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Capítulo 22 de 48

O Espírito De Duas Obras — parte 17 de 17

A Biblia dos Espíritas · Osvaldo Polidoro

Claro que Pilatos jamais poderia saber isso, daquele homem que estava apresentando, pois ele era apenas um espanhol, tido como pagão, contando com o direito de cidadania romana e ali desempenhando a função de procônsul. Se os sacerdotes, escribas ou teólogos, e os fariseus, que deviam saber das Escrituras, se portaram do modo que se portaram, como iria ele, um pagão, saber fazer coisa melhor? E hoje em dia, dezenove e meio séculos depois, como agem aqueles que se dizem cristãos? Não vivem a fazer coisas muito piores, e em nome de Deus, da Verdade e do Cristo, que é o Divino Representante? Sabem fazer outra coisa, que não sejam longos discursos, simulações e idolatrias, rituais pagãos e blasfêmias contra o Batismo de Revelação?

- 264 - “E ele, quando vier, argüirá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo...” - João, cap. 16. “Assim que, exaltado pela dextra de Deus, e havendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou sobre nós a este, a quem vós vedes e ouvis.” - Atos, cap. 2. “As coisas ocultas do seu coração se fazem manifestas, e, assim, prostrado com a face em terra, adorará a Deus, declarando que Deus verdadeiramente está entre vós.” - I. Ep. aos Coríntios, cap. 14. Primeiro texto: O que faria o Batismo de Espírito ou Revelação, uma vez que sua função é advertir, ilustrar e consolar. O Consolador ou Espírito Santo, prometido pelo Pai e trazido por Jesus, para toda a carne, jamais foi uma figura imaginária, ou a terça parte de Deus, como querem os corruptores da Excelsa Doutrina. É a Revelação, a comunicação dos anjos, espíritos ou almas, com o fim de informar diretamente e de fato. Segundo texto: A promessa cumprida, o Consolador em plena função, fazendo a parte que lhe competia e competirá. Se os homens corruptos perverteram a Doutrina, no tempo devido foi reposta no lugar e se chama Espiritismo. Todavia, quem ler o capítulo dois do Livro dos Atos, verá que Jesus não prometeu o Consolador para vinte séculos depois; porque o Consolador foi o Seu Batismo, a Graça que devia deixar e deixou no mundo. O Espiritismo é apenas a sua Restauração. Terceiro texto: Paulo, o Cavaleiro Andante do Consolador, da Revelação que adverte, ilustra e consola, escreveu muito bem como se faz o seu cultivo; isto é, como se faz uma sessão espírita, onde os santos espíritos não são apenas a palhaçada, assim como querem os clericalistas romanos e outros, ao tratarem do Consolador ou Espírito Santo. Quando os religiosismos tiverem fim, a Verdade triunfará!

- 265 - O ETERNO PRESENTE Em Deus tudo é Eterno, Perfeito e Imutável, Enquanto na Sua Manifestação, tudo é mutável; A centelha espiritual é em si toda evolutível, Devendo vir a ser, de Deus, expressão visível.

No movimentar do Cosmo sempre esteve, sabemos, Fervilhando os mundos e as centelhas, lembremos; Tudo é em Deus Eterno, sem Passado e sem Futuro, E viver no Eterno Presente, já é do ser maduro. Convém lembrar as Tradições Iniciáticas, e bem, Para efeito de experiências acumuladas além... Mas é necessário lembrar, que o Céu de Verdade, Cada um o tem em si, e que nisso há simplicidade. A Tradição que faz a Sabedoria, cuidado com ela, Porque ensina o Bem e o Bom, mas cria a procela; Faz o homem ferrujado, inventa o tardo e piegas, Escravo de gestos e palavras, pensando ser o degas. Ensinos e Templos, Tradições e Iniciações grassam, Mas a Divindade Interior, elas nunca ultrapassam! Viva o homem o Saber e a Virtude, e seja Harmonia, Que Eterno e Presente é, no seio da Divina Sabedoria! Busque o Programa que bem queira, segundo a Verdade, Conforme as suas posses de assimilação, de capacidade; Mas não olvide que a Divindade está no seu interior, E que ali está o Templo Sagrado, para oficiar o Amor! Moral, Amor, Revelação, Saber e Virtude, entendei, Não datam de tempos e de eras, bem que vos lembrei; Não foram e não são apenas agora, respiram Eternidade, Estão dentro de vós, e em vós clamam para a Liberdade! Desperta, portanto, ao Cristo Interno que aí jaz, Que no Eterno Presente é, fazendo bem quem o faz; Construa, homem, a sua Catedral Interna, com Amor, Deixando que Deus viva em si, como fez Nosso Senhor!

- 266 - “A tradição.” - Humanidade. Em Moisés temos a Lei de Deus e o primeiro batismo coletivo de Espírito ou Revelação; e disse que o Senhor Deus suscitaria um Profeta, como ele, do meio do povo, e que aquele que o não ouvisse, seria tirado do Livro da Vida; deixou, pois, o caminho aberto à evolução doutrinária... Jesus afirmou que tinha mais para dizer, e que não o fazia na hora, em virtude da falta de entendimento dos Seus contemporâneos... O Consolador ou Espírito Santo, que quer dizer a Revelação, iria fazendo, no curso do Tempo, as anunciações necessárias... O Espiritismo ensina que a evolução é um fato; e nós bem sabemos que não é possível dizer, ainda, certas verdades. Porque a semente lançada na terra fora de tempo, além de ser perdida, demonstra a falta de prudência do agricultor... Entretanto, e infelizmente, não faltam os que fazem da tradição o instrumento de assassínio da evolução. Estes tais se apoderam de alguns conceitos, deles fazem dogmas e rituais, e depois tocam a blasfemar contra tudo quanto seja evolução! Tomaram o nome de Moisés, para crucificarem o Cristo; agora tomam o nome do Cristo, para terem como querer crucificar a Restauração do Caminho do Senhor, cujas bases são as mesmas! Quando aprenderão a ser prudentes?

“Porque do que está cheio o coração, disso fala a boca.” - Jesus. Logo, é muito fácil saber porque falam contra a Moral, o Amor, a Revelação, o Saber e a Virtude! E ainda há coisas mais dificultosas, contra as quais falarão com tanto mais ardor, e tudo por ignorância. Estas coisas são: Essência, Existência, Movimento, Evolução, Imortalidade, Responsabilidade, Reencarnação, Revelação, Habitação Cósmica e Sagrada Finalidade. Porque estas dez verdades básicas, para serem de fato respondidas, reclamam a consciência de um espírito cristificado! Cristificado e que fale de fora da carne, porque a encarnação é um verdadeiro embotamento!

- 268 - “Não é o discípulo mais do que o mestre; mas o discípulo será perfeito, se o for como o mestre.” - Jesus. Os cristãos não podem ser ainda discípulos fiéis, porque mais pretendem ensinar ao Cristo, com os seus dogmas e rituais, do que aprender com o Cristo, pelo conhecimento da Excelsa Doutrina. Não querem Doutrina, querem religiosismos!

- 269 - “Foi ali que Jesus ministrou aos seus discípulos as últimas instruções sobre o futuro da religião que acabara de fundar...” - G. I. Já dissemos que o célebre Autor de OS GRANDES INICIADOS, ao tratar de Jesus, cometeu erros enormes por desconhecer o que seja um Profeta portador do Espírito Sem Medida, ou Médium Integral de Deus. Soubesse ele alguma coisa do esperado derrame de Espírito sobre a carne; lesse com atenção os capítulos um, dois, sete, dez e dezenove dos Atos; e também os doze e quatorze da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, e nunca diria que Jesus fundou religião, ou que tivesse feito ainda em vida! Jesus retornaria como espírito, para testemunhar a imortalidade e a comunicabilidade dos espíritos, e em seguida lavrar o glorioso tento que foi o Pentecostes, como se encontra perfeitamente exposto no capítulo dois dos Atos. Se em Jesus alguém quiser encontrar religião, esta será a Verdade conhecida e vivida, sem a ingerência de clerezias, idolatrias, simulações e comercialismos pagãos. Resta saber, ainda, que nenhum dos Grandes Iniciados fundou religião alguma, sendo que estas surgiram depois deles, usando indevidamente seus nomes. Porque os Grandes Iniciados cultivaram faculdades e virtudes, ensinando a cultivá-las, com o fito de ir libertando as gentes das garras do fetichismo. Em Cristo, por ser Cristo, Deus é Espírito e Verdade, sendo que os filhos de Deus devem procurar ser isso, também, abandonando, pois, a tudo quanto sejam engodos, simulações, fingimentos, nobiliarquias, etc. O Reino de Deus, que cada um tem dentro

de si, e que não virá com mostras exteriores, como afirmou tantas vezes, virá como obra de trabalho íntimo, ao trilhar os caminhos do Saber e da Virtude. Os instrumentos doutrinários, por sua vez, são a Moral, o Amor e a Revelação. Este triunvirato nunca será escrava de manobrismos sectários! Esta rocha é totalmente acima de engodos humanos! Porque as eras passarão, as raças e os povos, mas esta rocha ficará para sempre, uma vez que é parte integrante das Verdades Divinas, que são Eternas, Perfeitas e Imutáveis! Pela Moral, ninguém falsifica a Lei de Deus, que em si mesma não sofre de lesão alguma; pelo Amor, um irmão irá à Renúncia a bem de outro irmão, e isto é acima de simulações e ritualismos quaisquer; pela Revelação, conhecerá as verdades fundamentais da chamada Criação, suas leis e fenômenos, fato que supera a toda e qualquer idéia de manobrismos sectários; pelo Saber em geral, espiritual e temporal, os filhos de Deus saberão que ninguém vive de mistérios, milagres, fingimentos e aparências, sendo exato que tudo tem explicação, seres, coisas e fenômenos, mesmo que os mesmos filhos de Deus possam não saber explicá-los; e pela Virtude, cada um procurará dar dignos frutos pelo exemplo, procurando conhecer e ensinar bem, procurando fazer trabalho útil, edificante, jamais desejando ser o parasita dos semelhantes, pelo fato de saber que Deus não é especial para ninguém, e que ninguém é especial para Deus, porque Suas leis são integralmente universais. Cada qual, portanto, dará mais ou menos contribuição aos semelhantes, consoante suas possibilidades evolutivas, considerando que nisto não vai favor ou esmola alguma, por ser a lógica do Supremo Determinismo e Supremo Determinismo que se revela no fato de provar que ninguém pode viver exclusivamente de seus exclusivos recursos individuais. O Supremo Determinismo prova que uns dependem dos outros, sendo que todos dependem de um Sagrado Princípio, que é Deus. Aqui reside a multimilenária Consciência da Unidade, pregada por todos os Grandes Iniciados e vivida exemplarmente pelo Cristo; quem isto de fato vier a experimentar, ou conceber, jamais pretenderá que o Cristo andou pela Terra para fundar religião ou seita. A Verdade que demonstrou é cósmica! O Caminho que indicou é cósmico! A Vida que revelou é cósmica! A Ressurreição que demonstrou, por isso mesmo demonstrou-a em Luz, Glória e Poder, pelo fato de ser no Seio de Deus, que é a Divina Essência, Onipresente, Onisciente e Onipotente.

- 270 - “Espiritismo” - Codificação. Elias devia vir, consoante as palavras do Cristo, no devido tempo, para restabelecer tudo. Pelo fato de ser a reposição do Batismo de Espírito, ou Graça consoladora que Jesus deixaria a toda a Humanidade, começando a sua disseminação pelo Povo de Israel, Kardec foi aconselhado a pôr-lhe o nome de Espiritismo. Em linhas gerais, portanto, Espiritismo é sinônimo de Caminho do Senhor ou Doutrina Excelsa, que Jesus nunca disse ser Sua, porém do Pai ou da Verdade. Suas bases são a Moral, o Amor, a Revelação, o Saber e a Virtude. Quem procurar saber e viver assim, terá bebido na Fonte Crística, superando a lei das encarnações obrigatórias, vindo a ser acima de mundos, formas e transições. E se em algum tempo quiser reencarnar, será por vontade própria, em benefício de seus irmãos menores, como Jesus o fez.

No Espiritismo louvamos todos quantos trabalharam e estão trabalhando pela Humanidade; os Grandes Iniciados não viveram, não foram; eles vivem e são aqueles que auxiliaram a fazer a Restauração, assim como auxiliam a fazer a Consolidação.

- 271 - “O passado dos mundos estremece, assim, na luz astral, em miragens incertas, e o futuro existe nele com as almas vivas que o destino fatal força a descerem à carne. Eis o sentido do Véu de Ísis e do Manto de Cibele, no qual se urdem todos os seres.” - G. I. Vejamos aí os mundos, a começar das nebulosas, carreando as mônadas espirituais, forçando-as ao trabalho evolutivo. E forçando de modo dialético, com a devida incidência de um sobre o outro, do espírito sobre a matéria e vice-versa. Primeiro é a matéria que arrasta o espírito, que o mergulha no turbilhão das movimentações telúricas, obrigando-o a se desenvolver; e mais tarde, quando relativamente desenvolvido, começa ele a sua ação, procurando neutralizar as influências da matéria. No Cristo, Modelo de Emancipação, a palavra de ordem é abandonar o Reino do Mundo e marchar para o Reino do Céu, do Puro Espírito. Deus é Espírito e Verdade e assim quer que Seus filhos venham a ser. Não é fácil compreender? Não foram grandes, em Verdadeira Sabedoria, os Grandes Iniciados?

- 272 - “Uma vez transportado a esse elemento, o espírito do vidente sai das condições corporais.” - G. I. É notável o que diz Pitágoras sobre a Luz Astral ou Éter Cósmico, como agente de ligação entre os mundos e as almas, entre os encarnados e os desencarnados. Entretanto, como a série das gradações é para nós quase infinita, cumpre saber que a Luz Astral ou Éter Cósmico representa vastíssima gama. Cada espírito, em conformidade com o seu grau evolutivo ou vibratório, penetra uma escala da gama total. Para atingir a Luz Divina, ou coloração opalina cristal e brilhante, ou aquela que define o Grau Crístico, não é tão fácil assim. Todavia, essa lei, a do Éter Cósmico, é, de fato, a que conduz ao que denominamos Divina Ubiqüidade. Aquele cujo corpo astral se for tornando mais opalino e mais brilhante, tanto mais irá sintonizando com o Centro Gerador, com o Pai Divino, participando de Sua Glória Infinita.

- 273 - “Acrescentamos que esta teoria da clarividência e do êxtase se harmoniza maravilhosamente com as experiências científicas, realizadas por médicos e sábios deste século, sobre sonâmbulos lúcidos e clarividentes de todo gênero.” - G. I.

Notificamos que transcrevemos textos de modo geral, tanto dos Grandes Iniciados como os comentários de Edouard Schuré, para facilitar o trabalho e para recomendar a citada Obra. Como a ignorância e o erro não podem honrar o filho de Deus, tudo fazemos para ensejar aos espíritas os melhores conhecimentos. Muito ao contrário de alguns pretensos espíritas, reduzidos e medíocres de entendimento, e que por isso pretendem que o Espiritismo seja a mediocridade que eles representam, nós sabemos que o Espiritismo é a Súmula das Revelações, o trabalho feito por aqueles mesmos Grandes Iniciados, que estiveram atrás de Elias ou Kardec, sob a tutela do Cristo Planetário. E assim o fizeram, porque o Espiritismo é a entrega à Humanidade do próprio Instrumento Revelador, a Última Revelação, portanto. Com o passar dos dias, conseqüentemente as faculdades evoluirão, vindo as superiores a substituir as inferiores, as ativas a suplantar as passivas. E a vidência, a audição, a psicometria, o desdobramento e outras mais, hão de ser aquelas faculdades que nortearão os trabalhos mediúnicos. A chamada mediunidade falante será para a comunicação dos Guias Instrutores e não para as doutrinações de sofredores, quer seja porque os mesmos terão de rarear e desaparecer, quer seja porque, havendo a doutrinação no astral, não ficarão, nos profetas ou médiuns, os resíduos fluídicos doentios. Com dois bons videntes e uma assembléia de elementos conhecedores e fortes de pensamento, pode-se fazer muito mais do que com cinqüenta profetas ou médiuns inferiores, que só conseguem sintonizar com as camadas inferiores do mundo espiritual. Também a escuridão ambiental terá que desaparecer, pois ela favorece mais aos inferiores do que aos superiores. Para efeitos de assistência médica astral, de curas e passes espirituais; para trabalhos psicômetras, em pessoas e objetos, presentes ou distantes, a boa iluminação sempre foi melhor do que a escuridão ou semi-escuridão. Nos agrupamentos que contem com Guias Médicos, durante as concentrações, os videntes e clarividentes podem observar o trabalho dos mesmos, sendo os efeitos notáveis. Operam no perispírito, injetam remédios astrais, doutrinam espíritos inconscientes e malfazejos, mostram e demonstram o trabalho eficiente. Atendendo ao convite de alguns grandes e antiqüíssimos amigos do espaço, organizamos um programa e escrevemos, a instâncias deles, uma oração invocativa; e com as imediatas sessões feitas, tudo resultou em maravilhosos efeitos. A faculdade falante foi usada apenas para os Guias se comunicarem; e tudo o mais ficou adstrito à vidência e à psicometria. Acima de tudo, cumpre salientar, faculdades superiores foram eclodindo e alguns médiuns que não passavam de bem inferiores ou bisonhos, passaram a ver e a relatar as maravilhosas movimentações do mundo espiritual. O desdobramento, a vista à distância, a bilocação; tudo foi eclodindo, causando alegria e oferecendo novas oportunidades de trabalho, aprendizados e satisfações espirituais. Eis o programa e a oração. Ela, a oração, faz parte do livro: BEZERRA DE MENEZES E NARRATIVA INICIÁTICA:

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.