioso aparato de ordem tão mesquinha quanto falível. A verdade por si só, melhor será quanto mais exposta! Se o homem sofrer com a sua presença, quem diz que não sofre com a presença da mentira e da imperfeição? O brilho de um ser elevado, convida e não deprime! Quando já não mais pensava em mim ou nos meus casos, eis que diz o mais evolvido daqueles dois: — Com relação aos seus interesses pessoais, creia, amigo Licínio, ser preferível nada desejar com pressa. Por ora, nada se lhe está pedindo; fique, pois, à vontade, na consciência de que, pensando no bem, fazendo por conhecer mais a técnica do intercâmbio mediúnico, tudo se lhe há de por diante, em tempo oportuno. Outros estão guiando seus passos... Aguardam de você um trabalho fiel, nada mais. Como vê, está sendo servido pelo próprio Senhor, através de seus arautos. Ante essas palavras, eu fremia por dentro e por fora. Minha consciência bradava em busca do senso do dever. Apelava para o que tinha e sentia ser por demais uma nonada.
A montanha do dever cresceu em vulto, na proporção exata em que se definhou o cabedal de energias morais e intelectivas. Pedi ao Supremo, do fundo de mim mesmo, um amparo! Daquela gente não poderia sair um pedido insignificante. Que me iriam pedir? Tal pensamento punha-me a alma em sobressaltos. Quando voltei à normalidade, sorriam benignamente os três, estando Ambrósio banhado em francas lágrimas de alegria. O mesmo irmão, levantando-se, assim se expressou: — Faça moradia na casa de Ambrósio... É um lugar feliz. Não se esqueça de que muita gente bem categorizada, neste tempo de renovação intelecto-moral do planeta, deixa os merecidos tronos espirituais, para servir com muito proveito junto das humanidades de fato necessitadas, ou sejam as da carne e as das regiões inferiores do astral. Vá, que nós saberemos cuidar do que lhe couber por direito, em tempo seguramente justo. Minha mente prosternou-se ante os santos desígnios do Supremo, que de dentro de nós, do profundo de nossos egos, ordena leis, seres e oportunidades em nosso propósito. Eles partiram, ficando nós três — Teóclito, Ambrósio e eu — entregues a sublimes meditações. Sim, irmãos da carne; sim, amigos em geral; sabem o que seja um pensar em êxtase sobre os destinos do espírito? Podem avaliar em que glórias se é obrigado a elocubrar, ante a presença de elevações por si mesmas já indescritíveis? Que somos nós, então, que podemos viver numas e anteviver a outras? Devemos ser e o somos, semideuses. Porque para ser, evoluir, até tal ponto, sentir, compreender alguma coisa, anteviver estados tão divinados, só mesmo como semideuses! A Escritura, embora enxertada ao extremo, diz no Velho Testamento: “vós sois deuses”. O Cristo repetiu; a Escritura está certa. É por isso mesmo que, hoje, acompanho quem diz jamais ter havido a chamada criação da parte de Deus; tudo o que há é automanifestação do próprio Deus! Tudo em Deus, na Divina Essência, é aquilo que aparenta ser. Quando diz a Escritura que Deus é Princípio e Fim, por certo diz que em Deus não há Princípio nem Fim. As concepções variam no homem, por via das contingências evolutivas, do direito de autopersonalizar-se. Quanto mais evolve, pois, mais se integra o homem no plano universal, compreendendo a UNIDADE DIVINA, de quem é parte e manifestação. É muito justo que o ronceirismo religiosista de qualquer matiz, de qualquer cor, não deva querer assim admitir, de um momento para o outro; mas, quem foi que conseguiu liquidar o trabalho de um verdadeiro profeta? A quem pode matar, o homem, tacanho e escravo de um ramerrão qualquer? A que homem se entrega a palma da vitória, por ter saído vitorioso, na luta contra a lei do progresso contínuo? Que gritem, pois, todos os beócios do mundo, que de nada valerá; marchamos para os empíreos divinais, na pauta bendita do próprio Sagrado Princípio, onde nunca tivemos tempo de fabricação, mas onde sempre fomos, existimos, em Deus! Não há Criador nem Criação; há Deus imanifesto e manifesto! Fala por mim, saiba-o quem quiser, um sentir não meu; longe, bem longe ainda, de tais merecimentos estou; e este sentir me diz que só viremos a nos encontrar bem, quanto mais chegarmos à Unidade Divina. O que somos, por natureza, temos que saber e sentir por autopersonalidade. Eis a finalidade do livre arbítrio, o mérito da parcela de liberdade, que nos fundamentos também é determinismo, pois do contrário seria falha a própria Unidade. Todos, um dia, teremos de ser dela testemunha! E para os grandes testemunhos, quem invocaria os berros da mediocridade? É para trás ou para a frente que se deve marchar?
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