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Capítulo 23 de 31

XXXII

Médiuns e Mediunidades · Cairbar Schutel

Orientação dos centros e grupos espíritas - Influência do meio

Prevendo a maior circulação deste livro nos meios espíritas, cumpria-nos não esquecer desta parte, aliás de importância capital para a estabilidade e progresso das associações que se vão fundando: Orientação das Sociedades Espíritas. Para a boa direção dos núcleos espalhados hoje por todas as cidades e vilas do Brasil, é indispensável que os seus fundadores se submetam aos Princípios Kardecistas, que constituem os fundamentos da Doutrina. Geralmente, ao fundar-se uma sociedade, o primeiro trabalho é a publicação dos Estatutos; mas, tão limitada é a sanção dos seus artigos e parágrafos, que o Centro termina logo por desaparecer. Um fato por lembrar é o que se refere às sessões que dão início aos trabalhos intitulados, impropriamente com o nome de propaganda. Refiro-me ás sessões públicas, de comunicações com portas abertas, sem circunspeção e critério exigidos para a prática de tal natureza.

Freqüentemente, é uma espécie de passatempo, à guisa de religiosidade, em torno da qual se reúnem indivíduos atraídos pela curiosidade e sem outro fim além de passarem algumas horas deleitando-se com manifestações extravagantes que não falam ao raciocínio, e, por vezes, deprimem o sentimento. Somos dos que pensam exigirem, as comunicações com os Espíritos, muito recato, muito respeito, muita civilidade e muito recolhimento. A influência do meio exerce ação considerável para o bom êxito das sessões. Às vezes, um só elemento discordante introduzido num meio já constituído e desenvolvido, pode interromper, por muito tempo, o curso das sessões, até então realizadas com sucesso. Jesus disse: "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai estou eu no meio deles." Este aviso demonstra muito bem quanto é difícil manter a unidade de espírito em uma reunião que se salienta pelo número, e, não pela qualidade dos assistentes. Se fosse fácil a manifestação do Espírito em grandes reuniões, o Mestre não limitaria os seus interlocutores a "dois ou três."

O que se deve, pois, é resumir quanto possível o número de assistentes, nos trabalhos práticos, e submeter-se aos ditames superiores, à palavra do Cristo, o Mestre, o Sábio, cuja sentença, para nós, deve ser uma ordem a obedecer. Nos Evangelhos temos uma lição maravilhosa que não devemos esquecer. É a lição do Tabor. Para que se produzisse na sessão do Monte Tabor o sucesso desejado, Jesus, que se fazia acompanhar sempre de doze discípulos, só levou consigo ao monte três destes: Pedro, João e Tiago. Foi então que apareceram os Espíritos de Moisés e Elias. É verdade que o Mestre operou maravilhas publicamente; mas, não há dúvida de que assim procedia quando era conhecedor do meio em que se achava. Além disso, esses fatos, que compõem a História do Cristianismo, eram espontâneos, e, pode-se dizer, insólitos, inesperados, talvez mesmo para que a influência desarmônica do meio não estorvasse a sua ação, tida como milagrosa.

Há, entretanto, muitas narrações nos Evangelhos, além da que citamos, que mostram como as deficiências do meio, ou, ainda, a hostilidade do meio, levou Jesus, para exercer o seu ministério, a se afastar do meio, para agir fora dele. Lê-se em Marcos, VIII, 22 e 23: "Então chegaram a Betsaida. E lhe trouxeram um cego e pediram-Ihe que o tocasse. Jesus tomando o cego pela mão conduziu-o fora da aldeia." No mesmo evangelista, VII, 32 e 33, lê-se: "Atravessando o território de Decápole, trouxeram a Jesus um surdo e gago e lhe pediram que pusesse a mão sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, levou-o à parte." Em Mateus, IX, 18 a 25, o Mestre, para efetuar a cura da filha de Jairo, afastou todos os elementos que prejudicavam a sua ação: "Retirai-vos; e retirada a turba, Jesus tomou a menina pela mão e ela se levantou." O Livro dos Médiuns, e os demais autores de livros espíritas recomendam muito cuidado com o meio de ação para o bom sucesso das experiências e das sessões regularizadas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.