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Capítulo 3 de 13

Parte 3 de 13

Uma Visão de Cristo · Osvaldo Polidoro

Livro_CRISTOv6.indd 44Livro_CRISTOv6.indd 44 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo Depois de pensar algum tempo, ponderou ela, em tom circunspecto: — Convém observar bem o seguinte: ninguém se faz de um salto. A história de um santo, de qualquer forma é uma história de altos e baixos, de avanços e de recuos, de quedas e de soerguimentos. Devemos traçar diretrizes, conforme a ordem superior, ou o plano geral, e partir daí, com vontade e esforços aplicados, mas compreendendo que a vida deve ser vivida. Nada de obcecações. Nenhuma ideia fixa. Saber que na vida tudo cabe, o bem e o mal, o alto e o baixo, a paz e a tormenta, a sabedoria e a ignorância, porque o espírito é um centro de poderes e está em sua natureza movimentar esses mesmos poderes para onde quiser. Portanto, boa religião é cultivar a ciência e o amor, porque esses fatores são básicos, e formam ou constituem a chave que abre para o Céu as portas do próprio espírito. O método a ser aplicado, portanto, é o da serenidade, é o da ponderação. Quem não fizer assim, por certo corre o risco de esbarrar em sérios percalços, cair em contradição e chafurdar no regime de aberrações e dores. A dor é uma consequência da anormalidade e deve ser evitada. Só a dor missionária é que é bem-aventurada. A dor acidental, a dor expiatória, essas não podem ser bem-aventuradas. Até mesmo a dor prova é menos recomendável, pois havendo meios para realizar

Livro_CRISTOv6.indd 45Livro_CRISTOv6.indd 45 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro o Céu através da ciência e do amor, por que fazê-lo segundo os liames torturantes, que são um princípio de rebeldia e um intróito aos infernos? Notando-lhe a gravidade ao encarar o assunto, perguntei: — Por que faz essa observação, mamãe? — Quero lembrar-lhe os prejuízos do excesso de entusiasmo. Sempre aparecem aqueles momentos deslumbrantes, à custa dos quais a criatura pensa atingir a plenitude espiritual de um salto. É um fenômeno psicológico corriqueiro, e que tem enganado muita gente, no plano carnal e por aqui. Um momento de êxtase não deve ser tomado como uma definitiva conquista hierárquica. Faço questão de lembrar esta ordem de fenômeno, pois foram muitos os que se apanharam, quando devolvidos ao tom médio ou à normalidade vibratória, de constrangedoras apatias, verdadeiros estados de prostração moral. — É muito útil saber isso. — Interveio Salmo, que a ouvia atentamente. Prosseguiu ela:

Livro_CRISTOv6.indd 46Livro_CRISTOv6.indd 46 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — Não basta confiar no Céu; é necessário conhecer os estorvos do caminho e saber evitá-los, ou pelo menos contorná-los. O espírito sempre está enquadrado no seu grau ótimo, ou tom hierárquico normal, que é aquele alcançado através da vida e seus feitos. E este, por natureza, oferece, porque comporta, um campo de flexão, uma possibilidade para aumentar ou diminuir. Assim, em si mesmo pode o indivíduo subir ou descer na escala vibratória que lhe é ordinária ou comum. Quando o indivíduo é inexperiente, e por um forçamento alcança o êxtase, pode muito bem confundir o que é passageiro com o que é perene. Julga ser possuidor do Céu à vontade, quando apenas vislumbrou- -o de bem longe. Depois, ao cair na ordem normal, ao voltar ao estado ordinário, julga ter sido barrado, traído, apartado, vindo o seu estado a ser muito pior que aquele anterior. — Então, o Céu também pode ser instrumento de conturbação? — O Céu, não; mas a inconsciência do indivíduo, sim. Por isso recomendo atenção contra o excesso de entusiasmo. Bem-aventurada a criatura que usa corretamente da inteligência, compreende? Não se compromete, nem pelos devaneios, nem pela instância do êxtase, e muito menos escandaliza a Jus-

Livro_CRISTOv6.indd 47Livro_CRISTOv6.indd 47 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro tiça Divina por cantar ladainhas à dor punitiva, ao sofrimento expiatório. Salmo interveio, opinando: — Uma verdade deve ser posta em discussão, por tornar-se tese. Se é mais respeitável a atitude daquele, que por errar se lança aos tentáculos da dor, ou a atitude daquele que, por inteligência, suplanta o erro e vence a dor. Eu acho o seguinte, de acordo com os ensinos que estamos recebendo, cujo fim é por termo ao conceituísmo dolorista multi-milenar, generalizado e consequentemente errado; eu acho que, em se tratando de tese inteligente, por ser da alçada de criaturas racionais, é comprometedor que um ser humano encontre, na teoria da flagelação, melhor modo de honrar a Deus, e Sua Justiça, do que por meio da ciência e do amor, que em si consubstanciam o poder da inteligência. Demais, sendo Deus a Suprema Inteligência, e sendo nós seus filhos ou emanações, como conceber a inversão da ordem ou medida respeitável? Ao que é Inteligente se honra com inteligência; ao que é Amor se honra com amor; ao que é Justo se honra com justiça. Só à dor missionária respeito como sendo bem-aventurada, porque ela encerra o germe da abnegação, eleva-se aos páramos da renúncia e se concretiza na su-

Livro_CRISTOv6.indd 48Livro_CRISTOv6.indd 48 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo prema fraternidade. Quanto à dor expiatória, ou punitiva, embora lembrada como advertência ou aviso, ainda que conceituada como alertante, ela sabe a opróbrio, ela cheira a crime, ela encerra o germe do erro e significa a marca da transgressão. Em nome do bom senso, creio se deveria mesmo iniciar uma nova ordem interpretativa sobre o fenômeno dor, colocando pingos nos ii. Os altos mentores que nos visitam, e nos ensinam, repetem sempre que não é da Vontade de Deus que Seus filhos sofram, mas sim que é da Vontade Dele, que galguem às supremas glórias. Logo, por ter eu, por exemplo, sofrido tanto, por errar tremendamente, com isso não honrei o meu Deus! Apenas, simplesmente, escandalizei a minha condição de ser inteligente! E que melhor testemunho daria eu, em prol da tese anti-dolorista generalizada, do que pelo fato de estar aqui, agora, em paz e normalidade de consciência, sabendo e sentindo a importância dos fatores ciência e amor, à custa dos quais erigimos o edifício da paz? Eu sentia, dentro de mim, convulsões tremendas. Minha alma, direi assim, estava acabrunhada, comprimida, constrangida. E não sabia ao certo o porquê. Dei-me por feliz quando chegaram outros, convidando minha mãe e Salmo para um serviço urgente.

Livro_CRISTOv6.indd 49Livro_CRISTOv6.indd 49 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro Antes de sair, disse-me Salmo: — Fique aí, deitado, e vá lendo este livrinho. Minha mãe, antes de partir, lembrou-me: — Na Terra ou onde quer que seja, toda sorte de tonalidades vibratórias são presentes. E é comum o fato de, pelo pensamento, podermos estabelecer contato com qualquer delas. Tudo é questão de identidade, de afinidade. Como se sabe que a afinidade deve ser procurada e forçada, assim se valoriza uma boa leitura. Afinal, meu filho, o bem e o mal estão sempre ao nosso dispor, seja através de criaturas, seja por meio de penetrações ondulatórias. Esse livrinho é muito bom, serve para fazer colher, no ambiente onde se esteja, os melhores elementos energéticos. Você irá saber, por ele, muita coisa sobre correntes energéticas e variações fluídicas. Aproveite o tempo, procurando saber o motivo daquela advertência do Apóstolo dos Gentios, de si tão querido — “As más conversações corrompem os bons costumes”. — Está certo, pois uma péssima conversação é o produto de contatos mentais comprometedores. Eu sei um pouco sobre ordens vibratórias e variações fluídicas, sabendo também que, pelos elos

Livro_CRISTOv6.indd 50Livro_CRISTOv6.indd 50 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo mentais, podemos dar entrada às que curam e às que matam, às que elevam e às que deprimem. É uma grande coisa saber isso, sendo muito melhor aplicar bem esse conhecimento, torná-lo realidade prática.

Livro_CRISTOv6.indd 51Livro_CRISTOv6.indd 51 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro

Livro_CRISTOv6.indd 52Livro_CRISTOv6.indd 52 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo Por oito dias permaneci no leito, lendo e refletindo, sobre Deus e Sua manifestação. Como ESSÊN- CIA FUNDAMENTAL, presente sempre e sempre a razão-de-ser de tudo, por ser tudo em tudo e todos. Nada de um Deus antropomórfico, à margem da Criação! Nada de uma Terra separada do Céu! Monismo puro, a Causa fundamentalmente ligada ao Efeito! E lá vieram os grandes Mestres das Revelações primeiras, os Vedas, os Budas, Crisna; depois outros, muitos filósofos, e o Cristo, que segundo o texto foi muito deturpado, traído nos Seus ensinos. Giordano Bruno aparece com a sua interpretação, essencialmente monística, marcando um grande avanço no rumo dos conhecimentos fundamentais. Uma obra tão pequenina por fora o quão grande por dentro. Uma síntese engolfando a tese e a an-

Livro_CRISTOv6.indd 53Livro_CRISTOv6.indd 53 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro títese. A dialética perfeita apresentada sob a forma de uma lição sem os entraves da costumeira terminologia técnica dos terrícolas, que pensam com isso estar fazendo melhor obra de verdade, quando, na realidade, as Verdades de Deus independem de seus termos empolados e de seus cálculos complicados. Resumindo o aprendizado feito, ficou-se sabendo que a Chave do Reino, por natureza, está em cada indivíduo. Em si mesmo é que cada qual tem o poder e os elementos de realização do Céu. Do Céu e do inferno, é claro, porque afinal são dois extremos ligados por uma só lei. De posse desse conhecimento, do qual trazia alguns elementos do plano carnal, por ler bastante e ouvir muitas palestras, tornei-me de ânimo forte, voluntarioso por consciência da realidade. Marcava fronteira entre o Céu e o inferno, de ordem interior está claro, minha própria conduta, acionando a lei de Causa e Efeito. Encarando minha condição de aleijado, antevia seus motivos. Haviam me dito, mais de uma vez, espíritos servidores do bem, que muitas e graves falhas tinha eu cometido no passado, e que aquela condição de rastejante correspondia à corrupção lavrada no corpo perispirital; isto é, que eu havia revolvido em mim as formas físicas inferiores, ou das espécies antanho vividas. Que não podendo

Livro_CRISTOv6.indd 54Livro_CRISTOv6.indd 54 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo tomar a forma inferior integral, em virtude da influência dos genes humanos, vinha, contudo, deformado e rastejante. Que arrastava, comigo, as marcas físicas dos erros de ordem moral cometidos e recalcados. E isso fazia-me pensar muito, porque aquele livrinho ensinava muito bem a discernir entre os direitos e os deveres da criatura. Antes da consciência individual prevalecem automatismo e instinto, não há culpa. Depois, por avançamento, prevalecem ainda automatismo, instinto e razão. E ainda por avançamento ou evolução, ganhando em razão é que vai perdendo em aqueles outros dois fatores primitivos. Quando a inteligência está altamente desenvolvida, capaz de sintonizar com a Suprema Inteligência, então pode-se dizer que a criatura ultrapassou os limites daquelas embrionárias manifestações de leis. É ao que se chama grau crístico. Importa em saber o que determina a Suprema Inteligência, a fim de realizá-la, de dar-lhe cumprimento. Não é uma questão de convencionalismo humano, de títulos adquiridos aos estatutos religiosos do mundo, ou decorrentes de filiações sectárias. A santidade feita pelos homens não voga nas plagas do Céu! Os graus adquiridos aos conclaves de ordem sectária ficam na órbita tumular! A princípio cheguei a me julgar liberto de toda e qualquer mácula; mas, lendo e meditando, com-

Livro_CRISTOv6.indd 55Livro_CRISTOv6.indd 55 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro preendi que se o meu corpo de espírito rastejava ainda, era porque o espírito ainda era culposo. Fiz-me, por isso, meio triste. E quando minha mãe tornou a visitar-me, falei-lhe a respeito: — Estou bem desiludido de mim mesmo... Devo ser ainda um grande devedor. Fez ela um ar de tristeza e disse-me: — A paz de Deus é o Reino do Céu... E cada um pode tê-la de acordo com a sua evolução. É medida de prudência manter a consciência alerta e vigiar o que se adquiriu à custa de esforços. Se acha que está de posse de algum bem, por tê-lo adquirido através de cultivos sérios nos campos do amor e da ciência, mantenha-se em paz. Ótimo postulado a ser posto em vigência é o da serenidade de conduta. Os que não duvidam da Suprema Justiça agem assim. E você, meu filho, tem muito por que agradecer a Deus, pelo quanto conseguiu na última passagem pela Terra, tomando parte nos trabalhos restauradores da Doutrina Excelsa, fazendo excelentes amizades, aliando-se a criaturas dignas de profundo respeito. Demais, compreenda, é do seu interesse ler o próprio relatório, a documentação de seus últimos cinco mil anos de vida. O que fizemos, até aqui, foi prepará-lo...

Livro_CRISTOv6.indd 56Livro_CRISTOv6.indd 56 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — Compreendo, compreendo, mamãe... — Foi prepará-lo, meu rapaz, para essa grande auto-revelação. Sei que irá passar sérios bocados, mas sei que muito se alegrará ao término da leitura. Deve entrar na posse do direito de escolher as futuras reencarnações. E só conseguirá isso, lembre-se bem, depois de conhecer bem os seus feitos e de propor-se conscientemente ao culto do bem fazer. Você, que conheceu bem de perto a dor expiatória, que é a dor malfadada, terá que, por amor ao amor, ou por elevação íntima, dar-se ao emprego da dor prova, e, por subir na escala do bem, penetrar mais tarde no plano da dor missionária, que é verdadeiramente a dor bem-aventurada, por ser filha dileta da renúncia. — Como o Céu é difícil, mamãe! Mas como é belo pensar assim! ... — Belo é resolver assim e assim viver. Por que julga você que o Cristo fez aquela observação - “Deus é Espírito e Verdade; e quer que assim sejam aqueles que o adoram?” — Bem, quis dizer com isso que somos por natureza votados às glórias espirituais. E que em nós estão essas glórias, aguardando o despertar.

Livro_CRISTOv6.indd 57Livro_CRISTOv6.indd 57 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro — Isso mesmo. O Cristo não pediu adorações a quem quer, porque Sua função natural constituiu- -se de avisar aos irmãos comandados, sobre o dever dos verdadeiros crentes, que é no sentido de ampliação dos poderes íntimos. Tudo quanto se levantou no mundo, de formalismos e de contemplativismos, de clerezias e de dogmas, tudo isso é revelia ao ensino do Cristo. Por adorar seres exteriores, em bases formais, ninguém se eleva em amor e em ciência. Mas, por subir nessas virtudes, e aplicá-las a bem do próximo, então sim se eleva a criatura. Como você já leu, o Cristo foi muito deturpado em Seus ensinos. Por isso que, no mundo, quase todos os cristãos, a respeito da fé, pensam e creem de um modo, e procedem de outro, muito diferente, muito ao contrário. O Cristo deu vigência aos poderes internos, para lembrá-los aos irmãos. Os que se dizem cristãos, falam no Cristo, e em Seu nome sujeitam-se a certos rituais, pensando que ser cristão é isso. Abandonam o Cristo interno, que está aguardando despertar, distraídos pela idolatria. E é por isso que, vistas as questões do nosso plano, o maior número de espiritualistas deixa a carne em péssimas condições psíquicas, enquanto aqueles que se dizem céticos passam para estas bandas armazenados de elevados quinhões espirituais. Há, sem dúvida, uma grande falsa interpretação a respeito do que o Cristo ensinou. Jamais

Livro_CRISTOv6.indd 58Livro_CRISTOv6.indd 58 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo lhe ocorreu ministrar formalismos, porque Sua doutrina era firmada nos alicerces do amor e da justiça. A tese advogada pelos cifrões religiosistas, que se consubstancia no falar em Deus e flagelar o próximo, essa não saiu jamais dos arcanos orientadores do Divino Mestre. Aquilo que Ele, tantas vezes repetiu nas ruas e nas praças de Jerusalém, afirmando que só se honra a Deus pelo amor ao próximo e pela reverência às verdades básicas, isso foi subtraído aos Evangelhos. Resta, apenas, aquilo que serve de ancoradouro às convenções clericais, por estarem ligados a elas várias ordens economicamente temporais e imediatistas. Já não é o Céu de espírito que torna vigente a verdade evangélica; é a fraude sobre o Evangelho que torna garantida a vigência do imediatismo temporal. — Verdadeiramente, através do livrinho compreendi uma grande divergência entre o que Cristo ensinou e aquilo que fazem os cleros, e forçam a fazer, à guisa de Cristianismo. Tudo quanto o Modelo Divino, por ser Modelo, exerceu, como ponto de doutrina, tudo isso foi subtraído — os poderes de variada ordem, decorrentes da elevação moral e dos conhecimentos fundamentais. Em troca disso, inventaram clerezias, criaram um quadro hierárquico, levantaram pompas e liturgias, deram-se quando muito ao culto da mística contemplativa. E como

Livro_CRISTOv6.indd 59Livro_CRISTOv6.indd 59 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro tudo isso sabe a sectarismo, claro que, por injunção dessa corrupção, não se respeita nos semelhantes os méritos de ordem moral e as realizações no campo das ciências. Perguntar hoje, a alguém, se é cristão, não importa em querer saber se cultiva o amor e vive régia campanha em busca dos conhecimentos de leis da vida; implica, isso sim, em querer saber se hospeda no seu campo de viciosidade mental-moral, o mesmo ronceirismo sectário, a mesma tendência para a idolatria, seja de ordem conceptual, teórica ou simbólica, seja ela em forma de vivência social eivada de preconceitos. Enquanto o Cristo, fazendo referência à ordem comum, e à finalidade também comum, traçou uma só linha de ação para todos os homens, e linha que se consubstancia no culto do amor e da ciência, os cleros nada mais fizeram do que criar formalismos separatistas, convencionalmente profissionais, explorações da fé e sujeições supersticiosas. Isso, muito bem se entende lendo aquela obrinha. E agora, que estou lendo sobre os poderes latentes do espírito, poderes que resumem o Cristo por despertar, muito mais me lamento de ter concebido tão mal a questão espiritual. Minha mãe pediu-me licença e indagou-me: — Que diferença existe entre as questões “religião” e “espiritual”?

Livro_CRISTOv6.indd 60Livro_CRISTOv6.indd 60 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — A religião deve fomentar a espiritualidade; o culto religioso de fato é aquele que encerra um curso de psiquização. Eu penso assim. — Muito bem. Religião é o caminho da edificação íntima, o processo de desdobramento do Cristo interno, ou dos poderes latentes. E que coisa é, isso em que converteram os ensinos do Cristo? Ponha reparo numa verdade — enquanto o Cristo deu vigência aos Seus poderes desdobrados, ou manifestos, e que são os dotes divinais dos filhos de Deus, e com isso curou, expeliu maus espíritos, manteve colóquios com os espíritos do bem, enfrentou o mundo e venceu a morte, retornou como espírito e guiou os Apóstolos, enquanto, digo, o Modelo praticou essas lições em face dos irmãos, que fazem os representantes dos sectarismos, das igrejas, dos estatutos de homens? — Fazem sectarismos, organizam-se em igrejinhas, forjam estatutos. Pesam e medem as quitandas do culto exterior, especificam cheiros, levantam questões de mérito e de ordem a respeito dos horários e das maquilagens. Isso é ao que chamam de Cristianismo! E matariam se lhes fossem concedidas... Salmo chegou. Vinha com o meu dossier, um amontoado de cadernos. E tão a par estava do

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