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Capítulo 20 de 31

XXIX

Médiuns e Mediunidades · Cairbar Schutel

Manifestações dos espíritos através dos séculos - Os ensinos dos espíritos

A crença na aparição e manifestação dos "mortos" remonta a eras que se perdem na noite dos tempos. Desde que o mundo existe, os Espíritos nunca deixaram de patentear aos homens a sua imortalidade. Se remontarmos à época dos oráculos, tão venerados pela filosofia pagã, veremos o papel saliente dos profetas (médiuns) e das manifestações dos "mortos", como que exaltando o sentimento e a razão humana, para lhe descortinar as manifestações da Vida eterna. Era tão grande a influência da profecia sobre os povos, que estes mandavam construir os templos sobre fendas do solo, donde diziam sair exalações que davam o poder da inspiração profética. Além do Templo de Delfos, o mais célebre de todos, pelas portentosas manifestações que procediam dos seus médiuns, destaca-se o de Júpiter Amon, na Líbia; o de Marte, na Trácia; o de Vulcano, em Heliópolis; o de Esculápio, o de Ísis e muitos outros de importância religiosa nos antigos tempos.

Os médiuns tinham, na Antiguidade, os nomes de profeta, sibila, pítia, e se purificavam pelos sacrifícios, obedientes a um regime especial. Vivendo nesses templos, onde se conservavam isolados das gentes, bebiam água inspirada e antes de subirem à tripeça mascavam folhas de louro colhidas perto da nascente de Castália. Inúmeros eram os videntes espalhados por toda a parte, e era crença, naqueles tempos, que bastava ao indivíduo dormir num templo para adquirir esse dom. O povo da China, cuja cronologia remonta há mais de 30.000 anos, entregava-se à evocação dos Espíritos dos avoengos. Na Pérsia os fenômenos espíritas fizeram prosélitos. Em Acaia chegava-se a ver os Espíritos com o auxílio de um espelho que havia num poço no Templo de Ceres. Os historiadores dizem que no Egito Antigo os sacerdotes possuíam poderes sobrenaturais: "faziam prodígios, invocavam os mortos". A História está repleta de fatos, que outra coisa não são que aparições e comunicações espíritas vivificando o sentimento religioso.

O Velho Testamento é um repositório de fenômenos interessantíssimos, que lembram os costumes israelitas, sua história, sua vida protegida sempre pelos Espíritos dos "mortos". Moisés, o grande médium, libertador dos judeus escravizados à tirania do Egito, vidente, audiente e escrevente, vê Jeová na sarça do Horeb e no Sinai, onde escreve as Tábuas da Lei, escuta vozes no propiciatório da Arca da Aliança e produz maravilhas que a nenhum homem ainda foi dado fazer. Todas as grandes personalidades da Antiga Dispensação se distinguiram pelas suas faculdades mediúnicas. José, sub-rei do Egito, comunicava-se com Espíritos, que lhe apareciam "num copo dágua", (copo mágico). Esdras, com o auxílio do Espírito reconstitui a Bíblia que se havia perdido; Samuel, Jeremias, Malaquias, Jó, Isaías, Ezequiel, Daniel, Oséias, Amós, Jonas, Miquéias, Sofonias, Naum, todos mantinham relações com os "mortos". O Rei Saul invoca o Espírito de Samuel pela pitonisa do Endor.

Joel, tomado por um Espírito, anuncia a multiplicação dos dons mediúnicos e as manifestações dos Espíritos, com as seguintes palavras: "E há de ser que depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos velhos sonharão; vossos mancebos terão visões. E também sobre os meus servos e minhas servas naqueles dias derramarei o meu Espírito". No Novo Testamento são importantes as manifestações e aparições, sob o império de Jesus, que vindo dar cumprimento à Lei, e não revogá-la, apareceu e se comunicou com os seus discípulos, depois da crucificação e da "morte", mas não só com os doze, como também se manifestou a mais de 500 pessoas, segundo afirmam os Evangelhos. Entre os demais povos e religiões, a manifestação dos Espíritos salienta-se como luz a iluminar aos homens a Terra Prometida. Buda, Maomé, Zoroastro, todos os reformadores foram dotados de faculdades mediúnicas e se diziam assistidos por Espíritos. Sócrates tinha o seu daimon, Espírito tutelar, ou gênio. Pitágoras comunicava-se com as Entidades do Espaço; Lutero conversava com o demônio (anjo); todos os grandes homens mantinham relações com o Além-Túmulo.

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