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Capítulo 11 de 31

XIX

Médiuns e Mediunidades · Cairbar Schutel

Manifestações Físicas

Os fenômenos físicos distinguem-se em dois grupos: manifestações espontâneas e manifestações provocadas. As manifestações físicas resultam da mediunidade de efeitos físicos, que o Apóstolo Paulo chama o dom das maravilhas. Manifestações espontâneas são as que se verificam independentemente da nossa vontade e mesmo sem pensarmos em tais fatos. Manifestações provocadas são o resultado dos pedidos, das invocações que fazemos para obtenção dos fenômenos. Estas manifestações, como as inteligentes, têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa extra-humana e nos convencer da existência de um poder superior ao homem. Como disse Paulo, na já citada Epístola, cap. XII, 7: A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito. É para um fim de utilidade que o Senhor estabeleceu a lei das comunicações espíritas, e não para satisfazer caprichos, nem curiosidades vãs. Os fatos espíritas estão intimamente ligados á Doutrina da Imortalidade, e, para que esta verdade seja compreendida por todos, o Supremo Criador permite as interessantes manifestações que se verificam em toda a parte. Fazer, pois, mau uso dos dons que nos foram concedidos, é profanar as coisas santas. As manifestações físicas se dividem em fenômenos de: pancadas, ruídos, levitação de corpos, transportes, rompimento e desagregação da matéria, materializações, movimentos de corpos inertes.

XX

Médiuns de efeitos físicos

Médiuns de efeitos físicos: são os indivíduos especialmente aptos para produzir fenômenos materiais, tais os que enumeramos. Estes médiuns são facultativos ou involuntários. Facultativos são os que têm consciência da sua aptidão. Involuntários são aqueles cuja influência se exerce sem que o saibam. Esta faculdade, bom é que se diga, não constitui um estado patológico. Se o que a possui sofre qualquer enfermidade, esta depende de uma causa estranha. Alguns médicos têm atribuído uma causa mórbida a esta mediunidade. No folheto A Histeria e os Fenômenos Psíquicos tratamos já dessa matéria. Os médiuns de efeitos físicos se dividem em: tiptológicos, motores, de translações e levitações, de efeitos musicais, de aparições, de transportes, pneumatógrafos, excitadores e curadores. Médiuns tiptológicos: são aqueles por influência dos quais se produzem ruídos, pancadas. Os médiuns de mesinha são de tiptologia. Já tratamos destes noutra parte do nosso livro. Médiuns motores: são os que produzem movimentos de corpos inertes.

Médiuns de translações e suspensões ou levitações: são os que produzem a translação aérea e suspensão de corpos inertes no espaço, sem ponto de apoio. Alguns há que podem elevar-se a si mesmos. Médiuns de efeitos musicais: estes provocam o toque de instrumentos sem contacto. Médiuns de aparições ou materializações: são aqueles que podem provocar aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Médiuns de transportes: são os que podem servir de auxiliares aos Espíritos para transporte de objetos materiais. É uma variedade dos médiuns motores e de translação. Médiuns pneumatógrafos: assim são designados os médiuns que obtêm a escrita direta. Os Espíritos colocam a escrita direta na ordem dos fenômenos físicos, porque neste caso eles não se servem dos materiais cerebrais do médium, mas sim de outros materiais. Médiuns excitadores: são as pessoas que têm o poder de desenvolver nos outros, por sua influência, a faculdade de escrever ou de falar.

Médiuns curadores: estes têm o poder de curar ou aliviar os doentes, por imposição das mãos ou por meio de orações. Esta faculdade às vezes não é senão a exaltação do poder magnético, fortificada com o concurso de bons Espíritos. Todos esses dons são suscetíveis de desenvolvimento, como a mediunidade escrevente e outras já enumeradas, o estudo, o exercício, a calma, a boa vontade, são os únicos meios para que o experimentador consiga o conhecimento da verdade, e obtenha proveito em seus trabalhos. Não há palavras cabalísticas, nem orações capazes de levar ao fim desejado, desde que faltem as principais condições, que são trabalho e perseverança. Já dissemos que há pessoas que desenvolvem de um dia para outro a sua mediunidade; outras custam a desenvolvêla. Assim também o grau da força psíquica, não sendo igual para todos, uns são capazes de com sua simples presença, provocar fenômenos verdadeiramente maravilhosos; outros só obtêm ligeiras manifestações.

Grande variedade de médiuns existe pelo mundo todo, além dos que lembramos e classificamos, que são os mais comuns. Cumpre ao leitor, se quiser fazer um estudo mais profundo desta ramificação do Espiritismo, ler com atenção os seguintes livros: No Invisível e Problemas do Ser, do Destino e da Dor, de Léon Denis; e principalmente, O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. Já dissemos que o nosso escopo não é fazer um tratado completo da matéria em pauta, mas auxiliar o estudante nos primeiros passos no vasto campo das manifestações espíritas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.