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Capítulo 6 de 30

Ante os Tempos Novos — parte 6 de 29

Missionários da Luz · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Estávamos nos primeiros minutos da madrugada. Os transeuntes desencarnados eram numerosíssimos. A maioria, de natureza inferior, trajava roupa escura, mas, de espaço a espaço, éramos defrontados por grupos luminosos que passavam, céleres, em serviços cuja importância se adivinhava. -Há sempre quefazeres urgentes, no auxílio oportuno aos nossos irmãos da Crosta - comentou o instrutor, com afabilidade e doçura -e, na maior parte das vezes, é mais eficiente o nosso concurso à noite, quando os raios solares diretos não desintegram certos recursos de nossa cooperação... Não havia terminado, quando se acercou de nós, inesperadamente, uma velhinha simpática. -Justina, minha irmã, que o Senhor a abençoe! -saudou-a o orientador, gentil. A entidade amiga, que demonstrava muita inquietude no olhar, respondeu com afetuoso respeito e explicou-se: -Alexandre, tenho necessidade de seu auxílio urgente e vim ao seu encontro.

Desculpeme. E, antes que o instrutor pudesse sondar-lhe verbalmente a aflição, a interlocutora prosseguiu: -Meu filho Antônio encontra-se em estado gravíssimo... Agora era Alexandre que a interrompia: -Adivinho o que se passa. Quando o visitei, no mês findo, notei-lhe as perturbações circulatórias. -Sim, sim -continuou a mãe aflita. -Antônio vive no círculo de pensamentos muito desregrados, apesar do bom coração. E hoje trouxe para o leito de repouso tantas preocupações descabidas, tanta angústia desnecessária, que as suas criações mentais se transformaram em verdadeiras torturas.

Embalde, auxiliei-o com os meus humildes recursos; infelizmente, é tão grande o seu desequilíbrio interior, que toda a minha colaboração resultou inútil, permanecendo-lhe o cérebro sob a ameaça dum derramamento mortífero. E sentindo a gravidade do minuto, acrescentou, triste: -Ó Alexandre, bem sei que devemos subordinar nossos desejos aos desígnios de Deus. Entretanto, meu filho necessita de mais alguns dias na Terra. Creio que, em dois meses, conseguirei dele, indiretamente, a solução de todos os problemas que lhe afetam a paz da família. Sua autoridade pode auxiliar-nos!

Seu coração edificado em Cristo permanece em condições de fazer-nos semelhante bem!... Reconhecendo a urgência do assunto, exclamou o orientador: -A caminho! Não temos um segundo a perder! Daí a poucos instantes, penetramos na residência confortável. A velhinha, aflita, conduzíunos a uma alcova espaçosa, onde o filho, chefe da casa, repousava metido em alvos lençóis, dando-me a impressão característica dum moribundo.

Antônio parecia próximo dos setenta anos e exibia todos os sinais do arterioesclerótico adiantado. O quadro era agora profundamente educativo para mim, que entrara num círculo valioso de observações novas. Identificava perfeitamente o estado pré-agônico, em todas as suas expressões físicoespirituais. A alma confusa, inconsciente, movimentava-se com dificuldade, quase que totalmente exteriorizada, junto do corpo imóvel, a respirar dificilmente. Enquanto Alexandre se inclinava paternalmente sobre ele, observei que estávamos diante de uma trombose perigosíssima, por localizar-se numa das artérias que irrigam o córtex motor do cérebro.

A apoplexia não se fizera esperar. Mais alguns instantes e a vítima estaria desencarnada. Alexandre, que centralizara todas as atenções no enfermo, tocou-lhe o cérebro perispiritual e falou com autoridade serena: -Antônio, mantenha-se vigilante! Nosso auxílio pede a sua cooperação! O moribundo, desligado parcialmente do corpo, abriu os olhos fora do invólucro de carne, dando a entender vagas noções de consciência, e o instrutor prosseguiu: -Você foi acidentado pelos próprios pensamentos em conflito injustificável.

Suas preocupações excessivas criaram-lhe elementos de desorganização cerebral. Intensifique o desejo de retomar as células físicas, enquanto nos preparamos a fim de ajudá-lo. Este momento é decisivo para as suas necessidades. O interpelado não respondeu, mas observei que Antônio compreendera a advertência, no imo das forças da consciência, colocando-se em boa posição para colaborar em favor de si mesmo. Em seguida, o orientador iniciou complicadas operações magnéticas, no corpo inanimado, ministrando energias novas à espinha dorsal.

Decorridos alguns instantes, colocou a destra ao longo do fígado e, mais tarde, demorando-a no cérebro físico, bem à altura da zona motora, chamou-me e disse: -André, mantenha-se em prece, cooperando conosco. Convocarei alguns irmãos em serviço, nesta noite, para auxiliar-nos. E acentuou, após meditar por alguns segundos: -o grupo do Irmão Francisco não pode estar longe. Dito isto, Alexandre assumiu atitude de profunda concentração de pensamento. Não passou mais dum minuto e pequena expedição de oito entidades, quatro companheiros e quatro irmãs, penetrou o recinto doméstico, em religioso silêncio.

Saudamo-nos todos, ligeiramente, e o instrutor dirigiu-se, atencioso, à entidade que guardava atribuições de chefia. -Francisco, precisamos aqui das emanações de algum dos nossos amigos encarnados, cujo veículo material esteja agora em repouso equilibrado. E ao passo que o novo irmão observava, cuidadoso, o agonizante, Alexandre acrescentava: -Conforme observa, estamos diante dum caso gravíssimo. É preciso muito critério na escolha do doador de fluidos. O dirigente dos socorristas pensou um momento e obtemperou: -Temos um companheiro que nos atenderá razoavelmente. Trata-se de Afonso.

Enquanto vou buscá-lo, nosso grupo auxiliará sua ação curativa, emitindo forças de colaboração magnética, através da prece. Francisco ausentou-se imediatamente. Nesse instante, a velhinha aproximou-se do instrutor e falou, respeitosa: -Se há necessidade de fluidos de irmãos encarnados, quem sabe poderíamos empregar o concurso de minhas netas que repousam nos aposentos próximos? -Não -respondeu Alexandre, delicadamente -, não atenderiam as exigências em curso. Precisamos de alguém suficientemente equilibrado no campo mental. A mãe inquieta afastou-se, enxugando os olhos.

Atendendo a sinal afetuoso do orientador, aproximei-me, observando o doente de mais perto, mantendo-me embora na íntima atitude de oração.' -Antônio é viúvo faz vinte anos -explicou Alexandre -e está nas vésperas de vir ter conosco, no plano espiritual. Nosso amigo, porém, necessita de mais alguns dias na esfera da Crosta para deixar alguns problemas sérios devidamente solucionados. O Senhor nos concederá a satisfação de colaborar no reerguimento provisório de suas forças. E fosse porque me detinha a observar o grupo de entidades que oravam, silenciosas, ou em razão de pretender beneficiar-me com novos ensinamentos, o instrutor esclareceu: -Temos aqui o grupo do Irmão Francisco. Trata-se de uma das inumeráveis turmas de serviço que nos prestam cooperação.

Muitos companheiros consagram-se aos trabalhos dessa natureza, mormente à noite, quando as nossas atividades de auxílio podem ser mais intensas. Verdadeiro mundo de interrogações assomava-me ao cérebro, a fim de solucionar as questões do momento; contudo, compreendendo a gravidade dos minutos, em face da tarefa para a qual fôramos chamados, resolvi silenciar. Não decorreu muito tempo e Francisco voltava seguido de alguém. Tratava-se do companheiro encarnado a que Alexandre se referira. Não houve oportunidade para saudações.

O orientador, tomando-lhe a destra, conduziu-o imediatamente à cabeceira do moribundo, dizendo-lhe com autoridade afetuosa: -Afonso, não temos um segundo a perder. Coloque ambas as mãos na fronte do enfermo e conserve-se em oração. O interpelado não pestanejou. Dando-me a impressão dum veterano em semelhantes serviços de assistência, parecia sumamente despreocupado de todos nós, fixando-se tão somente na obrigação a cumprir. Foi então que vi Alexandre funcionar como verdadeiro magnetizador.

Recordando meus antigos trabalhos médicos nos casos extremos de transfusão de sangue, via-lhe perfeitamente o esforço de transferir vigorosos fluidos de Afonso para o organismo de Antônio, já moribundo. Na qualidade de discípulo, acentuando minhas faculdades de análise, junto de preciosa lição, observei que o semblante do enfermo transformava-se gradualmente. À medida que o instrutor movimentava as mãos sobre o cérebro de Antônio, este revelava sinais crescentes de melhoras. Verificava, sob forte assombro, que a sua forma perispiritual reunia-se devagarzinho à forma física, integrando-se, harmoniosamente, uma com a outra, como se estivessem, de novo, em processo de reajustamento, célula por célula. Depois de um quarto de hora, segundo meu cálculo de tempo, estava finda a laboriosa intervenção magnética e Alexandre, chamando a velhinha, acentuou: -Justina, o coágulo acaba de ser reabsorvido e conseguimos socorrer a artéria com os nossos recursos, mas Antônio terá, no máximo, cinco meses a mais, de permanência na Terra.

Se você pleiteou o auxílio de agora para ajudá-lo a resolver negócios urgentes, não perca as oportunidades, porque os reparos deste instante não perdurarão por mais de cento e cinqüenta dias. E não se esqueça de preveni-lo, pelos processos intuitivos ao nosso alcance, quanto ao cuidado que deverá manter consigo mesmo no terreno das preocupações excessivas, mormente à noite, quando ocorrem os fenômenos desastrosos mais sérios de circulação, em vista da invigilância de muitas pessoas que se valem das horas sagradas do repouso físico para a criação de fantasmas cruéis, no campo vivo do pensamento. Se o nosso amigo despreocupar-se da autocorrigenda, talvez desencarne antes dos cinco meses. Toda a cautela é indispensável. A genitora agradeceu, comovida, em lágrimas de contentamento.

Alexandre recomendou ao «socorrista» encarnado que retirasse as mãos de sobre a fronte do enfermo e vi, então, o inesperado. O doente grave, reintegrado nas funções orgânicas, com a harmonia possível, abriu os olhos físicos, como se estivesse profundamente embriagado, e começou a gritar estentoricamente: -Socorro! Socorro!... Acudam-me por amor de Deus! Eu morro, eu morro!...

Algumas jovens acorreram, espantadas e trêmulas, em roupas brancas, percebendo-se que as filhas carinhosas e sensíveis vinham atender ao pai ansioso. -Papai! Papai! -exclamavam, lacrimosas-que foi isto? -Estou morrendo! -clamava o enfermo, em voz pungente -chamem o médico... Depressa! -Mas que sente, papai? -perguntou uma delas, em pranto convulso. -Sinto-me morrer, tenho a cabeça tonta, incapaz de raciocinar... Grande era a azáfama dos encarnados que passavam por nós em bulha indescritível, atropelando-se uns aos outros, sem o mais leve traço de consciência a respeito da nossa presença ali. Alexandre solicitou ao Irmão Francisco fornecesse instruções a Afonso para que este regressasse ao lar e, depois da providência, dispôs-se a retirar e disse-me sorrindo, diante da estranheza que a atitude alarmante das moças me causava: -Geralmente, quando os nossos amigos encarnados gritam, chorosos, por socorro, nosso serviço de assistência já se encontra completo.

Partamos O doente, semilúcido, prosseguia inquieto, enquanto o telefone tilintava, cooperando para a imediata visita do médico. A velhinha despediu-se de nós, comovedoramente, permanecendo junto do enfermo, velando, devotada e humilde. Na via pública, pedi ao instrutor me pusesse em contacto mais íntimo com o Irmão Francisco, que nos acompanhava, solícito. Alexandre, afável como sempre, atendeu-me aos desejos. -Nossa pequena expedição -esclareceu o chefe do agrupamento, depois de trocar comigo palavras muito cordiais -é uma das inumeráveis turmas de socorro que colaboram nos círculos da Crosta. Somos milhares de servidores, nessas condições, ligados a diversas regiões espirituais mais elevadas. -Seu núcleo -perguntei -procede de nossa colônia? -Sim.

E temos nossas atividades entrelaçadas com as tarefas de vários instrutores de Nosso Lar. -E há tarefas especializadas para cada grupo dessa natureza? -Perfeitamente. O nosso, por exemplo - acentuou Francisco, gentil -, destina-se ao reconforto de doentes graves e agonizantes. De modo geral, as condições de luta para os enfermos são mais difíceis à noite. Os raios solares, nas horas diurnas, destroem grande parte das criações mentais inferiores dos doentes em estado melindroso, não acontecendo o mesmo à noite, quando o magnetismo lunar favorece as criações de qual quer espécie, boas ou más. Em vista disso, o nosso esforço há de ser vigilante.

Quase ninguém no círculo de nossos irmãos encarnados conhece a extensão de nossas tarefas de socorro. Permanecem eles num campo de vibrações muito diferentes das nossas e não podem apreender ou discriminar nosso auxílio. Isto, porém, não importa. Outros benfeitores, muito mais elevados que aqueles dos quais podemos guardar conhecimento direto, velam por nós e inspiram-nos, devotadamente, no campo das obrigações comuns, sem que vejamos a sua forma de expressão nos trabalhos referentes aos divinos desígnios. E talvez porque eu sorrisse, admirando-lhe o: ideal de renúncia serena e santificante, o interlocutor também sorriu e acrescentou: -Sim, meu amigo, reclamar compreensão e resultado de criaturas e situações, ainda incapacitadas para no-los dar, constitui exigência mais cruel que a solicitação de recompensas imediatas.

Era bem a verdade convincente. Mantinha-se o Irmão Francisco dentro da lógica mais elevada. Os que auxiliam alguém, interessados no reconhecimento ou na compensação, quase sempre permanecem de olhos cerrados para o concurso divino e invisível que de Mais Alto recebem. Exigem que outros lhes identifiquem a posição de benfeitores, mas nunca se recordam de que amigos sábios e desvelados lhes oferecem a melhor cooperação de planos superiores, sem deles reclamarem a mínima nota de gratidão pessoal. -São muitos os irmãos afins -continuou o meu interlocutor, interrompendo-me as reflexões íntimas -que se reúnem, depois da morte do corpo, em tarefas de amparo fraternal, quando já alcançaram os primeiros degraus da escada de purificação. Do que me é possível ajuizar, semelhantes trabalhos são dos mais eficientes e dignos em favor dos homens.

Raramente os companheiros encarnados, quando em excelentes condições de saúde física, podem compreender as aflições dos enfermos em posição desesperadora ou dos moribundos prestes a partir. Nós outros, porém, no quadro de realidades mais fortes, sabemos que, muitas vezes, é possível efetuar realizações deveras sublimes, de natureza espiritual, em poucos dias, nessas circunstâncias, depois de largos anos de atividades inúteis. No leito da morte, as criaturas são mais humanas e mais dóceis. Dir-se-ia que a moléstia intransigente enfraquece os instintos mais baixos, atenua as labaredas mais vivas das paixões inferiores, desanimaliza a alma, abrindo-lhe, em torno, interstícios abençoados por onde penetra infinita luz. E a dor vai derrubando as pesadas muralhas da indiferença, do egoísmo cristalizado e do amor-próprio excessivo.

Então, é possível o grande entendimento. Lições admiráveis felicitam a criatura que, palidamente embora, percebe a grandeza da herança divina. Acentua-se-lhe o heroísmo e gravam-se-lhe no coração, para sempre, mensagens vivas de amor e sabedoria. Na noite espessa da agonia começa a brilhar a aurora da vida eterna. E aos seus clarões indistintos, nossos princípios são facilmente aceitos, a sensibilidade demonstra características sublimes e a luz imortal lança fontes de infinito poder nos recessos do espírito.

O interlocutor fez longa pausa e rematou: -Desse modo, conseguimos efetuar um serviço de assistência eficaz, carreando novos valores no campo da fraternidade e do bem legítimo. Nunca observou a paciência inesperada de doentes graves, a calma de certos enfermos incuráveis e a suprema conformação da maioria dos moribundos? Muitas vezes, semelhantes edificações, incompreensíveis para os encarnados que os cercam, constituem o fruto do esforço de nossos grupos itinerantes de socorro. Francisco enunciara sublimes verdades. De fato, a serenidade dos enfermos em condição desesperadora e a resignação inexplicável dos agonizantes, absolutamente distanciados da fé religiosa, não poderiam guardar outra origem.

A bondade divina é infinita e, em todos os lugares, há sempre generosas manifestações da Providência Paternal de Deus, confortando os tristes, acalmando os desesperados, socorrendo os ignorantes e abençoando os infelizes. 8 - No plano dos sonhos Após alguns minutos de conversação encantadora, o Irmão Francisco acercou-se do orientador, indagando sobre os objetivos da reunião da noite. Após alguns minutos de conversação encantadora, o Irmão Francisco acercou-se do orientador, indagando sobre os objetivos da reunião da noite. - Se nos permite - tornou o interlocutor -, estimaria trazer alguns companheiros que colaboram freqüentemente conosco. Seria para nós grande satisfação vê-los aproveitando os minutos de sono físico. - Sem dúvida. Destina-se o serviço de hoje... Preparação de cooperadores nossos, ainda encarnados na Crosta.

Estaremos a sua disposição e receberemos seus auxiliares com alegria. Francisco agradeceu sensibilizado e perguntou: - Poderemos providenciar? - Imediatamente - explicou o instrutor, sem hesitação - conduza os amigos ao sítio de seu conhecimento. Afastou-se o grupo de socorristas, deixando-me verdadeiro mundo de pensamentos novos. Segundo informações anteriores, Alexandre dirigiria, naquela noite, pequena assembléia de estudiosos e, assim que nos vimos a sós, explicou-me, solícito: - Nosso núcleo de estudantes terrestres já possui certa expressão numérica; no entanto, faltam-lhe determinadas qualidades essenciais para funcionar com pleno proveito. Em vista disso, imprescindível dotar os companheiros de conhecimentos mais construtivos.

E, como julgasse útil fornecer-me informações pessoais destinadas a minha própria elucidação acrescentou, gentilmente: - E os irmãos que comparecem - Indaguei, curioso - conservam a recordação integral dos serviços partilhados, de estudos levados a efeito e observações ouvidas? Alexandre pensou um momento e considerou: - Mais tarde, a experiência mostrará você como é reduzida à capacidade sensorial. O homem eterno guarda a lembrança completa e conserva consigo todos os ensinamentos, intensificando-os e valorizando-os, de acordo com o estado evolutivo que lhe é próprio. O homem físico, entretanto, escravo de limitações necessárias, não pode ir tão longe. O cérebro de carne, pelas injunções da luta a que o Espírito foi chamado a viver, é aparelho de potencial reduzido, dependendo muito da iluminação de seu detentor, no que se refere à fixação de determinadas bênçãos divinas.

Desse modo, André, o arquivo de semelhantes reminiscências, no livro temporário das células cerebrais, é muito diferente nos discípulos entre si, variando de alma para alma. Entretanto, cabe-me acrescentar que, na memória de todos os irmãos de boa vontade, permanecerá, de qualquer modo, o benefício, ainda mesmo que eles, no período de vigília, não consigam positivar a origem. As aulas, no teor daquela a que você assistirá nesta noite, são mensageiras de inexprimíveis utilidades práticas. Em despertando, na Crosta, depois delas, os aprendizes experimentam alívio, repouso e esperança, a par da aquisição de novos valores educativos. É certo que não podem reviver os pormenores, mas guardarão a essência, sentindo-se revigorados, de inexplicável maneira para eles, não só a retomar a luta diária no corpo físico, mas também a beneficiar o próximo e combater, com êxito, as próprias imperfeições.

Seus pensamentos tornam-se mais claros, os sentimentos mais elevados e as preces mais respeitosas e produtivas, enriquecendo-selhes as observações e trabalhos de cada dia. - É lastimável - disse eu, valendo-me de pausa mais longa - que todos os membros do grupo não possam freqüentar, em massa, as instruções dessa natureza. Seria de extraordinária significação o ato de se congregarem mais de trezentas pessoas para os mesmos fins santificantes, recebendo, em conjunto, sublimes bênçãos de iluminação. - Sem dúvida - redargüiu o orientador, no otimismo de sempre. - No entanto, não podemos violentar ninguém. Toda elevação representa uma subida e toda subida pede esforço de ascensão. Se os nossos amigos não se aproveitam da força que lhes é peculiar, se menosprezam os seus próprios direitos divinos, por olvidarem e por vezes detestarem os sagrados deveres que o Pai lhes confiou, como operar por eles, se constitui lei primordial da vida a realização divina e eterna para cada um de nós? A observação era profunda e indiscutível.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.