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Capítulo 4 de 31

VIII

Médiuns e Mediunidades · Cairbar Schutel

A Doutrina do anjo da guarda - O guia espiritual - Os espíritos familiares

É doutrina corrente em todas as escolas espiritualistas, que cada um de nós está sob a proteção de um Anjo da Guarda, que tem a obrigação e ao mesmo tempo o prazer de velar pelos seus protegidos e guiá-los para a Verdade. O Espiritismo não condena esta doutrina, ao contrário, acoroçoa-a, propagá-a e desenvolve-a de modo que a Fé e o Conhecimento vivifique mais os corações. Todos nós, para atravessarmos esta floresta da vida, precisamos de um Guia, que não nos deve perder de vistas, e que, ao tomarmos o corpo carnal, prometeu-nos a sua contínua assistência. A doutrina do Anjo da Guarda é uma doutrina de Luz e de Amor. Esta proposição não admite contestações entre os espiritualistas. Parece-nos, portanto, claro e lógico que esse guia de ser evocado por nós, sempre que necessitarmos da sua opinião para um fim moral. Mas, como pode ele responder às nossas perguntas? Como poderá nos ensinar, instruir-nos, para que desempenhe a tarefa a que se propôs? Estamos no tema dos nossos estudos: médiuns e mediunidades, e o leitor inteligente já percebeu.

Está claro que o Anjo da Guarda é um Espírito e esse Espírito deve forçosamente ser mais adiantado que seu protegido para poder ensiná-lo, guiá-lo, e que o faz obedecendo às leis da mediunidade. O Apóstolo Paulo confirma esta verdade, e Jesus fala do Espírito que deveriam receber os que nele cressem. A mediunidade é, pois, a mediadora dos ensinos do Anjo Guardião, sendo por isso, indispensável o seu desenvolvimento. O Espiritismo ensina, ainda, que os Espíritos familiares também nos auxiliam e protegem. Geralmente, são estes que desenvolvem os nossos dons por que, pela sua condição de inferioridade em relação ao Espírito Guia, estão mais em contacto conosco. Feitas estas considerações, vamos tratar da diversidade de mediunidades que nos interessam mais de perto.

IX

Diversidades de dons - As diversas mediunidades

Dissemos que, assim como existe variedade de médiuns, existe variedade de mediunidades. Há médiuns de efeitos físicos, e os há de efeitos intelectuais. Vamos tratar destes últimos, ou seja, das variantes com que se apresenta esta forma de mediunidade. As formas mais comuns de mediunidade intelectual ou espiritual, são a falante e a escrevente. (*) tanto os médiuns de uma quantos de outra podem ser: mecânicos, semimecânicos, intuitivos, inspirados, auditivos, de pressentimento e proféticos. (*) Psicofonia e psicografia, respectivamente. Estas formas apresentam, a seu turno, muitas variantes; e como não pretendemos fazer um tratado completo, mas unicamente iniciar o estudante para que melhor se guie no O Livro dos Médiuns, aconselhamos aos que quiserem aprofundar o assunto, o estudo do Cap. XVI da referida obra que trata das APTIDÕES ESPECIAIS DOS MÉDIUNS - QUADRO SINÓTICO DAS DIFERENTES VARIEDADES DE MÉDIUNS

Médiuns Falantes (*)

Médiuns falantes: são aqueles que falam sob a influência dos Espíritos. O Espírito neles atua sob os órgãos da palavra. Eles podem ser mecânicos, semimecânicos, intuitivos e inspirados. No médium mecânico, o Espírito atua sobre os órgãos vocais e o movimento é involuntário. O médium intuitivo recebe o pensamento do Espírito sem que este atue nos órgãos da palavra. O Médium semimecânico participa das duas alternativas: recebe o pensamento é a atuação do comunicante. Na mediunidade falante verificam-se também casos de incorporação: O Espírito do médium se afasta um tanto do seu organismo para dar lugar a outro Espírito, que se utiliza do corpo. Neste caso, há sempre inconsciência do médium, porque ele cai em estado de transe. O sonambulismo, tal como exprime a palavra, não é verdadeiramente uma mediunidade; poderá ser considerado como uma variante. Há, portanto, o médium que cai em estado de sono, permitindo a incorporação de outro Espírito; e há o verdadeiro sonâmbulo, com características próprias.

O sonambulismo obra por influência do seu próprio Espírito, ao passo que com o outro assim não acontece. "No sonâmbulo é o seu próprio Espírito que nos momentos de emancipação vê, ouve ou percebe fora dos limites dos sentidos; o que ele exprime tira de si mesmo; as suas idéias são em geral mais exatas do que no estado normal, os seus conhecimentos mais extensos, porque a sua alma é livre; em uma palavra, ele vive por antecipação na vida espiritual." O médium, ao contrário é instrumento de uma inteligência estranha, é passivo, e o que diz não vem dele. Em resumo: o sonâmbulo exprime o seu próprio pensamento; o médium, o de outrem. Mas o Espírito que se comunica por um médium comum pode também comunicar-se por um sonâmbulo. Muitos sonâmbulos vêem perfeitamente Espíritos e os descrevem com tanta exatidão como os médiuns videntes: travam conversação com eles e transmitem-nos os seus pensamentos; o que dizem além do círculo dos conhecimentos pessoais lhes é muitas vezes sugerido por outros Espíritos. Cumpre, pois, fazer a diferença entre o sonâmbulo e o médium. (*) Ou psicofônicos

XI

Médiuns escreventes ou psicógrafos

"De todos os meios de comunicação, a escrita manual é a mais simples e cômoda, e, sobretudo, a mais completa. É para esta que devem convergir todos os esforços porque ela permite estabelecer relações com os Espíritos, tão seguidas e regulares como as há entre nós; tanto mais que é por meio dela que os Espíritos revelam melhor a sua natureza, grande perfeição ou inferioridade. Pela facilidade que têm de se exprimir, dão-nos a conhecer os seus pensamentos íntimos e colocam-nos no caso de os julgar e apreciar como realmente são." A faculdade de escrever, no médium, é além disso a mais suscetível de se desenvolver pelo exercício. O processo para escrever é dos mais simples, como dissemos. Consiste unicamente em pegar-se um lápis e colocar-se na. posição de quem vai escrever, sobre uma folha de papel. Convém arredar tudo o que possa evitar o movimento da mão; é mesmo preferível que esta não esteja apoiada no papel. A ponta do lápis deve ficar suficientemente encostada para traçar, mas de modo que não ofereça resistência.

"O primeiro indício de uma predisposição para escrever é uma espécie de tremor no braço e na mão, que pouco a pouco é arrastada por um impulso irresistível." Certos médiuns escrevem correntemente e com facilidade logo ao começar, às vezes mesmo desde a primeira sessão, o que, porém, é muito raro; outros por muito tempo fazem traços e verdadeiros exercícios caligráficos. Os Espíritos dizem que é para lhes desenvolver a mão. Se esses exercícios se prolongam por muito tempo e não passam de traços, deve-se abandonar esse gênero de mediunidade. "Coisa importante a observar é a calma e o recolhimento, juntos ao desejo ardente e a firme vontade de ser bem sucedido. "Geralmente é um só Espírito que desenvolve o médium, até que este esteja preparado para se comunicar com outro Espírito. "O seu papel é o de um professor que deixa de ser útil quando o discípulo é bastante hábil. "Estas experiências devem ser feitas, por um determinado tempo, em dias e horas certas e pelo espaço de tempo de meia hora, mais ou menos, para cada sessão."

Sobre as fórmulas para invocação nenhuma é preferida, mas as espíritas, que são crentes em Deus, devem fazer suas experiências em nome de Deus. Por exemplo, a seguinte prece preenche, quando dita com o coração, o cumprimento do dever para com o Pai Celeste: "Rogo a Deus Todo Poderoso permitir que meu Anjo da Guarda se comunique comigo, ou um dos meus Espíritas familiares, sob a direção do meu Anjo da Guarda, e me faça escrever."

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.