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Capítulo 6 de 13
Parte 6 de 13
Uma Visão de Cristo · Osvaldo Polidoro
Livro_CRISTOv6.indd 96Livro_CRISTOv6.indd 96 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — Eu não tive uma vida carnal infeliz e não vim para este lado em condições agravantes. Minha vida na carne foi a de um simples operário, embebida nos altos e baixos comuns. Gente nascia e vivia, outros morriam, outros passavam por transes mais ou menos felizes. Eu e minha família, tendo a nossa fé, íamos avançando nos dias e vencendo o quanto possível as conjunturas que se fossem apresentando. Um dia, é claro, perdi minha esposa. Foi um golpe cruel, tive que curvar-me a ele, não havia outro remédio. Eu não era espiritista, mas havia lido muito sobre os Grandes Iniciados. Francamente, lia e relia de contínuo as obras que tratavam dos Vedas, de Rama, de Crisna, dos Budas, de Zoroastro, de Hermes. Que mundo de maravilhas eu descobria em mim mesmo, que gozo me subia dos recônditos da alma! Os olhos do homem se faziam brilhantes, sua cabeça irradiava um quê esplendoroso, enquanto falava, por identificar-se mentalmente com os planos elevados da vida. Demais, sua fala era muito magnética, causava felizes impressões. Estando com o assunto em voga e domínio prosseguiu, sempre com entusiasmo: — Eu sentia em mim, com inteireza de razão, a
Livro_CRISTOv6.indd 97Livro_CRISTOv6.indd 97 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro veracidade do ensino iniciático, ao afirmar que o espírito é uma potência em virtudes latentes, e que a iniciação as faz emergir. Meus sonhos eram belos e inteligentes! Cheguei a ver com toda e lucidez possível!... Que maravilha!... Num repente franziu o sobrolho, abanou a cabeça negativamente e amuado confidenciou: — Mas num ponto toda a Sabedoria Antiga deixa muito a desejar: é que nada diz sobre a vida neste lado... Afirma, e com plenitude de certeza, que a UNIDADE é a marca da VERDADE. A Sabedoria Antiga é monista, sem dúvida, mas fica muito à distância a respeito da vida na erraticidade. Quando diz alguma coisa, é muito vaga e, pode-se afirmar, é completamente falha. Este lado da vida é por demais complexo, e talvez por isso não tenha podido falar. Minha mãe interveio e afirmou: — Sabemos que não havia ordem superior para tanto. Chegaria o tempo, com o advento de outra Era. E tudo está chegando, não está? Roma deu fim no Batismo de Espírito, implantou a clerezia mais errada de toda a História, fez crimes tremendos, sujeitou os povos à idolatria em nome da Verda-
Livro_CRISTOv6.indd 98Livro_CRISTOv6.indd 98 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo de; mas, eis aí que a Cristo ninguém pode oprimir, e tudo vem à tona, os protestos se levantam em tempo, a Revelação força o mundo dos encarnados e sacode violentamente nossos rincões. Quem irá deter a marcha do Consolador que se está de novo infiltrando pela humanidade? Quem dominará o Cristo? A quem foi conferida outorga a fim de impedir a marcha dos ciclos evolutivos? Não tenhamos dúvida, pois o Cristo está na dianteira dos acontecimentos que se estão vendo e observando. Há quem diga, elementos de mais alto, que Ele mesmo se faz como um pequenino e vem, comunicando-se e instruindo de conformidade com a época. Eu creio nisso, pois quem está trabalhando para a restauração por Ele profetizada é o espírito por Ele indicado. Se Elias trabalha no plano carnal, pela reposição das coisas no lugar, naturalmente que o Divino Mestre o guia, direta ou indiretamente, no rumo devido. Entretanto, mantenhamos vigilância, pois querer muito é precipitar, e precipitar é violar. Segundo o que dizem certos mentores, a Era do Consolador significa a Era da eclosão espiritualista mais intensa, por constituir o resumo de tudo quanto há sido dito e feito no curso dos tempos. O fenômeno abrange, num amplexo total, a síntese e a análise, a parte se revelando ao infinito na imensidão do TODO inefável. É o que temos, o que estamos vendo e aprendendo, apenas uma fagulha
Livro_CRISTOv6.indd 99Livro_CRISTOv6.indd 99 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro do que aí pela frente vem. O passado é rico em sínteses, em linhas gerais. O presente forja, para um futuro próximo, bem próximo, a exposição analítica mais intensa possível. O mundo dos detalhes vai projetar-se sobre a mentalidade dos homens. Os matizes da Verdade hão de se tornar o prato comum de todas as criaturas de boa vontade. Tudo quanto foi e ainda paira no campo dos Mistérios vai ser exposto, deve tornar-se do conhecimento geral. O Consolador dirá, dos cimos dos telhados, em altas vozes, tudo quanto foi oculto até ao presente, passando à frente, avançando, dilatando, aumentando os conhecimentos. Mas, como já disse, tenhamos um pouco de paciência. Os elementos já estão coordenados e dispostos. Saibamos aguardar. Ela calou-se e aquele senhor emendou, continuando sua peroração: — Eu desejava saber, pelo menos era meu intento, da parte destes dois irmãos, que aqui vieram rastejantes, de um modo ou de outro, o que julgam sobre a dor e seus conceitos. Que falem os sofridos. Eles são a autoridade. Silenciou, olhou para mim e indagou:
Livro_CRISTOv6.indd 100Livro_CRISTOv6.indd 100 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — Que me diz? Fiquei comovido, por estar na presença de seres muito superiores, mas senti a importância de ser independente pela Soberana Vontade de Deus. Isto é, que sendo independente para sofrer, também podia e devia sê-lo para ter ideias próprias. E respondi, interpretando minha alma: — Para mim, confesso, a dor, seja ela de que ordem for, é insuportável. Não tenho com que sofrê-la pacientemente, e muito me revolta que lhe dêem o caráter de regeneradora. O próprio Cristo pediu a transferência do cálice amargo, tendo dito de Judas, que seria o entregador, que melhor fora não tivesse nascido. E a Sua dor foi missionária, tinha a sanção do imenso poder moral que encerrava. Que dizer, então da dor que se origina do erro, das faltas cometidas, daquela dor que se apresenta com características de infernal eternidade? Depois de tudo, pelo que tenho observado, a dor dura o tempo de renovação intelectual harmonizadora. Sem adoção intelectual moralizante nenhuma dor cessa. Logo, quem faz da dor o agente de emancipação trai a finalidade do esquema celeste. As virtudes latentes não possuem características de dor, e sim de glória! Para despertá-las se faz necessário crescer em inteligência e pureza, e não em tormentas e blasfêmias!
Livro_CRISTOv6.indd 101Livro_CRISTOv6.indd 101 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro O ex-sofista, intervindo, exclamou: — Querem saber de uma coisa? A dor é bem-aventurada enquanto está no próximo ou depois de ter passado. O resto depende do grau de sinceridade de quem discute sobre ela, para ser o que bem entenda de conceituá-la, principalmente se for um alguém que costuma usar das tribunas ou das colunas literárias a fim de comentá-la. Porque a verdade é que, mesmo aquele que melhor a cante em melopeias inócuas, esse mesmo, e talvez mais do que outros, não mede meios e modos de se livrar dela, quando praticamente tenha de encará-la. A dor e o amor tem sido motivos para discussões sem fim nem conta, por serem os dois pólos que comprimem e impelem o mundo sem fim das emoções, o campo vasto da sensibilidade individual. Idealisticamente, tanto uma como outro se equiparam; mas a verdade é que são fatores antagônicos. O fim do amor é eliminar a dor, assim como a finalidade da luz é liquidar com o império da treva! E se a dor não cessa enquanto o amor não aparece, então é porque, todos quantos teceram melopeias à dor, o fizeram doentiamente! O que fizeram, ou foi por uma covardia qualquer, ou foi por erro próprio de cálculo, ou foi por indução, por dar crédito a conceitos antigos e doentios. Eu fico com Jesus Cristo, que procurou fugir à dor e quando muito concitou a tolerá-la, quando impossí-
Livro_CRISTOv6.indd 102Livro_CRISTOv6.indd 102 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo vel de ser liquidada. Basta dizer que ela é o produto da inversão da ordem, para se saber que é repelente. Curvo-me, isso sim, ao ter que defrontar a dor missionária. Esta é imensamente bela, porque encerra o lume do amor pelo próximo. É a dor missionária um impulso do Céu por entre as trevas do mundo! O espírito que se propõe a sofrer pelo próximo, ou é um Cristo ou Dele se aproxima celeremente... Uma estrela desceu do Céu, digo assim, para se comunicar por uma senhorita e dizer certas coisas a Allan Kardec. Diante daquela excelsitude, todos nos fizemos silêncio e veneração. Quando o ser brilhante terminou, e fazendo gracioso sinal de despedida deixou a jovem, era hora de encerramento dos trabalhos. Kardec fez uma prece, deu por encerrada a sessão, e houve debandada geral. Chegou a hora das separações, pois o ex-sofista foi em companhia de outros, o mesmo tendo acontecido com aquele senhor que pedira para entrar na discussão. Eu, minha mãe e aquelas outras mulheres, rumamos para a zona de onde tínhamos vindo. Meu estado emocional era deslumbrante. Minha alma pairava nas alturas celestiais, minha inteligência recitava uma prece contínua. Sentindo, por ingressar em plano vibratório superior, aumentar aquele estado de êxtase, fui obrigado a dizer:
Livro_CRISTOv6.indd 103Livro_CRISTOv6.indd 103 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro — Não sei como agradecer a Deus e a quantos me fizeram bem. O que sinto de paz e ventura em mim, faz a soma de tudo quanto devo a Deus e às almas carinhosas, que em tempo me vieram amar e servir. Como pagarei? Uma daquelas mulheres, avançando, e trazendo no semblante a marca de sua elevação espiritual, sentenciou: — Querido irmão, pague com a mesma moeda — amando e servindo! — É exato, senhora. Amor com amor se paga. Jesus Cristo pediu fé, recomendou amor e prometeu o Batismo de Espírito. Entretanto, se para haver contacto é preciso a ingerência da fé, e se para haver Revelação se faz necessário a contribuição das faculdades mediúnicas, o certo é que, para honrar a qualquer ação, e consagrar a qualquer feito, faz-se mister a sanção do amor! Ela emendou, envolvendo-me com a sua aura agora luminosa: — Irmão e amigo, a inteligência esclarecida ilumina o teu caráter em geral. É a premissa de uma Nova Era para ti. Oxalá não voltes atrás. O poder
Livro_CRISTOv6.indd 104Livro_CRISTOv6.indd 104 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo da luz é dialético, é duplo — assim como afugenta a treva com a sua chegada, assim mesmo a atrai com a sua partida. Vê bem, não tornes atrás. Eu voltarei um dia, quando estiveres pronto... Adeus. Ela se fez luz, ou luzes argentinas, rasgando o lindo céu azulado que nos servia de firmamento. Meus olhos derramavam quentíssimas lágrimas, minha mente parece que invadiu as profundezas de mim mesmo, indo confinar com Deus, bem lá nos confins de minha consciência. Eu queria falar e não podia, queria gesticular e não sabia como. Apenas pude, levantei os olhos, olhei para o espaço e vi que estava normal. Estrelas pipiscantes ornavam o fundo azul da imensidão cósmica. — Vê, filho, como agentes do Senhor aparecem em forma de simples trabalhadores? Isso é para nos ensinar humildade, ou para nos fazer entender o quanto pode o amor posto a serviço do bem alheio. Suas últimas palavras foram seguidas de uma voz, que era a mesma daquela mulher, a quem não pudemos ver. Ela disse: — Sobre doutrinas e conceitos, irmãos queridos, muito haverá ainda por aparecer e por se fazer; en-
Livro_CRISTOv6.indd 105Livro_CRISTOv6.indd 105 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro tretanto, crede, o amor pode muito mais do que os ramerrões estipulados pelas páginas da História, e escalonados ao longo das conceituismos sectários. O homem pode dar crédito a quantos conceitos quiser, e pode até dogmatizar sobre eles, pretendendo, para si, que sejam imutáveis, por dá-los como verdades fundamentais. Porém, só o amor eleva de fato as criaturas. A própria ciência pode trair. O amor, vivido por amor, nunca trai! É impossível descrever o que se passou comigo, por mais este acréscimo que o Céu debruçara sobre mim. Em minha mente vagavam, sem esforço, ideias que vinham da UNIDADE SAGRADA, da ORIGEM, de Deus! Por isso, naquele momento, eu era como o TODO e a parte, o de dentro e o de fora. Eis o melhor que posso dizer, para expor uma tão feliz vivência da glória então vivida. Quando tudo findara, minha mãe convidou-me: — Vamos para casa, meu filho. Não tornarás ao centro de recuperação. As outras mulheres se despediram e nós fomos. Minha mãe morava nos arredores da cidade, num planalto, e como toda a cidade era ajardinada, ali o que se podia ver era uma imensa plantação de ár-
Livro_CRISTOv6.indd 106Livro_CRISTOv6.indd 106 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo vores frutíferas. No dia seguinte, saindo para apreciar o que havia nas redondezas, fi-lo a pé e por volição, tendo sabido que os frutos eram colhidos e transformados em sucos. Enfim, para alimentação dos cidadãos da zona astral. Cumpre dizer, entretanto, que muitos gostariam de comer alimentos mais a par dos da Terra, com os quais estavam acostumados. Embora nenhuma carne entrasse no menu local, comidas mais grosseiras eram facultadas, até que se fossem acostumando. Os mais avançados em psiquismo, alimentavam-se de frutos, de sucos e de absorções fluídicas. Poucos conseguiam isto, e por muito tempo, mas havia os que conseguiam bastante. Estes, em certas experiências, conseguiam demonstrar a força de seus pensamentos, ou o poder da vontade sublimizada.
Livro_CRISTOv6.indd 107Livro_CRISTOv6.indd 107 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro
Livro_CRISTOv6.indd 108Livro_CRISTOv6.indd 108 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo Fiz estudos vários, teóricos e práticos, principalmente a respeito do emprego do poder mental, de sua aplicação como poder elaborador. Em outros tempos diríamos criador. E como cheguei a sensibilizar-me suficientemente, por cultivos mentais e orações, e acima de tudo pela alimentação reduzida e frugal, consegui atingir elevado teor de capacidade determinadora, impondo vontade ao fluido cósmico. Assim é que, sem grandes esforços elaborava uma casa, um móvel, uma árvore. Ao estar bem exercitado nesse ramo, fui enviado a uma cidade vizinha, a fim de tomar parte num agrupamento de espíritos socorristas, que, por intermédio de outro grupo, também estavam articulados com os trabalhos de Allan Kardec. Devo aqui salientar, que a unidade direcional vinha de muito alto, sendo que
Livro_CRISTOv6.indd 109Livro_CRISTOv6.indd 109 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro no plano inferior era admissível a ramificação por grupos. Os chefes superiores eram sempre os mesmos e visitavam todos os núcleos. Embora se fizessem trabalhos de doutrinação, de orientação, de curas, de variantes ordens, o centro de gravidade, com relação ao codificador, era por excelência intelectual. Cumpria-lhe organizar doutrinariamente, e isso lhe punham em mãos, por muitas formas e modos, sendo comum o seu ingresso no plano astral, a fim de que a sua mente pudesse contar com os elementos informativos à vontade. Pode-se dizer, portanto, que as horas de sono do codificador eram ocupadas em estudos e saturações intelectivas, a fim de que os seus escritos pudessem filtrar, quando acordado, as verdades que o mundo espiritual tinha por objetivo transmitir aos encarnados. A codificação resume, perfeitamente, uma síntese doutrinária elaborada à custa de colações sublimes entre os dois planos. Um dia, quando os grandes mentores enviaram recado ao codificador, encarecendo a necessidade de ir deitar bem cedo, e com o propósito de tomar parte em reunião de suma importância e gravidade, fui convidado, não só a tomar parte, mas a ser o feliz transmissor do aviso. Nunca mais, até ao presente, vi e assisti uma reunião de tamanha monta. Desceram até a minha zona-moradia altos dirigen-
Livro_CRISTOv6.indd 110Livro_CRISTOv6.indd 110 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo tes, tendo os serviçais mais íntimos, ou de ligação imediata, conduzido até ali Allan Kardec, a fim de tomar parte no conclave. Deu-se a reunião num dos grandes salões de conferência e estudos, estando presentes os elementos do governo e os chefes de alguns departamentos. Vieram, também, convidados especiais de regiões próximas. E dizer que foi uma apoteose de glórias é obrigação. Estiveram presentes, naturalmente reduzidos em seus esplendores psíquicos, todos os Grandes Reveladores da História da Terra. Assim mesmo, porém, o recinto fremia a instâncias de uma vigorosidade psíquica que eu não podia e não posso calcular. Foram dispostas duas mesas ao centro do vasto salão, para que todos os convidados especiais pudessem tomar parte direta nos trabalhos. Não, é claro, porque suas opiniões pudessem ter importância na resolução a tomar, mas sim para lhes servir de estímulo, e quiçá por prêmio. Eu penso que foi por prêmio, pois nenhum deles ousaria dizer palavra naquele ambiente seletíssimo, onde tudo podia ser resolvido sem a articulação de uma simples palavra entre seus componentes. O meio formado, o ambiente que se produziu, revelava por si só a inteligência das questões por debater e decidir. Nós, que ficamos nas
Livro_CRISTOv6.indd 111Livro_CRISTOv6.indd 111 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro galerias, éramos atingidos imediatamente pelas ondas mentais que alicerçavam os seus pensamentos. Aqueles grandes mentores, altos chefes de regiões e povos, que em conjunto e sob a égide do Mestre conduzem a Humanidade, ou as Humanidades, isto é, a encarnada e a desencarnada, a começar dos profundos baixios até aos cimos interestelares, resumiam ali todas as Revelações, tudo o que até então havia sido dito aos homens. Dali em diante, segundo aquele que falou em nome do Mestre, todos os esforços seriam enviados em prol da unificação religiosa, tendo por base o Consolador, a promessa do Cristo, o órgão instrutivo das gentes. Que maravilha a palavra desse glorioso mentor! O poder de sua mentalização parece que fazia tremer o edifício todo. A firmeza, a certeza, a autoridade de seus pensamentos nos atravessavam como se fossem potentíssimas descargas elétricas! Num pensamento explicou a obra do Cristo : “TODOS OS REVELADORES ANTERIORES AO CRISTO, MENORES OU MAIORES, TENDERAM COM OS SEUS ENSINOS PARA O SECRETISMO, EVITANDO A DISSEMINAÇÃO DOS CONHECI- MENTOS PELO POVO, PELO MAIOR NÚMERO. FI- ZERAM O ESOTERISMO, EDIFICARAM OU ENDOS-
Livro_CRISTOv6.indd 112Livro_CRISTOv6.indd 112 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo SARAM A INICIAÇÃO OCULTA. JESUS DESCEU AO MEIO DOS SEUS TUTELADOS, PRECISAMENTE PARA RASGAR O VÉU DO TEMPO, PARA FAZER O INVERSO, PARA BATIZAR NO ESPÍRITO, A FIM DE LEGAR A TODOS O DIREITO DE, PELO CONSO- LADOR, QUE É O MEDIUNISMO, ATINGIR O CO- NHECIMENTO DAS QUESTÕES ESPIRITUAIS, PE- NETRAR OS ARCANOS DA VIDA UNIVERSAL. POR ISSO É QUE NA HORA CÍCLICA, VIMOS, DE SUA ORDEM, RESTAURAR O CONSOLADOR E FORÇAR SUA DISSEMINAÇÃO ENTRE TODOS OS POVOS. PORQUE, IRMÃOS, NO BATISMO DE ESPÍRITO ESTÁ A CHAVE DA UNIFICAÇÃO RELIGIOSA”. Salientou, a seguir, a obra que cumpria a todos, pondo em evidência o serviço a ser feito por Allan Kardec e seus mentores, equipando elevadíssimo número de servidores do Senhor. Embora, bem se percebia, fazia ele por manter suas glórias hierárquicas em anonimato, dado ter que falar no Divino Mestre, cada vez que Lhe repetia o nome, emitia um brilho ofuscante ou se envolvia em aura multicor esplendorosa, feita dos matizes mais sublimes das ultra-cores. Talvez que os mais subidos poetas pudessem relatar melhor o visto e vivido. Eu, pequenino servo, e recém-saído das gamas inferiores, dou por graça de Deus conservar viva em mim a grandeza intelecto-moral daquele maravilhoso
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.