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Capítulo 11 de 48
O Espírito De Duas Obras — parte 6 de 17
A Biblia dos Espíritas · Osvaldo Polidoro
- 84 - “Lavai-vos, purificai-vos, tirai de diante de meus olhos a malignidade de vossos pensamentos; cessai de obrar perversamente; aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; socorrei ao oprimido; fazei justiça ao órfão; defendei a viúva” - Isaías, cap. 1. Tal e qual a Lei de Deus ensina, ela que não tem religião nem sofre de preconceitos e injunções humanas; é a fraternidade a sua divisa, é o amor ao próximo o seu ministério. O Saber e a Virtude coroando as ações dos filhos de Deus, representando-os perante a Justiça Divina, sem a purulenta ingerência das simulações religiosistas, sem a putrefata manobra dos engodos clericalistas, cheios de pompas e salamaleques por fora, mas vazios de Sabedoria e de Virtude por dentro. Assim falavam e falam os Médiuns ou Profetas; e por ser a linguagem da Verdade sempre a mesma, que fizeram sempre os fabricantes de religiosismos com eles? Não é certo que perseguiram a uns, mataram a outros, e, pior ainda, continuaram e continuam a blasfemar contra a Revelação?
- 85 - “Visão que teve Isaías, filho de Amós, sobre Judá e Jerusalém” - Isaías, cap. 2. Isaías foi um grande vidente e auditivo; viu e ouviu, por essas mediunidades, coisas sobre a sua época e a sua gente, tendo ouvido e visto, também para a posteridade. Não é com idolatrias e fanatismos religiosistas que se consegue tamanha capacidade em dons espirituais ou mediunidades; é com o máximo de respeito à Lei de Deus. Com o passar dos dias, nomes novos vão sendo dados às leis e aos fenômenos, causando isto muita confusão e pronunciações estultas nos cérebros vazios de entendimento. O Profeta é agora o Médium, o Dom de Profecia é agora a Mediunidade, os Anjos são agora os Espíritos, e assim por diante. Os espíritas devem compreender a incapacidade intelecto-moral dos fanáticos religiosistas, não fazendo conta ou caso de suas vociferações. Muito antes de fazerem isso com os modernos Profetas, fizeram eles coisas piores com os antigos, fazendo muito pior ainda com o Cristo. Qual foi o progresso humano, espiritual ou material, contra o qual as clerezias não levantaram armas assassinas? Quem não sabe que os religiosismos sempre dividiram mais as gentes do que as políticas? Pelo menos, lembremos a parábola dos odres e dos panos velhos, que não podem suportar vinho nem remendos novos. Quando espontâneos, ou puros de intenção, merecem pelo menos piedade. São apenas do apostolado da santa ignorância, e, por mais que se lhes explique a lei dos progressos, eles continuam a ser muito coerentes
com a própria morbidez dogmática. São os Caifás e os Gamaliel de todos os tempos, que com a aprovação da carrada de mediocridades de que são portadores, pensam que crucificando a Verdade prestam bom serviço a Deus.
- 86 - “A Virtude da dor é a razão do gênio. Sim, sábios e santos, profetas e criadores divinos, resplendem de uma beleza mais comovente, para os que sabem que eles também saíram da evolução universal. Quantas vidas, quantas vitórias têm sido necessárias, para conquistar essa força que nos espanta? De que céus, já atravessados, vem essa luz inata do gênio?” - G. I. Exatamente assim, pois o progresso caracteriza a obra de Deus. Entretanto, cumpre notar, a falta de evolução faz os papas e os sacerdotes, os escribas e os fariseus, todos aqueles que, para eles mesmos, porque se julgam detentores da Verdade, têm o direito de trucidar os Profetas e crucificar os Cristos. A História dos Mundos e das Humanidades está referta de tais lições.
- 87 - “Porque a eterna Verdade foi quem lhes impôs a sua missão; porque os protegem legiões invisíveis, e porque o Verbo Vivo fala neles” - G. I. Em Deus não há favores nem desaforos para filho algum; todos partem do mesmo modo, tendo em potencial as qualidades que os farão, um dia, brilhar muito mais do que brilha qualquer Sol material. A questão é reconhecer a lei de progresso, e, reconhecendo-a, fazer tudo para atingir a Sagrada Finalidade, o grau crístico. Enquanto, porém, os espíritos forem embrionários em evolução, ou infantis de entendimento, para eles a mentira será a Verdade e o vício idólatra será a Virtude. Com muita alegria soltarão Barrabás e crucificarão o Cristo! Com muito engenho e com muita arte, blasfemarão contra o Batismo de Espírito e farão a Humanidade errar, cultivando simulações pagãs!
- 88 - “Esses homens têm tido vários nomes na História - são os primordiais, os adeptos, os grandes iniciados, gênios sublimes que metamorfoseiam a Humanidade. São tão raros que a gente pode contá-los na História; a Providência semeia-os no Tempo, com largos intervalos, como os astros nos céus” - G. I. Eles são, como afirma o Autor de OS GRANDES INICIADOS, o produto de largas fermentações evolutivas. O Espiritismo, que é a Súmula das Revelações, por ser a Restauração do Batismo de Espírito, ensina isso perfeitamente. Caso não fosse assim, haveria incoerência em Deus, falha na Sua Divina Justiça, pois enquanto uns teriam tudo de favor, outros nada teriam por desaforo! Aos que não podiam e não podem entender as leis regentes, Jesus respondeu e responde assim - “O que é impossível aos homens é possível a Deus.” E deixou o Consolador, a Revelação, para ir aos poucos ensinando aquelas verdades que, naqueles dias, não pôde ensinar.
Todavia, o Espiritismo é a Restauração do Consolador. E os entendimentos ainda continuam secos, encruados, tardos e rebeldes; daquele mesmo modo que forçou Estêvão a dizer aquelas sentenças que se encontram no capítulo sete do Livro dos Atos dos Apóstolos. Isto é, por ignorância e maldade, lutando sempre contra a Revelação Instrutora, matando os Profetas!
- 89 - “Para alcançar esse ideal, segundo Pitágoras, era preciso reunir três perfeições - realizar a verdade na inteligência, a virtude na alma e a pureza no corpo.” - G. I. Cumpre entender as palavras de Pitágoras, quando disse pelos seus versos - “Tu verás que os males que devoram os homens, são o fruto da sua escolha; e que os infelizes procuram longe deles, o bem cuja fonte têm em si mesmos.” Estas lições, de eterna realidade, vêm desde os primórdios védicos, desde as primeiras manifestações mediúnicas da História. Buda ensinou a mesma realidade e Jesus rematou a lição, proclamando que cada um tem dentro de si mesmo o Reino do Céu. Quanto ao Consolador, sua missão é ministrar o conhecimento das particularidades. A Revelação contínua fará saber tudo sobre as minúcias.
- 90 - É muito triste saber que os infelizes buscam longe de si a libertação, o Reino do Céu que trazem em si mesmos; muito mais triste ainda é, entretanto, saber que existem religiosismos comercialistas, cujo fito exclusivo é desviar as criaturas do Conhecimento da Verdade; que inventam simulações e formalismos, com que se refestelam em vantagens mundanas, ao mesmo tempo que fazem negar a Moral, o Amor, a Revelação, o Saber e a Virtude. Isto é, que ficam nas portas do Templo da Verdade, não entram e não deixam entrar aqueles que poderiam fazê-lo. O pior, em tudo quanto fazem de mal, é que o fazem em nome de Deus, da Verdade, do Cristo e do Bem! A Terra está cheia, por causa disso, de criaturas que não acreditam nas boas obras, nos atos de fraternidade, nas práticas virtuosas, para darem crédito aos simulacros que compram aos vendilhões de idolatrias.
- 91 - “Se nos céus se acendesse ao mesmo tempo o esplendor de mil sóis, disse Crisna, ele apenas se assemelharia ao esplendor do Todo Poderoso Único.” - G. I. “Mestre, as tuas palavras enchem-nos de espanto, e nós não podemos sustentar a vista do Grande Ser que tu evocas aos nossos olhos. Ele fulmina-nos!” - G. I. “Escutai o que ele vos diz pela minha boca: eu e vós, todos nós havemos tido várias encarnações. As minhas só de mim mesmo são conhecidas; mas vós nem as vossas conheceis. Ainda que eu não esteja, pela minha natureza, sujeito a renascer ou a morrer, e que seja o Senhor de todas as criaturas, no entanto, como sou eu que dirijo a minha natureza, torno-me visível pelo meu próprio poder, e sempre que a virtude decline no mundo e que o vício e a injustiça a vençam, eu me tornarei visível, e me mostrarei de idade em idade, para a salvação do justo, destruição do malévolo e restabelecimento da virtude” - G. I.
“E, entretanto, ide, ide pregar ao povo a via de salvação” - G. I. “A ciência do homem não é mais que vaidade; todas as suas boas ações são ilusórias, desde que ele não saiba referi-las a Deus. Aquele que é humilde de coração e de espírito é amado de Deus; e não tem necessidade doutra coisa. Só o infinito e o espaço podem compreender o infinito; só Deus pode compreender Deus” - G. I. A Doutrina do Filho Verbo ou do Verbo Luz vem de muitas dezenas de milhares de anos; as tradições indianas perdem-se na noite dos milênios remotíssimos; e, todavia, quer seja através do Védico-Budismo, quer seja através de Rama e de Crisna, quer seja através dos Hermes, dos Zoroastros, de Apolo, de Moisés, de Pitágoras, etc., em todas as Doutrinas Reveladas esplende a Verdade Crística, fulgura a Sabedoria, canta o Amor e tem marca fundamental a evolução das almas, até atingir a união com o Sagrado Princípio Criador. De tal modo a alma do Cristianismo viveu sempre em todos os Grandes Reveladores do passado, que os estudiosos são obrigados a afirmar a Encarnação do Verbo algumas vezes, ou a sentenciar que o Cristo Planetário andou falando pela boca de alguns Seus Enviados, também algumas vezes. Porque, afora a função missionária de Jesus, que era Batizar em Revelação, e a Sua Ressurreição em Espírito, a fim de revelar cabalmente a finalidade gloriosa do Espírito, tudo o mais que se queira, em Doutrina, já estava revelado desde muito antes de Jesus vir ao plano carnal. Convém ressalvar aqui, com todo o respeito que a realidade exige, o fato de vir Jesus para derramar do Espírito sobre a carne, e de dizer que só o faria depois de ser crucificado, ao retornar em Espírito, como de fato aconteceu. Ninguém poderia, de modo algum, tomar a Jesus este supremo galardão! Lendo os capítulos quatorze, quinze e dezesseis de João, serão encontrados os textos que se referem ao que iria acontecer depois da crucificação; lendo os capítulos um, dois, sete, dez e dezenove dos Atos, serão encontrados os textos que explicam o que realmente aconteceu, sobre o Consolador, depois da crucificação e do retorno do Espírito de Jesus. Quanto ao corpo de Jesus, Daquele que tinha o Espírito de dons e sinais fora de medidas terrestres; ou que fora Médium Completo; ou Perfeito Intérprete da Vontade de Deus, nem precisava de ressurgir como carne nem tão pouco de fazê-lo sumir de outro modo. A ação mediúnica, como se diz agora dos dons espirituais, explica isso. Ademais, tendo recorrido a possibilidades mediúnicas, e lançado mão de recursos psicométricos, tudo foi revivido perfeitamente e várias vezes. Seria insensatez reproduzir tais fatos para o vulgo, ou mesmo citá-los; quem for tendo possibilidades, que faça experiências com a devida santidade de intenção, que a Verdade a ninguém deixará órfão. A Verdade jamais se desmente!
- 92 - “Senhor, dar-se-á caso que restituas neste tempo o reino a Israel?” - Atos, cap. 1. Quando se diz que o Rei do Planeta veio convidar para o Reino do Céu, estamos dizendo que o Espírito é o avesso da Matéria; que cumpre ao filho de Deus se ir libertando, por evolução, das leis inferiores que o prendem ao mundo, que o trazem atado à lei da reencarnação. Se a reencarnação de Jesus testemunha a lei de reencarnação de todos os filhos de Deus, também a Sua ressurreição testemunha a ressurreição de todos os filhos de Deus. Bem sabemos que assim de fato o é.
Todavia, o espírito ainda inferior, embrionário em evolução, jamais poderia conceber o Reino do Céu, sem ser ligado totalmente ao Reino do Mundo; é por isso que fizeram aquela pergunta a Jesus, descabida ou absurda, precisamente na hora em que Ele, triunfante e glorioso, vinha testemunhar o que seja a Sagrada Finalidade da vida! E os homens, infelizmente, continuam pretendendo que a função do Reino do Céu é garantir valia aos engodos do Reino do Mundo. Não querem fazer do que é material, do que é mundo, forma e transição, as ferramentas do triunfo celestial, assim como o Divino Mestre dera exemplo; querem a todo custo o Reino do Mundo, relegando a plano inferior o Reino do Céu. Esquecem que o Espírito continuará e que a Matéria passará; esquecem que o reflexo das ações jamais abandonará o Espírito, porque a cada um será dado segundo as obras, isto é, chegará a ser assim como se fizer. Quem se prende ao inferior, como virá a gozar o que é superior?
- 93 - “Entretanto, não se perderá um cabelo da vossa cabeça. Na vossa paciência possuireis as vossas almas” - Lucas, cap. 21. O capítulo vinte e um, de Lucas, é o capítulo das tremendas profecias. Como o século vinte, este em que ora vivemos, marca o tempo de transição mais violenta, marca a passagem de uma para outra Era, convém que haja muita prudência por parte de todos os homens de boa vontade. Para saber onde está a Doutrina do Senhor, basta procurar aquela que seja acima de clerezias comercialistas, aquela que se fundamenta na Moral, no Amor, na Revelação, no Saber e na Virtude. Não é questão de religião; é de Verdade!
- 94 - “Mas vós outros sois os que haveis permanecido comigo nas minhas tentações” - Lucas, cap. 22. E que ninguém se julgue acima de tentações; que aprenda, com o Cristo, a ser simples como as pombas e prudente como as serpentes. Lembramos que a hora da prudência, tanto pode ser aquela em que se refestele a criatura nos galardões do mundo, como pode ser aquela em que tenha de ser crucificado de um modo qualquer, a bem da Verdade, do Bem e do Bom. Convém lembrar que Jesus, pregado na cruz, por medida de prudência, perdoou os Seus algozes.
- 95 - “Também eu vos farei uma pergunta” - Lucas, cap. 20. Jesus era apenas um, enquanto que os papas, sacerdotes, escribas e fariseus eram muitos; estava Ele com a Suprema Verdade, mas os outros estavam com as verdadezinhas mundanas, mentirosas e blasfemas. Ele perguntou do batismo de João, e poderia ter perguntado sobre qualquer outra Verdade, que o resultado seria o mesmo, que a crucificação Lhe dariam, pouco antes ou pouco depois. Não é a Terra, por enquanto, o mundo onde a Verdade possa triunfar, pelo simples fato de ser Verdade; ela é o mundo onde a Verdade vive em perene crucificação.
Apenas, como qualquer pessoa poderá observar, a malícia mudou de posição, para ludibriar melhor - começou a crucificar a Verdade em nome de Deus, da Verdade, do Cristo e dos vultos do Cristianismo! Tirou do lugar a Moral, o Amor, a Revelação, a Sabedoria e a Virtude, colocando no mesmo lugar clerezias, simulações, idolatrias e comercialismos pagãos! O Batismo de Espírito, que é o do Céu, continua sendo crucificado; e o batismo de água, que é do homem, continua sendo comercializado. A Verdade, conseguintemente, está precisando de servidores fiéis.
- 96 - “Porque não poderão jamais morrer; porquanto são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, visto serem filhos da ressurreição” - Lucas, cap. 20. Confundiam os homens, como ainda confundem as clerezias, de propósito, por motivos subalternos, querendo que os anjos fossem uma ordem de espíritos especiais e mensageiros; e Jesus lhes dizia, sempre que podia, que anjos, espíritos ou almas, significam a mesma coisa. Não existe o que não seja filho de Deus; não existe espírito que não tenha de evoluir e atingir a ressurreição final, o triunfo sobre a lei das reencarnações obrigatórias. Os espíritos mensageiros são como os anjos ou vice-versa, para quem bem queira aprender com Jesus. Mortos, como disse Jesus, para Deus não existem; todos vivem para Deus, e a diferença é de ser encarnado ou desencarnado, apenas. O Batismo generalizado de Espírito, tem por fim a infusão dos dois planos, o que em todos os mundos dá-se por evolução. É apenas um capítulo da grande lei biológica, lei que as Revelações sucessivas vêm ensinando, como não poderia ser de menos.
- 97 - “E eu disse ao anjo que falava em mim: Para onde levam elas a talha?” – Zacarias. Se os anjos ou espíritos nunca tivessem falado aos anjos e espíritos encarnados, nenhuma das Bíblias da Humanidade existiria; porque os Grandes Iniciados, Profetas ou Cristos de mundos quaisquer, sempre fazem tudo por influência direta de mentores espirituais. A mensageiria astral nunca jamais deixou de funcionar, embora os donos de clerezias sempre fizeram questão de negar, para fazerem das gentes e da fé um simples meio de vida. Os Mandamentos sempre vieram através do mediunismo, como exclamou e exclama Estevão, no capítulo sete dos Atos. Quando a Escritura diz que a Palavra do Senhor foi dirigida a um Profeta, ao mesmo tempo afirma que o foi por algum espírito; e o espírito é um agente de fato, uma entidade viva e pessoal, não é a imaginação do Profeta, não é sua invenção. É puro fenômeno mediúnico, assim como bem o salienta o Profeta Zacarias, cujo capítulo sete também vale por um caudal de advertências.
- 98 - “Ide; olhai que eu vos mando como cordeiros entre lobos” - Lucas, cap. 10.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.