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Capítulo 13 de 14

Sua Voz

Que Fizeste do Batismo de Espírito Santo? · Osvaldo Polidoro

“Nesta síntese orgânica da Ciência, Fala Jesus em toda a substância, Desde a mais abscôndita reentrância Das leis maravilhosas da existência.

Sua Voz é a divina concordância Com o Evangelho, em luz, verdade e essência, Neste instante de amarga decadência Da civilização de angústia e ânsia.

Alma humana, que dormes na albumina, Desperta às claridades da doutrina Deste Evangelho regenerador!...

Fala-te o Mestre, do seu trono de astros. Ouve-lhe a Voz!... Caminha!... Vem de rastros E escuta a Grande Síntese do Amor!”

A prece de Jesus a Deus:

“Orai assim: Adoro-Te, recôndito Eu do Universo, alma do todo, meu Pai e Pai de todas as coisas, alento meu e de todas as coisas. Adoro-Te, indestrutível essência, presente sempre, no espaço, no tempo e além, no infinito. Pai, amo-Te, mesmo quando o Teu respiro é dor, porque a Tua dor é amor, ainda quando a Tua Lei é penar, porque o penar que a Tua Lei impõe é o caminho das ascensões humanas. Pai, engolfo-me no Teu poder, nele repouso e a ele me entrego, pedindo à fonte o alimento que me sustente. Procuro-Te na profundeza onde Te encontras, donde me atrais. Sinto-Te no infinito onde não chego e donde me chamas. Não Te vejo; Tu, entretanto, me cegas com a Tua luz. Não Te ouço; todavia, escuto o som da Tua voz. Não sei onde estás; contudo, a cada passo Te encontro. Esqueço-Te e Te ignoro; ausculto-Te, porém, em todas as minhas palpitações. Não sei individuar-Te, mas em direção a Ti, centro do universo, gravito, como gravitam todas as coisas. Potência invisível que reges os mundos e as vidas, estás, na Tua essência, acima de toda a minha concepção. Que serás Tu, que eu não sei descrever, nem definir, se o só reflexo das Tuas obras me enceguece? Que serás Tu, se me assombra a incomensurável complexidade desta emanação Tua, pequenina centelha espiritual que me anima por inteiro? O homem Te segue na ciência, Te invoca na dor, Te bendiz na alegria. Mas, na grandeza da Tua potência, como na bondade do Teu amor, estás sempre além, muito além de todo pensamento humano, acima das formas e da transformação, um lampejo no infinito. No ronco da tempestade está Deus, na carícia do humilde Deus está; no evolver do turbilhão atômico, no avanço das formas dinâmicas, no triunfar da vida e do espírito, está Deus. Na alegria e na dor, na vida e na morte, no bem e no mal, Deus está, um Deus sem limites, que tudo abrange, enlaça e domina, até mesmo as aparências dos contrários, aos quais encaminha para suas finalidades supremas. E o ser ascende, de forma em forma, anelando conhecer-Te, ansioso por uma cada vez mais completa realização do Teu pensamento, tradução, em ato, da Tua essência. Adoro-Te, Supremo Princípio do Todo, na Tua vestidura de matéria, na Tua manifestação de energia; na inexaurível renovação de formas sempre novas e sempre belas, adoro-Te a Ti, conceito sempre novo, bom e belo, inextinguível Lei animadora do universo. Adoro-Te, grande Todo, que ultrapassa os limites do meu ser. Nesta adoração, aniquilo-me e me alimento, humilho-me e subo, fundo-me na grande Unidade e com a grande Lei me coordeno, para que a minha ação seja sempre harmonia, ascensão, prece, amor.”

E nós, quando vemos o Cristo a orar, que devemos fazer senão orar também, com os olhos fitos no Fundador do Infinito, seja para pedir-Lhe alguma coisa, seja para fazê-Lo ciente de nossos agradecimentos, seja para, de dentro de nossos humildes postos de inscientes, louvá-Lo por nos ter feito, a cada um de nós, o centro do Infinito, da Casa onde habitamos e que, jamais, por graça Sua, conseguiremos sondar-Lhe os compartimentos. É de dentro da nossa condição de filhos; de partes integrantes do Verbo ou tudo o que vive; de seres sujeitos à Sua Lei sábia; e de participantes do Espírito Santo ou emanação Sua, é de dentro dessa fortaleza, de cima desse pálio de fé, que devemos encarar o Pai, e não como capataz despótico.

Uma fórmula para abertura dos trabalhos:

“Senhor! Jesus, o Cristo, passou pela Terra expelindo os espíritos rebeldes e confabulando com os anjos ou bons espíritos. No Tabor, a sua ação foi, acima de tudo, ilustrativa, isto é, para elucidar que, fora do culto da Revelação, tudo pode tornar-se improfícuo. Estamos reunidos, Senhor, para cultivar os teus ensinos revelacionistas; e pedimos que nos sejas propício, dispensando-nos o auxílio dos teus mensageiros. Assim, pois, em nome do Pai, do Cristo, dos guias espirituais da casa e de nossos anjos de guarda, damos por aberta a sessão de hoje.”

Para o encerramento dos trabalhos:

“Graças damos-Te, Senhor, por havermos podido realizar um culto de amor e fé, servindo-nos do Espírito Santo ou mediúnico, sobre o culto do qual fundou o Cristo a nossa Igreja. Graças, Senhor, pelo que nos foi dado dar e receber, e por termos podido, mais uma vez, nos dias dolorosos da vida planetária, nos reunir para cultivar os ensinos do Mestre, colhendo segundo os nossos méritos. Em virtude disso, em nome de Deus e do Cristo, e agradecendo a proteção dos guias espirituais e anjos de guarda, damos por encerrada a sessão.”

Costuma-se aplicar passe no intuito de desenvolver faculdades mediúnicas, praxe essa, aliás, bem fundada em velhíssimos ensinos bíblicos, pois que, desde Moisés até ao tempo dos Apóstolos e até nossos dias, é uma prática normal e recomendável, desde que exercida com critério. Como o pensamento e a vontade são coisas ou valores de fato, porque constituem a imposição dos poderes espirituais, damos uma fórmula para o fim. O passista poderá usá-la e medir-lhe o mérito, caso disponha de faculdades:

“Senhor! Jesus disse e os Apóstolos afirmaram, que a graça do Espírito Santo estaria com todos; que para nós era a promessa, assim como para nossos filhos e para quantos fossem chamados. É o nosso propósito, Senhor, que se manifeste a mesma neste irmão (ou irmã), e que dela venha a servir, com e por amor, tal como o exemplificou

o Divino Modelo.”

Pode a mesma ser feita coletivamente, isto é, antes do início das sessões de desenvolvimento de médiuns, nestes termos:

“Deus todo poderoso; em memória do batismo de Espírito Santo, que significa desdobramento dos dons espirituais, nós vos rogamos acolhimento para nossos propósitos; desejamos, Senhor e Pai nosso, que esses dons ou graças mediúnicas sejam despertos em os irmãos presentes, e que de tais graças saibam os mesmos fazer uso edificante, tal como no-lo exemplificou o Divino Mestre, que as teve sem medida.”

A imposição de mãos, ou o culto dos passes fluidico-magnéticos, tal como o utilizavam os Profetas, o Cristo e os Apóstolos, implicava em colocar a mão sobre a cabeça do doente e invocar a proteção do guia espiritual, para que manipulasse os fluidos, etc. Pode-se fazer isso e, entrementes, dizer mentalmente:

“Deus meu; permiti que o meu anjo de guarda, servindo-se da faculdade que me concedeste ou dos fluidos curadores, consiga beneficiar este irmão. Tende misericórdia de seus sofrimentos, Senhor, e dai-me forças e oportunidade para que possa cumprir fielmente os meus deveres de irmão.”

Depois de feita essa prece ou invocação, convém permanecer um pouco de tempo com a mão aplicada, segundo se julgue necessário.

Kardec não incluiu a Prece de Cáritas no número das que aparecem no Evangelho Segundo o Espiritismo, porém, ela serve, tal como o Pai Nosso, para qualquer fim deprecante:

“Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade. Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. Pai! Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai. Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aqueles que Vos não conhecem; esperança para aqueles que sofrem. Que vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz, a esperança e a fé. Deus! Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a Terra; deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmarão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor. Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os

braços abertos, ó Bondade! Ó beleza! Ó Perfeição! E queremos, de alguma sorte, forçar vossa misericórdia. Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se deve refletir a vossa imagem.”

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.