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Capítulo 24 de 30

Ante os Tempos Novos — parte 24 de 29

Missionários da Luz · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Constituía-se a nossa reduzida expedição apenas de quatro entidades: Alexandre, a genitora desencarnada, um companheiro de trabalho e eu. Com grande surpresa, vim, a saber, que esse companheiro nosso, de nome Necésio, funcionaria na qualidade de intérprete, junto ao sacerdote infeliz. Necésio fora igualmente padre militante e mantinha-se em padrão vibratório acessível à percepção dos amigos de ordem inferior. Marinho não nos veria, segundo me informou Alexandre, mas enxergaria o ex-colega, entraria em contacto com ele e receberia nossas sugestões por intermédio do novo colaborador. Admirando a sabedoria que preside a semelhantes trabalhos de cooperação fraternal, segui atenciosamente o grupo, que se dirigiu a uma igreja de construção antiga.

Se estivesse ainda na carne, talvez o quadro sob meu olhar me despertasse terríveis sensações de pavor, mas, agora, a condição de desencarnado impunha-me a disciplina emotiva. Enchia-se o tempio de figuras patibulares. Inúmeras entidades dos planos inferiores congregavam-se ali, cultivando, além da morte, as mesmas idéias de menor esforço no campo da edificação religiosa. Alguns sacerdotes, envolvidos em vestes negras, permaneciam igualmente ao pé dos altares, enquanto um deles, que parecia exercer funções de chefia, comentava, de um púlpito, o poder da igreja exclusivista a que pertenciam, expondo com extrema sutileza novas teorias sobre o céu e a bem-aventurança. Assombrado, ouvi a palavra amiga de Alexandre, que me explicava, gentilmente: - Não estranhe.

Os desesperados e preguiçosos também se reúnem, depois da transição da morte física, segundo as tendências que lhes são peculiares. Como acontece às congregações de criaturas rebeldes, na Crosta Planetária, os mais inteligentes e sagazes assumem a direção. Muitos males são praticados por estes infelizes, inconscientemente... - Oh! - exclamei com espanto - como podem entronizar a ignorância a este ponto? Quem poderia crer no quadro que observamos? Se forem criaturas informadas quanto à verdade, por que motivo ainda se entregam à prática do mal? - Trata-se de ação maléfica inconsciente esclareceu o bondoso Alexandre. - Mas - respondi, aturdido - por que contra-senso as almas cientes da distância que as separa da carne não se rendem à lei do bem?

O instrutor sorriu e obtemperou: - Entretanto, na própria Humanidade encarnada você encontrará idênticos fenômenos. Decorridos mais de mil anos sobre os ensinamentos do Cristo, com a visão ampla dos sacrifícios do Mestre e de seus continuadores, cientes da lição da Manjedoura e da Cruz, investidos na posse dos tesouros evangélicos, abalançaram-se os homens às chamadas guerras santas, exterminando-se uns aos outros, em nome de Jesus, instituíram tribunais da Inquisição, cheios de suplícios, onde pessoas de todas as condições sociais foram atormentadas, aos milhares, em nome da caridade de Nosso Senhor. Como você verifica, a ignorância é antiga e a simples mudança de indumentária que a morte física impõe não modifica o íntimo das almas. Não temos «céus automáticos», temos realidades. Sem disfarçar meu assombro, voltei a indagar: - Mas, como vivem essas criaturas desventuradas?

Obedecem a organizações que lhes sejam próprias? Possuem sistemas especiais? - A maioria aqui - esclareceu o instrutor - é constituída de entidades desencarnadas, em situação de parasitismo. Pesam naturalmente na economia psíquica das pessoas às quais se reúnem e na atmosfera dos lares que as acolhem. Não creia, porém, na inexistência de organizações nas zonas inferiores. Elas existem e, em grande número, não obstante os ascendentes de orgulho e rebeldia que lhes inspiraram as fundações.

Em semelhantes agrupamentos, dominam os gênios da perversidade deliberada. Aqui, sob nossos olhos, temos tão-somente uma assembléia de almas sofredoras e desorientadas. Você não conhece ainda os antros do mal, em sua verdadeira significação. E, num gesto expressivo, acentuou: - Não vivemos em paz com esses focos de maldade organizada. Compete-nos lutar contra eles, até à vitória completa do bem.

Mais uma vez, senti a extensão e a magnitude dos serviços que aguardam os leais servidores de Jesus, depois da morte do corpo físico. Escutava com interesse a engenhosa pregação do dirigente desencarnado, quando o novo cooperador que nos acompanhava fez-nos ligeiro sinal a alguma distância, interessado em não se imiscuir na multidão, por causa da sua condição de visibilidade aos circunstantes, sinal esse a que Alexandre atendeu imediatamente, seguido pela genitora aflita, e por mim. O companheiro localizara Marinho e chamava. -nos ao trabalho. Em recanto escuro de uma das velhas dependências do templo, mantinha-se a pobre entidade em meditação. A mãe carinhosa aproximou-se e afagou-lhe a fronte.

Todavia, o filho infortunado, como acontece à maioria dos homens terrestres em face da influência das almas superiores, apenas sentiu uma vaga alegria no coração. Avistou, porém, o nosso novo amigo com o qual estabeleceu interessante diálogo. Logo após receber-lhe afetuosa saudação, perguntou Marinho, surpreso: n I - Foi também padre? - Sim - respondeu Necésio, com simpatia. - Pertence aos submissos ou aos lutadores? - interrogou Marinho, algo irônico, dando a entender que por submissos compreendia todos os colegas cultivadores da humildade evangélica, e por lutadores todos aqueles que, não encontrando a realidade espiritual, segundo as falsas promessas do culto exterior, se achavam entregues à faina ingrata de revolta e desesperação. - Pertenço ao grupo da boa vontade - respondeu Necésio, com inteligência. O instrutor, porém, fez-me perceber que a hora não comportava conversações e, auxiliando Necésio, localizou Marinho dentro do círculo magnético, onde, com surpresa, verifiquei a presença de vários desencarnados sofredores, trazidos por outros pequenos grupos de amigos espirituais e que, por sua vez, aguardavam a oportunidade de doutrinação. Sentindo, agora, o ambiente em que se achava, Marinho quis recuar, mas não pôde.

A fronteira vibratória estabelecida pelos nossos colaboradores; a reduzida distância da mesa de fraternidade, impedia-lhe a fuga. - Isto é um logro! - clamou, revoltado. - Sossegue! - respondeu-lhe Necésio, sem se alterar - você conquistará grande alivio. Espere! Poderá desabafar suas mágoas e ouvir a palavra compassiva de um orientador cristão, ainda encarnado. E em seguida, quem sabe? Talvez possa ver algum ente querido que se encontre em zonas mais altas, à espera de seu fortalecimento e iluminação... - Não quero!

Não quero! - bradava o infeliz. - Sabe assim a verdade, meu amigo? - perguntou-lhe o nosso companheiro, com inflexão de ternura. - Poderá adivinhar a procedência do socorro de hoje? Conseguirá lembrar-se de quem me enviou ao seu encontro? O sacerdote desencarnado fixou nele os olhos tomados de expressão terrível, mas Necésio, sem perder a calma, falou, depois de uma pausa mais longa: - Sua mãe! Marinho escondeu o rosto nas mãos e prorrompeu em pranto angustioso. A esse tempo, secundado por diversos auxiliares, Alexandre prestava ao organismo de Otávia o máximo de concurso fraterno, em cotas abundantes de recursos magnéticos.

Compreendi que, se para os fenômenos de intercâmbio com os desencarnados esclarecidos era necessário o auxílio de nosso plano ao campo mediúnico, no caso presente essa cooperação deveria ser muito maior, em vista da condição dolorosa e lastimável dos comunicantes. Com efeito, a médium Otávia recebia os mais vastos recursos magnéticos para a execução de sua tarefa. Dai a minutos, providenciava-se a incorporação de Marinho, que tomou a intermediária sob forte excitação. Otávia, provisoriamente desligada dos veículos físicos, mantinha-se agora algo confusa, em vista de encontrar-se envolvida em fluidos desequilibrados, não mostrando a mesma lucidez que lhe observáramos anteriormente; todavia, a assistência que recebia dos amigos de nosso plano era muito maior. Um instrutor de elevada condição hierárquica substituiu Alexandre junto da médium, passando o meu orientador a inspirar diretamente o colaborador encarnado, que dirigia a reunião.

Enquanto isto ocorria, vários ajudantes de serviço recolhiam as forças mentais emitidas pelos irmãos presentes, inclusive as que fluíam abundantemente do organismo mediúnico, o que, embora não fosse novidade, me surpreendeu pelas características diferentes com que o trabalho era levado a efeito. Não pude conter-me e interpelei um amigo em atividade nesse setor. - Esse material - explicou-me ele, bondosamente - representa vigorosos recursos plásticos para que os benfeitores de nossa esfera se façam visíveis aos irmãos perturbados e aflitos ou para que materializem provisoriamente certas imagens ou quadros, indispensáveis ao reavivamento da emotividade e da confiança nas almas infelizes. Com os raios e energias, de variada expressão, emitida pelo homem encarnado, podemos formar certos serviços de importância para todos aqueles que se encontrem presos ao padrão vibratório do homem comum, não obstante permanecerem distantes do corpo físico. Compreendi a elucidação, reconhecendo que, se é possível efetuar uma sessão de materialização para os companheiros encarnados, noutro sentido a mesma tarefa poderia ser levada a efeito para os irmãos desencarnados, de condição inferior. Admirando a excelência e a amplitude das atividades dos nossos orientadores, fixei a minha atenção na palestra que se estabeleceu entre Marinho, incorporado em Otávia, e o doutrinador humano, orientado intuitivamente por Alexandre.

A princípio, o sacerdote demonstrava imenso desespero e pronunciava palavras fortes que lhe denunciavam a rebeldia. O interlocutor, contudo, falava-lhe com serenidade cristã, revelando-lhe a superioridade do Evangelho vivido sobre o Evangelho interpretado. A certa altura da doutrinação, percebi que Alexandre chamava a si um dos diversos cooperadores que manipulavam os fluidos e forças recolhidas na sala e recomendou-lhe que ajudasse a genitora de Marinho a tornar-se visível para ele. Notei que a senhora desencarnada, com os préstimos de outros amigos, atendeu imediatamente, ao passo que Alexandre, abandonando por momentos o seu posto junto ao doutrinador, aplicou passes magnéticos na região visual do comunicante, compreendendo, então, que ali se encontravam em jogo interessantes princípios de cooperação. A genitora amorosa resignava-se ao envolvimento em vibrações mais grosseiras, por alguns minutos, enquanto o filho elevaria a percepção visual até o mais alto nível ao seu alcance, para que pudessem efetuar um reencontro temporário de benéficas conseqüências para ele.

Voltou Alexandre a fixar-se ao lado do dirigente e, com surpresa, ouvi que o amigo encarnado desafiava o exasperado comunicante, agindo francamente por intuição com a sua voz quente de sinceridade no ministério do amor fraternal: - Observe em volta de si, meu irmão! exclamava o doutrinador, comoventemente - reconhece quem se encontra ao seu lado? Foi então que o sacerdote lançou um grito terrível: - Minha mãe! - disse ele, alarmado de dor e vergonha - minha mãe!... - Porque não se render ao amor de Nosso Pai Celeste, meu filho? - disse a genitora, emocionada, abraçando-o - chega de vãs discussões e de contendas intelectuais! Marinho, a porta de nossas ilusões terrenas cerrou-se com os nossos olhos físicos!... Não transfira para cá nossos velhos enganos! Atenda-me!

Não se revolte mais! Humilhe-se diante da verdade! Não me faça sofrer por mais tempo!... Os encarnados presentes viam tão-somente o corpo de Otávia, dominado pelo sacerdote que lhes era invisível, quase a rebentar-se de soluços atrozes, mas nós víamos além. A nobre senhora desencarnada postou-se ao lado do filho e começou a beijá-lo, em lágrimas de reconhecimento e amor.

Pranto copioso identificava-os. Cobrando forças novas, a gcnitora continuou: - Perdoe-me, filho querido, se noutra época induzi o seu coração à responsabilidade eclesiástica, modificando o curso de suas tendências. Suas lutas de agora me atingem a alma angustiada. Seja forte, Marinho, e ajude-me! Desvencilhe-se dos maus companheiros!

Não vale rebelar-se. Nunca fugiremos à lei do Eterno! Onde você estiver, a voz divina se fará ouvir no imo da consciência... Nesse momento, observei que o sacerdote recordou instintivamente os amigos, tocado de profundo receio. Agora, que reencontrava a mãezinha carinhosa e devotada a Deus, que sentia a vibração confortadora do ambiente de fraternidade e fé, sentia medo de regressar ao convívio dos colegas endurecidos no mal.

Apertou a destra materna, confiante, e perguntou: - Oh! Minha mãe, posso acompanhá-la para sempre? A entidade amorável contemplou-o, com redobrado amor, através do véu do pranto, e respondeu: - Por enquanto, não, meu filho! Poderá você distanciar-se do desequilíbrio, neste momento, quebrar todos os elos que o prendem às zonas inferiores, abandonando-as de vez; entretanto, há que transformar sua condição vibratória, através da renovação íntima para o bem, mediante a qual é possível nossa reunião em breve, no Lar Divino. Não tenha receio, porém.

Providenciaremos todos os recursos necessários à sua vida nova, desde que você modifique sinceramente os propósitos espirituais. Dê-nos a boa vontade fiel e Jesus nos auxiliará, quanto ao resto!... Temos aqui um desvelado amigo que nos prestará sua valiosa colaboração. Refiro-me a Necésio, o bom irmão que o trouxe ao nosso encontro. Ele colocará à sua disposição os recursos precisos à conduta diferente.

A princípio, Marinho, você experimentará dificuldades e dissabores, será assediado pelos antigos companheiros, que se converterão em adversários, mas, sem a luta que facilita a aquisição dos valores reais, não aprenderemos onde se encontra o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. O filho infortunado prometeu-lhe a transformação imprescindível. Depois de encorajá-lo com ponderada ternura, a devotada senhora deixou-o entregue aos cuidados de Necésio, que, prazerosamente, recebeu a missão de encaminhá-lo na esfera dos deveres novos. Após despedir-se da mãezinha abnegada, que voltou à nossa companhia, o sacerdote conversou ainda, por alguns minutos, com o dirigente encarnado da reunião, surpreendendoo com a mudança brusca. Fora obtido, de fato, uma dádiva do Senhor.

A dedicação maternal produzira salutares efeitos naquele coração exasperado e desiludido. Marinho não poderia ser arrebatado das sombras para a luz somente em virtude da amorosa cooperação de nosso plano, mas recebeu nosso auxílio fraterno e utilizaria os elementos novos para colocar-se a caminho da Vida Mais Alta. Reconheci, admirando a justiça do Pai, que a genitora dedicada não poderia entregar-lhe a colheita de luz que lhe era própria; contudo, fornecia-lhe valiosa semente, para que ele as cultivasse como bom lavrador. Outros grupos, procedentes de outras regiões, traziam seus tutelados para a doutrinação, de acordo com o programa de serviço estabelecido previamente. Foram quatro as entidades que receberam os benefícios diretos dessa natureza, através de Otávia e outro médium.

Em todos os casos, o magnetismo foi empregado em larga escala pelos nossos instrutores, salientando-se o de um pobre negociante que ainda ignorava a própria morte. Demonstrando ele certa teimosia, em face da verdade, um dos orientadores espirituais, da condição hierárquica de Alexandre, impondo-lhe sua vontade vigorosa, fê-lo ver, a distância, os despojos em decomposição. O infeliz, examinando o quadro, gritava lamentosamente, rendendo-se, por fim, à evidência dos fatos. Em todos os serviços, o material plástico recolhido das emanações dos colaboradores encarnados satisfez eficientemente. Não era mobilizado apenas pelos amigos de mais nobre condição, que necessitavam fazer-se visíveis aos comunicantes; era empregado também na fabricação momentânea de quadros transitórios e de idéias - formas, que agiam beneficamente sobre o ânimo dos infelizes, em luta consigo mesmos.

Um dos necessitados, que tomara o médium sob forte excitação, quis agredir os componentes da mesa em tarefa de auxilio fraternal. Antes, porém, que pusesse em prática o sinistro desígnio, vi que os técnicos de nosso plano trabalhavam ativos na composição de uma forma sem vida própria, que trouxeram imediatamente, encostando-a no provável agressor. Era um esqueleto de terrível aspecto, que ele contemplou de alto a baixo, pondo-se a tremer, humilhado, esquecendo O triste propósito de ferir benfeitores. Depois de trabalhos complexos da nossa esfera, terminou a sessão, com grandes benefícios para todos. Dentro de mim, germinavam novos mundos de pensamento.

Os trabalhos havidos para cada caso particular constituíam lições diferentes para minha alma. E, aturdido pela dilatação da luz que se fazia cada vez mais intensa e viva no meu círculo mental, reconheci que os gênios celestes poderiam trazer o mais belo e eficiente socorro aos Espíritos da sombra, que, movidos de piedade e amor, conseguiriam instalar abundantes celeiros de bênçãos, junto dos sofredores, mas que, de conformidade com a Eterna Lei, os necessitados só poderiam receber os divinos benefícios se estivesse dispostos a aderir, por si mesmos, aos trabalhos do bem. 18 – Obsessão A conselho de orientadores experimentados, o agrupamento a que Alexandre emprestava preciosa colaboração reunia-se, em noites previamente determinadas, para atender aos casos de obsessão. Era necessário reduzir, tanto quanto possível, a heterogeneidade vibratória do ambiente, o que compelia a direção da casa a limitar o número de encarnados nos serviços de beneficio espiritual.

Semelhante capítulo de nossas atividades impressionava-me fortemente, razão por que, depois de obter a permissão de Alexandre para acompanhá-lo ao trabalho, interroguei-o com a curiosidade de sempre: - Todo obsidiado é um médium, na acepção legítima do termo? O instrutor sorriu e considerou: - Médiuns, meu amigo, inclusive nós outros, os desencarnados, todos o somos, em vista de ser mos intermediários do bem que procede de mais alto, quando nos elevamos, ou portadores do mal, colhido nas zonas inferiores, quando caímos em desequilíbrio.

O obsidiado, porém, acima de médium de energias perturbadas, é quase sempre um enfermo, representando uma legião de doentes invisíveis ao olhar humano. Por isto mesmo, constitui, em todas as circunstâncias, um caso especial, exigindo muita atenção, prudência e carinho. Lembrando as conversações ouvidas entre os companheiros encarnados, cooperadores assíduos do esforço de Alexandre e outros instrutores, acrescentei: - Pelo que me diz, compreendo as dificuldades que envolvem os problemas alusivos à cura; entretanto, recordo-me do otimismo com que nossos amigos comentam a posição dos obsidiados que serão trazidos a tratamento... O generoso mentor fixou um sorriso paternal e observou: - Eles, por enquanto, não podem ver senão o ato presente do drama multissecular de cada um. Não ponderam que obsidiado e obsessor são duas almas a chegarem de muito longe, extremamente ligadas nas perturbações que lhes são peculiares.

Nossos irmãos na carne procedem acertadamente entregando-se ao trabalho com alegria, porque de todo esforço nobre resulta um bem que fica indestrutível na esfera espiritual; no entanto, deveriam ser comedidos nas promessas de melhoras imediatas, no campo físico, e, de modo algum, deveriam formular julgamento prematuro em cada caso, porqüanto é muito difícil identificar a verdadeira vítima com a visão circunscrita do corpo terrestre. Depois de pequena pausa, continuou: - Também observei o exagerado otimismo dos companheiros, vendo que alguns deles, mais levianos, chegavam a fazer promessas formais de cura às famílias dos enfermos. Claro que serão enormes os benefícios a serem colhidos pelos doentes; todavia, se devemos estimar o bom ânimo, cumpre-nos desaprovar o entusiasmo desequilibrado e sem rumo. - Já conhece todos os casos? - indaguei. - Todos - respondeu Alexandre, sem hesitar. - Dos cinco que constituirão o motivo da próxima reunião, apenas uma jovem revela possibilidades de melhoras mais ou menos rápidas. Os demais comparecerão simplesmente para socorro, evitando agravo nas provas necessárias. Considerando muito interessante a menção especial que se fazia, perguntei: - Gozará a jovem de proteção diferente?

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.