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Capítulo 4 de 14

II Retratos de — parte 3 de 4

Conversando sobre Mediunidade · Espírito Cairbar Schutel

mas se rejubila com a verdade; tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre" . Virtude fundamental, que deve embasar todas as outras, é de emanação divina, sendo virtude ativa: não basta evitar de fazer o mal; deve-se, sim, fazer o bem ao semelhante. Há inúmeras formas de praticá-la, não se confundindo com esmola, que, não obstante útil em alguns casos, é quase sempre humilhante. A atividade caritativa, ao contrário, cria uma ligação espiritual entre o benfeitor e o beneficiário, principalmente se for discreta. O benefício oferecido sem ostentação tem duplo mérito: é caridade material e moral, pois não fere a suscetibilidade e o amor-próprio do auxiliado, evitando o melindre. Em verdade, os homens devem se colocar como beneficiados no auxílio desinteressado ao próximo - o que é uma realidade - ficando agradecidos por poder ajudar. Em lado oposto, a caridade orgulhosa é a daqueles que a praticam aguardando provas de gratidão do beneficiário, esquecendo-se que Deus espera de Seus filhos o exercício abnegado do bem. Aquele que procura o reconhecimento do mundo material não o encontra no espiritual.

Além disso, a ingratidão do semelhante pode ser uma prova para o verdadeiro benfeitor demonstrar sua perseverança na atividade caridosa. Todos podem vivenciá-la, ao menos a moral que nada custa, mas é a mais difícil de ser exercida: ser indulgente com os semelhantes, perdoando-se mutuamente pelas faltas recíprocas; calar para que o outro fale, sabendo ouvir; não se importar com as provocações recebidas daqueles que se julgam superiores, mas que aos olhos da Espiritualidade muitas vezes não o são; não desprezar o próximo. Ainda mais, orando pelos infelizes; amparando e dando bons conselhos a quem os necessita, principalmente às crianças; incentivando os idosos a superarem as suas limitações, fazendo-os se sentirem úteis, pratica-se a caridade, a qual pode ser exercida em pensamentos, palavras e ações. Não se deve reclamar das dificuldades, quaisquer que sejam, mas sim agradecer a possibilidade de distribuir e empenhar amor, trabalho, simpatia, capacidade, inteligência, compreensão e, se possível, recursos materiais, àqueles que, deserdados dos bens deste mundo, padecem inúmeros sofrimentos.

Por menos que se tenha, deve-se uma parte aos que nada têm, pois todo sofredor é nosso irmão e carece de ajuda. Não é preciso esperar as grandes calamidades para auxiliar o próximo, pois há incontáveis infortúnios discretos e ocultos que a verdadeira caridade sabe descobrir. Aquele que sinceramente pretende ser útil ao semelhante, encontra inúmeras

"O Evangelho Segundo o Espiritismo", AUan Kardec, Capítulo XV, número 6, 52‘ edição, F.E.B. oportunidades para sê-lo no dia-a-dia, pois sempre há alguma forma de minorar um sofrimento físico ou moral, tomar alguma providência útil, prestar algum serviço desinteressado a quem necessita. Os médiuns, na atividade caritativa, além de tudo, devem levar os menos esclarecidos a crer na Verdadeira Vida e a praticar os ensinamentos do Cristo, sem afrontar convicções. Mediunidade é veículo de condução das ideias espirituais e, fundamentalmente, um instrumento de trabalho que o Criador colocou à disposição do Plano Espiritual Superior para incentivar os encarnados no exercício da caridade, pela integ Tação entre os dois planos da vida. A atividade mediúnica bem exercida é uma de suas formas porque ajuda na evolução de terceiros e do próprio médium; esclarece, encaminha e faz com que o medianeiro seja pólo de amor e de desprendimento positivo de energia. Assim, há plena identidade entre mediunidade e caridade, a primeira servindo de meio para a consecução da segunda.

O exercício mediúnico será a base da família universal pela prática da fraternidade, seja qual for a crença ou opinião. Todas as civilizações o conhecerão, pois os desencarnados participam da vida dos encarnados e essa maior integração entre os dois planos da vida facilitará a evolução. Instituições como a família e outros centros de integração espiritual irão, no futuro, transformar- se em núcleos de exercício da mediunidade. As colônias do mundo invisível têm e terão função preponderante no exercício da mediunidade, veículo indispensável para que todos recebam apoio espiritual. Elemento de ligação entre elas e os encarnados, o médium deve conhecer a sua tarefa para desincumbir-se a contento do programado pelo Alto, pois traz consigo a sua bagagem como Espírito, relativa a vidas passadas, e como encarnado completando a sua capacitação mediúnica. E quando trabalha, com fé e amor, embasado na Doutrina Espírita, tem amplas chances de desenvolver acertadamente a sua mediunidade, principalmente quando conta com o apoio de uma equipe diligente.

Quando ocorre que médiuns sem base evangélico-doutrinária, mas que necessitam trabalhar pelo próximo, sejam levados ao desenvolvimento mediúnico, certamente, nesse caso, a tarefa medianímica representará uma prova muito difícil, pois estará mais vulnerável ao desvio do caminho correto. Poderá, no entanto, alcançar bons resultados se associada ao amor e à caridade. Destarte, o médium, mesmo sem embasamento doutrinário, serve à causa da Espiritualidade Maior, às vezes para provocar o despertamento de coletividades céticas em relação ao mundo espiritual, levando-as a adquirir o sentimento de fé e de credibilidade na vida invisível, trocando o materialismo extremo pela gradativa espiritualização de seus seres. Os conceitos doutrinários muito ajudam, mas o exercício da mediunidade é constituído sobretudo pelo amor e pela fé. Aquele que possui a mediunidade desenvolvida, com base doutrinária ou não, tem, de regra, mais força e chance de ajudar e amar seus semelhantes, bem como de fazer aflorar seus bons sentimentos. Eventualmente, poderá deixar que prevaleçam os seus maus pendores.

É o caso do médium que cobra pelo benefício mediúnico que fornece, assumindo enorme dívida com o Plano Maior e desvirtuando a tarefa que prometera, ainda na Espiritualidade, abraçar com abnegação e amor, livre de qualquer pagamento. Mediunidade não se coaduna com troca, não está e nunca esteve à venda. É atividade espiritual que não compreende pagamentos, sendo tão ignóbil cobrar o benefício mediúnico fornecido quanto seria cobrar-se pelo ar que se respira. Deve-se ter cuidado, portanto, para não se fazer mau uso daquilo que Deus concede gratuitamente: a mediunidade. Além de ser a forma mais ostensiva de ligação entre os planos físico e espiritual, é um ato de amor e fé, resumido na caridade. Deve-se saber entendê-la e praticá-la, pois isso trará confiança e credibilidade ainda maiores ao trabalho mediúnico. O Médium e as Reuniões Mediúnicas As reuniões medianímicas têm fundamental importância no exercício da caridade.

Deve haver grande responsabilidade e dedicação do encarnado no trabalho mediúnico e a consciência de que sua participação em uma reunião espírita jamais pode ser meramente figurativa. O médium é um braço forte dos Espíritos superiores no desenvolvimento dos trabalhos espirituais. Tais emissários do bem realizam resgates diretos de entidades sofredoras na esfera espiritual: hoje, a maioria deles ocorre no seio dos grupos mediúnicos, com a participação necessária dos medianeiros. O enfoque é o trabalho conjunto, bilateral: médiuns encarnados - colônias espirituais. O coordenador ou dirigente tem função preponderante na harmonização do grupo mediúnico, devendo ter conhecimentos doutrinários respeitáveis, zelar pela disciplina e bom andamento dos trabalhos, cuidar para que haja sintonia entre os participantes. Todos devem trabalhar com fé e amor, confiando em seus mentores espirituais. Assim, estarão protegidos do assédio das entidades inferiores. Geralmente, em grupos mediúnicos sérios, esses Espíritos não têm vez com sua atividade obsessiva e perniciosa, sem que o médium lhes ofereça brechas, pois não há como penetrar com maus pensamentos em mentes bem sintonizadas e vigilantes.

A falta de fé transforma trabalhadores em alvos fáceis do lado negativo do imenso mundo espiritual que rodeia a cada um dos encarnados na Terra. Todo grupo mediúnico deve ser uma família espiritual, tendo os medianeiros, quaisquer que sejam suas funções, unidos pelos laços do coração, o que garante boa sintonia com o Flano Espiritual Superior e se constitui em barreira instransponível aos desencarnados perturbadores. Assim, basta ter elevação de pensamentos e seguir os ensinamentos de Jesus, mantendo o amor no coração e a caridade nas atitudes, para que o médium assimile o apoio da Espiritualidade Maior e não permita a perturbação, mesmo quando estiver auxiliando encarnados ou desencarnados de faixas vibratórias inferiores. Os bons pensamentos dos medianeiros trazem sempre as emanações coloridas, claras e positivas dos mentores, sendo que o seu brilho privativo afasta os Espíritos mal intencionados. Os médiuns devem reconhecer a vibração dos mentores, inclusive pela vidência, evitando a atuação dos mistificadores, que podem emiti-la em cor relativamente clara, mas sempre sem brilho.

No Grupo Irmã Scheilla, mencionado no livro Alvorada Nova, por exemplo, as vibrações positivas e brilhantes têm, sob a ação de Alvorada Nova, as seguintes tonalidades: cor amarela, higienizante; azul, de cura e verde, calmante, entre outras. Cores, entretanto, são símbolos e estes podem mudar, haja vista que em outros grupos mediúnicos são diferentes, pois ligados a outras equipes espirituais que lá atuam. Mas são sempre claras e brilhantes. Alvorada Nova, em seu campo de ação, transmite a cor que a equipe espiritual requer por meio de focos de iluminação originários da Colônia e dirigidos às sessões mediúnicas a ela ligadas, para facilitar os trabalhos realizados na crosta terrestre. Esses focos possuem também um campo vibratório de proteção em seu interior, o qual envolve as reuniões medianímicas. O Passe O passe é um trabalho de cada mentor, utilizando-se do médium sintonizado para a prática da caridade e do bem. É a transmissão de energia do plano espiritual por um intermediário a um terceiro que mereça ou deseje recebê-la.

Sua finalidade é atender a um sofrimento do receptor, seja no campo da cura, dando-lhe forças para vencer uma doença ou acalmar o seu espírito, seja no da desobsessão, onde se busca anular os efeitos negativos da ação de entidade inferior. Existem o passe direto do protetor ao seu tutelado e o de mentores de uma sessão mediúnica aos reunidos, mas são todas manifestações que se fundem num só conceito: transmissão de energia fluídica de um corpo para outro, seja de espiritual para material, de espiritual para espiritual ou de material - recebendo energia espiritual - para transmiti-la a corpo material ou espiritual, que é o campo da nossa abordagem. Para cada caso (cura, fortalecimento, desobsessão, entre outros) o receptor recebe o passe adequado, existindo complexidade no desenvolvimento do processo que objetiva atender às necessidades pertinentes. Aqueles que desenvolvem grande integração com seus protetores e seguem as orientações do momento não necessitam de fórmulas próprias para ministrar os passes. A inspiração ou a intuição orientam o médium na sua aplicação.

Isso porque o passe, que é um ato de amor, não pede regras fixas de aplicação. A intuição faz com que ele atinja as zonas corretas e necessitadas de receber a carga energizante. Haverá, eventualmente, a incorporação do mentor no médium, que agirá com maior desenvoltura e rapidez, dando um passe com maior integração do plano espiritual. Se for um passe com magnetismo do médium de cura, este pode utilizar-se da imposição de suas mãos ou seguir a intuição de mentores para deslocar sua própria energia ao ministrá-lo. O médium de cura, sintonizado com o protetor, deve desejar curar, mentalizando a magnetização positiva. Eventualmente, médiuns de cura podem, com vibração própria, ajudar seus semelhantes com seu passe. Aliás, é uma tarefa possível de ser realizada por todos os que atuam com amor na troca de fluidos. Na desobsessão, logo que termina o atendimento ao Espírito sofredor, o médium aplicador deve dar um passe no médium de incorporação, desimantando as partículas de energia negativa que ficaram no seu corpo, reestabelecendo-lhe parte de suas forças.

O médium deve ter sempre em mente a vontade de auxiliar, deixando para o Plano Espirituala incumbência de tomar o passe apropriado para a ocasião. O autopasse, que é a concentração de energia do Alto no próprio médium, não foge à regra dos outros passes. Basta seguir a intuição ou inspiração do momento. Não se pretende esgotar o tema, mas apenas lembrar a importância do passe como manifestação da mediunidade no campo da caridade. Áçua Fluidificada A água fluidificada é um veículo material que carrega energia para todas as células do corpo físico do encarnado. A água, por ser justamente fluida, traz em si componentes orgânicos que são perfeitos receptores das energias do Plano Espiritual Superior. O passe e a água fluidificada são apenas formas diferentes de transmissão de energia positiva, ou fluidoterapia, ambos servindo ao espírito que, por sua vez, ajudará o corpo.

Desconhece-se, ainda, no plano físico, a totalidade da força que a mente tem no controle da matéria, razão pela qual fica-se doente, não raras vezes, sem a noção de que muitos males originam- se do espírito. Assim, a água fluidificada é uma forma eficiente de transmitir energia positiva de uma maneira mais densificada, em face da constituição orgânica desse veículo que compõe a maior parte do corpo físico. Para a fluidificação da água basta deixar um recipiente com o líquido num momento de oração, ou durante o sono físico, para que os mentores lhe transmitam energia. A água pode também ser fluidificada pelo próprio médium, face ao seu magnetismo de cura: os resultados da força e do tempo da vibração, bem como da concentração e da fé, formam um conjunto de fatores que podem facilitar o trabalho do Espírito protetor, o qual transmitirá muito mais fácil e rapidamente os fluidos necessários à sua energização. Faz-se desnecessário qualquer apetrecho para a fluidificação da água, bastando a mão do médium ou sua concentração.

Muito embora a matéria não se constitua obstáculo para os mentores, convém evitar cobrir o recipiente onde está a água a ser fluidificada, pois perder-se-á energia com a interposição de um objeto sólido, como guardanapo ou pires, entre outros, intermeando a água e a energia fluidificante. V OS POSTOS DE TRABALHO Colônias Espirituais e Postos de Trabalho As cidades espirituais mantêm inúmeros postos de trabalho na Crosta, instalados em lares e instituições espíritas. Alvorada Nova os possui no mundo todo, num total de 1060 unidades espalhadas pelo Globo, sendo duzentos somente em nosso país. Alguns estão situados, por exemplo, nos seguintes países e regiões: França, Canadá, Itália, Japão, China, Tibet, Estados Unidos, Alaska, Polônia, Rússia, África do Sul, Argentina, Chile, México, Luxemburgo, Irlanda, Inglaterra, Hungria, Finlândia, Suécia, Paquistão e índia. Na Alemanha há duas extensões ligadas à França, país sede das atividades dessa colônia na Europa. Há programação para a instalação de outras unidades.

Outras cidades espirituais também mantêm postos em diversos países e no Brasil, possuindo suas sedes em diversos locais do mundo. Nosso país é o que mais possui postos de trabalho de Alvorada Nova e de todas as colônias existentes ao redor da Terra. Na região Norte, a colônia de Cairbar tem trinta e um postos; na região Nordeste, vinte e nove; na região Sul, vinte; na região Centro-Oeste, vinte e nove, sete deles em Brasília. Os outros noventa e um postos estão localizados na região Sudeste. Eis a importância da atividade de Alvorada Nova no pais: cada núcleo dessa colônia representa um centro de aperfeiçoamento de Espíritos, local de integração dos dois planos da vida. Nesses locais há constantes reuniões de aprendizado e realização de palestras, onde os desencarnados podem ir buscar amparo ou comparecer para auxiliar terceiros, servindo o posto como intermediário no encaminhamento da ajuda oferecida. Os lares devem sempre cultivar o Evangelho de Jesus e vivenciar seus ensinamentos, pois são sementes de postos de trabalho de comunidades espirituais.

O posto funciona também como local de atendimento de trabalhadores espirituais de passagem por tarefas na crosta terrestre, servindo às equipes socorristas provenientes das colônias. Essas equipes podem vir em busca de apoio vibratório para tratamento de enfermos espirituais, pois estes, muitas vezes, necessitam da ajuda dos encarnados para auxiliar em sua recuperação. Nos postos montam seus aparelhos portáteis e próprios para a captação de fluidos, enviando para a colônia a energia magnética recebida dos encarnados, a fim de auxiliar entidades em tratamento. O amor é fonte de salvação e o melhor remédio para qualquer tipo de doença, seja espiritual, seja material. Em potencial, todos os lares da Crosta são postos de trabalho da Espiritualidade. Aquele, no entanto, que desabrocha expressamente como tal, é preparado e avaliado por equipes da colônia espiritual à qual está ligado para verificação da aceitabilidade do trabalho mediúnico pelos cônjuges ou pela pessoa residente no local, criando-se então o posto.

Avalia-se sempre a intenção dos componentes desse lar em colaborar com a integração dos dois planos da vida, sendo que a maioria dos postos de trabalho são criados em lares compostos por uma família regularmente constituída, ou seja, pai, mãe e filhos, pois é o ambiente adequado para o desenrolar das atividades espirituais. Excepcionalmente, podem-se criar postos em lares de pessoas solteiras ou sozinhas, mas o critério de seleção é mais rigoroso, em razão de não se ter, em regra, nesses lares, freios naturais para utilização e frequência do local que será sede de atividades de inúmeros Espíritos. No caso do posto ser viabilizado num lar habitado por uma família, a aceitação das tarefas por ambos os cônjuges é essencial, na medida em que o trabalho é sempre conjunto nesses casos. Nos tempos atuais e no Brasil é condição necessária a família ser espírita. No futuro, certamente não será, pois necessitar-se-á apenas de uniformidade de

pensamento e de credibilidade no lado espiritual da vida. Em outros locais do

(11) Atualmente, neste país, em razão de sua importância nos trabalhos futuros a nível mundial, exige-se que a família seja espírita para a instalação de um posto de trabalho, o que não afasta a importância das demais famílias em geral como centros de evolução fundamental do ser. Nas família espíritas há "evangelho no lar", "divulgação da Doutrina Espirita", "aceitação dapresen; ca e do trabalho dos Espíritos", "melhor sintonia vibratória entre encarnados e desencarnados" e "entendimento dos fenômenos

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