Voltar ao livro Médiuns e Mediunidades

Capítulo 25 de 31

XXXIV

Médiuns e Mediunidades · Cairbar Schutel

Os deveres de propaganda

No capítulo antecedente fizemos ligeira referência sobre a propaganda, querendo dizer que esse dever dos Centros e dos espíritas tem sido mal entendido com o estabelecimento de sessões públicas de manifestação dos Espíritos. Não tivemos o escopo, está visto, de excluir das associações es deveres de propaganda. Sendo o fim do Espiritismo a reconstituição do Cristianismo, in primo loco; e, em segundo, trazer o complemento dessa Doutrina, complemento esse que Jesus Cristo disse que daria pelo Espírito de Verdade: "Tenho ainda muito que vos dizer, mas não o podeis suportar agora; quando vier, porém, aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará a toda verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que estão para vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vôo há de anunciar." (João, XVI, 12 a 14); sendo, como dissemos, o fim do Espiritismo a unificação do Cristianismo, claro está que tidos têm obrigação de trabalhar para a realização de tal desiderato.

Entretanto, repetimos, a divulgação do Espiritismo não está afetada a esses trabalhes práticos, mas à propaganda da sua doutrina racional, consoladora, e que se alicerça em fatos verificados sob a mais rigorosa fiscalização. Cada Centro ou grupo constituído, cada espírita é, portanto, obrigado, em sua esfera de ação e na medida de suas posses, de seu saber e de seus dons, a fazer chegar ao conhecimento dos que lhe são próximos as novas da redenção, as verdades que marcam uma nova fase na senda da nossa evolução espiritual. E para tal fim um dos melhores meios para as sociedades espíritas que não têm imprensa e nem podem manter um periódico, é escolher boas revistas, bons jornais, assinandoos em bloco, para distribuição gratuita, assim como distribuir folhetos, com sucinta exposição da Doutrina Espírita e seus fenômenos.

Os que têm o dom da palavra, falem, façam palestras públicas, conferências; os que têm o de escrever, escrevam; e os que não podem coordenar idéias, copiem escritos doutrinários insertos nas obras espíritas e leiam por ocasião das reuniões, que devem ser em dias determinados e de portas abertas, com entrada franca. Não podemos compreender a atitude de Centros Espíritas que resumem seus deveres no exercício de uma ou duas sessões por semana, entre meia dúzia de pessoas. "A luz não deve ficar sob o alqueire", é preciso que seja posta no velador. As sessões práticas são de edificação para os crentes; as teóricas, para conversão de incrédulos. Estes, despertados pela palavra espírita, por sua vez tratarão das sessões experimentais que o seu espírito de crítica e raciocínio exigem, a fim de tomarem conhecimento positivo dos fenômenos. Assim pensamos e assim temos agido, desde que nos iniciamos no Espiritismo, não nos arrependendo da orientação assumida com docilidade e ditada pelos nossos queridos Guias.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.