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Capítulo 2 de 15
Filosofia da — parte 2 de 15
Filosofia da Mediunidade IV · João Nunes Maia, pelo espírito Miramez
LM - 2 parte Cap. XIV-172 O sonambulismo é, na realidade, um conjunto de faculdades que geram o verdadeiro sonâmbulo, e se formos levar o estudo do mediunismo mais a fundo, notaremos que outros tipos de mediuni- dade a ele se juntam para maior expressão. O sonâmbulo em transe afasta-se do seu próprio corpo para comunicar-se mais diretamente com os Espíritos desencarnados, podendo transmitir mensagens através do seu corpo em estado de transe. Essa função se opera pelo cordão fluídico, que liga o perispírito ao fardo fisiológico. De certa forma, o sonâmbulo não deixa de ser um intermediário, e como tal transmite para os que o cercam a mensagem ou recados dos Espíritos. Assim também se processa com o médium em desdobramento; ele se encontra com outras entidades no mundo espiritual e, ao voltar para sua casa física, às vezes recorda o que se passou no plano do Espirito. A mediunidàde tem um campo de ação muito extenso, requerendo muito estudo para compreendê-la com mais segurança.
Porém, em todas as suas características, o melhor caminho é a moralização dos costumes, é a mudança de vida, aquela mudança dirigida pelo Evangelho de Jesus, em se expressando na codificação do Espiritismo. A mediunidade mais segura é aquela em que o médium não perde a consciência, recebendo assim as transmissões dos Espíritos sem sair da sua normalidade. É bom que busquemos o aprimoramento espiritual, e para tanto a Doutrina Espírita é uma escola que educa e instrui, de modo que o medianeiro sente-se seguro na sua função de ponte, por onde os Espíritos possam transmitir suas ideias. Para que se faça uma seleção dos comunicantes que se aproximam do médium por sintonia, o comportamento deve obedecer às instruções de Jesus. Dentro do sonambulismo se vê como que uma escada; uns sonâmbulos encontram-se nos primeiros degraus, outros ao meio da escada e alguns, bem poucos, mais no fim dela, de maneira que se sente mais dificuldade de expressar a verdade por meio da maioria dos intermediários.
Queremos falar que todas as expressões da mediunidade estão em fase de aprimoramento, e com o tempo elas vão se apurando, facilitando assim o intercâmbio com os Espíritos, dando maior clareza aos escritos e à psicofonia. Se tudo cresce, se o progresso é uma força de Deus, o que temos de esperar para o amanhã é que a mediunidade se nos mostre dentro da lei, como fato natural que é, para ajudar aos homens, bem como aos Espíritos, a despertarem mais depressa seus valores morais. Os livros que comungam com a codificação Kardequiana são estímulos ao aprimoramento das faculdades e ao equilíbrio do homem. Convém saber que o Evangelho está sendo lembrado com mais vigor neste fim dos tempos. Aqueles valores imortais do Cristo estão sendo recordados como sendo Ele voltando por muitos meios que a natureza sabe usar. Com relação ao sonambulismo, as bases do equilíbrio estão somente em um ponto: combater o orgulho e o egoísmo, colocando em seu lugar o amor e a caridade.
Isto demora, mas o dever é bater na tecla até sair a nota, até conhecer a verdade e livrar-se da ignorância. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas. (Paulo, hebreus, 12:3) Os destinados à mediunidade cristã não devem esmorecer com a perseguição, com os contratempos dos caminhos, com as tempestades, lembrando-se de Jesus, que suportou até a crucificação, com a certeza das Suas ideias, deixando escrito no próprio tempo Seu exemplo de coragem na sustentação da fé, amando até os próprios perseguidores. Faze o mesmo, de maneira que a mediunidade por teu intermédio seja uma carta do Cristo para a humanidade, tornando teus valores espirituais do bem em força que sustenta os que te seguem. Capítulo 02 MÉDIUNS CURADORES LMH parte Cap. XIV-175 A mediunidade mais procurada até então é a curadora, devido aos desequilíbrios mais acentuados nesta geração; as enfermidades são sem conta em toda parte.
O médium curador é aquele que tem recursos fiuídicos para curar ou aliviar os enfermos e que atua sob a influência de Espíritos benfeitores. Essa mediunidade não pertence a uma religião específica, pois existem pessoas que não pertencem a alguma religião e impõem as mãos curando enfermos. É um dom universal, o de curar, no entanto, algumas pessoas já nascem com ele mais ou menos aflorado e têm a intuição de como usá-lo. Porém, aquele que é dado ao estudo da Doutrina dos Espíritos, acerta mais em como empregar esse dom maravilhoso, que cura ou leva alívio aos sofredores. O dom de curar tem múltiplas maneiras de ser aplicado: começa pela imposição das mãos, ou pela palavra, por onde flui uma corrente de magnetismo, à qual a mente empresta valores; pelo sopro que ajusta ao ar fluidos benfeitores que restauram o equilíbrio e dão novo ânimo aos desesperados. Em muitos casos, pela simples presença do médium junto ao enfermo, são-lhe transmitidas ondas de força que a fé executa em nome da fraternidade.
Em casos menos comuns, há o médium cirurgião, aquele através do qual o Espírito corta quando é preciso, curando ou aliviando as enfermidades. Ainda temos de falar em uma variação da mediunidade de cura: é a do olhar magnético daqueles que têm a faculdade de curar pelo olhar, que dentro da sua serenidade transmitem uma paz grandiosa, senão esperança, para o sofredor, de modo que o que padece sentirá uma alegria diferente, aumentando sua disposição de viver. Também existe a mediunidade de fluidificação da água. O medianeiro é dotado de poderes, de sorte que a sua mente, mesmo inconscientemente, tem o poder de atrair fluidos, que se consubstanciam com os seus e os dos Espíritos presentes, fazendo uma composição medicamentosa. Daí, o líquido presente à operaçãof ica saturado dessas bênçãos. Salientamos que a água é o elemento mais importante e de maior afinidade com os poderes fluídicos, de modo a servir de força restauradora dentro da sua simplicidade divina, na função de curar.
Na casa em que existe um médium curador equilibrado, a água potável se encontra saturada de fluidos curativos, e nem sempre ele é consciente desta dádiva dos céus. Existem muitas outras ramificações da mediunidade cura- dora, para não falar nos benfeitores espirituais, que a possuem em alto grau, operando na fluidificação dos rios, nos depósitos de águas, na circulação dos ares e nos próprios elementos de saúde que as árvores expelem para o ar, na formação dos frutos, hortaliças etc. O fluido magnético desempenha um importante papel, estabelecendo na natureza o equilíbrio, tudo isso impulsionado pela força do amor. O médium curador é uma fonte de fluidos magnéticos animais e, para que ele seja mais puro, é necessário que o medianeiro passe a purificar seus pensamentos, que eduque a sua fala, vivendo ou esforçando-se para viver os ensinamentos do Evangelho, que o dotam de maior harmonia, capaz de melhorar o desempenho da sua missão. Todavia, toda operação magnética de fluidos curadores tem intervenção das potências ocultas, de acordo com as intenções do curador.
O médium curador cristão é um dínamo, disseminando fluidos por onde se encontra, porque pelos fios dos seus pensamentos ele pode levar conforto, sem considerar distâncias, para os que sofrem, confortando os tristes e amparando os caídos. Conforme o seu equilíbrio de vida, que o amor e a caridade fornecem, ajuda em muitos casos até os desencarnados, que sempre estão ao seu derredor. Vê, meu irmão,médium curador, o quanto podes fazer em favor de muitas criaturas, na carne e fora dela! A todos os médiuns curadores nós aconselhamos a prática da oração com humildade, pois ela lhes facilita um ambiente de luz compatível com suas intenções que, sendo de amor, lhes conferem forças novas para a caridade. Para todas as mediunidades devemos estabelecer uma base que se chama fé, essa fonte de cura sem precedentes, que o próprio Jesus reconhecia nas Suas andanças curativas. Busquemos o registro de Marcos, no capítulo dez, versículo dnquenta e dois: Então Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou? E imediatamente tornou a ver, e seguia a Jesus estrada fora.
Não podemos deixar de lembrar o Mestre, no capítulo das curas. Falando de médiuns curadores, Ele foi o maior de todos, em todos os tempos. E ainda, por misericórdia ou amor, deixou para todos nós o maior código de disciplina e orientação para as nossas faculdades, quando disse:
Dai de graça, o que de graça recebestes.' Esse é o primeiro passo no roteiro do médium curador. Capítulo 03 FORÇA MAGNÉTICA LM - 2* parte Cap. XIV-176-1* Temos de acrescentar que todos os médiuns verdadeiros são dotados de força magnética. Fluem através deles determinados fluidos carregados com os seus próprios sentimentos. O médium é, pois, um gerador de magnetismo animal, é um laboratório espiritual capaz de unir fluidos nas suas variedades comuns pela sintonia, de maneira que a caridade os possa usar, e mesmo irradiar em favor dos sofredores.
Há muito que estudar, em se referindo ao assunto mediuni- dade, que a ciência ainda é incapaz de explicar, e muito menos fazer aparelhos que possam substituir plenamente o médium. Esses fenômenos são força da alma despertada para o amor, na conjunção da caridade. Os dons são múltiplos, por vezes adormecidos na intimidade da criatura, mas que, com o passar do tempo, vão acordando e aflorando, entrando nos canais do uso. Quando falamos médiuns verdadeiros, não queremos dizer que existem médiuns falsos, ou animismo mediúnico, ou outro sinônimo em relação aos enganos no uso de possíveis dons. Sabemos, por experiência, que todos os dons têm um começo de despertamento prolongado, que vão avançando no crescimento em longos evos.
A prática é um fato do seu avanço. A mediunidade tem uma escala muito grande e os médiuns não são iguais na sua ação de intermediários dos Espíritos, portanto, temos de dar o devido valor a todas as classes de medianeiros, mas sempre alertá-los na maneira de uso de seus dons, como se refere o Evangelho e deu exemplos o Cristo e Seus seguidores. Um médium que tenha dons já desenvolvidos não tem o direito de combater aqueles que se acham começando a despertar os seus. O dever é ajudá-los naquilo que está ao seu alcance. Assim acontece com todas as profissões terrenas; os que já atingiram o ápice da profissão devem descer e ajudar aos que se encontram subindo.
A primeira fase do médium é educar-se e instruir-se; daí, partir em serviço do Cristo, na operação do amor e da caridade. A força magnética começa na usina interior do médium como se fosse um pontinho insignificante, quase invisível no íntimo do coração espiritual, e cresce com o tempo bem empregado em favor de todos. O medianeiro deve amar a todos e a tudo, sem exigir que tudo e todos o amem; deve perdoar sem limites, sem pedir perdão, nem esperar compreensão dos outros; deve viver na função da benevolência, sem procurar nas mãos dos companheiros a caridade para consigo, porque os seus dons não podem ser comercializados, visto que o médium apenas deixa fluir o poder de Deus, que é dono de tudo, até de nós próprios. A força magnética existe em tudo, mas não é estática; ela, por sua natureza divina, é irradiante. Podemos dizer que é uma força cinética de vida, circulante em todas as coisas.
Se és um doador, é porque recebes de outras fontes, então, tua força não é posse de ninguém. Tornamos a dizer, tudo é do Criador. Nenhum médium curador pode, nem tem o direito de, pelos motivos acima expostos, colocar preço no exercido da sua mediu- nidade. Por exemplo, o passe magnético é uma oportunidade grandiosa para quem o oferece, e menor para quem o recebe. Se exigirmos paga, somente será benefidada a pessoa que pode pagar. 0 exercício da mediunidade curadora é, e tem de ser, de graça, para que a graça se irradie como raios de sol sobre todas as trevas.
Vejamos o que o apóstolo Pedro recomenda na sua segunda epístola, no capítulo um, versículo sete: Com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Entendemos que isso é uma prática progressiva dos dons em pauta, do modo que existia na época, do modo que os judeus entendiam ao pé da letra os ensinamentos escritos por Moisés. É deste modo que Pedro ensina que deve ser exercitada a mediunidade em todas as suas funções. A força magnética de cura deve seguir os caminhos do amor, da fraternidade e da piedade, para que não haja investida da consciência em Cristo nas nossas decisões e passemos a sentir a harmonia na mente, fruto da vivência do amor divino. Capítulo 04 O MAGNETIZADOR LM - 2* parte Cap.
XIV-176-2« O que pensas do magnetizador? Que ele não precisa do concurso dos Espíritos? Como se engana quem dessa maneira pensa! Os Espíritos sempre estão presentes na função de todos os dons. O homem que nasce com poderes magnéticos aumentados, que cura as pessoas por toques das suas mãos, que faz melhorar os doentes com a sua presença, que ao calor do seu sopro as enfermidades cedem lugar à saúde, que magnetiza água para o bem-estar das criaturas e julga que é somente dele que saem essas virtudes, se encontra completamente enganado.
Ninguém faz nada sozinho. Em tudo o que fazemos, os Espíritos estão ao nosso lado. Todos os trabalhos se operam em conjunto. A pessoa dotada de magnetismo animal é um portador de fluidos que, em se misturando com os dos Espíritos, formam o bálsamo de cura. E ainda, a natureza entra com a sua cooperação.
Esse triângulo de força restabelece o enfermo e anima o desesperado. A força magnética toma diversas formas, as quais se pode chamar de magnetismo animal, que se consubstancia no homem; de vegetal, estruturado nas plantas; de mineral, doado pelos minérios, e espiritual, cedido pelos Espíritos, que doam esses fluidos pelo amor. A força magnética reside no homem e é dirigida pela consciência humana, mas, é aumentada pela presença dos Espíritos, que lhe vêm dar o seu concurso no serviço da caridade. No entanto, o ser humano ignorante pode fazer mau uso desta força que nasce do seu laboratório íntimo. É por essa circunstância que veio em socorro da humanidade a Doutrina Espírita, a lhe ensinar a educação das suas próprias forças, dando-lhe direções para o bem coletivo.
O magnetizador, por vezes .desconhece o Espiritismo, ou mesmo o espiritualismo, sendo um médium doador deste fluido sublimado, mas fazendo mau uso das bênçãos que Deus lhe deu. Assim, responderá pelas consequências. O sofrimento é capaz de lhe ensinar pelos caminhos do tempo a usar os dons da vida, em favor dos que sofrem. Faze igual à mãe ante o seu filho, que o acode nas suas aflições com a mão santa, no alívio das suas dores, sem nada cobrar, somente por amor. Aprende com ela, vendo em todos os sofredores teus próprios filhos.
Lembra-te de que as potências dos céus estão a postos em todos os lugares onde estejam médiuns de boa vontade, estendendo as mãos para aliviar os que sofrem. É bom que te lembres também da fala de Jesus, quando disse: "Onde duas ou mais pessoas se reunirem em meu nome, estarei entre elas. Quem se reúne para fazer o bem, está reunido em nome de Jesus, e Ele não esquece a Sua promessa. Aos magnetizadores, nós aconselhamos, qualquer que seja a religião a que pertençam, que não se esqueçam da oração. Ela abre canal por onde passam, em nome da caridade, os mais puros fluidos magnéticos, capazes de restabelecer os enfermos e distribuir alegria aos tristes, consolando os desesperados.
As mãos dos médiuns curadores que estejam na função da caridade, são recobertas de fluidos magnéticos que já trazem, na sua intimidade, a ordem de Jesus: "Levanta-te e anda", ou, "a tua fé te curou." Não creias que estás curando os enfermos sozinho. Não deixes o orgulho te embotar a consciência, pois são muitas as mãos que te ajudam em todos os tipos de fenômenos curativos. Dando graças ao Pai que vos fez idôneos à parte que vos cabe de herança dos santos na luz. (Colos., 1:12) Deves dar graças ao Pai que te concedeu esse dom de curar. Ele é a parte que te cabe na herança divina, para que possas entrar no clima da tranquilidade espiritual. O magnetizador cristão deve saber que quanto mais ele faz o bem, quanto mais cura os enfermos, quanto mais doa esperança através do seu dom de curar e alegrar, mais recebe cura de Deus e alegria da vida, sentindo-se no coração como herdeiro de Deus.
Capítulo 05 DESCRENÇA NOS ESPÍRITOS LM - 2* parte Cap. XIV-176-3» Há, sim, magnetizadores que não crêem em Espíritos, no entanto, os Espíritos os assistem nos seus trabalhos. Quando caritativos, atraem Espíritos benfeitores; quando vendem seus dons, Espíritos da sua espécie os acompanham. A lei está sempre dando a quem pede, sendo que os pedidos não são feitos somente pela palavra, mas, principalmente pela vida que o homem leva. Os Espíritos de alta elevação espiritual acodem aos sofredores na faixa que a estes cabe receber.
A intervenção dos Espíritos se faz obedecendo à lei de justiça. Temos a dizer que, às vezes, o magnetizador é usurário, mas é o sofredor que merece o alívio, e mãos espirituais afastam o magnetismo corrosivo, interferindo por ordem da lei universal. Quando se trata de um justo em busca daquilo a que ele tem direito, o suprimento universal o atende, mesmo que o intermediário esteja em péssimas condições. Porém, atarefa angélica é preparar médiuns honestos, onde a moral cristã se irradie, favorecendo o trabalho dos benfeitores da eternidade. Esse intermediário dos Espíritos pode pertencer a várias religiões, isso não importa; importa, sim, a sua moral evangélica, os caminhos retos que escolheu para o seu roteiro.
Se ele não acredita nos Espíritos, isso não modifica a nossa assistência para com os que sotrem. Não diz o Evangelho que devemos dar com uma mão, sem que a outra saiba? É o que fazemos com alegria: todos os magnetizadores que trabalham para o bem, com essa intenção já nos chamam para ajudá-los, e quem faz dos seus dons um comércio, chama auxiliares do espaço com as mesmas ideias. Alertamos às pessoas dotadas desta faculdade magnética, para que vejam como empregá-la, para não chegar ao Além com as mãos vazias. A consciência é um tribunal implacável, que condena o culpado e faz sofrer quem torceu a lei.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.