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Capítulo 26 de 48

Simplicidade — parte 1 de 3

A Biblia dos Espíritas · Osvaldo Polidoro

Se o homem precisasse inventar Deus, E a Ele inventando, a Criação também, Sua obra por certo bradaria aos Céus, Porque ao fátuo e ridículo diria: Amém! Leis são apenas as de Deus, do Senhor, Porque o homem apenas regrazinhas faz, E quando as faz, a tudo unta com o bolor, E untando assim mal, acredita-se um ás! A Sabedoria está em tudo, é bem fundamental, Foi Deus que a pôs, e livre bem que andaria; Mas o homem, complicado, estulto, age mal, Inverte a ordem e pensa que a Deus conduziria! À Bondade não escuta, à Virtude não atende, Que as leis simples vivem, perenes a concitá-lo; Da Natureza, a grande lição jamais aprende, E ao Deus que a fez como a ele, vive a criticá-Lo! Não sabe, de si mesmo, quantos micróbios arrasta, Não tem, de sua certeza, conhecimento certo; Pensando ser Sábio, do bom Saber a si mesmo afasta, E do Bem e Bom não trata, o Mal tem a descoberto! Jesus, o Divino Mestre, não aceitou qualificação, Quando de Bom O chamaram, indicando ser só Deus; Entretanto o homem tardo, feito só de presunção, Do Bem e do Bom não cuida, imitando os fariseus! No Amor está patente a verdadeira Sabedoria, E na verdadeira Ciência, vemos a pura Autoridade; Do Amor faz o homem apenas medida de alegoria, E pretendendo ensinar a Deus, protege a maldade! Um dia aprenderá, que é dependente do Infinito, Respeitará a vida simples, fará da vida o Amor; As almas santificadas lhe falarão do Ser Bendito, E no seio do Ser Bendito, estará com Nosso Senhor!

- 292 - “Quando porém vier aquele Espírito da Verdade, ele vos ensinará todas as verdades...” - Jesus. “O que crê em mim, como diz a Escritura, do seu ventre correrão rios de água viva. Isto porém dizia ele, falando do Espírito que deviam receber os que cressem nele: porque ainda o Espírito não fora dado, por não ter sido ainda Jesus glorificado.” - João, cap. 7. “Assim que, exaltado pela dextra de Deus, e havendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou sobre nós a este, a quem vós vedes e ouvis.” - Atos, cap. 2. “Aquele que tiver ouvidos, ouça o que diz o Espírito às igrejas.” - Apocalipse.

Vede bem o encadeamento dos acontecimentos. Porque primeiro vieram as iniciações, depois as profecias, depois o Cristo que traria a Revelação para toda a carne, e, depois, as lições que a Revelação teria que dar, que de fato dá. A Verdade Interior, o Reino do Céu Interno, por certo não virá de fora ou com mostras exteriores; mas a Revelação fará o seu imenso trabalho informativo, a sua grandiosa obra consoladora.

- 293 - “O Espírito que trabalha os mundos e condensa a matéria cósmica em massas enormes manifesta-se com uma intensidade diversa e uma concentração cada vez maior nos reinos sucessivos da natureza.” - G. I. Apesar do tempo em que viveu Pitágoras, sem os deslumbramentos científicos deste prodigioso século, o certo é que, com os informes da Revelação, que vivia trancafiada nos Cenáculos Esotéricos, pôde ele dizer coisas assim maravilhosas do Criador e da Criação, partindo dos princípios energéticos e etéricos e subindo a vastíssima escala, atingir o elevadíssimo conceito Cósmico e vislumbrar com inteireza de consciência a estuante escalada biológica da alma. Muitos pretensos sábios e pretensos místicos do século vinte, saturando seus livros de ensinos rebuscados, também os saturam de termos técnicos, também os saturam de contradições e de confusões, ficando longe da grandiosa concepção de alguns dos Grandes Mestres da antigüidade. Convindo em que tais pretensos místicos vão buscar ensinos no passado e nas experiências de laboratórios, nos laboratórios que nada têm pedido a seus pretensos misticismos, temos a obrigação de honrar os Grandes Mestres da antigüidade, e de festejar os laboratoristas, ficando na obrigação de pensar com bem pouco respeito sobre tais pretensos místicos. Melhor seria que os profetas, os da Verdade, ficassem no campo que lhes é devido, que é o do espírito, deixando livres os apóstolos da Ciência, pois que estes fazem o seu trabalho, sem pretensões a místicos, sem pretenderem ser a reencarnação de Profetas ou Santos... As contradições da Ciência, portanto, são feitas sem agravar a Ciência, enquanto que as contradições e as confusões de tais pretensos místicos, muito depõem contra as verdades proféticas, pois chegam a não ter a menor noção profética.

- 294 - “Qual é, pois, segundo a doutrina esotérica, o escopo final do homem? Depois de tantas mortes, renascenças, repousos momentâneos e despertares dilacerantes, terão, enfim, um termo as canseiras da Psiquê? Sim, dizem os iniciados, desde que a alma tenha vencido a matéria, desde que, desenvolvendo todas as suas faculdades espirituais, tenha encontrado em si mesmo o princípio e o fim de todas as coisas, não lhes é necessária a encarnação, e entrará no estado divino pela sua completa união com a Inteligência Divina.” - G. I. Jesus, o Cristo, resumiu muito bem o estado de Uno, em Suas lições teóricas e práticas. Sintonizar com a Essência Divina, toda Ela Inteligência, Luz, Glória e Poder,

eis a Sagrada Finalidade da Vida. Todavia, fica bem entendido, sem perder a Individualidade. A Revelação ensinará tudo isso. Entretanto, se primeiro cumpre reunir para cultivar a Revelação, tal e qual como se acha escrito na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo quatorze, a seguir é necessário subir na qualidade das reuniões, das faculdades mediúnicas, para atingir elevados graus de contato espiritual. Todas as Iniciações Antigas tiveram o seu fulcro no Coríntios, capítulo quatorze, a seguir é necessário subir na Revelação. Depois, com a corrupção romana, o Cristianismo ficou sendo a religião dos povos imperialistas, sanguinários, déspotas, idólatras, etc. etc. Para fazer a Codificação, os Instrutores Antigos, sob a égide do Cristo Planetário, foram buscar tudo quanto tinham ensinado, para de novo apresentarem um novo Corpo de Doutrina, com o nome de Espiritismo. Por isso mesmo que o Espiritismo é, em amplidão ainda desconhecida, tudo aquilo que foi a Sabedoria Antiga, com os acréscimos dos tempos modernos, com a sua imensa liberdade de iniciação. Quem puder desabrochar em si faculdades superiores, ou valer-se de quem as tenha bem desenvolvidas, poderá sondar a Humanidade que foi, a Humanidade que é, e até mesmo invadir a Humanidade que será. E conhecerá a Chave Mestra das Iniciações, observando as Revelações Sucessivas, vendo os Grandes Mestres a passarem pela Terra, sempre acompanhando a marcha lenta do homem. E será forçado a ver Jesus, aureolado de Majestosos Patriarcas da Espiritualidade, como Guia Planetário a distribuir nas Eras, no seio das Raças e dos Povos, os Instrutores Maiores e os acompanhamentos menores.

- 295 - “Uma grande época tem sempre, na sua origem, um grande inspirador: os seus discípulos e os daqueles que formam a cadeia magnética, e propagam no mundo o seu pensamento.” - G. I. Alguém deve, no plano carnal, servir de Pólo de Contato. Este Pólo de Contato deve ter os seus Pólos de Radiação, que são os seus discípulos. E assim se estende a cadeia fenomênica, crescendo uma Revelação, atingindo a Humanidade inteira. Vejamos que, sendo o Espiritismo a entrega à Humanidade do próprio Instrumento Revelador ou Informativo, em caráter de Restauração, terá ele que atingir os confins da Terra ou da Humanidade.

- 296 - “Feliz daquele que atravessou os Mistérios; porque conhece a origem e o fim da vida.” - G. I. Ciência dos Mistérios ou Doutrina da Iniciação. Para as iniciações ou para o Cristo, a Verdade era a Religião. Somente a Verdade pode ter o nome de Religião, sendo o mais tudo meras patifarias de homens, idolatrias e mediocridades, com as quais os maliciosos e gananciosos burlam as gentes. Píndaro, ao exclamar assim, proclamou ao mundo os alicerces do Cristianismo do Cristo, Cristianismo que desapareceu nas garras do imperialismo romano. Dali em diante, todas as falcatruas e idolatrias passaram por Cristianismo.

Ainda bem que no século quatorze foi dada, por Jesus, a ordem de reposição das coisas no lugar. E vieram ao mundo carnal os Wicliff, Huss, Joanna D'Arc, Lutero, Giordano Bruno, Kardec, Denis, Delanne, etc. Em suas linhas mestras a Codificação é o Extrato das Revelações, favorecendo instruções sobre o cultivo da mediunidade e abrindo caminho a todos os progressos espirituais.

- 297 - “Eu creio no meu espírito familiar; com mais razão devo, pois, crer nos deuses, que são os grandes espíritos do universo.” - Sócrates, nos G. I. Já dissemos muitas vezes, que aos espíritos chamavam DEUSES, quando se tratava dos Mensageiros Superiores, também chamados Espíritos de Deus, da Verdade ou Santos. É sempre uma a realidade iniciática, sendo que em Jesus, o Cristo, teve a sua cultivação generalizada, o que vem o Espiritismo de renovar, conforme estava dito pelo mesmo Jesus, que haveria um dia a reposição das coisas no lugar. Os algozes dos Profetas, dos Iniciados, do Cristo e dos Apóstolos, passaram, mas a Verdade continua de pé. Quem poderia lutar contra ela e vencer?

- 298 - “Morreu como Jesus, perdoando seus verdugos, e tornou-se para a humanidade inteira o modelo dos sábios mártires. É que ele representa o advento definitivo da iniciação individual e da ciência livre.” - G. I. Tudo isso é muito verdadeiro; mas a maior grandeza está naquilo que aconteceu nas últimas horas de sua vida, no preâmbulo da execução, pois foi então que com toda a serenidade passou a discorrer sobre a imortalidade da alma e a vantagem gloriosa de estar bem com a Ordem Divina. Sócrates foi, antes de mais nada, um dos precursores do Cristo. Ele tinha Conhecimento da Verdade por ser um iniciado, tinha firme Vontade por ser um gênio do Saber e da Virtude, e tinha Coragem para enfrentar mil mortes, se fosse preciso, por saber que a morte nas mãos dos ignorantes é um imperativo do bom apostolado nos mundos inferiores. A ignorância reclama provas rudes, exige a brutalização da Verdade, quer o máximo de testemunho, sem compreender coisa alguma em matéria de responsabilidade; e a Sabedoria e a Virtude contribuem com as suas dádivas porque, sendo Sabedoria e Virtude, podem elevar-se aos extremos da Renúncia.

- 299 - “O que Orfeu promulgou por meio de obscuras alegorias, diz Proclos, ensina-o Pitágoras depois de ter sido iniciado nos mistérios órficos, e de tudo obteve Platão um conhecimento pleno, pelos escritos órficos e pitagóricos.” - G. I. Sempre houve, como já assinalamos por vezes, uma infusão perfeita entre as Escolas Esotéricas da antigüidade. Além de Sócrates e Platão, podemos encontrar em Plotino, Jâmblico, Proclos e muitos outros maiores e menores pensadores daqueles dias, a grandeza espiritual da iniciação esotérica. Quem é que estuda, comparativamente, os escritos dos Apóstolos, mormente dos mais versados em espiritualidade, que não venha a encontrar profundos traços de

Pitágoras e de Platão em seus escritos? João Evangelista, por exemplo, empregou sentenças completas do pitagorismo puro, além de ter aplicado, inclusive, bastantes derivâncias, com acentuadas marcas de platonismo. E no quarto século, ao fabricar Roma a corrupção doutrinária, liquidando a Revelação, o Batismo de Espírito, procurou engendrar o seu clericalismo idólatra e mercenário, usando muito platonismo, pelo fato de ser Platão muito obscuro em matéria de iniciação pura, sendo muito mais escolástico e idealista político do que iniciado órfico. Entretanto, ainda que obscuramente, Platão é um iniciado, e em todos os seus escritos se encontram, mais ou menos veladamente, ensinos iniciáticos.

- 300 - “Havendo penetrado com Hermes, Orfeu e Pitágoras, no interior do templo, melhor podemos julgar da solidez e da direitura dessas largas estradas construídas pelo divino engenheiro que foi Platão. O conhecimento da Iniciação dá-nos a justificação e a razão de ser do Idealismo.” - G. I. A Humanidade, através de seus vultos melhores, tem feito apenas livrecos, pois o único Livro Perfeito é a chamada Criação, é o Todo Anímico e é o Todo Cósmico. Entretanto, como temos visto, nesta passagem rápida pelos Grandes Reveladores e Mestres da Humanidade, podemos reconhecer que eles chegaram a vislumbrar palavras e sentenças, períodos e páginas do Sagrado Livro da Vida. O Cristo, como Reflexo de Deus, dá-nos a prova desta assertiva, pois não escreveu. Para quem quiser entender, a Verdade falada fica muito distante da Verdade Vivida; é por isso que importa procurar informações na Forma, no Exterior, a fim de ir realizando, em Páginas de Vida Eterna, a Verdade Interior.

- 301 - “Em todas as iniciações e mistérios, os deuses revestem muitas formas e aparecem sob uma grande variedade de figuras: umas vezes é uma luz sem forma, outras essa luz reveste uma forma humana, outras ainda uma forma diferente.” - Proclos, em G. I. O Espiritismo, como Restauração do Batismo de Revelação, encherá o mundo inteiro de profetas ou médiuns, fundindo os dois planos da Vida em um só, para efeito de intercâmbios. E a Humanidade, tornada consciente das verdades de Deus, que são Eternas, Perfeitas e Imutáveis, trilhará o Caminho da Verdade, do Bem e do Belo. Quanto à palavra DEUSES, já dissemos, significa anjos, espíritos ou almas.

- 302 - “A palavra de Deus só vive nos seus profetas. Um dia, os sábios essenianos, os solitários do Monte Carmelo e do Mar Morto, te responderão.” - G. I. Puseram na boca de Maria as palavras do texto transcrito; por elas, precisa o fato de ser a Ordem dos Nazireus, a Escola de Profetas de Israel, a detentora dos conhecimentos iniciáticos.

Os Nazireus, por corruptela também chamados Nazarenos, datavam desde o Patriarca Henoch, o homem que, viajando pelo Extremo Oriente, de lá trouxe o vedismo iniciático, estabelecendo-o nas terras do Médio Oriente, onde se estendeu, ganhando vários nomes, porém conservando a mesma Linha Mestra ou Fundamental. Dos Patriarcas de antes do Dilúvio, passou aos Patriarcas de após Dilúvio, sofrendo os abalos normais, caindo e levantando, conforme os povos caíam e levantavam. A Bíblia inteira é um Tratado de Mediunismo ou Profetismo, bem assim como as demais Bíblias da Humanidade. E os Nazireus fizeram a Bíblia. Moisés procurou transmitir a Revelação para todo o povo, e houve por seu intermédio o primeiro batismo coletivo de espírito, na pessoa daqueles setenta escolhidos. E por ter havido nova queda, após a morte de Moisés, foi Samuel, o grande vidente e auditivo, como a Bíblia o afirma, encarregado pelo Senhor de fazer a restauração da Ordem dos Nazireus. Apesar de Saul haver feito a queima dos Livros e dos Profetas e Médiuns, nunca mais faltaram cultivadores sérios do Profetismo, até que Jesus nasceu. Sendo exato que o clericalismo levita sempre os perseguiu e trucidou, mas o certo é que a Chama da Revelação, da Palavra de Deus, nunca faltou. Na hora cíclico-histórica em que Elias devia reencarnar, para viver a profecia que está contida nos dois últimos versículos do Velho Testamento; na hora cíclico-histórica em que o Cristo devia vir ao mundo, Gabriel, um anjo, espírito ou alma, teve a quem falar para fazer a anunciação. Zacarias, Maria, Izabel, Simeão e Ana, além de outros não mencionados, eram profetas ou médiuns, tinham ligação com a Ordem dos Nazireus. A Ordem dos Nazireus, avisada por Mensageiros do Senhor, acolheu João e Jesus, para ensinar os rudimentos do mundo e para que saíssem, em cumprimento da tarefa, na hora que também pelos Mensageiros fosse determinada. João falou daquele que lhe mandara pregar, sem dizer quem era ele. E Jesus disse ao povo, e muito em particular aos discípulos, que veriam os anjos subindo e descendo sobre a cabeça do Filho do homem. Quem não entende isso? Jesus nunca foi um iniciado, porque foi, desde sempre, o Grande Iniciador Planetário. Jesus foi anunciado desde trinta e seis séculos antes de nascer. Jesus viria com o Espírito Sem Medida. É bom meditar sobre a questão. Jesus falou, muitas vezes, sob o impulso de Santos Espíritos. Jesus veio, para trazer a toda a carne o Batismo de Revelação. Jesus pagou com a morte na cruz o direito de Batizar em Espírito. Jesus foi o Único que voltou em espírito, para epilogar a Missão. Jesus, no Livro dos Atos, dá testemunho do Batismo de Espírito. Jesus encontrou em Paulo, o Vaso Escolhido, o Cavaleiro Andante do Consolador, o melhor intérprete do Pentecostes, do Batismo de Espírito. A Moral foi sua armadura, o Amor à causa do Cristo foi o seu ginete, estender a Graça da Revelação foi o seu ministério e a coragem indômita foi a sua coroa de vitória. Assim como nos Profetas temos os avisos do futuro derrame de Revelação sobre a carne; assim como temos em João Batista o anúncio de que Jesus seria o portador dessa Graça para toda a carne; assim como em Jesus observamos o propósito missionário na transmissão dessa Graça

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