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Capítulo 18 de 30
Ante os Tempos Novos — parte 18 de 29
Missionários da Luz · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
O resgate do desvio de outra época concederá ao seu espírito uma luz nova e mais brilhante. Persevere no seu propósito. Valer-se da escola, receber-lhe a orientação sublime, assenhorear-se-lhe dos benefícios, representa a maior felicidade do aluno fiel. Assim, pois, Segismundo, a sua felicidade de voltar agora à esfera carnal é muito grande. Lave a sua mente na água viva da confiança em Deus, e caminhe.
Para a nova experiência você não pode levar senão o patrimônio divino já adquirido com o seu esforço para a vida eterna, constituída pelas idéias enobrecedoras e pelas luzes intimas que o seu espírito já conquistou. Não se detenha, desse modo, em lembranças dos aspectos exteriores de nossas atividades neste plano. Persistir em semelhantes estados d’alma poderá trazer conseqüências muito graves, porqüanto a sua inadaptação perturbaria o desenvolvimento fetal e determinaria a morte prematura de seu novo aparelho físico, no período infantil. Não se prenda a receios pueris. É verdade que você deve e precisa pagar, mas, em sã consciência, qual de nós não é devedor?
Com tristeza e abatimento nunca resgataremos nossos débitos. É indispensável criar esperanças novas. Segismundo fez um gesto significativo de afirmação e sorriu com dificuldade, mostrando-se menos triste. - Não perturbe o seu trabalho valioso do momento. Recorde as graças que temos recebido e não tema! Calando-se o mentor, notei que Segismundo, sob forte emoção, não conseguia recursos para manter a palestra.
Vi-o, porém, tomar a destra de Alexandre, com infinito esforço, beijando-a, respeitoso, em sinal de reconhecimento. Ponderei, então, no concurso enorme que todos recebemos ao regressar ao círculo carnal. Aqueles devotados benfeitores auxiliavam Segismundo, desde o primeiro dia, e, ainda ali, diante do possível recuo do interessado, eles mesmos se mostravam dispostos a consolarlhe todas as tristezas, levantando-lhe o ânimo para o êxito final. Os Espíritos Construtores começaram o trabalho de magnetização do corpo perispirítico, no que eram amplamente secundados pelo esforço do abnegado orientador, que se mantinha dedicado e firme em todos os campos de serviço. Sem que me possa fazer compreendido, de pronto, pelo leitor comum, devo dizer que «alguma coisa da forma de Segismundo estava sendo eliminada».
Quase que imperceptivelmente, à medida que se intensificavam as operações magnéticas, tornava-se ele mais pálido. Seu olhar parecia penetrar outros domínios. Tornava-se vago, menos lúcido. A certa altura, Alexandre falou-lhe com autoridade: - Segismundo, ajude-nos! Mantenha clareza de propósitos e pensamento firme!
Tive a impressão de que o reencarnante se esforçava por obedecer. - Agora - continuou o instrutor - sintonize conosco relativamente à forma pré-infantil. Mentalize sua volta ao refúgio maternal da carne terrestre! Lembre-se da organização fetal, faça-se pequenino! Imagine sua necessidade de tornar a ser criança para aprender a ser homem! Compreendi que o interessado precisava oferecer o maior coeficiente de cooperação individual para o êxito amplo.
Surpreendido, reconheci que, ao influxo magnético de Alexandre e dos Construtores Espirituais, a forma perispiritual de Segismundo tornava-se reduzida. A operação não foi curta, nem simples. Identificava o esforço geral para que se efetuasse a redução necessária. Segismundo parecia cada vez menos consciente. Não nos fixava com a mesma lucidez e suas respostas às nossas perguntas afetuosas não se revelavam completas.
Por fim, com grande assombro meu, verifiquei que a forma de nosso amigo assemelhavase à de uma criança. O fenômeno espantava-me e não pude conter as interrogações que se me represavam no íntimo. Observando que Alexandre e os Construtores se dispunham a alguns minutos de intervalo, antes da penetração na câmara conjugal, acerquei-me do prestimoso orientador, que me percebeu, num relance, a curiosidade. Acolheu-me, cortês como sempre, e falou: - Já sei. Você permanece torturado pelo espírito de pesquisa.
Sorri desapontado, mas cobrei ânimo e indaguei: - Como pode ser o que vejo? Ignorava que o renascimento compelisse o plano espiritual a serviços tão complexos! - O trabalho enobrecedor está em toda parte - acentuou Alexandre, intencionalmente. - O paraíso da ociosidade é talvez a maior ilusão dos princípios teológicos que obscureceram na Crosta o sentido divino da verdadeira Religião. Fez uma pausa, fixou um gesto expressivo e continuou: - Quanto à estranheza de que se sente possuído, não vemos razão para tanto. A desencarnação normal na Terra obriga o corpo denso de carne a não menores modificações. A enfermidade mortal, para o homem terreno, não deixa, em certo sentido, de ser prolongada operação redutiva, libertando por fim a alma, desembaraçando-a dos laços fisiológicos.
Há pessoas que, depois de algumas semanas de leito, se tornam francamente irreconhecíveis. E devemos considerar que o aparelho físico permanece muito distante da plasticidade do corpo perispiritual, profundamente sensível a influenciação magnética. A explicação não podia ser mais lógica. - O que vimos, porém, com Segismundo perguntei - é regra geral para todos os casos? - De modo algum respondeu o instrutor, atencioso -, os processos de reencarnação, tanto quanto os da morte física, diferem ao infinito, não existindo, segundo cremos, dois absolutamente iguais. As facilidades e obstáculos estão subordinados a fatores numerosos, muitas vezes relativos ao estado consciencial dos próprios interessados no regresso à Crosta ou na libertação dos veículos carnais. Há companheiros de grande elevação que, ao voltarem à esfera mais densa em apostolado de serviço e iluminação, quase dispensam o nosso concurso.
Outros irmãos nossos, contudo, procedentes de zonas inferiores, necessitam de cooperação muito mais complexa que a exercida no caso de Segismundo. - Não deveriam renascer, porém - interroguei, curioso -, tão somente aqueles que se revelassem preparados? - Não podemos esquecer, no entanto - refutou meu esclarecido interlocutor -, que a reencarnação é o curso repetido de lições necessárias. A esfera da Crosta é uma escola divina. E o amor, por intermédio das atividades «intercessórias», reconduz diariamente ao banco escolar da carne milhões de aprendizes. O orientador amigo calou-se por alguns instantes, e prosseguiu: - A reencarnação de Segismundo obedece às diretrizes mais comuns. Traduz expressão simbólica da maioria dos fatos dessa natureza, porqüanto o nosso irmão pertence à enorme classe média dos Espíritos que habitam a Crosta, nem altamente bons, nem conscientemente maus.
Acresce notar, todavia, que à volta de certas entidades das regiões mais baixas ocasiona laboriosos e pacientes esforços dos trabalhadores de nosso plano. Semelhantes seres obrigam-nos a processos de serviço que você gastará ainda muito tempo para compreender. As elucidações de Alexandre calavam-me fundo, satisfazendo-me a pesquisa intelectual; entretanto, novas indagações surgiam-me na mente sequiosa. Foi então que, premido por intensa e legítima curiosidade, perguntei, respeitoso: - O auxílio que vemos atingirá, porventura, a todos? Aqui nos encontramos num lar em bases retas, segundo sua própria afirmação.
Mas... Se nos achássemos numa casa típica de deboche carnal? E se fôssemos aqui defrontados por paixões criminosas e desvarios desequilibrantes? O instrutor meditou gravemente e redargüiu: - André, o diamante perdido no lodo, por algum tempo, não deixa de ser diamante. Assim, também, a paternidade e a maternidade, em si mesmas, são sempre divinas.
Em todo lugar desenvolve-se o auxilio da esfera superior, desde que se encontre em jogo o trabalho da Vontade de Deus. Entretanto, devemos considerar que, em tais circunstâncias, as atividades de auxilio são verdadeiramente sacrificiais. As vibrações contraditórias e subversivas das paixões desvairadas da alma em desequilíbrio comprometem os nossos melhores esforços, e, muitas vezes, nessas paisagens de irresponsabilidade e viciação, para ajudar, em obediência ao nosso ministério, devemos, antes de tudo, lutar contra entidades monstruosas, dominadoras dos círculos de vida dos homens e das mulheres que, imprevidentemente, escolhe o perigoso caminho da perturbação emocional, onde tais entidades ignorantes e desequilibradas transitam. Nesses casos, nem sempre a nossa colaboração pode ser perfeita, porqüanto são os próprios pais que, menosprezando a grandeza do mandato que lhes foi confiado, abrem as portas de suas potências sagradas aos impiedosos monstros da sombra que lhes perseguem os filhos nascituros. Certas almas heróicas escolhem semelhante entrada na existência carnal, a fim de se fortalecerem nas resistências supremas contra o mal, desde os primeiros dias de serviço uterino.
Entretanto, devemos considerar que é preciso ser suficientemente forte na fé e na coragem para não sucumbir. Nos renascimentos dessa espécie, o maior número de criaturas, porém, cumpre o programa salutar das provações retificadoras. Muitas fracassam; todavia, há sempre grande quantidade das que retiram os melhores lucros espirituais no setor da experiência para a vida eterna. Alexandre comentara o assunto com imponente beleza. Começava eu a compreender a procedência de certos fenômenos teratológicos e de determinadas moléstias congênitas que, no mundo, confrangem o coração.
As asserções do momento levavam-me a novo e fascinante estudo - a questão das provas retificadoras e necessárias. Em seguida Alexandre convidou os Construtores a examinarem os mapas cromossômicos, em companhia dele, junto de Herculano. Acompanhei o trabalho com interesse, embora absolutamente desprovido de competência para ajuizar com precisão, relativamente aos caprichosos desenhos sob nosso olhar. Não me é dado transmitir determinadas definições daquela pequena assembléia de autoridades espirituais, por falta de elementos para a comparação analógica, mas posso dizer que, finda a parte propriamente técnica das conversações, o meu orientador acrescentava, satisfeito: - Com exceção do tubo arterial, na parte a dilatar-se para o mecanismo do coração, tudo irá muito bem. Todos os genes poderão ser localizados com normalidade absoluta.
Depois de pequena pausa, acentuou: - Os membros e os órgãos serão excelentes. E se o nosso amigo souber valorizar as oportunidades do futuro, possivelmente conquistará o equilíbrio do aparelho circulatório, mantendo-se em serviço de iluminação por abençoado tempo de trabalho terrestre. Depende dele o êxito preciso. Voltando-se para os Construtores, falou-lhes, afável: - Meus amigos, o nosso Herculano permanecerá em definitivo junto de Segismundo, na nova experiência, até que ele atinja os sete anos, após o renascimento, ocasião em que o processo reencarnacionista estará consolidado. Depois desse período, a sua tarefa de amigo e orientador será amenizada, visto que seguirá o nosso irmão em sentido mais distante.
Sei que o devotado companheiro tomará todas as providências indispensáveis à harmoniosa organização fetal, seja auxiliando o reencarnante, seja defendendo o templo maternal contra o assédio de forças menos dignas; entretanto, peço-lhes muita atenção nos primórdios de formação do timo, glândula, como sabem, de importância essencial para a vida infantil, desde o útero materno. Precisamos do equilíbrio perfeito desse departamento glandular, até que se forme a medula óssea e se habilite à produção dos corpúsculos vermelhos para o sangue. Os diversos gráficos das disposições cromossômicas facilitarão os serviços dessa natureza. Alguns dos amigos presentes passaram a observar os mapas com maior atenção. Enquanto se estendiam, sob meus olhos, aqueles microscópicos sinais, facultando amplo exame da célula-ovo, acerquei-me do instrutor e, sentindo-o mais acessível às minhas interrogações, perguntei: - Temos, nestes mapas, a geografia dos genes da hereditariedade distribuídos nos cromossomos.
A lei da herança, porém, será ilimitada? A criatura receberá, ao renascer, a total imposição dos característicos dos pais? As enfermidades ou as disposições criminosas serão transmissíveis de maneira integral? - Não, André - observou o orientador, com grave inflexão -, estamos diante dum fenômeno físico natural. O organismo dos nascituros, em sua expressão mais densa, provém do corpo dos pais, que lhes entretêm a vida e lhes criam os caracteres com o próprio sangue; todavia, em semelhante imperativo das leis divinas para o serviço de reprodução das formas, não devemos ver a subversão dos princípios de liberdade espiritual, imanente na ordem da Criação Infinita. Por isso mesmo, a criatura terrena herda tendências e não, qualidades.
As primeiras cercam o homem que renasce, desde os primeiros dias de luta, não só em seu corpo transitório, mas também no ambiente geral a que foi chamado a viver, aprimorando-se; as segundas resultam do labor individual da alma encarnada, na defesa, educação e aperfeiçoamento de si mesma nos círculos benditos da experiência. Se o Espírito reencarnado estima as tendências inferiores, desenvolvê-las-á, ao reencontrá-las dentro do novo quadro de experiência humana, perdendo um tempo precioso e menosprezando o sublime ensejo de elevação. Todavia, se a alma que regressa ao mundo permanece disposta ao serviço de auto-elevação, sobrepairará a quaisquer exigências menos nobres do corpo ou do ambiente, triunfando sobre as condições adversas e obtendo títulos de vitória da mais alta significação para a vida eterna. Em sã consciência, portanto, ninguém se pode queixar de forças destruidoras ou de circunstâncias asfixiantes, em se referindo ao círculo onde renasceu. Haverá sempre, dentro de nós, a luz da liberdade intima indicando-nos a ascensão.
Praticando a subida espiritual, melhoraremos sempre. Esta é a lei. Em virtude das anteriores explicações do orientador, relativamente à importância da assistência de Herculano a Segismundo reencarnado, até aos sete anos, procurei obter do instrutor alguma elucidação a respeito. Pedi desculpas a Alexandre, todavia, não me pude furtar à delicada inquirição. Porque tamanho cuidado com o sangue do futuro recém-nascido?
Somente aos sete anos iniciais de existência humana estaria terminado o serviço de reencarnação? Como sempre acontecia, o nobre mentor ou, viu-me, complacente, sorriu qual pai carinhoso, e respondeu, solicito: - Você não ignora que o corpo humano tem as suas atividades propriamente vegetativas, mas talvez ainda não saiba que o corpo perispiritual, que dá forma aos elementos celulares, está fortemente radicado no sangue. Na organização fetal, o patrimônio sanguíneo é uma dádiva do organismo materno. Logo após o renascimento, inicia-se o período de assimilação diferente das energias orgânicas, em que o «eu» reencarnado ensaia a consolidação de suas novas experiências e, somente aos sete anos de vida comum, começa a presidir, por si mesmo, ao processo de formação do sangue, elemento básico de equilíbrio ao corpo perispirítico ou forma preexistente, no novo serviço iniciado. O sangue, portanto, é como se fora o fluido divino que nos fixa as atividades no campo material e em seu fluxo e refluxo incessante, na organização fisiológica, nos fornece o símbolo do eterno movimento das forças sublimes da Criação Infinita.
Quando a sua circulação deixa de ser livre, surge o desequilíbrio ou enfermidade e, se surgem obstáculos que impedem o seu movimento, de maneira absoluta, então sobrevém a extinção do tônus vital, no campo físico, ao qual se segue a morte com a retirada imediata da alma. Fortemente impressionado com a revelação do respeitável amigo, observei: - Oh! Como é grande a responsabilidade do homem, em frente ao corpo material! - Diz bem - acrescentou o orientador - ao se referir com semelhante admiração a esse soberano dever da criatura reencarnada. Sem atender às pesadas responsabilidades que lhe competem na preservação do vaso físico, homem algum poderá realizar o progresso espiritual. O Espírito renasce na carne para a produção de valores divinos em sua natureza; mas como atender ao semelhante imperativo, destruindo a máquina orgânica, base fundamental do serviço a fazer?
Inda agora, referia-se você à lei da herança. O corpo terreno é também um patrimônio herdado há milênios e que a Humanidade vem aperfeiçoando, através dos séculos. O plasma, sublime construção efetuada ao influxo divino, com água do mar, nas épocas primitivas, é o fundamento primordial das organizações fisiológicas. Em voltando à Crosta, temos de aproveitar-lhe a herança, mais ou menos evolvida no corpo humano. A essa altura das elucidações surpreendentes para mim, Alexandre, depois de ligeiro intervalo, continuou: - Por isso mesmo, não desconhece você que, enquanto nos movimentamos na esfera da carne, somos criaturas marinhas respirando em terra firme.
No processo vulgar de alimentação, não podemos prescindir do sal; nosso mecanismo fisiológico, a rigor, se constitui de sessenta per cento de água salgada, cuja composição é quase idêntica à do mar, constante dos sais de sódio, de cálcio, de potássio. Encontra-se, na esfera de atividade fisiológica do homem reencarnado, o sabor do sal no sangue, no suor, nas lágrimas, nas secreções. Os corpúsculos aclimatados nos mares mais quentes viveriam à vontade no liquido orgânico. Há verdadeiras surpresas de comparação analógica que poderíamos efetuar neste sentido. Não soube o que responder, em vista das definições ouvidas, e, ante o meu silêncio, foi o próprio Alexandre que continuou, depois de significativa parada: - Como vê, ao renascermos na Crosta do Mundo, recebemos com o corpo uma herança sagrada, cujos valores precisamos preservar, aperfeiçoando-o.
As forças físicas devem evoluir como as nossas almas. Se nos oferecem o vaso de serviço para novas experiências de elevação, devemos retribuir, com o nosso esforço, auxiliando-as com a luz de nosso respeito e equilíbrio espiritual, no campo de trabalho e educação orgânica. O homem do futuro compreenderá que as suas células não representam apenas segmentos de carne, mas companheiras de evolução, credoras de seu reconhecimento e auxilio efetivo. Sem esse entendimento de harmonia no império orgânico, é inútil procurar a paz. A conversação brilhante do orientador magnânimo e sábio sugeria sublimes questões.
Entretanto, ele mesmo recordou-me o trabalho em curso e deu por findos os esclarecimentos daquela hora. Estávamos a duas horas depois de meia-noite. Permaneciam agora, ao nosso lado, não somente Alexandre e os Construtores, mas também diversos amigos espirituais da família. Congregando todos os companheiros em torno de si, como figura máxima daquela reunião, Alexandre falou, gravemente: - Agora, meus irmãos, penetremos a câmara de nossos dedicados colaboradores para que se efetue o júbilo da união espiritual. E, depositando Segismundo nos braços da entidade que fora na Crosta Terrestre a carinhosa mãe de Raquel, acentuou: - Seja você, minha irmã, a portadora do sagrado depósito.
O coração filial que nos espera sentirá novas felicidades ao contacto de sua ternura. Raquel bem merece semelhante alegria. Voltando-se para a assembléia ali congregada, explicou: - Faremos agora o ato de ligação inicial, em sentido direto, de Segismundo com a matéria orgânica. Espero, porém, caros companheiros, a visita reiterada de todos vocês ao nosso irmão reencarnante, principalmente no período de gestação do seu corpo futuro. Não ignoram o valor da colaboração afetuosa nesse serviço.
Somente aqueles que semearam muitas afeições podem receber o concurso de muitos amigos e Segismundo deve receber esse prêmio pelos seus nobres sentimentos e elevados trabalhos a todos nós, nestes últimos anos em que se devotou a grandes obras de benemerência e fraternidade. Logo após, penetrávamos o aposento conjugal, onde o espetáculo íntimo era divinamente belo. No leito de madeira, em macios lençóis de linho, repousavam dois corpos que a bênção do sono imobilizava, mas, ali mesmo, Adelino e Raquel nos esperavam em espírito, conscientes da grandeza da hora em curso. Em despertando na esfera densa de luta e aprendizado, seus cérebros carnais não conseguiriam fixar a reminiscência perfeita daquela cena espiritual, em que se destacavam como principais protagonistas; contudo, o fato gravarse-ia para sempre em sua memória eterna. Os amigos invisíveis do lar, companheiros de nosso plano, haviam enchido a câmara de flores de luz.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.