Voltar ao livro Missionários da Luz

Capítulo 9 de 30

Ante os Tempos Novos — parte 9 de 29

Missionários da Luz · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Pela primeira vez, depois de meu retorno ao novo plano, observava acontecimento tão singular. Suas vestes tornaram-se de neve radiosa, sua fronte emitia intensa luz e de suas mãos estendidas evolavam-se raios brilhantes que, caindo sobre nós, pareciam infundir-nos estranho encantamento. Profunda emoção dominou-me o íntimo e quase todos nós, sem definir a causa daquelas divinas vibrações, chorávamos de alegria, contendo o peito opresso de júbilo inesperado. Depois de alguns momentos de êxtase sublime, vi que Sertório compreendera a minha perplexidade. É verdade que, por várias vezes, eu presenciara a oração de entidades elevadas, oração que se fazia acompanhar sempre dos mais belos fenômenos de luz, mas nunca observara, dantes, semelhante transfiguração!

Tocando-me o braço, de leve, o companheiro acentuou: - Todas as potências de natureza superior congregaram-se em torno de Alexandre, neste momento, transformando-o em intermediário de dádivas para nós. É por isso que ele irradia e resplandece com tamanha intensidade. Compreendi a beleza da cena e a sublimidade da lição. Decorridos alguns segundos, o grande orientador, retomando o seu aspecto habitual, elevava uma prece de reconhecimento ao Senhor e encerrava alegremente a divina reunião. - Se nos permite - tornou o interlocutor -, estimaria trazer alguns companheiros que colaboram freqüentemente conosco. Seria para nós grande satisfação vê-los aproveitando os minutos de sono físico. - Sem dúvida.

Destina-se o serviço de hoje... Preparação de cooperadores nossos, ainda encarnados na Crosta. Estaremos a sua disposição e receberemos seus auxiliares com alegria. Francisco agradeceu sensibilizado e perguntou: - Poderemos providenciar? - Imediatamente - explicou o instrutor, sem hesitação - conduza os amigos ao sítio de seu conhecimento. Afastou-se o grupo de socorristas, deixando-me verdadeiro mundo de pensamentos novos.

Segundo informações anteriores, Alexandre dirigiria, naquela noite, pequena assembléia de estudiosos e, assim que nos vimos a sós, explicou-me, solícito: - Nosso núcleo de estudantes terrestres já possui certa expressão numérica; no entanto, faltam-lhe determinadas qualidades essenciais para funcionar com pleno proveito. Em vista disso, imprescindível dotar os companheiros de conhecimentos mais construtivos. E, como julgasse útil fornecer-me informações pessoais destinadas a minha própria elucidação acrescentou, gentilmente: - E os irmãos que comparecem - Indaguei, curioso - conservam a recordação integral dos serviços partilhados, de estudos levados a efeito e observações ouvidas? Alexandre pensou um momento e considerou: - Mais tarde, a experiência mostrará você como é reduzida à capacidade sensorial. O homem eterno guarda a lembrança completa e conserva consigo todos os ensinamentos, intensificando-os e valorizando-os, de acordo com o estado evolutivo que lhe é próprio.

O homem físico, entretanto, escravo de limitações necessárias, não pode ir tão longe. O cérebro de carne, pelas injunções da luta a que o Espírito foi chamado a viver, é aparelho de potencial reduzido, dependendo muito da iluminação de seu detentor, no que se refere à fixação de determinadas bênçãos divinas. Desse modo, André, o arquivo de semelhantes reminiscências, no livro temporário das células cerebrais, é muito diferente nos discípulos entre si, variando de alma para alma. Entretanto, cabe-me acrescentar que, na memória de todos os irmãos de boa vontade, permanecerá, de qualquer modo, o benefício, ainda mesmo que eles, no período de vigília, não consigam positivar a origem. As aulas, no teor daquela a que você assistirá nesta noite, são mensageiras de inexprimíveis utilidades práticas.

Em despertando, na Crosta, depois delas, os aprendizes experimentam alívio, repouso e esperança, a par da aquisição de novos valores educativos. É certo que não podem reviver os pormenores, mas guardarão a essência, sentindo-se revigorados, de inexplicável maneira para eles, não só a retomar a luta diária no corpo físico, mas também a beneficiar o próximo e combater, com êxito, as próprias imperfeições. Seus pensamentos tornam-se mais claros, os sentimentos mais elevados e as preces mais respeitosas e produtivas, enriquecendo-selhes as observações e trabalhos de cada dia. - É lastimável - disse eu, valendo-me de pausa mais longa - que todos os membros do grupo não possam freqüentar, em massa, as instruções dessa natureza. Seria de extraordinária significação o ato de se congregarem mais de trezentas pessoas para os mesmos fins santificantes, recebendo, em conjunto, sublimes bênçãos de iluminação. 10 - Materialização Em virtude do meu interesse, no estudo dos fenômenos de materialização, não hesitei em solicitar o prestigioso concurso de Alexandre, que se colocou gentilmente ao lado de meus desejos. - Nosso grupo – informou, atencioso - não realiza trabalhos dessa espécie, mas não teremos dificuldade em recorrer a outros amigos. Temos companheiros devotados cooperando em núcleos de atividades dessa natureza.

E porque revelasse minha profunda curiosidade científica, o orientador prosseguiu: - Trata-se de serviço de elevada responsabilidade, porqüanto, além de exigir todas as possibilidades do aparelho mediúnico, há que movimentar todos os elementos de colaboração dos companheiros encarnados, presentes às reuniões destinadas a esses fins. Se houvesse perfeita compreensão geral, respeito aos dons da vida, e se pudéssemos contar com valores morais espontâneos e legitimamente consolidados no espírito coletivo, essas manifestações seriam as mais naturais possíveis, sem qualquer prejuízo para o médium e assistentes. Acontece, porém, que são muito raros os companheiros encarnados dispostos às condições espirituais que semelhantes trabalhos exigem. Por isso mesmo, na incerteza de colaboração eficiente, as sessões de materialização efetuam-se com grandes riscos para a organização mediúnica e requisitam número dilatado de cooperadores do nosso plano. - Compreendo - intervim, valendo-me de pequena pausa do generoso instrutor. - Muitas vezes, quando envolvidos na carne, não sabemos conduzir a pesquisa intelectual!... - Certíssimo! - exclamou o meu interlocutor, benevolente - se a indagação científica estivesse acompanhada de seguros valores do sentimento, do caráter, da consciência, outras seriam as realizações em vista da luz de espiritualidade acesa para o caminho, mas quase sempre somos assediados pela exigência repleta de pretensões e daí os fracassos inevitáveis. O orientador amigo continuou a série de esclarecimentos morais, belos e edificantes, e esperei, ansioso, o instante de observar esses serviços prodigiosos dos trabalhadores espirituais, os quais se realizam com grande surpresa para os estudiosos da Crosta.

Alexandre, delicado como sempre, obsequiou-me com todas as providências necessárias. Amigos atenciosos incumbiram-se de atender-me à curiosidade sadia e fui notificado de todas as medidas levadas a efeito. Na noite aprazada, Alexandre, que me proporcionava à satisfação de seguir-me de perto, conduziu-me à casa residencial, onde teria lugar uma assembléia diferente. A reunião seria iniciada as vinte e uma horas, mas, com antecedência de cinqüenta minutos, estávamos ambos, ali, na sala íntima, acolhedora e confortável, aonde grande número de servidores do nosso plano iam e vinham. Os trabalhos eram superintendidos pelo Irmão Calimério, entidade superior à condição hierárquica de Alexandre, que, recebido carinhosamente por ele, assim se externou, depois de apresentar-me: - Venho até aqui no propósito de atender ao aprendizado do companheiro.

André desejava inteirar-se quanto aos serviços de materialização e tomei a liberdade de apresentá-lo; entretanto, não nos encontramos aqui, como simples observadores. Se possível, trabalharemos também. - Alexandre - replicou Calimério, muito gentil, evidenciando extrema delicadeza de trato -, a tarefa é de todos nós. Proporcione ao nosso novo amigo todos os valores de que possamos dispor e desculpem-me se não posso assisti-los pessoalmente. A supervisão dos trabalhos da noite permanece a meu cargo; todavia, estejam à vontade. E, fixando em mim os olhos muito lúcidos, acentuou: - Observar para realizar é serviço divino.

Demandamos, respeitosos, o interior doméstico. Admiradíssimo, notei a enorme diferenciação do ambiente. Não havia, ali, como em outras reuniões a que assistira, a grande comunidade de sofredores às portas. A residência particular, onde se efetuariam os trabalhos, chegava a ser isolada por extenso cordão de trabalhadores de nosso plano, num círculo de vinte metros em derredor. Percebendo-me a estranheza.

Alexandre explicou: - Aqui, é indispensável o máximo cuidado para que os princípios mentais de origem inferior não afetem a saúde física dos colaboradores encarnados, nem a pureza do material indispensável aos processos fenomênicos. Em vista disso, torna-se imprescindível insular o núcleo de nossas atividades, defendendo-o contra o acesso de entidades menos dignas, através de fronteiras vibratórias. Observando a extensão dos cuidados postos em prática, perguntei: - Se é preciso tamanho zelo, no que se refere ao nosso campo de serviço, não se fará a mesma exigência aos companheiros encarnados, com a função de assistentes? Alexandre sorriu, compreendendo a sutileza de minha interrogação, e respondeu: - Todo o perigo desses trabalhos está na ausência de preparo dos nossos amigos da Crosta, os quais, na maioria das vezes, alegando impositivos científicos, se furtam a comezinhos princípios de elevação moral. Quando não se verifica o devido cuidado por parte deles, o fracasso pode assumir características terríveis, porque os irmãos que estabelecem as fronteiras vibratórias, no exterior do recinto, não podem impedir a entrada das entidades inferiores, absolutamente integradas com as suas vítimas terrenas.

Há obsidiados que se sentem tão bem na companhia dos perseguidores, que imitam as mães terrestres agarradas aos filhos pequeninos, penetrando recintos consagrados a certos serviços, com que não se compadece ainda o espírito infantil. Quando os amigos menos avisados ingressam na tarefa em tais condições, as ameaças são verdadeiramente inquietantes. - Então, aqui - considerei -, não devem entrar as vitimas do vampirismo... - A rigor, não deveriam entrar - falou o instrutor, sorrindo -, mesmo porque há outros centros onde podem ser socorridas; mas, algumas vezes, a caridade fraternal aconselha a tolerância, mesmo em ambientes como este. E, após ligeira pausa, acentuou: - Por isso mesmo, as reuniões para serviços de materialização aparecem raramente; a homogeneidade, aqui, deve ser muito mais intensa. Consagra-se a maioria de nossas atividades ao esforço da caridade cristã. Neste ambiente.

Porém, limita-se o trabalho a certas demonstrações da sabedoria espiritual. Os homens, contudo, em sentido geral, não sabem, por enquanto, compreender a essência divina de tais demonstrações é quase sempre, acorrem a elas com o raciocínio acima do sentimento. Pelas inquietudes da investigação, perdem, muitas vezes, os valores da cooperação, e os resultados são negativos. No dia, porém, em que conseguirem trazer o coração iluminado, receberão alegrias iguais àquela que desceu sobre os discípulos de Jesus, quando, de portas cerradas, em sublime comunhão de amor e fé, receberam a visita do Mestre, perfeitamente materializado, depois da ressurreição, em casa humilde de Jerusalém, de conformidade com a narrativa dos Evangelhos. Em virtude de haver Alexandre entrado em silêncio, por alguns instantes, intensifiquei as minhas observações.

Surpreendido, notei o esforço de vinte entidades de nobre hierarquia que movimentavam o ar ambiente. Em seus gestos rítmicos, semelhava-se a sacerdotes antigos que estivessem executando operações magnéticas de santificação interior do recinto. Atendendo-me ao espírito de pesquisa, Alexandre esclareceu: - Não se trata de hierofantes em gestos convencionais. Temos ali esclarecidos cooperadores do serviço, que preparam o ambiente, levando a efeito a ionização da atmosfera, combinando recursos para efeitos elétricos e magnéticos. Nos trabalhos deste teor reclamam-se processos acelerados de materialização e desmaterialização da energia.

As entidades manifestantes, no campo visual de nossos amigos encarnados, quase sempre são criaturas eminentemente ligadas à Crosta e aos seus planos de sensações, mas os organizadores legítimos da tarefa em curso são verdadeiros e competentes orientadores dos planos espirituais, com grandes somas de conhecimento e responsabilidade. Não decorreram muitos instantes e alguns trabalhadores de nossa esfera compareceram, trazendo pequenos aparelhos que me pareceram instrumentos reduzidos, de grande potencial elétrico, em virtude dos raios que movimentaram em todas as direções. Minha curiosidade não tinha limites. - Estes amigos - explicou o meu generoso instrutor - estão encarregados de operar a condensação do oxigênio em toda a casa. O ambiente para a materialização de entidade do plano invisível aos olhos dos homens requere elevado teor de ozônio e, além disso, é indispensável semelhante operação, a fim de que todas as larvas e expressões microscópicas de atividade inferior sejam exterminadas. A relativa ozonização da paisagem interior é necessária como trabalho bactericida.

L E, depois dum gesto significativo, acrescentou - O ectoplasma, ou força nervosa, que será abundantemente extraído do médium, não pode sofrer, sem prejuízos fatais, a intromissão de certos elementos microbianos. Logo após, reparei, surpreendido, o trabalho de várias entidades que chegavam do exterior, trazendo extenso material luminoso. - São recursos da Natureza - informou-me o instrutor solícito - que os operários de nosso plano recolhem para o serviço. Trata-se de elementos das plantas e das águas, naturalmente invisíveis aos olhos dos homens, estrutura dos para reduzido número de vibrações. - E serão aproveitados nos trabalhos da noite? - perguntei. - Sim - esclareceu Alexandre, paciente -, serão mobilizados pela ação dos orientadores. Nesse instante, pessoas familiarizadas com a reunião penetraram a sala, tomando os lugares que lhes eram habituais. Estabeleceu-se, entre os encarnados, ligeira conversação, na qual se comentavam os trabalhos levados a efeito anteriormente.

Não se passaram muitos minutos e a jovem médium, afável e simpática, deu entrada no recinto, acompanhada por diversas entidades, dentre as quais se destacava um amigo de elevada condição, que parecia chefiar o grupo de servidores. Esse exercia considerável controle sobre a moça, que a ele se ligava através de tênues fios de natureza magnética. Sentindo-me a insopitável curiosidade, o orientador esclareceu: - O controlador mediúnico é o Irmão Alencar, que também foi médico na Terra. Calimério é o dirigente legítimo, encarregado da supervisão dos trabalhos, em nosso círculo. Como notasse minha estranheza, Alexandre reiterou: - Alencar é orientador do aparelho mediúnico para as atividades de materialização propriamente ditas.

Aproximemo-nos dele. Muito sensibilizado, recebi a saudação do novo amigo, que nos acolheu afetuosamente: t - Ser-nos-á muito útil à presença de ambos - disse-nos, fixando meu instrutor, em particular -, porqüanto necessitamos de colaboradores para o auxílio magnético ao organismo mediúnico - Estamos à sua disposição - acentuou Alexandre, satisfeito -, tomaremos lugar entre os seus assistentes. Alencar agradeceu num gesto expressivo de sincero contentamento. Entre os colaboradores figurava uma criatura' muito querida ao meu orientador. Tratava-se de Verônica, que havia sido exímia enfermeira na Crosta, e que me colocou à vontade, conversando amavelmente. - Irmão Alexandre - disse ela, depois de rápidos momentos de palestra carinhosa -, iniciemos o auxílio magnético.

Precisamos incentivar os processos digestivos para que o aparelho mediúnico funcione sem obstáculos. Não tive ensejo para interpelações verbais. Alexandre, porém, endereçou-me significativo olhar, convidando-me a incentivar observações. Ele, Verônica e mais três assistentes diretos de Alencar colocaram as mãos, em forma de coroa, sobre a fronte da jovem, e vi que as suas energias reunidas formavam vigoroso fluxo magnético que foi projetado sobre o estômago e o fígado da médium, órgãos esses que acusaram, imediatamente, novo ritmo de vibrações. Concentraram-se as forças emitidas, gradualmente, sobre o plexo solar, espalhando-se por todo o sistema nervoso vegetativo e, com espanto, observei que se acelerava o processo químico da digestão.

As glândulas do estômago começaram a segregar pepsina e ácido clorídrico, em maior quantidade, transformando rapidamente o bolo alimentar. Admirado, reconheci a elevada produção de enzimas digestivas e vi que o pâncreas trabalhava ativamente, lançando grandes porções de tripsina, na parte inicial dos intestinos, que figuravam grande hospedaria de bacilos acidificantes. Valendo-me da oportunidade, analisei o fígado, que parecia sofrer especial influenciação, notando-lhe a condição de órgão intermediário, não somente com funções definidas na produção da bile, mas também exercendo importante papel nos fenômenos nutritivos, relacionado com a vida dos glóbulos do sangue. As células hepáticas esforçavamse, apressadas, armazenando recursos da nutrição ao longo das veias interlobulares, que se assemelhavam a pequeninos canais de luz. Em poucos minutos, o estômago permanecia inteiramente livre. - Agora - exclamou Verônica, serviçal preparemos o sistema nervoso para as saídas da força.

Reparei na diferenciação dos fluxos magnéticos, diante da nova operação posta em prática. Separaram-se os assistentes de algum modo e, enquanto Alexandre projetava a energia que lhe era peculiar sobre a região do cérebro. Verônica e os companheiros lançavam os recursos que lhes eram próprios sobre todo o sistema nervoso central, encarregando-se cada um de determinada zona dos nervos cervicais, dorsais, lombares e sacros. As forças projetadas sobre a organização mediúnica efetuavam limpeza eficiente e enérgica, porqüanto via, espantados, os resíduos escuros que lhes eram arrancados dos centros vitais. Sob o fluxo luminoso da destra de Alexandre, o cérebro da jovem alcançava brilho singular, como se fora espelho cristalino.

Todas as glândulas mais importantes resplandeciam, à maneira de núcleos vigorosos, excitados por elementos sublimes. Debaixo da chuva de raios espirituais em que se encontrava, a médium deixava perceber o trabalho divino de que era objeto, na intimidade de todas as células orgânicas, que pareciam restaurar o equilíbrio elétrico. Terminada a tarefa, Alexandre acercou-se de mim, observando, ante a minha indisfarçável curiosidade: - O aparelho mediúnico foi submetido a operações magnéticas destinadas a socorrer-lhe o organismo nos processos de nutrição, circulação, metabolismo e ações protoplásmicas, a fim de que o seu equilíbrio fisiológico seja mantido acima de qualquer surpresa desagradável. Prosseguindo o exame dos trabalhos em curso, reparei que Verônica alçava, agora, a destra sobre a cabeça da jovem, demorando-a no centro da sensibilidade. - Nossa irmã Verônica - explicou o meu amável orientador - está aplicando passes magnéticos como serviço de introdução ao desdobramento necessário. Nesse momento, porém, algo aconteceu de estranho no círculo de nossas atividades espirituais.

Percebeu-se grande choque de vibrações no recinto. Dois servidores aproximaram-se de Alencar e um deles explicou, espantadiço: - O senhor P... Aproxima-se, porém, em condições indesejáveis... - Que aconteceu? - Indagou o controlador, seguro de si. - Bebeu alcoólicos em abundância e precisamos providenciar-lhe o insulamento. O controlador esboçou um gesto de contrariedade e murmurou, encaminhando-se para a porta de entrada: - É muito grave! Neutralizemos a sua influenciação, sem perda de tempo.

Alexandre convidou-me a observar o caso de mais perto. Em vista da estupefação que me tomava de assalto, esclareceu: - Nestes fenômenos. André, os fatores morais constituem elemento decisivo de organização. Não estamos diante de mecanismos de menor esforço e, sim, ante as manifestações sagradas da vida, em que não se pode prescindir dos elementos superiores e da sintonia vibratória. Nesse instante, o senhor P...

Transpunha a porta. Bem posto, evidenciando excelentes disposições, não parecia ameaçar o equilíbrio geral, mesmo porque não revelava, exteriormente, qualquer traço de embriaguez. Satisfazendo, porém, as determinações de Alencar, diversos operários dos serviços cercaram-no à pressa, como enfermeiros a se encarregarem d6 doente grave. Incapaz de guardar minha própria impressão, indaguei: - Que ocorre, afinal? Esse homem parece calmo e normal. - Sim - elucidou Alexandre, benevolente -, parecer não é tudo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.