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Capítulo 6 de 14
Sudeste 60 91 — parte 1 de 6
Conversando sobre Mediunidade · Espírito Cairbar Schutel
VI A VIDÊNCIA A vidência é uma faculdade colocada à disposição dos médiuns, a fim de que estes possam ser úteis à Espiritualidade, transmitindo aos encarnados as sensações e as situações ocorrentes no Plano Espiritual, através das imagens captadas. Trata-se de uma aptidão não muito comum, que pode ser completa ou parcial, existindo entre esses dois extremos uma gama variável de recepções mediúnicas. A vidência completa ou plena é aquela em que o medianeiro, em estado de concentração, pode ter total acesso às percepções enviadas pelos Mensageiros Espirituais sem interferência, a qualquer momento que desejar. É a mais rara e pode-se afirmar que abrange somente cerca de um por cento dos médiuns da Terra. A partir daí, existe a parcial, que atua apenas em determinados momentos, relacionados pelo Plano Superior para trabalhos específicos, podendo ter menos penetração e nela ocorrer interferências nas comunicações. É a mais sujeita a mistificações, erros e até mesmo ilusões deliberadamente provocadas. Atinge a grande maioria dos médiuns videntes.
No entanto, deve-se salientar que a vidência parcial possui uma gradação bastante variada, manifestando-se de maneira ampla em alguns médiuns, ou seja, sem tanta interferência estranha ao trabalho e com maior frequência, ou mais restritamente em outros, em menor número de vezes ou com maior interferência. Cada vidente possui a sua particularidade. Nas sessões espíritas os médiuns videntes devem ter humildade e transmitir com a maior exatidão possível, sem interesse pessoal, as imagens projetadas pelo Plano Espiritual. Constituem um grupo importante dos trabalhadores, mas devem ser sempre, também, os mais vigilantes e os mais vigiados. Geralmente, uma visão necessita de confirmação de outro médium para adquirir o seu caráter de autenticidade, razão pela qual há sempre dois ou mais receptores da mesma sensação espiritual. O Plano Maior dificilmente trabalha com um único veículo na mesma reunião. Observa-se a busca e a preferência pelo trabalho em equipe. Há visões espirituais interditadas ao encarnado. Pode-se exemplificar com as imagens dos mentores dos planos mais felizes.
Dessa forma, a regra é nunca se deixar impressionar pelo médium que diz estar vendo Jesus, por exemplo. O que, às vezes, ocorre é que, pela imensa fé, é permitido que se tenha a sensação, e nada mais, da presença do Divino Mestre. Da mesma forma, não se deve crer em psicografias cujos médiuns assinem o nome de Cristo. No atual estágio de evolução do planeta predomina a mediunidade restrita, pois não há mérito suficiente para a percepção das imagens que muitos desejariam ver. A vidência é veículo a serviço de Deus e a Ele deve ser sempre creditada12. Da mesma forma, portanto, que o médium a recebe, pode perdê-la, pela vontade do
(12) - A vidência í utilizada pelo médium. É faculdade mediúnica, da mesma forma que a mediunidade em geral Jbieé fruto da vontade de Deus. O médium não dispõe de sua faculdade casualmente dissociada do desejo da Espiritualidade Maior. Uma vez que queira, o Plano Superior pode cassá-la. Ninguém é vidente por acaso ou porque quer, mas sim porque Deus programou ou permitiu. Nesse sentido, a Ele deoe ser a vidência creditada, (nota do autor espiritual). Plano Espiritual Superior. É certo que existem Espíritos mistificadores, sempre dispostos a satisfazer ao desejo leviano de qualquer colaborador encarnado e passar-lhe falsas imagens. Mas, a vontade do Alto é soberana e inatacável, podendo facilmente desvendar o equívoco criado. Assim, antes de duvidar de seu colega, deve o médium orar e conferir o relato, pois a unidade é o plano do trabalho espírita e nunca a divisão deliberada. Diversas formas de pensamento, com frequência, podem influir na interpretação das imagens passadas pelos mentores, prejudicando a tarefa, motivando o veículo-encamado a ter sentimentos negativos, manifestados por orgulho, vaidade, amor- próprio, inveja, entre outros.
A região mais utilizada do cérebro humano para as recepções das imagens é o hemisfério direito. A maioria dos Espíritos aí concentra a sua magnetização e o envolvimento com o perispírito do médium. Entretanto, toda a cabeça é zona de entrelaçamento fluídico no momento de transmissão da visão espiritual desejada. Analisando a ilustração I, pode-se observar que o mentor situa sua mão ao lado direito do cérebro do encarnado. Dali, transmite-lhe as ondas magnéticas as quais são absorvidas pelo perispírito, que, por sua vez, as conduz ao centro de energia do cérebro. De lá, seguem ao nervo óptico, onde a imagem é assimilada. É óbvio que há diferença abissal entre a visão material e a espiritual. Em qualquer tipo de vidência essa regra se aplica na totalidade.
O quadro significa: 1- mentor; 2- ondas de acesso transmitidas pelo Espírito; 3- absorção pelo perispírito e transmissão ao centro de energia do cérebro; 4- interpretação pelo médium e envio ao nervo óptico; 5- nervo óptico em destaque; 6- visão em transmissão; fase do relato; 7- posicionamento aproximado do centro de energia do cérebro.
Na ilustração II tem-se a comparação entre a visão material e a visão espiritual: 8- campo de visão material; 9- objeto material interpretado pelos canais ópticos; 10- campo de visão espiritual (primeiro estágio); 11- campo de visão espiritual (segundo estágio); 12- objeto espiritual interpretado pelo médium; 13- zona limítrofe na vidência entre os estágios do campo da visão. Ressalte-se que o campo de visão mediúnico (número 10) é, de fato, muito mais amplo que o material. Por um lado, facilita bastante o trabalho, permitindo visões não alcançáveis no plano físico, mas autorizadas pela Espiritualidade. Sob outro aspecto, é mais delicado, pois muito sujeito a interferências estranhas. Note-se que, no campo de visão material, existem elementos intervenientes, os quais culminam com as chamadas "ilusões de ótica". No plano da vidência essas "ilusões" são muito mais frequentes, além do que a imagem espiritual é sempre nebulosa, podendo sumir ou fixar-se a qualquer instante.
Quando o Plano Espiritual necessita passar maiores detalhes para o êxito da tarefa mediúnica, fornece ao médium os elementos necessários a tal descrição. Caso contrário, na sua maior parte, o colaborador encarnado tem que interpretar as imagens recebidas com mais intensidade. O estágio primeiro é mais profícuo em conceder ao médium detalhes da imagem localizada (número 10). Já no segundo (número 11), o campo vibratório da visão mediúnica perde concentração, dissipando-se e tornando mais difícil a fixação da imagem. Isso é perfeitamente normal. O tamanho do campo de visão (estágio primeiro ou segundo) é que irá determinar a vidência e suas variantes. Observe-se, pela figura III, o mesmo objeto sendo focalizado por diferentes campos de visão. Trata-se, naturalmente, de um objeto espiritual, Ilustração III (vide pág. 90) A ilustração que se apresenta agora pretende evidenciar o trabalho em equipe de uma reunião mediúnica, utilizando como parâmetro o campo de visão esboçado pelo número 17. Por este, o médium coloca sua zona limítrofe praticamente em cima da imagem objetivada.
Terá ele, então, a visão necessária, mas precisará de confirmação para sua certeza. Aquele que utiliza o campo de visão número 14 pode auxiliá-lo, pois projetou o seu campo sobre a imagem captada pelo número 17. Daqui pode vir uma confirmação. O receptor número 15 será o que melhor poderá ajudar o número 17 nessa hora. Isso porque o seu campo de visão coaduna-se perfeitamente com o do colega vidente e ele (número 15) é o que mais conseguiu sintonizar-se.
Note-se que seu campo de visão penetrou totalmente na zona do primeiro estágio da vidência do relator. Haverá, na certa, a confirmação. Por sua vez o número 16 nada ou pouco pode fazer para confirmar o número 17. Seu campo de vidência foi colocado no segundo estágio de visão do colaborador que relata a imagem. Não se encontra sintonizado com a tarefa. A alternativa, quando existem apenas os relatos dos médiuns 16 e 17, é a tentativa de harmonização, para, após, continuar as atividades. Sem confirmação - e até mesmo em contradição - não se deve prosseguir. O melhor é parar os trabalhos e buscar a sintonia. Se, nessa ocasião, um dos médiuns (17 e 16) se deixar levar por aqueles sentimentos já narrados (orgulho, vaidade e outros) sairá totalmente da faixa do Plano Superior e, a partir daí, não servirá para relatos autênticos, podendo prejudicar os trabalhos acentuadamente. Vê-se, pois, a responsabilidade de todos os trabalhadores. Os desenhos seguintes ensejam a compreensão de outras situações de vidência individual e do trabalho conjunto com a visão espiritual.
Observa-se, dessa forma, que. todos são médiuns videntes, mas dependerá muito de sua concentração, capacidade anímica e absorção de fluidos de efeitos próprios a esse mister, entre outros requisitos. Isso para ter sucesso na captação da imagem fornecida pela Espiritualidade e sua colocação no primeiro ou no segundo estágio dos campos de visão.
Agora, alguns quadros ilustrativos do trabalho de equipe com esses médiuns: Ilustração VIII (vide pág. 97)
Quadro geral X: confronto entre os médiuns 1, 2, 3 e 4. É o que ocorre quase sempre em reuniões mediúnicas. Vários médiuns focalizando o mesmo objeto em diferentes posições. Veja-se que somente o conjunto unido pode determinar o sucesso da tarefa. O número 1 dispõe da descrição mais detalhada, auxiliado pelo número 3 e, eventualmente, pelo número 2. Não deverá ser perturbado pelo número 4. Dessa forma, pode-se compreender a importância da união e do trabalho em equipe nas reuniões mediúnicas, aliados à humildade e à paciência, especialmente no tocante ao exercício da vidência. Somente assim pode haver progresso mediúnico e evolução para todos os trabalhadores. VII UMBRAL O Umbral, denominação das zonas escurecidas do plano espiritual, dada pelo Espírito André Luiz, é região de habitação de entidades inferiores. Trata-se de local onde há concentração de coletividades espirituais de baixo padrão vibratório, o que não afasta a existência de Espíritos inferiores em todos os locais da crosta terrestre.
Há dois tipos de região umbralina: primeiro grau - onde há só baixo padrão vibratório, são as trevas plenas; segundo grau - onde estão algumas colônias, postos de socorro e postos de trabalho da Espiritualidade Superior, havendo portanto mesclas de trevas e luz. O Umbral é formado por zonas de concentração constante de Espíritos de baixo padrão vibratório, emitindo fluidos negativos. Todo local onde houver essa concentração será zona escura, mas sempre em regiões abaixo ou acima da Crosta. A grande concentração dessas zonas nas camadas que a circundam serve para indicar a existência do Umbral, com exceção do local ocupado pelas colônias espirituais e pelos seus postos de socorro e postos de trabalho. Assim sendo, tem-se que todo local de concentração de energia negativa, com presença de seres espirituais inferiores, é considerado Umbral. A exceção a essa regra é a crosta terrestre, onde vivem os encarnados, tratando-se de zona neutra, de modo a melhor facultar a evolução dos seres. Essa designação para as zonas trevosas não é universal.
Assim, cada parte do Globo prefere criar uma denominação própria para tais regiões. No Brasil a mais comum é Umbral. Existem colônias espirituais localizadas em todas as camadas situadas ao redor da Terra. Alvorada Nova, por exemplo, está na quarta esfera, onde as zonas de concentração de vibrações negativas são bem menores. Quanto mais se sobe nessas camadas menor o número de criaturas inferiores e, logicamente, menor o número de concentração de zonas escuras. Assim, o Umbral mais denso propriamente dito fica distante da quarta camada, o que permite a existência de regiões com predomínio de melhor padrão vibratório. A forma de crescimento das colônias consiste na expansão dos seus campos vibratórios até que os Engenheiros Espirituais ampliem os seus limites. Isso porque nas zonas limítrofes às colônias existem entidades inferiores mais suscetíveis à regeneração. São desencarnados que aguardam chance de habitar a colônia que rodeiam. Os índios13, Espíritos que realizam um trabalho voltado à desobsessão, proteção e resgate na Crosta, também ali permanecem, pois estão sempre em atividade externa à colônia à qual pertencem.
Essas regiões possuem natureza rústica composta por desertos, montanhas e matas densas. Nas profundezas da Terra habitam criaturas de perispírito extremamente denso, pois é região de vibração mais pesada, o que facilita a sua locomoção. O mundo umbralino não tem divisão geográfica, pois onde há concentração de seres espirituais inferiores existem trevas e, portanto, Umbral. Nessa região há colônias inferiores habitadas e dirigidas por inteligências voltadas ao mal. Os agrupamentos dessas entidades muitas vezes formam cidades com contornos medievais, verdadeiros esconderijos, onde existem castelos que abrigam os líderes da comunidade e vilas, onde falanges dominadas encontram abrigo. Há estrutura hierarquizada, com base na organização militar, nobiliárquica
13 (13 Ver nota de rodapé n“ 21 à página 133 do livro Alvorada Nova. ou clerical, fruto de reminiscências de situações vividas na materialidade. As falanges deslocam-se pela Crosta com desenvoltura para fomentar conflitos armados e outros acontecimentos negativos entre a Humanidade. Os Espíritos umbralinos usam aparelhos para a captação da energia universal, presente em todo lugar, utilizando-a para o mal. Em geral, os desencarnados inferiores são unidos no combate ao bem, pois não encontram outro objetivo senão a prática de atitudes menos elevadas que, muitas vezes, relembram o seu passado na Terra. Até mesmo guerras entre comunidades espirituais inferiores são capazes de provocar, tendo por fim novas dominações e conquistas. Todas essas atividades, no mundo espiritual inferior, podem ter influência perniciosa entre os homens. Para que isso não ocorra, a mensagem fundamental aos encarnados é ter o cuidado de não manter acesos sentimentos negativos, menos dignos e contrários às orientações do Cristo, em qualquer atividade que desenvolvam. Caso contrário estarão atraindo a atenção dos habitantes das zonas escuras que se divertem em prejudicar os seres humanos, atrapalhando a trajetória de cada um.
Existem, no Umbral, falanges organizadas que lutam contra a evolução do planeta, por falta de esclarecimento e por estarem vinculadas ao materialismo. A obsessão e a hipnose são elementos utilizados por essas inteligências na sua tarefa voltada ao mal. Os encarnados são considerados Espíritos em evolução, que têm oportunidade mais acentuada de aperfeiçoar-se. Por isso, não há local na crosta terrestre, reservado ao progresso do ser, que possa ser considerado zona umbralina. Os reencamandos vão, pois, para um ambiente de neutralidade, que lhes propida a chance de se oporem às más influências e vencerem-nas, possibilitando o êxito na trajetória. A Crosta é zona de interseção de influências positivas e negativas, onde há o trabalho incessante de Espíritos superiores e a atividade destruidora dos inferiores. Entre esses mecanismos de atuação do plano espiritual está o trabalho evolutivo do encarnado, que deve vencer as suas más tendências, podendo firmar a oportunidade de progresso e abraçar as boas orientações dadas pelos Emissários de Luz.
Por tais razões, deve manter elevação de pensamentos e seguir os ensinamentos de Jesus, cultivando o amor e a caridade. Nos agrupamentos mediúnicos deve o homem trabalhar com muita fé e abnegação, bem como com confiança nos mentores espirituais, criando atmosfera indevassável pelo mundo espiritual inferior. Geralmente, em grupos medianímicos sérios, as entidades umbralinas não conseguem desenvolver atividade obsessiva, pois o médium lhe obstaculiza a atuação. Deve haver, para tanto, responsabilidade e preparo adequado. Nas zonas limítrofes do Umbral, ou seja, nas regiões que estabelecem fronteira com colônias espirituais superiores ou postos de socorro e casas transitórias, estão os vigilantes do Plano Maior14 ligados a várias dessas cidades espirituais. Esses guardiões, em trabalho de equipe não têm por fim atuar na proteção de Espíritos individualmente, mas sim isolar as comunidades das trevas, impedindo-lhes a ação danosa sobre os agrupamentos situados em colônias. Agem, muitas vezes, isolando em campo vibratório próprio as guerras ocorridas no Umbral, possuindo, para tanto, armas e equipamentos específicos.
Buscam, ainda, avisar as colônias de possíveis tentativas de ataques de entidades umbralinas. Trabalham na segurança externa das colônias e compõem uma força única de todas as cidades espirituais para a paz universal. VIII OBSESSÃO E DESOBSESSÃO Obsessão e Subjugação A obsessão, conforme nos explica Allan Kardec, é o domínio que alguns desencarnados logram adquirir sobre certas pessoas. Nas palavras do Codificador, ela "nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança"15. A obsessão é um campo bastante amplo onde se pode observar vários graus de ligação entre o obsessor e o obsidiado. Esses níveis dependem muito da elevação do dominante e do dominado. Há obsessão de encarnados e desencarnados, sendo que nos primeiros é diferente da exercida nos segundos.
Nestes é mais profunda, mais grave. 0 encarnado possui o obstáculo natural, que é o corpo material, dificultando o livre acesso dos Espíritos dominantes, enquanto os desencarnados, por estarem geralmente em faixas vibratórias semelhantes aos obsessores, sofrem mais com a dominação e são presas mais fáceis. O processo obsessivo tem sua sede na mente, sempre. No mundo espiritual, hoje, na maioria dos casos, não se usa o termo obsessão para o processo obsessivo entre desencarnados, ficando essa denominação reservada para o domínio desencarnado/ encarnado, em seus três níveis: obsessão simples, obsessão por fascinação e obsessão por subjugação. No tocante aos desencarnados, a melhor figura que delineia esse processo é a subjugação. A
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