Voltar ao livro Conversando sobre Mediunidade

Capítulo 10 de 14

Sudeste 60 91 — parte 5 de 6

Conversando sobre Mediunidade · Espírito Cairbar Schutel

Nas reuniões de desobsessão não é raro que um comunicante, agindo até então como obsessor e pertinaz opositor aos trabalhos da Seara de Jesus, sensibilize-se ao ver, na forma de criança, aquele que foi seu filho querido em pregressa reencarnação, aproximar-se, abraçá-lo e beijá-lo com ternura. Assim, manifesta-se como instrumento do Alto para convidá-lo a seguir outro caminho, levando-o ao arrependimento do mal praticado e ao retomo à senda do verdadeiro progresso espiritual. Quanto aos inadaptados, que mantêm a aparência de criança, de regra, retornaram ao mundo espiritual na fase infantil da vida física. O Espírito necessitado que se mostra como criança apresenta maior fragilidade, sensibilizando e inspirando maiores cuidados. Cativa, nos trabalhos mediúnicos, maior doação por parte dos médiuns, o que lhe possibilita atingir o equilíbrio mais rapidamente. A forma de criança atrai maior zelo, dedicação e carinho. Tratamento na Casa da Criança A Casa da Criança, em Alvorada Nova, é um dos locais destinados a receber crianças no mundo espiritual.

Muitos Espíritos que para aí são encaminhados apresentam dificuldades de sintonia e adaptação ao seu próprio perispírito, problemas que podem ser comparados aos psicológicos na Crosta. O tratamento desses desencarnados é diferente daquele aplicado às crianças problemáticas no mundo material, pois a relação de amor é muito mais intensa no plano espiritual, realizando-se de espírito a espírito, num nível de igualdade e não de autoridade e submissão, como geralmente ocorre na materialidade. Esse seres, perturbados e doentes, são tratados com a naturalidade dirigida às crianças espirituais adaptadas e equilibradas. Esse é um importante ponto que diferencia o método de trabalho, voltado à criança problemática, nos dois planos da vida. O termo criança excepcional não é usado na Espiritualidade. O que, em verdade, aí existe são Espíritos inadaptados ao seu perispírito ou à sua própria condição de vida.

No planejamento dos trabalhos desenvolvidos pela Casa da Criança são programados vários estágios - para entidades de diferentes categorias, com percepções diferentes, cada uma com a sua própria visão e sintonia - onde a Natureza, as cores e os ensinamentos cristãos se fazem presentes. Cada uma, ao absorver as orientações programadas por Cairbar, readapta-se e transforma esse aprendizado numa aspiração que se torna realidade. Os desencarnados não têm sexo definido, como entendido na vida física, podendo se apresentar de uma ou de outra forma (menino ou menina), de acordo com as circunstâncias, características e objetivos traçados, inclusive baseados em suas últimas encarnações. Os problemas são iguais para todos: a inadaptação pode ocorrer a qualquer um. Há que se considerar, entretanto, que na forma infantil feminina existem particularidades a serem observadas, em face da maior emoção e sensibilidade apresentadas pela menina. O tratamento inicial consiste numa aproximação que propicie readaptar esses Espíritos à nova vida que os aguarda.

Alvorada Nova realiza um trabalho de amor; por isso, cada orientador procura ajudar amando enquanto ensina, conversando enquanto brinca, entendendo cada inadaptado numa verdadeira troca de sentimentos, levando-o, pouco a pouco, a ter maior conhecimento de si mesmo. O objetivo é que a criança, gradativamente, readapte-se dentro do programa traçado para seu desenvolvimento integral. Como um exemplo de estágio de tratamento há aquele que, ao desencarnar, julga-se privado de algum dos seus sentidos, como a visão ou a audição. Na verdade, trata-se de mera ilusão, falsa percepção da realidade. O tratamento desenvolvido demonstra que esses sentidos representam apenas uma pequena gama na diversidade das faculdades que o Espírito desfruta no Plano Espiritual. A partir do tato e do olfato o orientador principia o tratamento, levando ao desabrochar dos sentidos de percepção não conhecidos pelos encarnados, sendo o vocabulário terreno ainda pobre para descrever particularidades existentes no próprio ser e no mundo espiritual.

As vibrações emitidas pelas cores da Natureza (de uma flor, por exemplo) são utilmente aproveitadas nesse tipo de processo de cura, levando o paciente a descobrir percepções até então ignoradas: ele passa a conhecer suas potencialidades latentes e a amar a Deus, que possibilita a todos os Seus filhos um círculo continuo de vida e evolução, nos dois planos existenciais. Os resultados obtidos são altamente positivos: a criança participa alegre e interessada, com muita confiança no orientador, face à inexistência de distanciamento afetivo. A vibração luminosa do orientador exerce acentuada influência construtiva no paciente em processo de recuperação e aprendizado, captada que é pela sua aflorada sensibilidade. Aquele que está sendo orientado nunca se sente inferior ao seu orientador e, nesse clima, vai sendo conduzido à adaptação pretendida.

Estimulada pela troca contínua de sentimentos sinceros e elevados, que lhe proporcionam sensibilidades benéficas específicas, passa a sentir sensações que pensava para sempre perdidas, voltando, por exemplo, a ver ou ouvir normalmente, compreendendo que todo Espírito é capaz de desenvolver suas faculdades desde que adaptado ao seu próprio perispírito, em sintonia com a posição que ocupa verdadeiramente no Plano Espiritual. Inadaptação, livre-arbítrio e família Existem causas anteriores que levam o Espírito a um estado de inadaptação ao seu próprio perispírito após o desencarne. Pode-se mencionar como exemplo: a) na encarnação precendente escolheu a prova de um corpo material deficiente, tendo isso lhe representado um sacrifício muito grande: em certos casos, de acordo com seu grau evolutivo, conserva inadaptações psicológicas, cujas sequelas são tratadas em organizações próprias na Espiritualidade; b) fez escolha pessoal e espontânea de uma tarefa na Crosta, não conseguindo realizá-la: alimenta, por isso, um grau acentuado de inaceitação das consequências pertinentes, carecendo, portanto, do tratamento especializado; c) submetido a uma reencamação compulsória, em que o bloqueio entre a sua mente e seu corpo físico pode ser intenso, regressa à Espiritualidade com essa dificuldade, necessitando da orientação curativa adequada; d) está programado para renascer, cientificado por Benfeitores Espirituais de que o progresso do seu ser tem íntimo relacionamento com a sua próxima encarnação e a tarefa que deverá nela desenvolver.

Após o instante da concepção, pode ocorrer que: - o preparo para essa aceitação, feito pelo Plano Maior, seja quebrado pelo seu livre-arbítrio, gerando o desequilíbrio; - as vibrações não positivas dos futuros pais, que, em espírito, tenham conhecimento do fato, interrompam o processo de equilíbrio, provocando a desarmonia no reencamante. No momento da concepção o Espírito está mais receptivo e muito influi a carga de sentimentos e vibrações que recebe dos encarnados para que comece bem a sua nova jornada. É fundamental o apoio dos futuros pais. Com sucesso na oportunidade da fase conceptiva, inicia-se outra, a da gestação, onde passa por vários períodos de adaptação com a ajuda de mentores dedicados a essa função. Esse conjunto de circunstâncias vibratórias, tanto da etapa de concepção quanto da de gestação, sem interromper o processo reencarnatório, pode comprometer seriamente o equilíbrio do encarnante, se houver relutância ou desamor, levando-o a reencamar já inseguro quanto à sua nova condição, o que provoca acentuados desajustes.

Quando ocorre o desencarne prematuro (ainda criança) sobrevirá, então, a inadaptação ao próprio perispírito ao retomar à Espiritualidade. O perispírito apresenta-se como o fruto de várias encarnações, que resultam no seu estado atual. Para ser bem orientado e ter sucesso na empreitada, a par do livre-arbítrio, existe a necessidade imperiosa do amor da família para com o reencarnante: começando pelo momento da concepção, continuando no período da gestação, mantendo-se presente no ato da reencarnação e prosseguindo nos anos que se lhe seguem. Cumpre ainda assinalar que, seja qual for a causa da inadaptação ao perispírito, quando do retorno ao plano espiritual (na forma infantil ou não), relutar na direção da adaptação, desprezando a ajuda dos Missionários do Bem, é, de regra, uma atitude inútil e infeliz, que deve ser evitada pelo Espírito a qualquer custo. XII EVANGELIZAÇÃO NA ESPIRITUALIDADE O conhecimento do Evangelho é de fundamental importância, tanto no plano material quanto no espiritual, no contexto da integração dos dois planos da vida.

A religiosidade, neste planeta, sofrerá importantes mutações nas próximas décadas e séculos, constituindo necessidade imperiosa que se conheça cada vez melhor o sentido mais profundo das palavras de Jesus para a compreensão dessa evolução do sentimento religioso e sua respectiva prática. Os ensinamentos do Cristo assumirão importância cada vez maior em toda parte, sempre visando o progresso do mundo e da Humanidade, onde o amor haverá de entrelaçar cada vez mais os corações de todos os seres, encarnados e desencarnados. Ao desencarnar as criaturas levam consigo seus sentimentos, conhecimentos e dúvidas. Estas são sanadas, no plano espiritual, através de seminários e palestras sobre o Evangelho em centros de aprendizado das colônias espirituais, onde prevalecem, como instrumentos de aprendizado, o raciocínio e a lógica. Razão e sentimento Trata-se de um tema dos mais abordados em grupos de estudo do plano espiritual e recebe o seguinte enfoque: o sentimento, apesar de parecer algo impalpável ao encarnado, integra o âmago do ser pensante, motivo pelo qual pode ser racionalizado.

Por outro lado, a razão espelha o pensamento e a inteligência, de forma que parece mais plausível de ser estudada e direcionada. Entretanto, o que se pretende demonstrar é que ambos (sentimento e razão) podem e devem ser controlados e direcionados de um modo geral, pelos encarnados e desencarandos. Neste sentido, até mesmo sentimentos como, por exemplo, o amor podem ser racionalizados, controlando-se o afeto e aplicando-lhe a simplicidade e a lógica. A obscuridade na compreensão e direcionamento das disposições afetivas é um dogma que deve ser afastado; essa logicidade é assimilável pelo vivenciamento dos ensinamentos cristãos, condição necessária para o controle racional das emoções. É fundamental ter em mente o "amar ao próximo como a si mesmo", não sendo lógico dizer- se "não consigo controlar os meus sentimentos, portanto não posso amar o meu semelhante". Essa última afirmação é falsa. O sentir com determinação pode e deve ser controlado, entendido e racionalizado. Atitudes passionais, movidas por emoções exageradas, são inadequadas.

O sentimento e a razão são faces da mesma moeda, compondo respectivamente o âmago (coração) e a mente do ser; por isso mesmo podem e devem se interligar e interagir. A meta é, pois, desenvolver racionalmente a fraternidade na direção de todos. O fato de se amar, transitoriamente, mais a um do que a outro, representa apenas uma graduação desse sentimento, na fase evolutiva atual. Mas, pode-se, querendo, amar a todos, conforme o Divino Mestre ensinou e exemplificou. Com efeito, os sentimentos são mais difíceis de ser controlados do que a inteligência e a razão, porque aqueles são mais inerentes ao âmago do espírito, à sua essência mais profunda, do que estes, que secundam a evolução do ser. Dominar os impulsos negativos e exercitar os positivos são esforços que devem ser feitos por todos - racional, voluntária e conscientemente. Ao contrário do que alguns possam pensar, tratar racionalmente dos sentimentos não representa um retrocesso.

Para muitos parece mais fácil dizer "agi desta ou daquela maneira incorreta por força de um sentimento que não consegui sofrear; se se tratasse de algo controlável pela inteligência e pela razão a minha conduta poderia ter sido diferente". Como exemplo pode-se citar a incoerência dos crimes passionais, aqueles em que se diz matar por amor, mas que, na realidade, têm por motivação sentimentos menos nobres, como o egoísmo e o orgulho. Grande parte dos erros humanos provém de disposições afetivas mal vividas, mas é possível aprender a governá-las, como se faz com os recursos da inteligência. O controle e o desenvolvimento dos sentimentos é passo firme na senda do progresso espiritual e moral de todos os seres com vistas à sua reeducação, unindo conhecimento e vontade. É preciso cultivar os sentimentos positivos, burilando a si próprio. Assim, contribui-se para a convivência harmônica da Humanidade inteira por representar o princípio básico da regeneração da criatura e do orbe, única forma de libertar o ser e a sociedade das discórdias, desavenças, contendas e toda a gama de maldades e iniquidades humanas.

Educação dos sentimentos O diálogo entre os seres, o honesto colóquio onde se faça presente a fraternidade das emoções trocadas, é um exercício seguro para a eliminação do lado negativo do sentimento. Há, com efeito, dificuldade em se chegar ao diálogo sincero, atualmente, entre os encarnados, mas o esforço deve ser no sentido de vencer essa barreira para diálogo e pela reflexão os homens chegarão à perfeita análise do sentimento das criaturas em geral. A Humanidade e o planeta evoluem na medida em que os seres, encarnados e desencarnados, aproximam-se da plenitude dos bons sentimentos - espelhada na moral elevada e associada ao avançado grau de conhecimentos adquiridos pelo uso saudável e útil da razão e da inteligência. O binômio da evolução do ser é sua elevação moral e intelectual.

O espírito - centelha divina - é envolvido pelo perispírito e este possui centros vitais que comandam as funções do ser: - o sentimento, como já se viu, é o próprio âmago da criatura, afigurando-se algo impalpável, porém controlável, que representa a sua essência, a qual, por enquanto, é desconhecida no presente estágio de evolução. Manifesta-se no homem através do centro vital simbolizado pelo coração e consultá-lo significa auscultar o lado mais íntimo. - na mente, que direciona o ser e cuja manifestação se faz representar por intermédio do centro vital localizado no centro do cérebro humano, estão a razão e a inteligência. Entretanto, o pensar tem o sentimento por inter-agente. Sabe-se que, por invigilância, a lógica e o raciocínio, muitas vezes, sucumbem ao sentimento, já que este dá qualidade ao pensamento, no falar e no agir. Mas, assim como existe a fé raciocinada, há também o sentimento racionalizado onde a inteligência esclarecida direciona o sentimento para o bem. É a coexistência positiva mente-coração, com vistas ao progresso adequado do ser. À luz da Doutrina do Cristo, o sentimento elevado deve clarear a razão, tanto quanto a inteligência esclarecida no bem deve iluminá-lo. Assim, o fraterno sentir tem por pressuposto essencial o pensamento positivo.

A propósito do tema, é oportuno lembrar as palavras de Lázaro, transcritas por Allan Kardec, quando diz: "Os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido só tem sensações; quando instruído c depurado tem sentimentos. E o

ponto delicado do sentimento é o amor" . XIII A JUSTIÇA NA ESPIRITUALIDADE Existem órgãos especializados no Plano Superior que se dedicam à tarefa de aplicação de justiça aos desencarnados que estagiam numa colônia espiritual. Trata-se de atividade importante no âmbito da progressão dos seres e deve ser bem compreendida. Em Alvorada Nova é realizada através da Casa da Sublime Justiça21, que trabalha em conjunto com as Coordenadorias de Programas e

Avaliação, bem como com o Núcleo de Desenvolvimento da Administração, além de, evidentemente, estar ligada a Cairbar Schutel e seus assessores. O seu trabalho é supervisionado pela Espiritualidade Maior A Casa da Sublime Justiça dispõe de vinte juizes fixos, além de um número maior variável, conforme as necessidades da Colônia. Os julgamentos são sempre realizados de modo colegiado.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.