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Capítulo 11 de 13
Parte 11 de 13
Uma Visão de Cristo · Osvaldo Polidoro
Livro_CRISTOv6.indd 187Livro_CRISTOv6.indd 187 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro mereçam amparo. Até breve, se Deus quiser. Sereis abençoados, assim como abençoardes. São os foros da Lei que assim determinam. Fizemos uma prece pelos espíritos sofredores, e outra agradecendo aos Poderes Superiores da Vida, pela oportunidade tão grata que se nos deparara, de manter colação com o mundo espiritual. Uma vez encerrada a sessão, Gumercindo observou: — É fácil compreender, depois de um contacto destes, a importância do Batismo de Espírito, daquele grandioso fenômeno do Pentecostes, marco inicial de uma nova fase histórica, de um tempo de franquias gloriosas entre os dois planos da vida. Pela nossa mente perpassou, então, tudo quanto se dera em seguida ao grande evento, até o quarto século, quando Roma surgiu, liquidando a Revelação, truncando o Batismo de Espírito, a fim de impor toda sorte de idolatrias, de paganismo mercantilista, despótico e propulsor de ignorantismos sem conta. Depois de tomarmos um café reforçado, cada qual tomou seu rumo. Viam-se, nos semblantes, as marcas de uma felicidade ímpar. Daquela infusão com o Céu, restavam esplêndidos fulgores espirituais.
Livro_CRISTOv6.indd 188Livro_CRISTOv6.indd 188 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — Quando teremos mais dessas bem-aventuranças? — indagou Nora Pensei um pouco, tomei íntima deliberação e respondi: — Não antes de cumprir a ordem. Fica assim combinado. Na próxima vez, tudo estará em condições ideais, porque nenhum animal da fazenda estará votado a ser comido. Nora olhou-me com surpresa, inquirindo: — Não comerá mais carnes de hoje em diante? Sopesei as circunstâncias, e para não prometer muito, respondi: — Não matarei para comer. Pode ser que venha a comer, mas não tirarei a vida para fazê-lo. Se outros matarem, e conforme o caso, talvez coma, talvez não. Prometo o que posso, apenas. Gumercindo e Santelmo endossaram minha proposição, afirmando segui-la. E foi assim que terminamos a tarefa, daquele adorável dia, naquela memorável noite.
Livro_CRISTOv6.indd 189Livro_CRISTOv6.indd 189 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro
Livro_CRISTOv6.indd 190Livro_CRISTOv6.indd 190 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo Aos trinta dias daquela enunciação, nem mais uma rês havia na fazenda, cuja vida estivesse hipotecada ao desejo de repasto humano. Tudo fora vendido e negociado, havendo com isso amealhado o numerário suficiente, para dar início a uma nova fonte de recursos. Pelo cálculo feito, a extração de madeiras daria para suprir-nos um largo tempo. Dentre outros recursos, em boa hora nos procurara uma família de japoneses, propondo o estabelecimento de uma granja. Esta, um ano e meio mais tarde, fora por mim incorporada totalmente. Eu não havia pensado e aguardado tanto de uma simples granja, mas é forçoso dizer que em tudo ela se excedeu, cobrindo despesas e deixando boa margem de lucros. O estrume, com o que eu não contara, e que fora sendo vendido aos arrendatários da imensa várzea, na qual radicaram a maior
Livro_CRISTOv6.indd 191Livro_CRISTOv6.indd 191 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro cultura vista por mim de tomates, por si só valeria como fonte de cobertura, dado a experiência de certo empregado. Com muito trabalho, é certo, mas aos dois anos estávamos emancipados. Santelmo comprara a fazenda ao lado, dedicando-se à cultura do café, elemento com que eu nunca simpatizara. Fora ele muito bem sucedido, não há dúvida. Quanto a Gumercindo, dei-lhe a mão em iniciativa feliz, plantando-lhe uma vinha. No quarto ano de arrendamento, fizera ele proposta de compra, não concordando eu, pois implicava em retalhar as terras, o que não me era do plano de propósitos. Ao afirmar a sua disposição de ir-se, fiz-lhe oferta paternal, pelo que ele me disse: — Senhor Flávio, o senhor é mais do que um homem de bem. É um pai! — Estimo em extremo a sua companhia, Gumercindo. — Mas eu desejava casar-me novamente.... Queria uma fonte certa de recursos. — Eu lhe garantirei essa fonte, homem. Vá bus-
Livro_CRISTOv6.indd 192Livro_CRISTOv6.indd 192 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo car a mulher que sonha por esposa, que o mais tudo se fará, como Deus queira e nós possamos. Aqueles que vivem da jornada, como simples colonos, não se mantêm? Ou é que você já está rico e quer ser também fazendeiro? Se é isso, pode estar certo de que o auxiliarei como melhor possa. Gosto de gente que faz por subir à custa de trabalho honesto. — Conto com o seu favor, mas não era para ser fazendeiro. A vinha dá muito trabalho, o senhor sabe. — Apresente-nos a futura esposa, — disse-lhe eu, — que hoje mesmo vou tratar do assunto com Maria. Tudo há de sair bem, e nós ainda faremos aqui qualquer coisa de grande em matéria de religião. — Eu tenho tratos com a Eugênia, senhor Flávio. Em matéria de religião, tudo parece estar muito bem talhado e posto em ação. Viver na fé de Deus, em pensamentos, palavras e obras, eis o que se deve fazer. Quanto ao mais, a humanidade não se irá modificar assim tão de pronto. Muitos milhares de anos serão necessários, para que ela se compenetre de que para sofrer menos é preciso pôr em função as melhores qualidades despertas. As gentes costumam pensar, e é quase regra geral, que da parte de Deus não há melhor assistência. Entretanto, poucos fazem por cometer atos menos infelizes.
Livro_CRISTOv6.indd 193Livro_CRISTOv6.indd 193 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro O egoísmo humano ainda não concebeu a riqueza do espírito. Do contrário, ao menos por egoísmo havia de produzir um pouco mais e melhor. — Bem, eu penso do mesmo modo. Mas a ideia do abrigo não me sai da mente. Todavia você falou na Eugênia? É a ela que quer por esposa? — É, uma viúva com dois filhos, e parece ser uma mulher de valor. — Antes de ser um bom casamento, que é, sem dúvida, é graça de Deus para ela e para os dois meninos. Se isso der certo, Gumercindo, faremos estudar um pouco os rapazinhos. Que acha? Feliz, com os olhos brilhantes, Gumercindo respondeu: — Já estou vivendo essa grande realidade!... Um dia serão homens cultos e darão de si bons exemplos ao mundo. Como ela se irá sentir feliz. Hoje mesmo hei de lhe dar a notícia. — Traga-a para a minha casa. Você sabe o quanto Maria faz empenho em meter as mãos nessas coisas, não sabe? E eu quero vê-la servindo, dando uma ajuda no que é agradável aos outros.
Livro_CRISTOv6.indd 194Livro_CRISTOv6.indd 194 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo — Eu sei que dona Maria fará o possível por nós. Ela já é, desde a morte do Téo, a alma bem-aventurada que aparece nos lares na hora certa. Quando a tormenta ataca, quando a dor eclode, quando a lágrima aflora, pode-se estar certo de que dona Maria surge e aplaca o quanto lhe está ao alcance. Agora fico sabendo, também, que atrás dela está o seu apoio, a sua vontade de homem fiel a Deus... — Lutando contra a dor, apenas, Gumercindo. Isto nos foi recomendado. — Muito bem. Então, sendo assim, que dor poderá contra o espírito? Ou seria possível melhor obra da parte de um cristão? Francamente, creio que para vencê-la se faz mister aplicação no bem. Avanço mesmo um pouco mais, afirmando que no dia em que haja mais noção da Verdade nos homens, poder-se-á, tecendo muito menos cantilenas nauseantes à mesma, produzir muito mais pela sua liquidação. Vencer a dor é vencer a própria morte!... — Não nos esqueçamos de que existem mundos felizes onde a morte não sabe a dor. A Terra, segundo informes superiores, está votada a ser um mundo assim. Logo, não pensemos em vencer a morte, mas sim em eliminar a dor. Sabendo eu que só se pode vencê-la pelo culto do bem, e bem que
Livro_CRISTOv6.indd 195Livro_CRISTOv6.indd 195 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro avança pelo respeito à vida dos próprios irmãos inferiores em evolução, por que não hei de fazê-lo? A princípio parece ser obra de favor, em vista dos recalques grosseiros que arrastamos conosco. Aos poucos, porém, sentimos ser apenas dever, e dever assaz elementar. Esta conduta, entretanto, garante-nos um gozo tal de espírito, que só aquele que o experimentou pode conceber. É a paga, já, da renúncia a certos outros prazeres e facilidades. — Mas podemos admitir o quanto o plano é quase insuportável ao maior número de cidadãos deste planeta. Não eliminar vidas que não sejam as reconhecidamente daninhas, não viver sem ser para fazer o bem, ir até ao sacrifício pelo bem dos semelhantes... É muito vasto o plano, sem dúvida, para uma humanidade que ainda ontem deixou a furna e a pelúcia irracional. — Qual é a hora que serve para se iniciar uma boa norma de vida? — Toda e qualquer hora, senhor Flávio. — Então, Gumercindo, que não percam tempo aqueles que possam, desde já, reconhecer chegada a sua hora de reforma. Que ninguém se dê ao nefando gesto de apontar terceiros, como sendo os
Livro_CRISTOv6.indd 196Livro_CRISTOv6.indd 196 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo responsáveis pelos seus delitos. Em meio de uma turba fera, o Cristo assumiu a Sua responsabilidade e venceu o mundo! Tivesse tido medo ou apontasse terceiros como sendo também fracos, e teria fracassado. Tenhamos, então, a suficiente dose de coragem; já não é necessário enfrentar uma cruz, mas simplesmente amar o quanto possível a vida, e ampará-la em suas expoenças preliminares. De algozes, passemos a protetores. De vampiros e devoradores, passemos a fiéis exemplificadores. Pelo quanto nos fizermos bons, estaremos escapando ao império da dor, sem a necessidade de gastarmos tempo e de comprometermos a integridade moral com a aplicação de desculpas esfarrapadas. Menos do que isso, seria increpar a Deus, por julgá-lo inibidor dos poderes libertadores do espírito. — Realmente, senhor Flávio, chega a hora, para todo o espírito em particular, de assumir um pouco mais de responsabilidade. Ou se compenetra do que lhe convém de fato, ou fica marcando passos nos planos de dor. — O pior, Gumercindo, é que o dolo entra sorrateiramente pelos meandros do caráter humano. Uma vez presa o homem do erro, ou da fraqueza, que o inibi de triunfar, automaticamente lhe vem dos fundos do caráter viciado um amontoado de
Livro_CRISTOv6.indd 197Livro_CRISTOv6.indd 197 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro infelizes desculpas. Então, qual criança manhosa, sopesa suas falsas razões, valoriza ao extremo suas dores, faz alarde de suas mínimas vantagens. Se chega a ser um homem culto, capaz de trançar ideias, de alinhavar concepções, então, por força do peso moral que não tem, em virtude do lastro de erros que representa, tudo faz para que o tomem como vítima do mundo e talvez como um santo. No fundo, entretanto, é apenas uma vazante dos erros antanho cometidos, das superstições recalcadas, dos idolatrismos milenarmente vividos. Apenas, para diferençar, apresenta suas falhas de modo mais técnico, escalonando teorias, números e fórmulas que nada provam, por não se verem nelas refletidas as contingências do homem ou da humanidade. — O senhor vive a pensar nessas questões? — Sim. Para não valorizar em demasia os próprios feitos. Com um pouco menos de auto-policiamento, o homem vive uma vida comum, na altitude de suas concepções, pelos estudos que pode adquirir, e entretanto se julga mais e melhor do que o seu próximo. Nasceu, cresceu, estudou, aprendeu, lecionou. Casou, teve sua mulher e seus filhos. Viveu, sofreu e gozou, retalhando e distribuindo normalmente a quantia de seus dias sobre a Terra. Tudo comum, tudo normal, enquanto não se lhe
Livro_CRISTOv6.indd 198Livro_CRISTOv6.indd 198 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo meter na mente que é uma vítima do mundo e dos companheiros de jornada; se isto lhe ocorrer, ou lhe fizerem ocorrer, então passará a se julgar um missionário, um meio-cristo, um sofredor da causa humana. Repare que disso há muito... Veio Santelmo e arrancou-nos da prosa, convidando-nos ao acompanhamento de um enterro. Havia falecido, em desastre de trem, o filho de um seu fiscal, estando o féretro marcado para as quatro horas da tarde. Como fosse domingo, arrolamos um bom número, uns a pé, outros a cavalo e outros de trole. No interior, onde a rotina envolve a vida em seus aranzéis monótonos, tudo pode servir de motivo de gozo, seja um nascimento, uma morte ou um casamento. Para os mais velhos, ou aqueles mais curtidos pela idade e provanças da vida, mas desprovidos de notícias sobre a majestade da morte, um enterro se faz veículo de trânsito para o enfarruscado de mil e uma cogitações supersticiosas. Sei-o por mim, pois também vazei, nos dias de menos consciência da realidade espiritual, todo um roldão piegas e mentiroso, temeroso e blasfemo, por assacar a Deus os institutos do favor ou da ira! Naquele dia, à hora de saída do féretro, pedira- -nos o pai do jovem uma prece à espírita, encomendando o espírito de seu filho, um rapaz sabidamen-
Livro_CRISTOv6.indd 199Livro_CRISTOv6.indd 199 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro te correto e trabalhador. Foi então que, chamando a atenção de todos, pedimos uma prece em solilóquo, a fim de, embora havendo divergência em algum particular, houvesse, ao menos, harmonia no plano geral, tendo cada qual oportunidade de pedir, a seu modo e gosto, para ofertar ao amigo de além do véu, como bem entendesse, o produto de sua colheita na cornucópia do Céu. A seguir, tecemos as nossas considerações em torno da jornada evolutiva do espírito, fazendo saber àquela gente toda, que muito mais lágrimas poderíamos estar merecendo nós, os chamados vivos, pela inconsciência em que vivíamos, pouco ou nada fazendo para mais e melhor conhecer as coisas do espirito. A morte, lhes foi lembrado, necessita ser cultivada com todo o poder do coração e toda a capacidade de vivência do cérebro. Quase a totalidade dos que deixam o plano carnal, o faz em condições de cegueira espiritual, por se haver tributado na vida, aos zelos de interesses passageiros. É comum à maioria, tornar subalterno o problema magno do espírito. E isto, por julgar a morte como se fosse um enigma, sujeito integralmente aos foros de um Deus sem justiça, um Deus de mistérios e de milagres, de favores e de iras, tal como O concebem as religiões dogmáticas, os credos que se levantaram no mundo, em
Livro_CRISTOv6.indd 200Livro_CRISTOv6.indd 200 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo nome do Cristo, mas que, por infeliz interpretação da finalidade da obra do Cristo, se afastaram da Revelação, do Batismo de Espírito, cultivando, bem por isso e quando muito, uma fé contemplativa e idólatra, formal e enganosa. — A Igreja ensina o erro?! — indagou-nos um senhor, encanecido e encarquilhado, feito o espanto em pessoa. Para não interromper o curso da palestra, pretendi a princípio não lhe dar imediata resposta; como, porém, me veio à lembrança o poder falar a muitos, completei o pensamento e dei-lhe a devida atenção. — Meu senhor. O Divino Modelo, em caráter geral, civil e religiosamente, não é Jesus Cristo? Meio basbaque, o velhinho respondeu: — Pois é... — Então, senhor, uma vez que a Lei já estava dada, cumpria fosse tornado público o direito de culto revelacionista. Ou poderá alguém afirmar, não ter sido para batizar no Espírito que o Mestre encarnara? Que estava prometido no Velho Tes-
Livro_CRISTOv6.indd 201Livro_CRISTOv6.indd 201 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro tamento? Não era um derrame de Espírito sobre a carne? E que veio fazer João Batista, o Elias, que viria na frente, sem ser anunciar a presença na Terra, ou na carne, do Missionário da libertação revelacionista? Ou não foi para o grande fenômeno do Pentecostes que Jesus se manifestou aos Apóstolos e marcou-lhes a data do imediato acontecimento? Que valem, os avisos do primeiro capítulo do Livro dos Atos, ou a consumação do feito, tal como se lê no capítulo dois? E que diremos da Igreja Apostolar? Como se reuniam seus componentes em seguida ao grande mandado epilogado pelo Mestre? Não foi Paulo a ensinar, como sistema de reunião e culto, a observância do grande acontecimento? Que se lê no capítulo quatorze da primeira Carta aos Coríntios? — Mas a Igreja não ensina os ensinos de Jesus? — tornou o velhinho. — Senhor! Falar em Jesus é uma coisa; seguir- -lhe os exemplos é outra; e procurar avançar em conhecimentos, à custa do Consolador, ou da Revelação, representa o máximo respeito às duas primeiras obrigações. Quem é em atos contra a Revelação, quem através de rigores preceituais se lança contra o Batismo de Espírito, por certo não faz Cristianismo! Tomar o nome de Deus, valer-se
Livro_CRISTOv6.indd 202Livro_CRISTOv6.indd 202 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo da influência retumbante do Cristo, para levantar clerezia pagã, forrada de vestes fingidas, armada de ídolos em geral, feita ela mesma uma fonte de renda e desmandos políticos, para com isso se lançar contra o motivo da vinda do Cristo à carne, pode por ventura ser Cristianismo? Aturdido, o velhinho disse: — Não é agora o momento para se empatar tempo com outras perguntas; mas desejo saber isso de modo mais explícito. O senhor me promete acesso no círculo de suas reuniões? — Depende, meu senhor. — Por que? — fez ele, em tom humilde. — O Cristo ensinou que se deve amar a Deus com todas as forças do cérebro e do coração. Portanto, eu só aceito em minhas reuniões, aqueles que buscam saber cada vez mais e melhor. Quem não pode ler aprende pelos ouvidos; quem pode ler, por ambos sentidos. Porque, de modo geral, não se pode admitir para a cultura espiritual, menos zelo, menos atenção, do que empregamos para as boas colheitas terrenas. Para tratar do reino do Céu, não existe o meio-termo; ou se é dele
Livro_CRISTOv6.indd 203Livro_CRISTOv6.indd 203 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Osvaldo Polidoro ou se é contra ele! — Aceito! — afirmou ele, como quem aceita um repto. — Compareça às nossas reuniões, quando quiser. — propus-lhe. A seguir, fizemos ligeira recapitulação do anteriormente tratado, avisando sobre a necessidade de mais cultivo espiritual da parte de todos. Tornar um corpo ao cadinho terreno, e um espírito ao seio da vida espiritual, não deve impressionar a quem quer, embora fira em cheio os laços de amizade e apego consanguíneo. O que deve calar fundo no campo intelectual, e mais penetrante ainda no mundo das emoções, é o estado de inconsciência em que possa fazê-lo. O grande problema não é o da morte em si, mas sim dos seus preparatórios.
Livro_CRISTOv6.indd 204Livro_CRISTOv6.indd 204 21/09/21 10:4121/09/21 10:41 Uma visão do Cristo A voz da circunstância ordenou: segue o enterro! E o enterro seguiu, em parte ligeiro e banhado em lágrimas, em parte lento e versado em ditos e lembretes costumeiros. Quanto às lagrimas, não adianta dizer, afirmar, quase exigir, como o fazem muitos doutrinadores, a maioria para efeito apenas de exportação, que elas não devem ser derramadas, por tais e quais razões. Uma só morte, convenhamos, é como um livro que se divide em muitos capítulos. Repontam, dele, elementos de ordem variada, para as verdades do cérebro, do coração, e das leis profundas que exortam aos problemas de pré-morte e post-morte, desdobrando-se ainda para as esferas de mil e uma tonalidades concepcionais e emotivas. Quando dizemos que outros tempos reclamam, para o fenômeno dor, considerações mais específicas, e bem mais moralizantes, estamos sem dúvida afirmando,
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.