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Capítulo 9 de 14

Sudeste 60 91 — parte 4 de 6

Conversando sobre Mediunidade · Espírito Cairbar Schutel

18 (18) - Para se dormir efelivamente a alma deve desprender-se. E para sonhar também. Portanto, é preciso adormecer para poder sonhar, por menos tempo em que isso possa acontecer. Dormir é cair no sono e este, cientificamenle, é o estado dos homens onde há a supressão da atividade perceptiva e motora voluntária e variável., Ao estar nesse estado a matéria, o Espirito está em desprendimento, (nota do autor espiritual). Contudo, só recebem essa ajuda os que merecem ou necessitam, por designação do Alto. - há sonhos que ficam na memória para o resto da vida e outros que passam fugazes por ela, tudo em função do grau evolutivo do encarnado e da tarefa que abraçou. Os primeiros servem de parâmetro e lições na atividade diuturna, enquanto os segundos, sem expressão relativamente ao seu aspecto evolutivo, não têm necessidade de ser lembrados. - há sonhos coloridos ou não. Os primeiros representam boa sintonia com a vida, melhores contatos na Espiritualidade e maior positividade.

Os segundos são mais perturbados e negativos, não devendo, entretanto, esse conceito ser tomado como regra geral e no sentido absoluto. - o encarnado que, em desprendimento, movimenta seu corpo físico, levanta-se da cama, anda e fala alto, está vivenciando uma atividade sonambúlica. - há sonos frequentemente interrompidos. Pode- se apontar duas causas: a) preocupação acentuada com aspectos da vida material, provocando reiteradas voltas da alma desprendida ao corpo, por causas meramente psicológicas; b) perturbação do corpo físico, por efeito de doenças ou excessos de qualquer ordem (má digestão, drogas, remédios fortes, entre outros) que podem influir no desprendimento. O indivíduo fica ligado ao corpo e sofre, preocupado com o descanso irregular do seu invólucro material.

É oportuno assinalar que somente os mais evoluídos desprendem-se com total abstração.- acordar rindo ou chorando representa a vivência de fortes emoções tidas durante o sonho e transmitidas sonambulicamente ao corpo material que, em geral, desperta rapidamente. - não existem regras fixas quanto à sensação de queda profunda no espaço, mas normalmente pode significar: a) insegurança do encarnado quanto à atividade que desenvolve em sua vida: estágio de situação emocional negativa em que vive - na família, na profissão, entre outras; sonhos reflexivos que, figurativamente, lhe causam medo; falta de apoio e proteção; b) provocação de Espíritos inferiores, ao perceberem que essa sensação perturba-o em desprendimento; c) retorno de viagens espaciais; d) quedas no espaço (do alto de um prédio, por exemplo). Convém frisar que se poderá saber tratar-se de um caso bom ou mau conforme o sentimento que o permeia ao despertar. - O Espírito não necessita de descanso, ao contrário do corpo físico.

Em certos cochilos pode haver o refazimento, porque durante o desprendimento existiu o repouso do corpo. - O sono mais profundo ou mais leve diz respeito à proximidade maior ou menor da alma ao seu corpo. Não existe qualquer relação entre a profundidade do sono e a lembrança que se guarda das atividades exercidas em seu curso. Meros cochilos podem resultar em desprendimentos que trazem grandes recordações, se o Plano Maior assim considerar conveniente. - Em geral, não há relação entre sonhos e números. Estes podem ser reflexivamente plasmados para satisfazer os interesses daquele que os sonha, como no caso de apostas, por exemplo. - Os sonhos são manifestações do espírito, quando em desprendimento do corpo físico e, por isso, o conhecimento de seu mecanismo deve ser difundido e incentivado. Quanto a crendices e lendas, representam parte de um costume que se extinguirá com o tempo, quando as perguntas fundamentais que preocupam o ser humano tenham sido já respondidas. Os encarnados, muitas vezes, desejam tudo saber e, por não poderem fazê-lo, criam mecanismos de respostas às suas indagações interiores, nem sempre verídicos.

X A DESENCARNAÇÃO A desencarnação e suas consequências A desencarnação é tão necessária quanto o nascimento, com vista à evolução do ser. Daí a visão otimista que deve permear ambas as situações. O desvincular do Espírito - do corpo que lhe serviu de veículo no plano físico, durante o período reencamatório - representa libertação para uma vida nova, seja numa colônia ou mesmo em zonas menos elevadas. A vida no plano espiritual é sempre um passo necessário ao progresso da criatura. É entre estágios alternados, como encarnado e como desencarnado, que ela evolui na sua trajetória, obedecendo aos desígnios divinos. Quando retoma à Espiritualidade - salvo nos casos de suicídio - é porque assim se faz necessário, pois chegou a sua hora de regressar à vida verdadeira. Nesse sentido é que a morte deve ser encarada por todos, no seu aspecto positivo, compreendendo que o desencarnando progride sempre, conservando a sua bagagem espiritual própria, jamais havendo o retrocesso.

Num sentido amplo, a volta à pátria espiritual propicia ao indivíduo a abertura de sua mente para a tomada de consciência do seu ser, na mais profunda essência. Com essa conscientização, dos sentimentos positivos e negativos vivenciados, pode perceber a importância da sua regeneração. Desencarnar é sempre um renascer. Equipes socorristas As equipes socorristas das colônias espirituais acompanham cada desencarne que ocorre na Terra, estabelecendo canais de comunicação com a cidade espiritual à qual se vincula aquele que vai deixar o corpo físico. Feita a ligação colônia/ Espírito, procuram tornar o desenlace não traumatizante, facilitando da melhor forma o seu retorno ao plano invisível. Tanto menor é o sofrimento quanto maior é a confiança que deposita na ajuda da Espiritualidade Maior. Há dois tipos de acompanhamentos: o direto e o indireto. O primeiro representa o assessoramento dado ao desencarnando que deve imediatamente ser conduzido a um posto de socorro ou a uma colônia, em face da jornada que o aguarda, já programada e que iniciará de imediato.

O segundo é o auxílio prestado ao que, por estar fechado em seu próprio âmago, pelos efeitos de uma vivência materialista, não se acha receptivo ao assessoramento direto. O processo de desligamento dos laços existentes entre o corpo material e o Espírito desencamante, por parte das equipes especializadas, tem inicio com a informação, vinda do Alto, do momento em que ele concluiu a sua tarefa, ou mesmo se não o fez, quando não há mais tempo para fazê-lo. São cortados, então, os laços que o ligavam, até aquele instante, ao seu envoltório carnal. Os mandamentos da desencarnação Há posturas interiores ideais para o desencarnando e para os encarnados - parentes e amigos - a ele ligados, sendo a fé, sempre, o móvel que garante a serenidade. Com referência aos parentes e amigos a Espiritualidade recomenda, nos momentos de desligamento, os seguintes procedimentos principais: 1. não alimentar sentimentos de ódio, nem repulsa ao Criador por "estar levando" aquele ente querido.

Essa falsa ideia pode atrair Espíritos inferiores que procurarão zombetear e atrapalhar o desligamento tranquilo do ser em processo de desencarnação; 2. orar nesse momento. Sempre, junto ao leito de um enfermo ou de um morimbundo, cultivar 137a prece. Ninguém sabe, nem mesmo pode afirmar, se haverá ou não o desencarne. A família não deve colocar-se como força de resistência contra os Desígnios Divinos; 3. vibrar pelo enfermo e seu mentor, seja este conhecido ou não; 4. manter-se em boa sintonia. Maus pensamentos atraem más companhias, razão pela qual devem evitar comentários menos edificantes, em todos os sentidos. No tocante à postura daquele que está por desencarnar, pode-se considerar: 1. não deve entregar-se ao desencarne com indiferença. Precisa lutar, na medida das suas forças, pela sobrevivência do corpo porque quanto mais tempo estiver encarnado melhor será para si mesmo no cumprimento da sua programação. Necessita, pois, auxiliar os médicos que, de regra, estão assistidos por mentores espirituais.

Por outro lado, o correto é orar sempre para que Deus permita-lhe terminar a sua tarefa, com fé e confiança. 2. não temer o desencarne, esforçando-se por estar em sintonia com seu mentor. 3. tranquilidade é essencial. Não pensar em ir ao encontro de parentes já desencarnados, antes da hora. Não procurar obter imagens do plano espiritual precocemente. Aguardar o momento determinado pela Espiritualidade Maior para que Aos agrupamentos mediúnicos cabe sempre vibrar pelos doentes, desencamandos e recém- desencamados, recebendo-os em suas reuniões para possibilitar o contato dos mesmos com seus mentores, evitando dessa forma relacionamentos espirituais perniciosos. Os enfermos podem, em desdobramento, ser levados a essas sessões para receber orientação, pois - em face de doenças prolongadas, muitas vezes não aceitas com paciência e resignação - podem permitir ligações com entidades inferiores que lhes sugam as energias. Há casos em que os recém-desencamados vão de imediato a uma reunião mediúnica para que tenham a consciência do seu estado e iniciem de pronto o seu trabalho programado na Espiritualidade.

Existem enfermidades do corpo físico, como, por exemplo, as causadas pelo alcoolismo, que influem negativamente no retomo à consciência plena do desencarnado. Seu perispírito pode ser lesado pela ação da droga, levando-o a passar muito tempo em câmaras de retificação, nos Postos de Socorro, até recobrar a consciência e reconstituir plenamente o corpo espiritual. Trata-se de questão muito grave, que convém evitar, por haver, nesses casos, vinculação física e psicológica. Em outros casos o indivíduo desencarna violentamente, com a destruição instantânea do corpo material. Sente-se subitamente desligado e muito pode sofrer se não estiver preparado para isso, podendo vagar por vários dias, meses ou mesmo anos, até que admita seu desencarne. Cumpre, entretanto, lembrar que a desencarnação súbita também pode receber o apoio de benfeitores espirituais, cuja ação é rápida, tudo realizado com muito amor. Essa a importância da assistência prestada pelas equipes especializadas de apoio à desencarnação.

A caridade, pois, não tem limites e as vibrações dos encarnados são essenciais nesse processo, podendo contribuir para isentar o recém- desencamado de dolorosos sofrimentos em regiões umbralinas. Ao contrário do que muitos poderiam pensar, enfatize-se, o ato da desencarnação é um ato de amor, tanto quanto o é o renascimento na matéria. Ainda não se considera no mundo corpóreo - mais amplamente - da mesma forma desencarne e nascimento, embora se devesse fazê-lo. Seria dar mostras de incredulidade encarar o desencarne de forma diferente do nascimento, afinal, ambos são necessários à evolução. Nesse prisma, portanto, são equivalentes. Aquele que desencarna pode também viver um momento de exultação, pois, tendo cumprido a sua tarefa, parte para uma nova vida, tão necessária ao seu progresso quanto foi a sua existência física. O desencarnado, tendo atravessado a fase de semiconsciência e terminado a sua retrospectiva, aprofunda-se no estado espiritual propriamente dito.

Desligando-se da materialidade percebe que as vozes materiais e a visão física ficam distantes, começando a ter percepções do mundo espiritual e aguardando o desligamento se completar com a máxima serenidade, confiança no Divino Pastor e fé no coração. A expressão serena, ou mesmo feliz, estampada na face daquele que retoma à vida verdadeira, marcando o último comando da sua vontade ao centro nervoso daquele que foi seu corpo físico, demonstra um ato de reconhecimento a Deus pela assistência recebida nos derradeiros momentos da jornada terrena, e primeiros de libertação espiritual. E natural - por parte do encarnado - o sentimento da perda física do ente querido que partiu, em face do amor que lhe dedica. Mas essa saudade deve ser mescla de resignação e esperança, porque a separação entre o que retoma à pátria espiritual e os que permanecem nas provas da materialidade é momentânea e não definitiva. XI A CRIANÇA NA ESPIRITUALIDADE Forma, vontade e condicionamento A forma do Espírito, na condição de criança, é natural na Espiritualidade.

A mente do desencarnado consciente atua sobre a situação plasmática do perispírito e, pela ação da sua vontade, pode moldar a apresentação exterior com aparência infantil, espontaneamente. Porém, ao desencarnar enquanto criança e estando enfermo, pode assim se manter em função de seu limitado e transitório estado mental. Um mentor, portanto, pode se apresentar como criança em reuniões mediúnicas, na Casa da Criança19 de Alvorada Nova ou em qualquer outro lugar, para facilitar seu trabalho de aproximação junto a entidades em tratamento ou resistentes à senda do bem. Logo, nem todos que estão na Casa da Criança desencarnaram na fase infantil; alguns tomam essa forma para fins específicos de trabalho.

19 (19) Ver, no livro Alvorada Nova, "A Descrição de nossa Árvore - Parte Vi"

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.