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Capítulo 28 de 30

Ante os Tempos Novos — parte 28 de 29

Missionários da Luz · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Aplicou-lhe passes longitudinais, com muito carinho, e, finda a operação, observoume: - Um dia, compreenderá o homem comum a importância do pensamento. Por agora, é muito difícil revelar-lhe o sublime poder da mente. O chefe da assistência magnética ia estender-se, talvez, em considerações educativas, mas um dos cooperadores do serviço aproximou-se e notificou-lhe, atencioso: - Estimaria receber a sua orientação num caso de «décima vez». Trata-se do nosso conhecido, que apresenta graves perturbações no baço. Extremamente surpreendido, acompanhei Anacleto, que se dirigiu para um dos recantos da sala.

à nossa frente estava um cavalheiro idoso, que o orientador examinou com atenção. Por minha vez, observei-lhe o fígado e o baço, que acusavam enorme desequilíbrio. - Lastimável! -- exclamou o chefe do auxilio, depois de longa perquirição. - Entretanto, apenas poderemos aliviá-lo. Agora, após dez vezes de socorro completo, é preciso deixá-lo entregue a si mesmo, até que adote nova resolução. E, dirigindo-se ao auxiliar, acentuou: - Poderá oferecer-lhe melhoras, mas não deve alijar a carga de forças destruidoras que o nosso rebelde amigo acumulou para si mesmo. Nossa missão é de amparar os que erraram, e não de fortalecer os erros.

Percebendo-me o espanto, Anacleto explicou: - Nosso esforço é também educativo e não podemos desconsiderar a dor que instrui e ajuda a transformar o homem para o bem. Nas normas do serviço que devemos atender, nesta casa, é imprescindível ajuizar das causas na extirpação dos males alheios. Há pessoas que procuram o sofrimento, a perturbação, o desequilíbrio, e é razoável que sejam punidas pelas conseqüências de seus próprios atos. Quando encontramos enfermos dessa condição, salvamo-los dos fluidos deletérios em que se envolvem por deliberação própria, por dez vezes consecutivas, a titulo de benemerência espiritual. Todavia, se as dez oportunidades voam sem proveito para os interessados, temos instruções superiores para entregá-los à sua própria obra, a fim de que aprendam consigo mesmos.

Poderemos aliviá-los, mas nunca libertá-los. Depois de ligeira pausa e sentindo que eu não me atreveria a interromper-lhe os preciosos ensinamentos, Anacleto prosseguiu: - Este homem, não obstante simpatizar com as nossas atividades espiritualizantes, é portador dum temperamento menos simpático, por extremamente caprichoso. Estima as rixas freqüentes, as discussões apaixonadas, o império de seus pontos de vista. Não se acautela contra o ato de encolerizar-se e desperta incessantemente a cólera e a mágoa dos que lhe desfrutam a companhia. Tornou-se, por isso mesmo, o centro de convergência de intensas vibrações destruidoras.

Veio ao nosso grupo em busca de melhoras, e, desde há muitas semanas, buscamos orientá-lo no serviço do amor cristão, chamando-lhe a consciência à prática de obrigações necessárias ao seu prÓprio bem-estar. O infeliz, porém, não nos ouve. Adquire ódios com facilidade temível e não percebe a perigosa posição em que se confina. Freqüenta-nos há pouco mais de três meses e, durante esse tempo, já lhe fizemos as dez operações de socorro magnético integral, alijando-lhe as cargas malignas, não só dos pensamentos de angústia e represália que ele provoca nos outros, mas também dos pensamentos cruéis que fabrica para si. Agora, temos de interromper o serviço de libertação, por algum tempo.

A sós com a sua experiência forte, aprenderá lições novas e ganhará muitos valores. Mais tarde, receberá, de novo, o socorro completo. Profundamente edificado com o processo educativo, ousei perguntar: - Qual a medida de tempo estipulada para os casos dessa natureza? O interlocutor, porém, assumindo atitude discreta, contornou a pergunta e respondeu: - Varia de acordo com os motivos. O efeito obedece à causa.

Anacleto prosseguiu auxiliando, enquanto eu' me perdia em profundas considerações de ordem; superior. Depois de partir os laços carnais, compreendemos, com mais clareza e intensidade, a função da dor no campo da justiça edificante. Aquela permanência de minutos, junto ao serviço de assistência magnética, renovava-me as concepções referentemente a socorros e corrigendas. O Senhor ama sempre, mas não perde a ocasião de aperfeiçoar, polir, educar... Foi Alexandre que, ao reaproximar-se de mim, chamou-me à realidade.

Os trabalhos haviam ter-' minado. Abraçando-me, às despedidas, Anacleto acentuou: - Será sempre bem-vindo. Volte ao nosso setor, quando quiser. Seu concurso ser-nos-á valioso estimulo!... Não encontrei expressões para corresponder-lhe à generosidade humilde, mas creio que o devotado auxiliar compreendeu-me o olhar de profundo reconhecimento.

E, acompanhando o meu instrutor, de volta à nossa colônia espiritual, reconheci que meu entendimento se dilatava, como se nova fonte de luz me borbulhasse no coração. 20 - Adeus Esperava a continuidade de meus novos estudos em companhia de Alexandre; todavia, com surpresa, o meu amigo Lísias foi portador de um convite que me destinara o caritativo instrutor. Tratava-se de uma reunião de despedidas. Li a mensagem pequenina e delicada, erguendo os olhos para o mensageiro. - Despedidas? - perguntei. Esclareceu-me Lísias, pressuroso: - Sim. Alexandre, como acontece a outros orientadores da mesma posição hierárquica, de quando em quando se dirige a planos mais altos, desempenhando tarefas de sublime expressão que ainda não podemos compreender.

Creio deva partir amanhã, em companhia de alguns mentores que lhe são afins, e deseja apresentar despedidas aos colaboradores e aprendizes, na próxima noite. - E os trabalhos da Crosta? - indaguei não é Alexandre um dos instrutores diretos de um dos grandes grupamentos espiritistas Que conhecemos? O companheiro respondeu com segurança: - Naturalmente, já foi providenciada a substituição devida, de acordo com o mérito e aproveitamento da instituição a que você se refere. E sentindo, talvez, a mágoa que me invadira o espírito, Lísias comentou: - O que lhe posso assegurar é que o venerável orientador não nos esquecerá. Dirigindo-se a esferas mais altas, a única preocupação dele será o serviço de Jesus, com o enriquecimento de si mesmo para ser-nos mais útil. - Entretanto - objetei - far-nos-á muita falta... Sinto que nos deixará em meio da tarefa, quando tanto necessitamos de seu concurso valioso para o aprendizado...

Lisias percebeu a natureza passional de minha ponderação e redargüiu, firme: - Nada de egoísmo, André! Sabemos que Alexandre se ausentará em serviço, mas ainda mesmo que a sua excursão fosse muito longa e plenamente consagrada ao repouso recreativo, cabe a nós outros, seus devedores, a participação da alegria de seus elevados merecimentos. É - necessário examinar o bem que ainda se pode fazer, vibrando de júbilo e esperança com as realizações porvindouras, para não sermos indolentes e improdutivos; não devemos, porém, esquecer o bem que se fez ou que recebemos, a fim de não sermos ingratos. Aquela observação teve a virtude de acordar-me a consciência. Coloquei-me no equilíbrio emocional indispensável.

Modifiquei a atitude íntima, reagindo contra as primeiras impressões que a notícia me causara. O bondoso amigo compreendeu, sorriu e acentuou: - Ao demais, não podemos esquecer as obrigações que nos são próprias. O aprendizado, nos cursos diversos em que se apresenta, chega sempre a um fim, embora a sabedoria seja infinita. Precisamos demonstrar aproveitamento prático das lições recebidas. Que melhor testemunho de assimilação poderemos dar ao instrutor amigo que o de receber-lhe o campo de serviço em que a sua bondade nos iniciou, até que ele volte da provisória excursão? -- É verdade! - exclamei.

E, reanimado pela palavra esclarecedora do companheiro, conversamos por abençoados minutos, prometendo-me Lísias regressar ao crepúsculo, a fim de seguirmos juntos para a reunião referida. À noitinha, voltava o prezado companheiro e pusemo-nos a caminho em agradável palestra. Contemplado de nossa colônia espiritual, o firmamento mostrava-se singularmente belo. Numerosas constelações brilhavam deslumbrantes, e a Lua muito maior do que ao ser vista da Crosta Planetária, figurava-se mais acolhedora e tranqüila. Distantes do bombardeio dos raios solares, que renovam a vida incessantemente, as flores exalavam delicioso perfume, dançando de mansinho aos sopros do vento leve... - Muitos aprendizes de Alexandre - comentava Lísias, alegremente, - virão visitá-lo esta noite.

Mantenhamo-nos à altura dos demais, conservando atitudes interiores de gratidão e serenidade. Concordava, com esforço, lembrando-me das sublimes lições recebidas. Alexandre sabia fazer-se amar. Superior sem afetação, humilde sem servilismo, orientador sempre disposto, não somente a ensinar, mas também a aprender, atendia aos elevados encargos que lhe eram atribuídos, sem qualquer desvario do «eu», profundamente interessado em cumprir os desígnios do Pai e em aceitar nossa cooperação singela, aproveitando-a. Em virtude da sua abençoada compreensão, aquele afastamento do instrutor, embora temporário, doía-me no espírito.

Nessas disposições intimas, contra as quais reagia prudentemente, alcançamos o belo edifício residencial onde se reuniria a afetuosa assembléia. Entramos. Surpreendeu-me o salão magnificamente iluminado. Não havia luxo decorativo no interior; todavia, o lampadário em forma de estrelas, irradiando claridade azul-brilhante, proporcionava ao ambiente uma expressão de misteriosa beleza, de mistura com elevada espiritualidade. Delicados e simbólicos arabescos de flores naturais adornavam as paredes, dando-nos a impressão de alegria e bem-estar.

Apresentado por Lísias a diversos companheiros, certifíquei-me, depressa, do pequeno número de aprendizes que ali se congregariam. Compareceriam apenas os discípulos de Alexandre, com permanência eventual em nossa colônia, sessenta É oito colegas, inclusive quinze mulheres. Todos os presentes referiam-se ao mentor amoroso com palavras encomiásticas. Éramos todos nós grandes devedores ao seu coração. Verificada a presença de todos os convidados, veio até nós o benévolo instrutor, dividindo o carinho de suas saudações com cada um, sem desperdício de atitudes exteriores.

Era o mesmo Alexandre, admirável e simples. Irmanado conosco, deixando-nos inteiramente à vontade, entendeu-se com todos nós, individualmente, a respeito das nossas tarefas, estudos, realizações. Em seguida, com toda a naturalidade, começou a falar-nos, em tom paternal: - Sabem vocês o objetivo da presente reunião. Quero apresentar-lhes minhas despedidas, em virtude da ausência temporária a que sou compelido por elevadas razões de serviço. Notei pelo olhar dos circunstantes que a maioria partilhava comigo o mesmo desgosto.

Devíamos intensamente àquele espírito sábio e benevolente. Depois de pequena pausa, continuou: - Conheço a pureza do amor que vocês me dedicam e estou certo de que não ignoram a extensão da estima que lhes consagro. É natural. Somos amigos na mesma empresa do bem e associados felizes na execução da Divina Vontade. Companheiros de luta construtiva, pesar-nos-ia, sobremaneira, a separação de agora, não obstante efêmera, se não guardássemos no âmago d’alma a luz do esclarecimento.

Nesse ponto, Alexandre fez longo intervalo, descansando seus olhos nos nossos, como a perscrutar-nos o intimo, e prosseguiu: - Alguns colaboradores, a quem muito devo, endereçaram-me apelos para que permaneça em nossa colônia de trabalho, gentileza que agradeço, comovido. Não vibra em minhas palavras qualquer prurido de personalidade, mas a estima recíproca e fiel a que nos devotamos. Urge considerar, porém, meus amigos, que este servo humilde não deve absorver o lugar que Jesus deve ocupar em suas vidas. É muito difícil descobrir o amor sem jaça e a ele nos entregarmos sem reservas. E porque essa dificuldade é flagrante em todos os caminhos de nossa evolução, quase sempre incidimos no velho erro da idolatria.

É bem verdade que nos encontramos numa assembléia de corações simples e amigos, e que não cabem nesta sala vastas e maciças considerações filosóficas, para restringirmo-nos ao abençoado setor do sentimento. Mas, não posso ver fugir a oportunidade de sérias reflexões em torno do problema dos laços sagrados que nos unem, sem algemar-nos uns aos outros. Nossa estrada de aperfeiçoamento, bem como a senda de progresso da Humanidade terrestre, em geral, têm sido tortuoso caminho no qual pisamos sobre os ídolos quebrados. Sucedem-se nossas reencarnações e as civilizações repetem o curso em longas espirais de recapitulação, porque temos sido invigilantes quanto aos caminhos retos. Verificando-se nova pausa, em sua afetuosa e significativa exposição, observei que profundo respeito nos identificava a todos, em face da palavra venerável. - Temos criado muitos deuses à parte - continuou o instrutor, comovido -, para destruí-los, muita vez, em profundo desespero do coração, quando a realidade nos dilata a visão, ante o horizonte infinito da vida.

Na procura do conforto individual, em face de problemas graves de nossa vida, raramente encontramos a solução e, sim, a fuga, da qual nos valemos com todas as forças de que somos capazes, para adiar indefinidamente a ação imprescindível da corrigenda ou do resgate. Virá, porém, o dia da restauração da verdade, o momento de nosso testemunho pessoal. Ele pousou em nós o olhar muito lúcido, onde víamos o reflexo de serena emotividade, e, depois de longa pausa, retomou as elucidações das despedidas. - É por isso, meus amigos - prosseguiu, em tom fraterno -, que o orientador consciencioso de sua tarefa não pode fugir aos imperativos da evolução de seus tutelados. De quando em quando, é necessário deixar o discípulo entregue a si mesmo, ainda que as mais belas notas de carinho nos sugiram o contrário. Junto do instrutor, o aprendiz, quase sempre, apenas observa a distância, porém, experimenta e age, vivendo o que aprendeu.

É indispensável desenvolver os valores ilimitados, inerentes a cada um de nós, guardados como divina herança no potencial de nosso mundo intimo. A proteção inconsciente, que subtrai o protegido ao clima de realização que lhe é próprio, elimina os germens do progresso, da elevação, do resgate individual. Estabelecer a dependência dessa ordem é criar o cativeiro do espírito, que anula nossa capacidade de improvisação e estimula os vícios do pensamento. Fujamos ao condenável sistema de adoração recíproca, em que a falsa ternura opera a cegueira do sentimento. Respeitemo-nos mutuamente, na qualidade de irmãos congregados para a mesma obra do bem e da verdade, mas combatamos a idolatria; bemqueiramo-nos uns aos outros, como Jesus nos amou; todavia, cooperemos contra a insuflação do exclusivismo destruidor.

Somos depositários de grandes lições da vida superior. Pô-las em prática, estendendo mãos amigas aos nossos semelhantes, é o nosso objetivo fundamental. Cada um de vocês tem obrigações em separado, nos setores diferentes da atividade espiritual. Durante alguns meses, estivemos quase sempre juntos, quando a oportunidade permitia. Associados na mesma experiência, criamos laços santificados de amor que nos irmanam uns aos outros.

Não podemos, porém, descansar sobre as comodidades do afeto. E preciso enfrentar as asperezas do serviço, conhecer a luta, testemunhar aproveitamento. Nunca me valeria da qualidade de instrutor para impedir o crescimento mental de vocês. A Terra, que nos é mãe comum, reclama filhos esclarecidos que colaborem na divina tarefa de redenção planetária. Há multidões, por toda parte, escravas do bem-estar e da miséria, da alegria e do sofrimento, estranhas ao caráter temporário das condições em que se agitam Todos vivem, mas raros espíritos de nosso mundo tomaram posse da vida eterna.

O campo de trabalho é vastíssimo. Experimentem nele o que aprenderam, despertando as consciências que dormem ao longo do caminho. O aprendizado fornece-nos conhecimento. A vida oferece-nos a prática. Unamos a sabedoria com o amor, na atividade de cada dia, e descobriremos a divindade que palpita dentro de nós, glorificando a Terra que aguarda nosso concurso eficiente, pelo equilíbrio e compreensão.

Não faltam instrutores benevolentes e generosos e, além disso, vocês devem aplicar as lições que receberam, orientando, igualmente, seus semelhantes em luta e os companheiros ainda frágeis. Só as vitimas voluntárias da idolatria convertem a ausência num vácuo. Não, meus amigos, não alimentemos qualquer processo doloroso de saudade sem otimismo e sem esperança. Imenso futuro de realizações sublimes com o Pai espera cada um de nós. Edifiquemo-nos, aceitando as experiências construtivas que nos convocam o esforço à possibilidade maior.

Estimo profundamente a consolação individual, mas, acima de nosso conforto, devemos procurar a libertação com o Cristo. Incontestavelmente, a preleção era vazada em severidade afetuosa, que, no momento, não nos sabia bem ao coração, habituado às expressões de incessante carinho, mas tinha a virtude de acordar-nos para a verdade, chamando-nos a uma atitude de legítimo entendimento. Ainda ai, numa simples reunião de despedidas, Alexandre sabia ser grande e generoso, impondo-nos um equilíbrio que, de outro modo, não saberíamos conservar. Apesar da compreensão, tínhamos os olhos úmidos. A separação dos bons, não obstante temporária, é sempre dolorosa.

Na companhia dele, havíamos aprendido sublimes ensinamentos. Forte e sábio, carinhoso e enérgico, exercitara-nos as asas frágeis nos grandes vôos de novos conhecimentos. Comparando nossa situação anterior à presente, observávamos evidente melhoria geral. Como não lhe devermos, a ele, abençoado amigo de todas as horas, ilimitados testemunhos de amor? Creio que a maioria partilhava os meus pensamentos, porque Alexandre, dando a idéia de que nos ouvia as reflexões mais íntimas, acrescentou: - Devemos ao Cristo - Jesus todas as graças!

Ele é o Divino Intermediário entre o Pai e nós outros. Saibamos agradecer ao Mestre as bênçãos, as lições, às tarefas. O espírito de gratidão ao Senhor alegra a vida e valoriza o trabalho dos servos fieis!... Em seguida, o instrutor levantou-se e, sorridente, abraçou cada um de nós, dirigindo-nos palavras de incitamento ao Bem e à Verdade, enchendo-nos de coragem e fé. Equilibrados pela sua palavra esclarecida, os aprendizes não ousaram pronunciar qualquer exclamação, filha da ternura indiscreta.

Estávamos todos edificados, em posição serena e digna. Epaminondas, o discípulo mais respeitável de nosso círculo, tomou a palavra e agradeceu, sobriamente, estampando nas afirmativas nossos sentimentos mais nobres e endereçando ao instrutor amigo nossos ardentes votos de paz e êxito, na continuidade de seus trabalhos gloriosos. Vimos que Alexandre recebia nossas vibrações de amor e reconhecimento em meio de profunda emoção. Sua fronte venerável emitia sublimes irradiações de luz. Terminada a breve saudação do companheiro, pronunciou algumas frases de agradecimento, que não merecíamos, e falou: - Agora, meus amigos, elevemos ao Cristo nossos pensamentos de júbilo e gratidão, consagrando-lhe as inesquecíveis emoções de nosso adeus.

Manteve-se de pé, cercado de intensa luz safirino-brilhante, e, de olhos erguidos para o alto, estendeu os braços como se conversasse com o Mestre presente, embora invisível, orando com infinita beleza: Senhor, Sejam para o teu coração misericordioso Todas as nossas alegrias, esperanças e aspirações! Ensina-nos a executar teus propósitos desconhecidos, Abre-nos as portas de ouro das oportunidades do serviço E ajuda-nos a compreender a tua vontade!... Seja o nosso trabalho a oficina sagrada de bênçãos infinitas, Converte-nos as dificuldades em estímulos santos, Transforma os obstáculos da senda em renovadas lições... Em teu nome, Semearemos o bem onde surjam espinhos do mal, Acenderemos tua luz onde a treva demore, Verteremos o bálsamo do teu amor onde corra o pranto do sofrimento, Proclamaremos tua bênção onde haja condenações, Desfraldaremos tua bandeira de paz junto às guerras do ódio! Senhor, Dá que possamos servir-te Com a fidelidade com que nos amas, E perdoa nossas fragilidades e vacilações na execução de tua obra.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.