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Capítulo 9 de 15

Filosofia da — parte 9 de 15

Filosofia da Mediunidade IV · João Nunes Maia, pelo espírito Miramez

O invejoso, além de não adquirir o que não tem, destrói a aquisição que já conquistou. Por que a inveja? Tanto o médico é um servidor de Oeus, quanto o lixeiro, ou um coveiro; tanto o engenheiro quanto o pedreiro e o servente; tanto o fazendeiro quanto o cozinheiro e a babá; tanto o cientista, quanto a sua companheira que fica em casa cuidando do lar; tanto o professor, quanto a faxineira, e neste rumo podes observar a posição de todas as criaturas ante o Poder Soberano da Vida. E nesta mesma lei se coloca o médium e as mediunidades. Todas elas são nobres, quando colocadas a serviço da coletividade, sem trocas passageiras.

Deves contentar-te a agradecer a Deus pelo que Ele te deu por amor. Faze uso igualmente por amor, pois tua faculdade tem o mesmo valor perante a vida e as leis naturais que te sustentam na tua posição de servidor. O medianeiro presunçoso, que alimenta o orgulho e sempre está disposto a deixar dar entrada no coração a vaidade, predispõe sua mente a ser dirigida por outras mentes duvidosas e da mesma índole, contrariando assim os bons princípios da verdade, deixando de comungar com o amor e a caridade. Quando o médium se acha completamente desenvolvido, passando com livre desempenho a receber mensagens com facilidade, é a hora do perigo iminente, pois costuma ele achar que já está feito e que não precisa mais de ninguém e nem tão pouco de livros, colocando o pé à beira do abismo. É o monstro do orgulho se instalando por dentro, e ele se veste com muitas roupagens.

Convém cuidar, pedir aos amigos íntimos, de vida reta e de moral comprovada, que falem alguma coisa a teu respeito, sem contudo terem medo de te ferir. Pede conselhos com humildade, que da boca deles ouvirás as palavras dos teus próprios guias espirituais. Se é da tua vontade melhorar, deves acordar, despertando tuas forças e corrigindo teus deslizes. Fazer orações todos os dias, é postura nobre do cristão, porém, deves escutar o que vem para ti depois da súplica pelos fios da intuição, como resposta de Deus. Lembra-te, antes da prece, de passar uma revista na tua conduta, como ela vai indo no campo da tua intimidade.

A mediunidade com o Cristo está sempre ligada com a moral evangélica. É ela quem dá direção perfeita a todas as tuas qualidades mediúnicas e te impulsiona para amar a Deus em todas as coisas. O médium deve contentar-se com o que tem, mas, sempre se esforçar para o melhor, sem que a usura domine os seus sentimentos. O médium ideal não deve ter a pretensão de agradar a todos que se reúnem com ele. Se a consciência em Cristo nunca falhar nos deveres para com o mundo, começa aí a educação em todos os sentidos.

O equilíbrio das tuas emoções tem nascimento em pequenos gestos em relação com os teus irmãos em caminho. Lucas, no capitulo quatro, versículo vinte e quatro, anotou: E prosseguiu: De fato vos afirmo que nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Jesus, pregando em Nazaré, profetizava que ninguém é profeta na sua própria Terra. O médium, de certo modo, é um profeta e não deve ficar esperando glória onde reside, nem na organização em que trabalha. Deve fazer o bem, entregar-se à verdade, que a vida computará todo o seu trabalho no registro universal.

Não precisa de glórias humanas pelo que é e faz. As pedradas que receberá e a cruz imposta para subir o seu calvário transformar-se- -ão em luz em todas as direções da sua vida, e isso basta para a sua paz. Capitulo 33 MUDANÇA DE CALIGRAFIA LM-2* parte ' Cap. XVI — 219 Essa engrenagem mediúnica é muito interessante para prova da identidade do Espírito comunicante; todavia, ela se dá nos médiuns mecânicos ou semi-mecànicos, de maneira a comprovar pela assinatura de quando o Espírito vivia na carne, certificando-se, assim, que é ele mesmo e que a vida continua além do túmulo. Com as outras mediunidades não se dá este fenômeno, porque o comunicante tem acesso ao pensamento do médium nas comunicações.

O Espirito não domina por completo os movimentos da mão do medianeiro, no entanto, no que tange à mensagem, em relação à pureza doutrinária,’ às vezes o médium inspirado apresenta-se em melhores qualidades que o médium mecânico e semi-me- cânico e, até na escrita direta, depende da situação do médium, das suas diretrizes devida. Existem instrumentos maleáveis nas mãos dos Espíritos, mesmo com leves faculdades; já outros, inteiramente mecânicos, são subjugados por entidades que não passam além do que o próprio médium conhece. Acontece igualmente com os médiuns pintores de alta sensibilidade mecânica, que produzem quadros nas mesmas linhas de quando o Espírito animava um corpo físico, assinando do mesmo modo que o fazia quando se movia em corpo de carne. Médiuns raros, existem muitos que tentam essa mediunida- de, mas nada conseguindo no que se refere à pintura original. 0 bom médium é sobremodo difícil em todos os campos de atividades. No principio da codificação eram necessárias muitas comprovações.

Hoje, com as mudanças na humanidade, os tempos requerem qualidade das comunicações e observa-se o que a mensagem fala, de instrução e de educação. Não se precisa tanto de comprovação, se é desse ou daquele Espírito, se a caligrafia ou o estilo são os mesmos do Espírito que dita o livro ou as mensagens. Os fenômenos despertam o interesse, mas logo são esquecidos, no entanto, a maturidade conserva a verdade irradiando-a no coração e na consciência. No que se fala, igualmente, da mediunidade psicofônica, quem assiste à comunicação deseja ouvir a mesma voz do morto, comparando-a quando era encarnado, porém, essa análise vai-se aprofundando tanto, que se perde nestes exames, levando a esquecer o principal, que são as mudanças interiores da conduta das criaturas. Irmãos!

Tende no Espiritismo uma filosofia de vida com forças tais que ajudam as pessoas nas mudanças, no aperfeiçoamento das qualidades onde o amor é a base de todas as virtudes. Quem somente busca as coisas exteriores, a não ser por breves tempos, até encontrar o caminho verdadeiro, fica envolvido na dúvida; passa a duvidar até dele mesmo, perdendo-se em um ninho de contradições sem rumo. As leis de Oeus são todas naturais, simples, na simplicidade do amor e da caridade. É bom que se leia muito, consultando os bons livros, no entanto, sem esquecer a observância do reino da natureza. Ele é o maior livro de Deus, aberto para que Seus filhos compreendam a vida em todas as suas nuances.

Na dignidade das intenções nobres, as caligrafias comprovadas e assinaturas idênticas são fenômenos maravilhosos, que indicam que ninguém morre, não obstante, é preciso saber melhor como desencarnar bem, porque, sabendo que a vida continua, não deves querer levar para o outro lado as paixões que alimentas na Terra, porque elas são mães do sofrimento. Porque todas as cousas existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundante a ação de graça por meio de muitos, para glória de Deus. (II Cor., 4:15) Mediunidade perfeita tem a raridade do diamante puro para ser encontrado, ou, às vezes, até mais porque, se essa pedra preciosa vem do carvão e gasta milhões de anos, para se tornar diamante, o futuro Espírito, ainda em estado de "carvão”, para se tomar alma com as faculdades perfeitas gasta muito mais tempo que a transição do carvão para a pedra preciosa. O médium deve cumprir seu ministério sem descrença, sem apego, sem desânimo, vendo em tudo a lição benfeitora da vida, levando-o a transformar-se do carvão das paixões inferiores, à reluzente estrela do amanhecer com Jesus. Capítulo 34 SUSPENSÃO DA MEDIUNIDADE LM - 2* parte

Cap. XVII-220-1 As faculdades mediúnicas são inerentes às almas que as possuem, são dons facultados por Deus às criaturas, de acordo com as tarefas que devem exercer no mundo das formas. Mas, em certos casos, é suspensa a função destes dons, por motivos diversos, embora possam os médiuns voltar a exercitá-los. Cabe aos médiuns, de qualquer posição na escala das mediunidades, estudar os meios de manter na harmonia as comunicações recebidas. Já se sabe que em todas as nações do mundo se vêem mediunidades afloradas, porém, a sua aplicação não condiz com o bom senso, notando-se mais o interesse pelo dinheiro, do que mesmo a missão de ser médium, para despertar o amor em si mesmo e nos outros. Essa mediunidade é desviada da sua verdadeira tarefa cristã. Eis porque surgiu o Espiritismo, empenhado em educar esses medianeiros e instruí-los no que fazer para disciplinar o exercício da médiunidade. Os dons são sementes e deves saber como cuidar das mesmas, para que elas dêem bons frutos. Se plantamos trevas, vamos colher escuridão; se plantamos luz, colheremos claridades.

A lei não erra ao nos devolver aquilo que damos. "O Livro dos Médiuns" nos diz, quando foi interrogado o benfeitor espiritual sobre a perda da mediunidade, que isso pode acontecer. Não obstante, dizemos que não é perda do modo que por vezes pensas: ela pode ficar suspensa, porque as qualidades divinas não se perdem. O dom, ou os dons, são recolhidos na intimidade da alma, passam a dormir, até cessar o motivo pelo qual se interrompeu sua missão de mostrar a caridade e as grandezas das leis naturais da vida. Porém, em muitos casos, ela não é suspensa, mas as mudanças ocorrem nos agentes espirituais que ocasionavam essa faculdade que conhecemos por mediunidade. A suspensão da mediunidade está muito ligada ao próprio médium; se este insiste em exercê-la mesmo com o afastamento dos benfeitores, outras companhias compatíveis com a sua conduta passam a tomar o lugar dos Espíritos de luz, pela afinidade com as trevas. É, pois, um desastre que redunda em grandes sofrimentos para o intermediário do mundo espiritual com a Terra.

Cumpre-nos exortar, por meios diversos, a conduta reta dos médiuns, para que esses avancem sem distorções nos seus caminhos. Não deves esmorecer com os obstáculos, com os sofrimentos, com os combates, com o desprezo. Deves, sim, te precaveres contra a troca da luz pelas trevas. Ora e vigia, para não caíres em tentações deste tipo, muito comuns no meio dos médiuns. E preferível que a mediunidade seja suspensa por algum tempo, ou mesmo interceptada, durante toda a sua presença na Terra, no corpo físico, do que fazer mau uso da mesma. Os dons vendidos ou servindo de móvel de exploração são espinhos semeados nos próprios caminhos. Ai é que vem a advertência do Evangelho: antes não tivesse nascido. Vender os bens transitórios na Terra, explorando, criamos problemas para o futuro; quanto mais vender aquilo que não é nosso, como os dons espirituais que surgiram do Amor e devem ter o mesmo destino! Vamos suspender os instintos inferiores, e mesmo esquecê-los para sempre. Não fomos feitos para tal desempenho.

Deixemos florir em nosso jardim interior as flores do amor e da caridade, que todas as outras virtudes nascem destas duas verdades, por sustentação do poder de Deus. Entreguemos a nossa vida ao Jardineiro da Terra, Nosso Senhor Jesus Cristo, pois em sintonia com Ele passaremos das trevas para a luz do Criador. Obedecerei aos vossos guias e sede submissos para com eles, pois velam por vossas almas, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros. (Hebreus, 13:17) São deveres espirituais que os medianeiros devem conhecer observando. O gemer que o apóstolo fala, é não reclamar por onde passa, é não injuriar, não perseguir, não lamentar. Deves ser submisso às orientações espirituais elevadas, para o teu próprio bem. Não traz proveito algum a má conduta ante os deveres espirituais. Quem acende uma luz, é o primeiro a se clarear. Capítulo 35 ESGOTAMENTO DE FLUIDO LM - 2* parte Cap. XVII-220-2« A medlunidade é um dom por excelência, como que um tesouro divino nas divinas experiências de ascensão da alma.

Quando se fala na perda da mediunidade, não é sinônimo de desaparecimento total da faculdade; pode-se entender como adormecimento temporário da mesma, enquanto não desaparece a causa que deu motivo a essa situação. É, pois, uma suspensão das atividades de intercâmbio com o mundo espiritual, quando em certos casos, os benfeitores do médium ficam vigiando para que outros não venham abusar desse canal que já vem trabalhando há muito tempo para a devida missão, no que tange a educar e a instruir. No Brasil, por exemplo, acontece muito disso, por causa da destinação desta pátria, já desde o princípio estruturada para tal empreendimento de amor. Compete aos médiuns enviados à nação brasileira compreenderem seus destinos e não torcerem o seu grande objetivo de reviver o Cristianismo puro nesta terra.

Os vigilantes da eternidade, de vez em quando, suspendem as atividades dos medianeiros, para que eles compreendam a finalidade das suas faculdades e, sendo preciso, deixam para outra época a tarefa que podería ser desta oportunidade. 0 desastre maior é o médium vender o que de graça recebeu, ainda mais, a assistência de elevados benfeitores, feita com todo o cuidado para que nada se perca dos tesouros espirituais. No entanto, eles deixam alguma coisa sob os cuidados do próprio médium e esse pouquinho que lhe toca, infelizmente, é vendido ou entào barganhado por míseros favores que o próprio tempo destrói. Os motivos são diversos, começando nas paixões terrenas, atingindo até as posições materiais, sabendo o medianeiro, desde o mundo espiritual, antes de reencarnar, que a mediunidade é bênção para ascensão da alma e que a sua venda ou a troca queima o dom divino, como que um pingo de fogo na consciência. Existe a venda disfarçada que, por vezes, é bem pior. Todos conhecem a cota de fluido puro que favorece o intercâmbio.

E esse fluido ou essa essência, é deslocada ou transferida para o grande suprimento maior, pelo mau exercício da mediunidade, na sutileza que o próprio medianeiro não desconfia. No entanto, os avisos chegam aos seus ouvidos por várias maneiras, que os seus companheiros espirituais favorecem, para que desperte e se lembre das suas obrigações e dos seus compromissos, assumidos no mundo espiritual. Não deve existir ideia de comércio em nenhuma faixa onde a mediunidade com Jesus é o tema; até mesmo o magnetizador de que se fala em "O Evangelho

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