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Capítulo 15 de 30
Ante os Tempos Novos — parte 15 de 29
Missionários da Luz · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
As preocupações excessivas com os sintomas patológicos aumentam as enfermidades; as grandes emoções po0dem curar o corpo ou aniquila-lo. Se isso pode acontecer na esfera de atividades vulgares das lutas físicas, imagine o campo enorme de observações que nos oferece o plano espiritual, para onde se transferem, todos os dias, milhares de almas desencarnadas, em lamentáveis condições de desequilíbrio da mente. O médico do porvir conhecerá semelhantes verdades e não circunscreverá sua ação profissional ao simples fornecimento de indicações técnicas, dirigindo-se, muito mais, nos trabalhos curativos, às providências espirituais, onde o amor cristão represente o maior papel. Desejando, porém, prosseguir nos esclarecimentos, quanto ao serviço reencarnacionista, Manassés tomou pequeno gráfico e, apresentando-me as linhas gerais, acentuou: - Aqui temos o projeto de futura reencarnação dum amigo meu. Não observa certos pontos escuros, desde o cólon descendente à alça sigmóide?
Isso indica que ele sofrerá uma úlcera de importância, nessa região, logo que chegue à maioridade física. Trata-se, porém, de escolha dele. E porque extrema curiosidade me vagueasse nos olhos, Manassés explicou: - Esse amigo, faz mais de cem anos, cometeu revoltante crime, assassinando um pobre homem: a facadas; logo que se entregou ao homicídio, como acontece muitas vezes, a vítima desencarnada ligou-se fortemente a ele, e da semente do crime, que o infeliz assassino plantou num momento, colheu resultados terríveis por muitos anos. Como não ignora, o ódio recíproco opera igualmente vigorosa imantação e a entidade, fora da carne, passou a vingarse dele, todos os dias, matando-o devagarzinho, através de ataques sistemáticos pelo pensamento mortífero. Em suma, quando o homicida desencarnou, por sua vez, trazia o organismo perispiritual em dolorosas condições, além do remorso natural que a situação lhe impusera.
Arrependeu-se do crime, sofreu muito nas regiões purgatoriais e, depois de largos padecimentos purificadores, aproximou-se da vítima, beneficiando-a em louváveis serviços de resgate e penitência. Cresceu moralmente, tornou-se amigo de muitos benfeitores, conquistou a simpatia de vários agrupamentos de nosso plano e obteve preciosas intercessões. Entretanto... A dívida permanece. O amor, contudo, transformou o caráter do trabalho de pagamento.
O nosso amigo, ao voltar à Crosta, não precisará desencarnar em espetáculo sangrento, mas onde estiver, durante os tempos de cura completa, na carne que ele outrora menosprezou, carregará a própria ferida, conquistando, dia a dia, a necessária renovação. Experimentará desgostos, em virtude do sofrimento físico pertinaz, lutará incessantemente, desde a eclosão da úlcera até o dia do resgate final no aparelho fisiológico; entretanto, se souber manter-se fiel aos compromissos novos, terá atingido, mais tarde, a plena libertação. Enquanto fixava no projeto minha melhor atenção, Manassés continuava: - Segundo observamos, a justiça se cumpre sempre, mas, logo que se disponha o Espírito a precisa transformação no Senhor, atenua-se o rigorismo do processo redentor. O próprio Pedro nos lembrou, há muitos séculos, que «o amor cobre a multidão dos pecados». Examinei, impressionado, a planta educativa e. porque não encontrasse palavras bastante claras para pintar minha admiração, silenciei comovidamente.
Compreendendo-me o estado d’alma, o companheiro continuou: - São inúmeros os projetos de corpos futuros em nossos setores de serviço. Depreendese, da maioria deles, que todos os enfermos na carne são almas em trabalho da ingente conquista de si próprias. Ninguém trai a Vontade de Deus, nos processos evolutivos, sem graves tarefas de reparação, e todos os que tentam enganar a Natureza, quadro legítimo das leis divinas, acabam por enganar a si mesmos. A vida é uma sinfonia perfeita. Quando procuramos desafiná-la, no círculo das notas que devemos emitir para a sua máxima glorificação, somos compelidos a estacionar em pesado serviço de recomposição da harmonia quebrada.
E, durante alguns dias, ali permaneci na instituição benemérita, compreendendo que a existência humana não é um ato acidental e que, no plano da ordem divina, a justiça exerce o seu ministério, todos os dias, obedecendo ao alto desígnio que manda ministrar os dons da vida «a cada um por suas obras». 13 - Reencarnação Senti-me ditoso e emocionado quando Alexandre me convidou a visitar, em companhia dele, o ambiente doméstico de Adelino e Raquel, onde se verificaria a reencarnação de Segismundo. Profundo contentamento extravasava de meu espírito, porqüanto era a primeira vez que iria tomar conhecimento direto com o fenômeno reencarnacionista. Desde os primeiros tempos de estudo no campo da Medicina, fascinavam-me as leis biogenéticas. Entretanto, nunca me fora dado intensificar observações e especializar experiências. Na colônia espiritual a que me conduziram a Providência de Deus e a generosa intercessão dos amigos, muita vez recebera lições referentemente ao assunto; todavia, até então, nunca vira, de mais perto, o processo de imersão da entidade desencarnada no campo da matéria densa.
Em razão disso, acompanhei o prestimoso orientador com agradável e ansiosa expectativa. Alexandre explicou-me, por excesso de gentileza, que, noutro tempo, recebera muitos favores das personagens envolvidas naquele caso de reencarnação e que se sentia feliz pela oportunidade de lhes ser útil. Comentou as dificuldades do serviço de libertação espiritual e exaltou a lei do bem, que chama todos os filhos da Criação ao concurso fraterno e aos serviços «intercessórios». Depois de confortadora e instrutiva conversação, alcançamos o lar de Adelino, deliciosamente colocado em pitoresco canto suburbano, qual ninho gracioso, rodeado de tufos de vegetação. Eram dezoito horas, aproximadamente.
Com surpresa, verifiquei que Herculano nos esperava no limiar. O instrutor, porém, informou-me que havia notificado o amigo sobre a nossa visita, recomendando-lhe trouxesse Segismundo para o trabalho de aproximação. Cumprimentou-nos o companheiro, afetuosamente, e dirigiu-se ao meu orientador, esclarecendo: - Segismundo veio em minha companhia e espera-nos, lá dentro. - Foi excelente medida - falou Alexandre, bem-humorado -, consagrarei aos nossos amigos a minha noite próxima. Veremos o que é possível fazer. Entramos.
O casal Adelino-Raquel tomava a refeição da tarde, junto de um pequenino, no qual adivinhei o primogênito da casa. Não longe, acomodado numa cadeira de descanso, repousava uma entidade que se levantou imediatamente, quando percebeu nossa presença, dirigindo-se particularmente ao encontro do meu orientador, que lhe abriu os braços carinhosos. Herculano, perto de mim, explicou, em tom discreto: - É Segismundo. Notei que o desencarnado abraçara-se com Alexandre, chorando convulsivamente. O instrutor acolhia-o como pai, e, após ouvi-lo durante alguns minutos, falou-lhe compassivamente: - Acalme-se, meu amigo!
Quem não terá suas lutas, seus problemas, suas dores? E se todos somos devedores uns dos outros não será motivo de júbilo e glorificação receber as sublimes possibilidades de resgate e pagamento? Não chore! Nossos irmãos permanecem ao jantar. Não devemos perturbá-los, emitindo forças magnéticas de desalento.
E repondo-o na vasta cadeira de braços, como se Segismundo estivesse enfraquecido e enfermiço, continuou: - Tenha coragem. O ensejo próximo é divino para o seu futuro espiritual. Organizaremos as coisas, não tenha receio. - Entretanto, meu amigo - falou o interlocutor, em lágrimas -, experimento grandes obstáculos. E acentuava em tom humilde: - Reconheço que fui um grande criminoso, mas pretendo redimir as velhas culpas. Adelino, porém, apesar das promessas na esfera espiritual, esqueceu, na recapitulação presente, o perdão aos meus antigos erros...
Alexandre que ouvia, enternecido, sorriu paternalmente e redargüiu: - Ora, Segismundo, porque envenenar o coração? Porque não desculpa você, por sua vez? Não complique a própria situação, abrigando injustificável desânimo. Levante as energias, meu amigo! Coloque-se na situação do ex-adversário, vítima noutro tempo de seu ato impensado!
Não encontraria, talvez, as mesmas dificuldades? Tenha calma e prudência, não perca a bendita ocasião de tolerar alguma coisa desagradável ao seu sentimento, a fim de reparar o passado e atender às necessidades do presente. Vamos, equilibre-se! O momento é de gratidão a Deus e de harmonia com os semelhantes!... Segismundo enxugou os olhos, sorriu com esforço e murmurou: - Tem razão.
Herculano, que o contemplava, compadecido, entrou na palestra, acrescentando: - Ele tem estado muito abatido, desanimado... - É natural - tornou Alexandre, decidido -, porque, em tais circunstâncias, sofre a criatura certos desequilíbrios, em face das necessidades do regresso à carne, mas Segismundo tem levado muito longe o fenômeno, acentuando os próprios sofrimentos, com expectativas e inquietações injustificáveis. Fixando, mais detidamente, a atenção no casal que se mantinha à mesa, falou, afetuoso: - Observemos Adelino e Raquel. Vejamos a cooperação que podem receber. Acompanhamo-lo, em silêncio. O chefe da casa permanecia taciturno, conversando com a esposa tão somente por monossílabos.
Via-se que a companheira se esforçava; no entanto, ele continuava quase sombrio. - Não se efetuou o negócio que você esperava? - interrogou à senhora, tentando a palestra afetiva. - Não - respondeu ele secamente. - Mas você continua interessado? - Sim. - E viajará na semana próxima, caso não se realize o empreendimento até domingo? - Talvez. A esposa fez longa pausa, algo desapontada, argüindo em seguida: - Que desculpa apresenta a Companhia, em vista de semelhante demora? O marido fitou-a com frieza e respondeu, lacônico: - Nenhuma. A essa altura, Alexandre fez significativo gesto com a cabeça e falou-nos, preocupado: - Em verdade, a condição espiritual de Adelino é das piores, porque o sublime amor do altar doméstico anda muito longe, quando os cônjuges perdem o gosto de conversar entre si. Em semelhante estado psíquico, não poderá ser útil, de modo algum, aos nossos propósitos.
Alexandre levantou-se, deu alguns passos em torno da reduzida família e dirigiu-se a nós outros, afirmando: - Procurarei despertar-lhe as fibras sensíveis do coração, de modo a prepará-lo, convenientemente, a fim de ouvir-nos nesta noite. Assim dizendo, o devotado orientador aproximou-se da criança, belo menino de três anos aproximadamente, e colocou-lhe a destra sobre o coração. vi que o pequeno sorriu, mostrando novo brilho nos olhos azuis e falou, com inflexão de infinito carinho: - Mamãe, porque papai está triste? O dono da casa ergueu o rosto, com admiração, ao passo que a senhora respondia, comovida: - Não sei, Joãozinho. Ele deve estar preocupado com os negócios, meu filho. - E que são «negócios», mamãe? - tornou a criança ingênua. - São as lutas da vida. O menino fitou a mãezinha, com atenção, e perguntou: - Papai fica alegre nos negócios? - Fica, sim - respondeu à senhora, sorrindo. - E porque fica triste em casa?
Enquanto o pai seguia o diálogo, sob forte impressão, a genitora carinhosa esclareceu a criança, com paciência: - Nas lutas de cada dia, Joãozinho, teu pai deve estar contente com todos e não deve ofender a ninguém. Entretanto, o que te parece tristeza é o cansaço do trabalho. Quando ele volta ao lar traz consigo muitas preocupações. Se na rua deve teu pai mostrar cordialidade e alegria a todos, de modo a não ferir os demais, não acontece o mesmo aqui, onde se encontra à vontade para refletir nos problemas que o interessam de perto. Aqui, é o lar, meu filho, onde está com o direito de não esconder as preocupações mais íntimas...
A criança escutou, atenta, dividindo os olhares afetuosos entre pai e mãe, e tornou: - Que pena, hein, mamãe? O chefe da pequena família, tocado nas fibras recônditas da alma pela ternura do filhinho e pela humildade sincera da companheira, sentiu que a nuvem de sombra dos seus próprios pensamentos dava lugar a repousantes sensações de alivio confortador. Sorriu, repentinamente transformado, e dirigiu-se ao pequeno, com nova inflexão de voz: - Que idéia é essa, Joãozinho? Não me sinto entristecido. Estou, aliás, satisfeitíssimo, como no último dia de nosso passeio a serra!
Tua mãe explicou muito bem o que se passa. Quando teu pai estiver silencioso não quer dizer que se encontra desalentado. Por vezes, é preciso calar para pensar melhor. A dona da casa mostrou largo sorriso de satisfação, observando a mudança brusca do companheiro. O menino, por sua vez, não disfarçava o júbilo no semblante infantil, e assim que o pai terminou as explicações afetuosas, sempre envolvido nas irradiações magnéticas do bondoso instrutor, dirigiu-se novamente ao chefe da casa, perguntando: - Papai, porque você não vem rezar, de noite, comigo?
O genitor trocou expressivo olhar com a esposa e falou ao pequenino: - Tenho tido sempre muito serviço à noite, mas voltarei hoje mais cedo para acompanhar tuas preces. E sorrindo, com paternal alegria, acrescentou: - Já sabes orar sozinho? O pequeno redargüiu, satisfeito: - Mamãe ensina-me todas as noites a rezar por você. Quer ver? E, abandonando o talher, instintivamente olhou para o alto, de mãos postas, e recitou: - «Meu Deus, guarda o papai nos caminhos da vida, dá-lhe saúde, tranqüilidade e coragem nas lutas de cada dia!
Assim seja!» O genitor, que se apresentara tão impenetrável e rude a principio, mostrou os olhos rasos d’água sensibilizados nas fibras mais intimas, e. fixando ternamente o filho, murmurou: - Estás muito adiantado. Hoje, Joãozinho, rezarei também. De alma desanuviada agora, Adelino contemplou a companheira, orgulhoso de possuir-lhe o devotamento, e acentuou: - A palestra do João fez-me enorme bem. Trazia o coração desalentado, opresso. Eu mesmo não saberia definir meu estado d’alma...
Há muitos dias, minhas noites são agitadas, cheias de aflições e pesadelos! Tenho sonhado sistematicamente que alguém se aproxima de mim, na qualidade de vigoroso inimigo. Por vezes, rendo graças a Deus, ao despertar pela manhã, porque me sinto mais à vontade, enfrentando as máscaras humanas, que lutando, noite inteira, em sonhos cruéis... A esposa, admirada, observou, carinhosa: - Creio que deverias descansar um pouco... Comovido, ante a delicadeza da mulher, Adelino continuou: - Tenho tido receio de mim mesmo!
Tão logo me acomodo no leito, sinto instintivamente que uma sombra se aproxima de mim. Adormeço sob incrível ansiedade e o pesadelo começa, sem que eu saiba explicar conscientemente coisa alguma. - E os sonhos são sempre os mesmos? - indagou a esposa, solicita. - Sempre - respondeu ele, com emoção vejo que um homem se aproxima de mim, estendendo as mãos, à maneira dum mendigo vulgar a implorar socorro, mas, ao lhe fixar a fisionomia, inexplicável terror invade-me o espírito... Tenho a impressão de que ele deseja assassinar-me pelas costas... Em certas ocasiões, tento estender-lhe as mãos, vencendo a impressão de pavor; entretanto, fujo sempre, num misto de ódio e repugnância oh! Que pesadelos terríveis e longos!
E, modificando o tom de voz, acrescentou: - Admito esteja eu sob fortes desequilíbrios nervosos, sem atinar com o motivo... - Porque não se submeter ao necessário tratamento médico? - perguntou a esposa afetuosa. O marido pensou alguns momentos, como se o seu espírito vagueasse através de longínquas recordações. Em seguida, fixando na companheira os olhos muito brilhantes, acentuou: - Talvez não precise recorrer a facultativos. É possível que o nosso filhinho esteja com a razão... As lutas grosseiras do mundo impuseram-me o esquecimento da fé em Deus.
Há quantos anos terei abandonado a oração? De olhos molhados e pensativos, prosseguiu: - Quando menino, minha mãe me educava na ciência da prece. Ensinado a curvar-me diante da vontade do Altíssimo, sentia a Bondade Divina em todas as coisas e ajoelhava-me confiante ao pé de minha carinhosa genitora, implorando as bênçãos do Alto... Depois, vieram as emoções dos sentidos, o duelo com os maus, a experiência difícil na concorrência ao pão de cada dia... Desde então perdi a crença pura, que sinto necessidade de retomar...
A esposa enxugou os olhos, comovida. Há muitos anos não observava no companheiro semelhantes demonstrações emotivas. Ergueu-se, emocionada, e falou com ternura: - Volte hoje mais cedo para orarmos juntos. E procurando imprimir notas de alegria à conversação, chamou o filhinho a pronunciar-se, acrescentando: - Hoje, Joãozinho, papai rezará conosco. Iluminou-se o semblante do pequenino de intraduzível alacridade.
Contemplou a mãezinha, enternecido, e observou: - Então, mamãe, farei todas as orações que eu já sei. Após o jantar, experimentando disposições diferentes, Adelino despediu-se com delicadeza que Herculano classificou de inabitual. Alexandre, muito satisfeito, asseverou, depois de restituir a criança aos cuidados maternos: - Felizmente, nossos serviços preparatórios desdobram-se com excelentes promessas. Conseguimos bastante em reduzidos minutos. De minha parte, imensa era a surpresa que me invadia o espírito.
Porque tamanhos cuidados? Alexandre e outros benfeitores espirituais, tão elevados quanto ele mesmo, não poderiam organizar todos os serviços atinentes à reencarnação de Segismundo? Não eram senhores de grande poder sobre todos os obstáculos? Mas, dando-me a idéia de que desejava responder às minhas interrogações íntimas, o instrutor afavelmente falou a Herculano, nestes termos: - Não devemos e nem podemos forçar a ninguém e precisamos das boas disposições de Adelino para o trabalho a fazer. Em seguida, passou a orientar Segismundo, relativamente à conduta mental, aconselhando-o a preparar-se com todos os recursos ao seu alcance para o, êxito na experiência próxima.
Outros amigos espirituais das personagens daquele drama entre duas esferas também chegaram ao ninho doméstico, acentuando-se a alegria da camaradagem fraternal. A presença do meu instrutor parecia incentivo a contentamento geral. Alexandre sabia conduzir a palestra elevada e comunicava seu valioso otimismo a todos os companheiros. Comentava-se a dificuldade da reencarnação em vista dos conflitos vibratórios causadas pela incompreensão das criaturas terrestres, quando o chefe da casa voltou ao lar, interessado em cultivar as doces emoções daquele dia. Agradavelmente surpreendidos, a esposa e o filhinho fizeram-lhe muita festa, encetando nova conversação confortadora e educativa.
Fez-se mais de uma hora de boa leitura e excelente troca de idéias, renovando Adelino os seus propósitos de reaver a serenidade íntima, através de maior comunhão espiritual com a pequena família. Quando a mãezinha dedicada lembrou ao pequeno a necessidade de recolher-se, Joãozinho recordou a promessa paternal e indagou: - Papai sabe o que devemos fazer antes da oração? O chefe da casa sorriu e pediu-lhe explicações. O menino, com assombrosa vivacidade, esclareceu: - Diz mamãe que devemos chamar os mensageiros de Deus para que nos assistam. - Pois bem - tornou o genitor, bem-humorado -, chame por eles em nosso favor. O pequeno pronunciou algumas palavras de convite, de mãos postas, e, em seguida, encaminharam-se os três, para o aposento íntimo.
Alexandre, que parecia muito satisfeito com a lembrança espontânea do pequenino, disse-nos então: - Estamos convidados a participar das suas mais íntimas orações. Acompanhemo-los. Naquele momento, nosso grupo estava acrescido de três entidades amigas de Raquel, que tinham vindo, até ali, igualmente convocadas pela dedicação de Herculano, a fim de cooperarem na solução do assunto. O quadro interior era dos mais comoventes. O pequenino pusera-se de joelhos e fazia a oração dominical, com infantil emotividade.
Adelino e a companheira seguiam-lhe a prece com grande atenção. Por nossa vez, continuamos, agora em silêncio, a observar e colaborar naquele serviço espiritual com as melhores forças do sentimento. Notei que a esposa se achava rodeada de intensa luminosidade, que, partindo de seu coração, envolvia o esposo e o pequenino em suaves irradiações. Muito sensibilizado, Adelino deixou escapar uma lágrima furtiva, quando o filho, terminando as preces, curtas em palavras e grandiosas em espiritualidade, lhe beijou carinhosamente as mãos. Mais alguns minutos e todos se recolhiam sob os cobertores, felizes e tranqüilos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.