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Capítulo 3 de 31

VII

Médiuns e Mediunidades · Cairbar Schutel

Considerações doutrinárias - A condenação do Clero - Métodos dos trabalhos - A prece - A invocação

Pelo nosso relato verifica-se logo que a causa operante era inteligente, pois chegou a dar o nome que usava em vida. O médium não reconheceu a manifestante; vé-se, por isso, que serviu só de agente da comunicação. Não pudemos atribuir a mensagem à sugestão de Q.A., porque naquele momento, ele afirma não haver pensado em sua sobrinha. Para os demais assistentes o Espírito era desconhecido. O nosso círculo somente era composto de católicos, mas todos éramos católicos como todo mundo é, ignorantes do Catolicismo. Já se ouvia falar nas comunicações diabólicas e os padres esbravejavam do púlpito afirmando que o Satanás era o autor das manifestações espíritas. O meu amigo Padre J.B. Van-Esse, vigário da paróquia, já se havia apoderado da imprensa local, onde escrevia seus aranzéis, com que pretendia aniquilar a Doutrina Espírita e suas manifestações. Mas nós, embora católicos, não víamos nos artigos e sermões dos padres senão explosões de ódio e de despeito, presos aos pequeninos interesses do mundo: Suas palavras recendiam o fumo da ignorância clerical.

De fato, não nos enganavam, porque já sabíamos que os padres desconhecem as Escrituras e quando citam trechos das mesmas os interpretam à letra para os acomodarem aos seus interesses de seita. Demais, a idéia do Diabo e do Inferno Eterno não se casava com o estado espiritual em que nos achávamos, propensos já a buscar o Bem e a Verdade. Todas essas questões eram consideradas e discutidas depois das experiências que fazíamos; referimo-nos às mesmas para que auxiliem o raciocínio do estudante. despertando nos pesquisadores o discernimento, que é um dos melhores dons que Deus concede aos seus filhos.

Já dissemos ao leitor que para a obtenção de fenômenos não há necessidade de muitas pessoas, mas sim de uma que seja médium. As experiências com a mesinha tomaram muito tempo, pela dificuldade do processo de comunicação e por esse motivo requerem muita paciência. Às vezes, no primeiro dia se obtêm manifestações; outras vezes são precisas muitas sessões. Por isso convém não tentar experiências, se não houver desejo de prosseguir. Seria bom metodizar os trabalhos, iniciando-os com uma série de sessões, por exemplo, quinze a vinte, sendo duas a três vezes por semana, a uma hora certa e no mesmo lugar. Tem acontecido, muitas vezes, que nessas reuniões, em vez de se darem os fenômenos esperados, dão-se outros ainda mais interessantes. E o caso de se acharem presentes médiuns de outras faculdades: escreventes, falantes, de que depois trataremos.

Mas, obtidos os resultados pela tiptologia (*) e conhecedor já, o estudante, da sobrevivência humana e, portanto, da existência do Ser supremo que concede às suas criaturas tidos os meios de progresso, é do dever de cada um, no começo da sessão solicitar a proteção divina e, no final da mesma, agradecer o auxílio dispensado. (*) Assim se designa as manifestações por batidas. É uma ligeira prece que demonstra ao mesmo tempo um ato de humildade e um sinal de reconhecimento; num caso ou noutro, as palavras não têm valor, mas, sim, o sentimento que traduz a expressão do coração. Outra condição que não deve ficar esquecida do experimentador que queira fazer invocações, é a que se refere ao abster-se de chamar Espíritos que lhe são desconhecidos, ou que, não lhe sendo desconhecidos, não lhe foram simpáticos na Terra; ou aqueles que foram maus. No caso de invocação, é sempre preferível chamar parentes ou amigos, que se manifestarão facilmente, salvo no caso de não poderem, por motivos que o estudante depois saberá.

Seria ainda preferível, no caso de experiência, não invocar este ou aquele Espírito, mas procurar obter e identidade do que se comunicar espontaneamente. Estes estudos são amplamente tratados em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, onde se acham bem esclarecidos os métodos a seguir nas experiências.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.