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Capítulo 12 de 14

Osvaldo Polidoro — parte 6 de 6

Que Fizeste do Batismo de Espírito Santo? · Osvaldo Polidoro

Em fins do século dezoito, quando se completavam os tempos de duração da corrupção, e se avizinhava o tempo de iniciar a RESTAURAÇÃO, Jesus, manifestando-se em um plano, fez compreender que era hora de se trabalhar pela causa da espiritualização da humanidade, quer seja pelo cumprimento dos tempos, quer por estar a Terra ou a humanidade em vias de descambar para tristes princípios materialistas.

E foi, então, que iniciaram, os prepostos do Senhor, trabalhos nesse sentido. Entre os que traziam cabedal científico para produzir o avançamento do planeta, e à testa mesmo deles, veio o mais vasto conjunto de colaboradores do Cristo, com uma missão a cumprir:

legar ao homem de bem o traço pelo qual poderá alcançar o mais elevado estado de espiritualidade a que se possa imaginar.

O Consolador, que é o Espírito Santo ou o mediunismo, reaparecia na Terra, da mesma forma moral e científica como o fora no dia de Pentecoste e tal como era cultivado pelos Apóstolos. Uma caravana atuando fora da carne e outra dentro dela, e como intermediário, o elemento mediúnico. Não é preciso salientar, que a de além do véu tem sido mais precisa e, que a de aquém do mesmo, por vezes até muito falha.

Entretanto, não só está o homem de posse da arma invencível, contra a qual não prevalecerá a inferioridade, como ainda se pode dizer, sem receios de erro, que, pouco depois de cem anos do grande conclave, os trabalhos apresentam um coeficiente extremamente compensador.

Cada qual julga as coisas segundo elas estão, poucos imaginando em como estariam, se em tempo não se manifestasse o mediunismo. É necessário que cada qual se compenetre desta verdade: o dever de integrar-se em uma das duas caravanas, se a sua situação o permitir; à uma ou à outra. Tudo o que se fizer nesse sentido será um benefício próprio, pois que, é o Cristo que vem sobre as nuvens de espíritos de todas as hierarquias, nesta fase decisiva, para integrar de vez a Terra em uma condição superior de espiritualidade. O reino dos céus não virá mesmo com manifestações exteriores; ou há inteligência e bondade no ser e ele sobe por essas vias, ou fica à margem até que haja de migrar para plano inferior.

A caravana dos desencarnados vive sondando os corações para atraí-los ao redil do Senhor, ou pela inteligência, ou pelo coração, ou pela dor; e à caravana dos encarnados cumpre, portanto, atender aos que, tocados de uma ou de outra forma, a procurarem. Quem está a postos? Quem o não está? ____________________

A prece tem sido motivo de discórdias entre muitos adeptos do Espiritismo; uns falam contra, e outros a favor; uns criticam a palavra pronunciada impensadamente, preferindo a vibração espiritual, e outros acham que tudo deve ser feito com harmonia de valores. A considerar a prece como uma nulidade, temos de colocar o Cristo na cabeça do número dos que obraram a insensatez, porque Ele orou e ensinou a fazê-lo, considerando que, quem a Deus se dirige, recebe o que merece e não o que acha ou julga merecer. Levando-se em conta o poder espiritual inerente ao grau de evolvimento de cada um, a prece é a atitude primeira do ser, no sentido de iniciar uma ação bem vista aos olhos do Emanador. É, portanto, em parte peditória e em parte imperativa, ou, como se sabe, um tanto serva e um tanto senhora.

Vibrar – eis a prece; e isto, tanto pode ser por palavras como por simples pensamentos bem nutridos de sentimentos divinos. E, se de um lado ela se torna como que, um requerimento, que a pessoa faz, para ter certeza do dever de iniciar uma ação, de outro, porém, torna-se uma força centralizadora, uma capacidade de acumular valores magnéticos, fluídicos e, mesmo e acima de tudo, focalizar os poderes espirituais sobre determinado fim, coisa ou causa. É a prece coisa mais importante do que supomos, jamais se podendo dizer que, delas, a melhor seja a mais longa ou bem feita, em matéria de estilo ou de sintaxe.

Em vista dos insuficientes méritos da mente humana, no que diz respeito ao

conhecimento da vontade de Deus, melhor fora que a oração partisse mais do coração, que do cérebro. A sabedoria do homem é estultícia para Deus; todavia, jamais profeta algum, em tempos quaisquer, se lembrou de dizer que os bons sentimentos do homem, tal coisa seja! É, assim, notável o saber-se orar. Como se ora bem? Responde por nós tudo quanto tem partido do âmago de almas simples e humildes, embora sábias ou ignorantes, quando, em momentos de dores ou aflições, lançaram para as alturas divinas uma súplica surda, muda, mas calcada de humanas aspirações. E o prodígio se não faz esperar, porque ninguém há que de parte esteja nos planos da misericórdia e da justiça.

Ou fazer da prece uma ação maquinal, ou dela fazer uma medida exorcista, eis o que em geral se vê. Poucos entendem que ela seja um trabalho espiritual, irradiando ou captando fatores importantes, capazes de transformar elementos cósmicos, capacidades invisíveis e poderes superiores, em sentinelas de nossas necessidades. O direito dos simples é como a pupila dos olhos dos anjos do Senhor; e a prece é como a lágrima pendente desses olhos, quando alguém se lembra de torná-los vítimas de suas mazelas. O homem que sabe orar é como a luz que brilha nas trevas; e é sempre uma atitude solene o orar. A dor ensina-nos esse cântico, porque o espírito contrito busca, por inspiração das necessidades, amparo, aconchego, ou qualquer coisa que se nos afigura o seio de Deus, o regaço da Paz. Nenhum homem beletrista jamais conseguiu cantar as belezas da prece, nenhum filósofo lhe imaginou a sabedoria, nenhum matemático lhe mediu o poder numérico, nenhum sarcástico lhe roubou o colorido, porque ela é produto do momento, filha espontânea das calamidades que fazem rogar, semente que germina solitária nas almas capazes de agradecer, elemento que brota humilde e sereno no peito dos que, sem orgulho ou idéias preconcebidas, sabem pedir com bondade e aceitar com reverência.

No livrinho “A VIDA ALÉM DO VÉU”, de Vale Owen, que é o melhor retrato de como vivem os espíritos na erraticidade, lê-se:

“...Deveis saber que há aqui, nomeados para a prece, guardas cujo dever é analisar e escolher as oferecidas pelos habitantes da Terra, separá-las em classes e grupos, e passá-las adiante para serem examinadas por outros e atendidas de acordo com o seu merecimento e força.

Para que isso se faça com perfeição é preciso procedermosa um estudo das vibrações da prece, como os vossos cientistas o fazem sobre as vibrações do som e da luz. Do mesmo modo que esses cientistas se acham habilitados a analisar, separar e classificar os raios de luz, assim somos também capazes de o fazer em relação às vossas preces. E como há raios claros, com os quais, como confessam, não podem lidar, há também preces que se nos apresentam sob um tão profundo aspecto, que ficam fora do alcance dos nossos estudos e conhecimentos. Estas nós as passamos para os de graduação mais elevada, para que as tratem, em vista do seu maior saber...”

E em outra parte, ainda do anjo Astriel, lê-se:

“...Assim mesmo a vossa adoração passa primeiro pelas esferas inferiores e por elas às mais altas; algumas vão mais longe, sobem as esferas mais elevadas, umas que outras, consoante o seu merecimento e o seu fervor. Algumas vão, na verdade, muito longe. Muito acima de nós está a esfera de Cristo, de gloriosa intensidade de luz e imponente beleza. A vossa prece vai ao Pai por intermédio d’Aquele que veio à Terra e se manifestou aos homens com o nome de Cristo.”

Assim, como vemos, pelo respeito ao Cristo e aos sentimentos dos anjos devemos orar, concordando em que fator algum deve ser relegado para plano inferior, de vez que o Cristo nos ensinou a fazer umas coisas sem omitir outras, igualmente boas e dignas de verdadeiros cristãos. Mesmo a escada de Jacob é feita de miríades de elementos virtuosos; negá-los a uns e afirmá-los a outros, constituiria, sem dúvida, separar o que o Emanador juntou, para honra sua e consolo nosso.

Noutro livro, “ENSINOS ESPIRITUALISTAS”, de Stainton Moses, encontramos esta outra prece, feita por um espírito em favor de outro espírito encarnado, provando que eles também oram pelos homens, dirigindo-se ao mesmo Foco, aguardando então, como nós, o produto dos rogos; e tece considerações que bem merecem atenção:

“...deveis, tanto quanto pode um mortal, sacudir o jugo da opinião humana e livrar-vos dos obstáculos materiais. Pai Eterno, em nome de quem trabalhamos e que nos enviastes à Terra para revelar a Verdade, ajuda-nos a transpor e a purificar os corações daqueles a quem falamos, para que eles possam elevar-se e abrir os seus sentidos espirituais de modo a discernir as coisas que revelamos. Possa a fé crescer neles a fim de aspirarem à Verdade, e, abandonando os interesses terrestres, se apressarem a aprender a revelação espiritual.”

A prece que a seguir lemos, chegou-nos à mão por intermédio de um folheto; como é de intensa vibração e, por isso mesmo, fala-nos à alma, para aqui a transladamos. É dedicada a Jesus, por Ismael, guia do Espiritismo no Brasil.

“Jesus, bom e amado Mestre; sustenta teus humildes filhos pecadores nas lutas deste mundo. Anjo bendito do Senhor; abre sobre nós tuas brancas asas, e abriga-nos do mal; levanta nossos espíritos à majestade de teu reino; infunde em todos os nossos sentidos, a luz do teu imenso amor. Jesus, pela tua sagrada Paixão, pelos teus martírios na Cruz, dá a esses que se acham ligados ao pesado fardo da matéria, orientação segura no caminho da virtude, único pelo qual Te podemos encontrar. Jesus, paz a eles, misericórdia a nossos inimigos; recebe no teu seio bendito a prece dos últimos de teus servos. Amiga estrela, farol das imortais falanges, purifica-nos com teus raios divinos, lava-nos de todas as culpas, atrai-nos para junto de teu

seio, Santuário bendito de todos os amores. Se o mundo com seus erros, paixões e ódios alastra o caminho de espinhos, escurecendo nosso horizonte com as trevas do pecado, rebrilha mais com tua misericórdia, para que seguros e apoiados no Santo Evangelho, possamos vencer as escabrosidades do carreiro e chegar às moradas de teu reino. Amiga estrela, farol dos pecadores e dos justos, abre teu seio divino, e recebe nossa súplica... por toda a humanidade.”

Outra, endereçada a Jesus e votada aos sofredores:

“Jesus, vós que baixastes até nós, para exemplo de abnegação e caridade, dignai-vos lançar de vossa bondade infinita, eflúvios de misericórdia sobre os espíritos sofredores. Dai-lhes a compreensão exata do seu estado, e perdoai, Senhor, as suas faltas. Dai-lhes a compreensão dos vossos ensinamentos, para que na prática das virtudes possam elevar-se até Deus, nosso Pai, e estar em contacto com os vossos bons mensageiros.”

Na “GRANDE SÍNTESE”, a portentosa mensagem de Jesus aos homens, lê-se esta prece que o nosso Mestre faz. Muito embora esteja ela um tanto longe do alcance mental de muitos, por ser assaz transcendental, nós a transcrevemos, e com ela também a bela poesia de Augusto dos Anjos, ditada por intermédio de Francisco Cândido Xavier, um dos melhores médiuns ou profetas do século XX:

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.