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Capítulo 13 de 14
XIV a Teoria do Risco — parte 2 de 3
Conversando sobre Mediunidade · Espírito Cairbar Schutel
27 (27)- Utilizamos os termos atacante e vítima apenas para representar melhor, na ilustração apresentada, a posição do agente ativo (aquele que agride) e a do agente passivo (aquele que se defende). Não se pretende dizer que o atacante seja o culpado e a vítima o inocente, como, aliás, demonstram as situações descritas a seguir. c) Parcialmente negativo (quanto à postura do atacante): não contendo as más tendências, ele agride a vítima e esta apenas de defende. Não há reconciliação, mas também não há ataque por parte do ofendido; d) Parcialmente negativo (quanto à postura da vítima): ela, ao sentir-se diante do inimigo e imaginando ser atacada por ele, sem que isso corresponda à realidade, agride o seu oponente, deixando extravasar o ódio inerente ao seu coração.
O atacante apenas se defende ou abandona o local; e) Parcialmente positivo (quanto à postura do atacante): além de não atacar a vítima, ele perdoa o ataque desta e deixa de nutrir contra esta sentimentos menos dignos; f) Parcialmente positivo (quanto à postura da vítima): ela, além de somente rechaçar a agressão sofrida, perdoa o seu atacante e não mais alimenta qualquer vibração negativa ante a imagem de seu inimigo do passado; g) Neutro: ambos não se atacam nesse encontro, mas também não se reconciliam. Note-se que, quanto ao encontro em si, envolve-se na questão o determinismo. Esse mecanismo atua nas hipóteses "a" e "c" do item I. Toma-se presente, exclusivamente, para provocar a situação de risco, ou seja, o encontro num mesmo local dos dois inimigos do passado, que necessitam se rever para aparar arestas pretéritas, garantindo, com isso, se triunfarem, um progresso espiritual. No tocante aos demais itens, cessa a influência do determinismo do Alto. Todas as decisões, negativas ou positivas, são frutos da utilização do livre-arbítrio de cada um.
O atacante pode agredir, não agredir ou ainda reconciliar-se. O mesmo pode ocorrer com a vítima: defender-se e atacar, somente defender-se ou reconciliar-se. Os resultados que cada uma das partes envolvidas pode obter estão expressos no item V. Outro relevante tema que tem relação com a teoria do risco é a Lei de Ação e Reação. A toda ação praticada pelo encarnado, intencionalmente, corresponde uma reação em igual sentido. Assim, atos bons trazem efeitos positivos. Atos maus acarretam retornos negativos. Para garantir a ocorrência da reação existe um mecanismo inafastável, que é o determinismo. Para o desencadeamento de ações conscientes, toma-se fundamental o exercício do livre-arbítrio. Portanto, para cada ação intencional (utilização do livre-arbítrio), existe, por determinismo, uma reação. Eis o interfluxo da teoria do risco com a lei de ação e reação. Num contexto maior, pode-se vislumbrar a importância desta teoria a nível da reencamação: cada existência física que o ser humano vivência é composta de inúmeras situações de risco e ela mesma representa uma jornada de risco.
O homem responde pelo conjunto dos atos praticados ao longo de sua vida material e o resultado dessa avaliação constata a sua evolução, contração de novos débitos ou mesmo a estagnação. Existem até reencamações de conteúdo predominantemente expiatório, ou seja, um retorno à matéria para expiar grandes erros do passado, como reação àquela trajetória anteriormente vivenciada. Ilustrando, vejamos o seguinte quadro-resumo, comparando a reencarnação com uma situação de risco, sob o prisma da lei de ação e reação: Teoria do Risco; 1) Situação de risco: envolve uma decisão (livre arbítrio), positiva ou negativa, que acarreta uma reação em igual sentido (determinismo). 2) Reencarnação: envolve um conjunto de decisões e ações do encarnado (livre arbítrio) que lhe traz, como reação, outra reencarnação, cuja programação leva em conta a trajetória física anterior(determinismo).
Lei de Ação e Reação: Ação (livre-arbítrio) x reação (determinismo) Outro ponto importante de abordagem diz respeito à possibilidade que o encarnado tem de alterar algumas decisões previstas pelo Alto - que seriam encaminhadas à concretização no plano material por determinismo - através da boa utilização de seu livre-arbítrio. A título de ilustração - voltando ao exemplo do uso que o medianeiro faz da sua mediunidade - mencione-se um médium que comece a se desviar dos rumos ideais no uso de suas faculdades medianímicas, comercializando seus atos. A Espiritualidade Maior fixa o seu desencarne prematuro num determinado prazo. Entretanto, esse médium realiza, em seu âmago, autêntica reforma íntima, arrependendo-se dos atos praticados e propondo-se a mudar de atitude. A programação do desencarne é suspensa. Pela lógica da teoria do risco, o bom uso do livre-arbítrio tem o condão de modificar, quando possível, o determinismo do Alto. Uma das regras da teoria do risco é que o mal jamais é fruto do determinismo e sim do livre- arbítrio erroneamente utilizado.
O Plano Superior não conduz nenhum encarnado a cometer atos incompatíveis com o Evangelho de Jesus. O que pode fazer é conduzir, por determinismo, duas pessoas a terem um encontro, conforme mencionado no exemplo linhas acima, para resgates mútuos. Eventual resultado negativo é sempre fruto das decisões dos próprios homens envolvidos. Lembre-se que até mesmo catástrofes provocadas por fenômenos naturais não constituem em si mesmas, apesar das aparências, um mal à Humanidade. Por trás de todo acontecimento causado por determinismo existe sempre um bem, por vezes de difícil compreensão imediata aos encarnados, ante o estágio evolutivo que ainda possuem. A realidade evidencia que todo propósito do Alto é positivo, levando os Espíritos, de um modo geral, encarnados e desencarnados, à senda do progresso. Outro quadro para ilustrar o tema: Mal (vivenciado individual ou coletivamente): somente pode ser fruto do livre-arbítrio. Bem (vivenciado individual ou coletivamente): fruto do livre-arbítrio ou do determinismo. Duas situações de especial relevância na jornada dos seres humanos merecem ser vistas à luz da teoria do risco: o suicídio e o duelo.
Quanto ao primeiro, deve-se ter por parâmetro a assertiva seguinte: somente se comete suicídio por livre-arbítrio. Um encarnado mata-se deliberada e conscientemente e outro pode, por levar uma vida desregrada e repleta de vícios de toda ordem, matar-se inconscientemente, arcando cada um com a responsabilidade pelas suas ações. O determinismo do Alto intervém nessas situações unicamente para fazer valer a lei de ação e reação. Ao ato contrário às Leis Divinas (suicídio) incide uma reação expiatória. No tocante ao segundo, podem dois duelistas estar frente a frente por livre-arbítrio ou por determinismo. Neste último caso, o Plano Superior programa o encontro dos dois para impulsioná- los a uma reparação de dívidas do passado, provocando-lhes um momento de decisão importante: resistir à ideia do duelo, dando valor à vida e aos ensinamentos cristãos, conseguindo, assim, nesse aspecto, a reforma íntima. Entretanto, o resultado positivo ou não desse encontro, estabelecido pelo determinismo, é problema concernente com exclusividade ao campo do livre-arbítrio de ambos. Cada um decide por si, assumindo a responsabilidade por sua postura.
Por outro lado, podem estar frente a frente por vontade própria, sem qualquer ingerência, nesse sentido, do Alto. Nesse caso, desde o encontro até o resultado, todos os atos estão no campo de análise do livrearbítrio. Note-se, portanto, que a conjunção dos dois (livre-arbítrio e determinismo) compõe a teoria do risco e esta explica o mecanismo de evolução das criaturas. Conclusão Importante frisar, nesta abordagem final ao tema, que Deus tem a presciência de tudo o que acontece, seja a nível de determinismo, seja de livre-arbítrio. Assim, cada passo que é dado por um encarnado é conhecido pela Sabedoria Divina, antes mesmo de ser decidido e cada ato de Seus Emissários, determinando algum acontecimento ou fenômeno natural na Crosta, possui a presciência do Pai Maior. Entretanto, o fato do Criador saber de antemão os passos que os encarnados irão dar - tendo plena noção dos caminhos a serem seguidos por Seus filhos - não quer dizer que retire a qualquer ser humano a possibilidade de plena utilização de seu livre-arbítrio. Parece, a princípio, contraditória essa afirmação.
Poder-se-ia argumentar no seguinte sentido: se Deus sabe qual será a decisão futura, logo, o homem estaria limitado a decidir sob esse prisma Divino. A contradição, no entanto, inexiste. A presciência Divina de todas as coisas está inserida num contexto maior: a onipotência e a onisciência do Criador. Esses atributos exclusivos de Deus explicam, claramente, ser a presciência uma consequência lógica do Seu poder absoluto e de Seu conhecimento pleno sobre todas as coisas. Conhecer, previamente, a decisão adotada pelo encarnado não retira deste último a capacidade de decisão. Ele escolhe o seu caminho e Deus já conhece, de antemão, a sua decisão. Pretender um mais amplo esclarecimento a esse respeito é tentar desvendar a Sua natureza, que, para os encarnados, está longe de ser conhecida. A humildade dos homens deve levá-los a compreender a sua impossibilidade desse entendimento mais profundo, acatando as Suas Leis com o coração e com a razão, ante a lógica e o amor contidos em Seus mandamentos. Nas palavras de Allan Kardec, "a inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender anatureza íntima de Deus.
Na infância da humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, à medida cjue nele se desenvolve o senso moral seu pensamento penetra melhor no âmago das coisas; então, faz ideia mais justa da Divindade e, ainda que
sempre incompleta, mais conforme a sã razão" . Dessa forma, o ser humano deve aguardar que seu processo evolutivo se amplie, atingindo melhor grau de depuração para poder pleitear melhor entendimento sobre Deus e Seus atributos. Por outro lado, os mentores espirituais têm apenas expectativas quanto às decisões tomadas pelas pessoas. Não possuem a presciência, embora, muitas vezes, ante o seu elevado grau de esclarecimento, possam acertar qual a opção adotada pelo homem na utilização de seu livre- arbítrio. Em outras vezes, alguns protetores podem errar nas suas previsões e ser surpreendidos por decisões positivas ou negativas dos encarnados. Somente quando orientados pelo Mais Alto não apresentam erros em suas avaliações. A Sabedoria e a Misericórdia de Deus proporcionam às criaturas um mecanismo evolutivo justo e possível de ser vivenciado por todos. Basta que cada ser humano, através da correta utilização de seu livre-arbítrio, conduza os seus passos conforme as sábias lições do Evangelho de Jesus.
Dentro do caminho do bem, pois, o encarnado pode cumprir a sua programação com o menor risco possível e com isso garantir o progresso de seu espírito. Como já foi dito, nada acontece por acaso. Não há sofrimento sem causa ou dádiva sem merecimento. O livre-arbítrio é faculdade essencial para os encarnados conduzirem-se dentro dos parâmetros cristãos e o determinismo atua para corrigir eventuais distorções que surjam ao longo das suas jornadas,
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.