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Capítulo 17 de 48
O Espírito De Duas Obras — parte 12 de 17
A Biblia dos Espíritas · Osvaldo Polidoro
- 188 - “E o Espírito e a Esposa dizem - Vem.” - Apocalipse. A Essência Fundamental - Deus - e a Sua Primeira Manifestação, que é a Luz Divina, convidam a centelha a evolver e a se expressar como Luz, Glória e Poder. Afinal de contas, é sempre a mesma a base iniciática que demonstra a saída simples da centelha espiritual, e a sua volta consciente, religada pela evolução, participando da Divina Ubiqüidade, daquelas extensões de sentido que a um encarnado é difícil conceber.
- 189 - “Porque Deus sabe que em qualquer dia que comais desse fruto, se abrirão os vossos olhos; e vós sereis como uns deuses, conhecendo o bem e o mal.” - Gênese. Antes da Iniciação há ignorância e simplicidade; depois há o conhecimento e a consciência do Vós Sois Deuses. A Árvore do Bem e do Mal é o Conhecimento da Verdade, pela Iniciação, pela Ciência dos Mistérios, como a chamavam. Uma vez o Conhecimento feito, da Sagrada Origem, do Processo Evolutivo e da Sagrada Finalidade, não há como desviar a responsabilidade. Por isso a Árvore do Bem e do Mal está no Centro do Paraíso, no Vértice da Consciência Humana. Tal é o conhecimento das Verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis de Deus, das quais os filhos participam, ficando porém tanto mais responsáveis, quanto mais avancem em conhecimento.
- 190 - “A Água da Vida.” - Apocalipse. No Apocalipse e em outros Livros Simbólicos, bem assim como nas muito costumeiras visões mediúnicas, o Rio de Água Viva, ou da Água da Vida, significa sempre a Virtude Divina que emana da Essência Divina ou Deus, estando nos filhos. É o que todos devem fazer questão de encontrar em si mesmos, para ter e fruir. Ter Deus no imo, ou ter no imo o Reino de Deus, tudo corresponde ao Rio de Água Viva de que cada filho de Deus é portador por natureza. Desabrochar o Cristo Interno, por exemplo, é ir ao encontro total do Rio de Água Viva, porque Ele, o Cristo, significa o espírito que transformou, por evolução, tudo que era opaco, tudo que era treva, em Luz, Glória e Poder. Quem souber o que querem dizer estas palavras - Saber, Virtude, Moral, Amor e Revelação, por certo sabe como se vai à Fonte Divina. E nenhum espírito cósmico, universalizado por evolução, deixará de saber e de respeitar estes fatores básicos - Essência, Existência, Movimento, Evolução, Imortalidade, Responsabilidade, Reencarnação, Revelação, Habitação Cósmica e Sagrada Finalidade.
Quanto à Matéria, fica dito, das energias aos sólidos, singela ou conjuntamente, é apenas serva do Espírito. A parte mais interessante a ponderar é a que tange ao corpo astral, ao perispírito, porque ninguém entrará no grau crístico sem elevá-lo, por evolução, ao estado de Luz Divina. Porque um tal grau significa penetrar, pela Luz Divina, na Divina Ubiqüidade. Como a Verdade não pode ser dada, porque cada um deve encontrá-la e desabrochá-la em si mesmo, para gozá-la, aqui ficam apenas as informações. O que nos mandaram fazer foi apenas Restaurar e Consolidar o Programa Doutrinário...
- 191 - “Adão e Eva” - Bíblia. Primeiro Eva, a Primeira Raça Primitiva. Depois Adão, a Falange Advinda. Desde a Primeira Raça Primitiva, ou Mãe das Raças, que viveu em muitas partes da Terra ao mesmo tempo, até o Advento de Adão, várias outras Raças perambularam pela Terra. Como o Gênese foi escrito em três sentidos, Literal, Simbólico e Iniciático; e, acima de tudo, como foi queimado e refeito através de lendas e ditos do povo, tudo ficou alterado, embrulhado, contraditório. Por dois motivos convém abandonar discussões: 1 - O primeiro é que ninguém jamais poderia provar coisa alguma de prático, ficando tudo em plena discussão, do começo ao fim das discussões; 2 - O segundo é que a Humanidade continua, tendo cada elemento em si a obrigação de se tornar Puro e Sábio. Porquanto, na Terra ou no Cosmo, com Evas ou sem Evas, com Adãos ou sem Adãos, a questão fundamental reside no despertar do Reino de Deus, na autocristificação.
- 192 - “Quando eu era menino, pensava como menino; mas agora que sou adulto...” - Paulo. Vão bem tais palavras de Paulo, porquanto a Terra é o mundo onde mais gente olha para trás do que para a frente. E por pouco que não se põem, aqui, os meninos analfabetos nas Cátedras e os encanecidos professores nos bancos do Jardim da Infância. As religiões não têm Moral, não têm Amor e blasfemam contra a Revelação!
- 193 - “Hermes fez-te conhecer o céu invisível, a Luz de Osíris, o Deus Oculto do Universo, que respira por milhões de almas e anima os globos errantes e os corpos em trabalho.” - G. I. O Cosmo sempre foi a Casa Infinita onde os espíritos sempre tiveram que se realizar em Pureza e Sabedoria. A Unidade do Todo sempre foi ensinada pela Doutrina Iniciática. Basta procurar conhecer, para chegar a saber perfeitamente.
“Doravante compete a ti o dirigires-te, e o escolher o caminho para ascender ao Espírito Puro, porque tu pertences, desde agora, aos ressuscitados vivos.” - G. I. Qualquer pessoa de mediana cultura pode encontrar no texto acima a seiva da iniciação perfeita. Conhecer a Essência Divina, trabalhar pelo desenvolvimento das virtudes intrínsecas e atingir a paridade vibratória com a mesma Divina Origem. Observem o esplendor da frase – “...porque tu pertences, desde agora, aos ressuscitados vivos.” Cursar a iniciação era como que ressuscitar em vida.
- 195 - “Os homens são deuses mortais e os deuses são homens imortais.” - G. I. Para o vulgo, na antigüidade, deuses eram todos os espíritos; mas para os iniciados, os conhecedores da Ciência dos Mistérios, somente os santos espíritos eram chamados deuses. Jesus, a Primícia dos Essênios ou Seita dos Nazireus, falando a respeito dos espíritos libertos, disse que - “serão como anjos no céu.” Realmente, se Deus tivesse feito deuses especiais, seria Ele menos respeitável do que os homens honestos. Para um Deus Vivo e Integral em Lei e Justiça, há apenas uma mesma determinação para todos os filhos.
- 196 - “É necessário medir a verdade segundo as inteligências, velá-la aos fracos que ela tornaria loucos, ocultá-la aos maus que dela não poderiam aprender senão fragmentos, dos quais se serviriam como armas de destruição. Encerra-a no teu coração e que ela fale por tua obra. O conhecimento será a tua força, a lei a tua espada e o silêncio a tua armadura invencível.” - G. I. Aí está o que era encoberto, oculto, esotérico; aí está o que o Cristo transformou em universal ou de portas abertas, pagando com a vida Seu glorioso trabalho - derramar do espírito sobre a carne, Batizar em Revelação, passar às mãos do povo em geral, através de Israel, o direito de conhecer e cultivar a Doutrina que se fundamenta na Moral, no Amor e na Revelação. Dado como era o mundo, ignaro da parte do povo e dominado pelos cleros formalistas, simuladores e comercialistas, os Cenáculos Esotéricos impunham uma tal conduta, rigorosamente. Um dia, porém, alguém teria de arcar com o tremendo sacrifício. Foi Jesus, o Diretor Planetário, que para isso encarnou. O grandioso Pentecostes, a eclosão mediúnica de que trata o capítulo dois do Livro dos Atos, prova a Doutrina da Revelação que Ele deixou, com o nome de Consolador.
- 197 - “Atingi o país da Verdade e da Justiça. Ressuscito como um deus vivo e brilho no coro dos deuses que habitam o céu, porque sou da sua raça.” - G. I. Eis o frenesi do iniciado, daquele que transpunha os umbrais da iniciação, ao festejar em si o que aprendera e ao sentir-se ligado às Verdades Eternas, Perfeitas e Imutáveis.
Lembremos que chamavam deuses aos espíritos, na antigüidade, para não pensar que o Ser Infinito viesse a falar como indivíduo com alguém. No Velho Testamento, onde lerem que Deus falou, convém mudar para algum espírito, anjo ou alma que tenha falado. Ademais, as contradições são tantas e tão profundas, de espírito para espírito, que só isso prova a comunicação de muitos deles no curso de muitos séculos. E através de muitos Médiuns ou Profetas. Perguntareis a vós próprios, lendo o texto acima, de profundo sentido iniciático, em que aquilo se poderia parecer com os engodos que o comercialismo clerical inventou e vive a vender aos incautos. E para resumir a importância da iniciação, saibamos que era de todo mediúnica e importava, dali em diante, na atividade harmoniosa da criatura para com as leis regentes do Todo: Conhecimento, Vontade e Ação. Fora disso não haverá o Cristo Interno desabrochado. O Espiritismo, como Súmula das Revelações, por ser a Restauração do Caminho do Senhor, ou do Consolador que fora corrompido em Roma, tudo facilita para os aprendizados. Porque atrás de Kardec estiveram, com os seus nomes modernos, os mesmos Grandes Iniciados, Patriarcas e Profetas de todos os tempos.
- 198 - “Sem dúvida que eles não faziam, como os teólogos primitivos, nascer o mundo dum ato instantâneo, dum capricho da Divindade, mas, ao contrário, era sabiamente, gradualmente, por via de emanação e de evolução, que tiraram o visível do invisível, o universo das profundezas insondáveis de Deus.” - G. I. Só poderemos falar em Criação, se tomarmos como tal o ato de Deus ao Manifestar em Si próprio e de Si próprio. Aqui já estamos no Capítulo de Moisés, da Obra de Edouard Schuré; mas em Hermes já vimos que os conceitos eram de Manifestação e não propriamente de Criação. Os grifos do texto são do compilador. Segundo as tradições, os Hermes foram quatro. Muitos milênios antes deles, o Védico-Budismo ensinava o mesmo, e hoje em dia, com a desintegração da Matéria, qualquer menino de grupo pode saber que a Matéria é Energia concentrada e que Energia concentrada logo mais será a Essência Divina assim disposta. E teremos o UM sendo tudo, o Insondável Imanifesto e o Sondável Manifesto. Deus em si mesmo tudo engendra, sustenta e determina. Não façamos tanto caso da Matéria, que por si mesma está obrigada a seguir suas leis intrínsecas, mas façamos muito caso dos espíritos, que devem a si mesmos o dever de se cristificarem. Quanto ao mais, o ato de Manifestação não é tão insondável assim. Sabemos de quem viu serem emanados do Supremo Espírito, do Ser Total, a Matéria ainda em estado de profundíssima Energia e o Espírito como infinitesimais pontículos de Luz, de Inteligências Adormecidas. Viu os mundos e os seres em manifestação, em movimentação e em glorioso crescimento. De baixo para cima e de cima para baixo, viu a Escalada Biológica, as almas fazendo o curso crístico e multidões de almas divinizadas, já cristificadas, constituindo os Respiros da Divindade, como dizem os documentos do vedismo iniciático e alguns outros menos remotos.
“Mas, enquanto os teólogos tiverem de Deus uma idéia infantil, e que os homens de ciência o ignorem, ou pura e simplesmente o neguem, a unidade moral, social e religiosa do nosso planeta não passará duma aspiração piedosa, ou dum postulado da religião e da ciência, impotentes para a realizar.” - G. I. O Profetismo Histórico, surgido normalmente do Profetismo Prático, do cultivo da Revelação, nunca andou conforme o teologismo clerical, por ser este mera capa dos engodos comercialistas e políticos do clericalismo em geral. Duas premissas provam uma mesma verdade realmente considerável: Que o Profetismo sempre afirmou um Deus Essência, Informe, cujas manifestações sempre foram através de anjos, espíritos ou almas, havendo os clericalismos dado a morte a todos, tendo ainda crucificado o Cristo; que com o advento da Restauração do Caminho do Senhor, com o nome de Espiritismo, encontrou este nos cientistas a maior força de contribuição que se poderia supor. Portanto, sendo a Revelação experimentável e tendo os cientistas dado a sua contribuição, como a está dando com inteireza de propósitos, resta apenas o teologismo clerical como o perfeito adversário da Verdade, do Bem e da Harmonia.
- 200 - “Enfim, o Cristianismo, isto é, a religião do Cristo, não surge em toda a sua potência e universalidade, senão quando nos revela a sua reserva esotérica.” - G. I. O Cristianismo é a Seita dos Nazireus elevada ao grau de generalidade. Esta Seita dos Nazireus resumia o Profetismo, a Iniciação, tendo suas raízes no vedismo, onde as fora buscar Henoch, o Patriarca de antes do dilúvio. Jesus nunca teve religião e sim Conhecimento e culto da Verdade. Nunca chamou Sua a Doutrina e sim afirmou sempre que era do Pai. A Doutrina Esotérica firmava-se na Moral, no Amor, na Revelação, no Saber e na Virtude, sendo exato que isso tudo não pode ser de fabricação humana. Até trezentos e vinte e cinco de nossa Era, nada se chamou Cristianismo, e sim Caminho do Senhor. Moral, Amor e Revelação, Saber e Virtude, são fatores de tal modo transcendentes, que julgá-los do ponto de vista terrícola, apenas, é cometer crime de lesa-cosmicidade. Mais ainda, de lesa-Divindade.
- 201 - “Porém o monoteísmo esotérico do Egito não saíra nunca para fora dos santuários, e a ciência sagrada dos egípcios constituíra sempre o privilégio duma reduzida minoria.” - G. I. “Dois povos de um gênio oposto vieram aos seus santuários acender os seus fachos, fachos de raios diversos, com os quais um ilumina as profundezas dos céus, o outro esclarece e transfigura a Terra. Esses povos são Israel e a Grécia.” - G. I. Em tudo isso há muito que discernir e, discernindo, conceituar, porque os mais remotos conceitos sempre foram estabelecidos por efeito do Profetismo Prático, da
Revelação, da comunicabilidade dos anjos, espíritos ou almas. Como depois do desaparecimento da Atlântida, o Mundo Antigo ficou reduzido, na parte conhecida, aos países do Oriente Médio, ali fazem questão os historiadores, de fundamentar os alicerces do Conhecimento Esotérico. E o Egito passa como sendo o país tradicional do Esoterismo. Entretanto, para além dos Hermes e dos Zoroastros, mesmo de Apolo e do conseqüente Orfeu, os povos Hicsos, a Raiz de Israel, já eram povos que apresentavam criaturas dotadas de faculdades proféticas ou medianímicas. E isto é muito fácil de ser constatado, pelo menos documentariamente, porque o Patriarcado Hebreu começou com as ordens dadas pelos anjos, espíritos ou almas. E quando falamos em Patriarcado Hebreu, não estamos falando em Abrão, Isac e Jacó, mas naqueles que se estenderam muito para além do dilúvio, como a História Bíblica e outros documentos arqueológicos o demonstram. Enfim, a Ciência Esotérica começou com o aparecimento dos primeiros enviados e com a comunicação dos primeiros anjos, espíritos ou almas. Qualquer pessoa poderá fazer idéia de quando tenham aparecido os primeiros enviados, considerando que a Falange Adâmica veio para a Terra a uns quatrocentos e oitenta mil anos antes de Cristo. Ali foi que os Filhos de Eva, da Raça Primitiva, começaram apresentando caracteres marcados por um certo cunho de melhoria em geral, tendo dentre eles nascido os primeiros servidores mediúnicos de mais importância. De mais importância, porque de menos importância já os havia na Raça Mãe ou Mãe das Raças, que assim Eva quer dizer. A comunicabilidade dos espíritos é o que há de mais elementar, e, saiba quem quiser, se os animais inferiores tivessem como provar, eles provariam a vidência dos espíritos similares e outros. É inteiramente problemático dizer tal coisa do Egito ou de sua Ciência Secreta; mas é verdade ordinária dizer que a Ciência Secreta egípcia teve uma origem, e que essa origem nunca foi menos do que Profética ou Mediúnica. A prova disso reside aqui, estando ao dispor do estudo de quem bem queira estudar - todas as Iniciações Esotéricas foram de cunho mediúnico, tiveram base no contato com o mundo astral. E como o mundo astral não se rege pelos conchavismos humanos, eis a razão de serem certas verdades gloriosas escondidas aos que se acreditam grandes, para serem reveladas aos pequeninos, como afirmou o Cristo. Cumpre aqui, pelas mesmas razões histórico-proféticas, assinalar o Espiritismo como Súmula das Revelações, tendo suas raízes multimilenárias fincadas no Profetismo Histórico, devendo este ser considerado quase que insondável, por falta de registros materiais, de documentação. Se houver entendimento, então será fácil conceber que a Revelação é documento por si mesmo vivo, acima de Bíblias e de documentos quaisquer. Tanto assim que, na antigüidade, por Palavra de Deus se entendia a Revelação e não livros adulteráveis e de fato adulterados. Se fossem queimados todos os livros da Terra, poderia alguém fazer com que não nascessem médiuns e proibir que os espíritos se comunicassem? Por acaso o Sagrado Livro da Vida, ou de Deus, é menor do que o dos homens? Porque o Seu Livro é o Cosmo.
Ou conhece alguém, no século vinte da Era Cristã, com todos os seus sábios materiais, que tenha mais certeza e fé do que o remotíssimo Patriarcado? É ou não certo, que falando muita gente, agora, nos Patriarcas e Profetas, nada mais, essa muita gente sabe fazer, do que blasfemar contra o Sagrado Instituto da Revelação, chamado por Jesus o Ministério do Espírito Santo? Nunca será demais, portanto, recomendar menos formalismos e um pouco mais de ESSÊNCIA. E também cuidar muito mais das coisas do espírito, porque o reino da matéria ou do mundo forçosamente passará, com a evolução do espírito. Os dois reinos contrapõemse, sendo normal que o reinado da plenitude espiritual é o que vigorará na Esfera Crística. Ninguém se iluda, portanto, com a matéria, porque a sua existência é móvel, assim como a sua função, assim como a sua utilização.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.