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Capítulo 8 de 14
Sudeste 60 91 — parte 3 de 6
Conversando sobre Mediunidade · Espírito Cairbar Schutel
16 (16) - Kardec já fazia algumas restrições à palavra possessão, como se vê em "Obras Póstumas" (Manifestação dos Espíritos - parágrafo 7“ - Da obsessão e da possessão - n* 56), 12“ edição, FEB: "à subjugação, guando no paroxismo, é que vulgarmente dão o nome de possessão". do trabalhador despreparado. A carne de peixe não causa tantos problemas, desde que se evite excessos. O médium mal preparado distorce a coloração de suas vibrações, tornando-se dissonante no processo mediúnico e pode receber forte carga negativa na reunião, pois toma-se receptor dos sofredores presentes, que com ele podem se identificar. O medianeiro, nessas condições, não possui clareza de vibrações, nem de percepções. O conhecimento dessa parte técnica de um encontro de desobsessão é imprescindível para que o participante tenha consciência da importância de seu trabalho. O coordenador da reunião, com segurança e preparo, utilizando-se de sua sensibilidade, proporciona rumo certo aos trabalhos mediúnicos, apoiado pelas percepções e relatos dos trabalhadores.
Em uma das diversas formas de atuação, o coordenador pode captar a vibração do momento e pedir que todos vibrem numa cor específica, para que se desliguem de pensamentos externos, fortalecendo o padrão vibratório e apoiando o trabalho que está sendo realizado pelas equipes espirituais. A vibração da cor indicada é aproveitada pelos mentores e o trabalho é beneficiado. Essa a razão dos coordenadores dos grupos mediúnicos, até por intuição, possuírem um vocabulário especial, voltado para a vibração das cores. Elas têm uma participação importante, até no aspecto psicológico do médium-trabalhador. O coordenador deve buscar também motivar toda a equipe ao estudo constante, visando o conhecimento específico da mediunidade, a efetiva formação doutrinária e a real postura moral- evangélica. A finalidade é robustecer em cada um a fé raciocinada para o trabalho consciente na Seara de Jesus, que objetiva reviver o Cristianismo na sua simplicidade e pureza, pela prática da caridade no seu sentido mais amplo. A fé é o sentimento que sustenta a atividade mediúnica e garante o bom desempenho da mediunidade.
Com essa base, o médium sabe que a melhor maneira de auxiliar no atendimento a um obsessor é vivenciar com determinação sua confiança em Cristo, a qual ajuda a formar a corrente mediúnica suficientemente forte para beneficiar o necessitado. Mistificação Quando no grupo mediúnico há harmonia, entrosamento, união e trabalho de equipe, toma- se mais fácil detectar as tentativas de mistificação por parte de entidades inferiores, evitando-se a perda de tempo e a aceitação de falsos conceitos e mentirosas afirmações. A sintonia individual e coletiva é determinante nesse sentido, devendo cada médium preparar-se continuamente e, em especial, nos dias de reuniões mediúnicas. Assim agindo, a vidência, a intuição e a inspiração, entre outras faculdades, serão instrumentos vigilantes na salvaguarda do bom andamento dos trabalhos. Havendo esse clima de afinidade vibratória é muito mais difícil uma mistificação deixar de ser desmascarada e muito mais fácil o grupo não ser enganado pelos agentes do mal. Pode haver tentativa de mistificação por intermédio de qualquer médium e isso a nenhum desmerece, constituindo mesmo uma prova de humildade.
Não obstante, cumpre ressaltar que o médium fascinado representa veículo potencialmente mais fácil e contínuo às mistificações, pelo fato de acreditar-se superior aos seus pares e supor passar sempre a verdade, que deseja ver absorvida por todos, indistintamente. Pode, também, pela sintonia em que se encontra, ser influenciado para questionar a validade de mensagens autênticas de Espíritos verdadeiramente elevados, por exemplo, visando com isso quebrar a harmonia do conjunto, confundir os médiuns e perturbar a reunião. O bom senso, pois, deve imperar, unindo fé e vigilância, desinteresse e pureza de intenções, lealdade e sinceridade no falar e no agir. É importante que os médiuns busquem entre si a confirmação de suas percepções: um vê, outros confirmam o seu relato; um serve psicofonicamente de instrumento mediúnico, outros procuram analisar e sentir a mensagem que está sendo transmitida e assim por diante. Os desencarnados que procuram mistificar podem se apresentar sob várias formas e aparências, utilizando vocabulário diversificado. Podem usar nomes respeitáveis para tentar passar mensagem própria, seja ela inócua ou não.
O que o âmago do médium questiona, durante um relato de vidência ou comunicação psicofônica, entre outros, deve ser analisado: o problema pode estar com o que sente ou com o emissor da mensagem. No grupo deve imperar o bom senso e, sempre que possível, a confirmação do fato por vários médiuns. Se surgir um impasse é hora do coordenador dos trabalhos convidar todos para uma nova sintonização, utilizando a prece elevada ao Alto como o meio mais eficaz para atingir esse desiderato. IX OS SONHOS Desprendimento e Atitudes Pode-se atribuir dois sentidos à palavra sonho, um lato senso e outro estrito senso. No primeiro caso o sonho confunde-se com desprendimento. Assim, todos quando dormem sonham, pois com o sono a alma desprende-se de seu corpo físico. Na segunda hipótese o sonho significa a lembrança guardada na memória do encarnado daquilo que vivenciou enquanto esteve desprendido. É a recordação do ocorrido durante o sono. Nesse aspecto, pode-se dizer, por exemplo, "esta noite dormi e não sonhei", significando que não há recordação do que foi vivido quando houve o desprendimento.
O encarnado ao desprender-se não pensa necessariamente da forma que o faz quando está preso à matéria. Assim, nesse estado, ele pode seguir caminhos corretos ou incorretos. Como exemplos de atitudes corretas pode-se citar, entre outras: a) procura atividades benéficas para desenvolver no plano espiritual - visando novos conhecimentos: assiste a aulas e participa de seminários; integra-se a uma equipe de trabalho e participa, ao lado de mentores, de tarefas em benefício de enfermos internados em hospitais materiais ou espirituais; ajuda no resgate a Espíritos necessitados. Geralmente a sua atividade relaciona-se com o seu estado de elevação espiritual, podendo, inclusive, percorrer regiões superiores da Espiritualidade, mas esse fato é raro; b) realiza visitas a amigos e parentes, encarnados ou desencarnados, com a permissão do Alto.
Como comportamentos incorretos pode-se mencionar, por exemplo: a) procura fazer aquilo que não pode realizar enquanto ligado à matéria - vinculado aos seus vícios -, indo a locais umbralinos, indevidos ou vinculados à execução de atitudes inadequadas; b) permanece no local onde se encontra seu corpo físico adormecido, gerando desvios em pensamentos reflexivos de fantasias impróprias à sua evolução ou visando a realização de ações negativas; c) pode ser envolvido por Espíritos levianos e mistificadores que o forçam a vivenciar tais situações negativas, o que ocorre tanto mais facilmente quanto há mais tempo já o venham influenciando com sucesso. Nessas circunstâncias pode ser enganado, o que seria permitido pela Espiritualidade Superior para que sofra reprimendas naturais em face da sua inviguância, com vistas ao seu aprendizado; d) busca juntar-se a entidades inferiores, tendo por fim vingar-se, duelar, causar mal ao seu semelhante, encarnado ou desencarnado. É o pior tipo de desprendimento, pois acarreta muitas dívidas. No caso do duelo espiritual, podem até mesmo ocorrer lesões ao seu perispírito, as quais, transferidas ao corpo físico, causam doenças materiais.
Um procedimento indicado para auxiliar o encarnado a ter vivências positivas durante o desprendimento auspiciado pelo sono físico consiste em manter um comportamento diário correto, já que a alma, ao desprender-se, leva consigo as vibrações acumuladas ao longo do dia. Assim, deve-se ter em mente o Evangelho de Jesus, executando na prática seus ensinamentos, para merecer, durante a vigília, boas companhias espirituais. Essas atitudes facilitarão uma postura positiva durante o desprendimento, por representar a continuação natural do seu modo de sentir e de agir. A oração é sempre indispensável antes do sono físico, pois representa um canal direto de ligação com o Al to, estabelecendo sintonia superior, desde que parta do coração e seja feita com fé. Nessas condições, as horas de desprendimento tomam-se propícias para o encarnado ter boas convivências e obter positivas orientações dos Amigos Espirituais.
Lembranças e Sentimentos Toda vez que o encarnado retorna ao corpo físico, depois de um desprendimento proporcionado pelo sono, assemelha-se a alguém que volta de uma viagem da qual traz agradáveis ou desagradáveis lembranças, bons ou maus sentimentos, positivo ou negativo estado de espírito, conforme as circunstâncias que vivenciou. Com relação a lembrar-se ou não dos sonhos, existe a intervenção da Providência Divina, tendo em vista a evolução dos seres. Esse mecanismo leva em conta o preparo do encarnado e a necessidade da recordação com vistas a determinados fins (reprimenda, conforme ficou evidenciado acima; incentivo ao bem e estímulo às boas obras, entre outros). Muitos sonhos não lembrados, pertinentes a desprendimentos com atitudes corretas, afloram como inspiração, tendo em vista a prática de alguma coisa boa ou a construção de uma obra benemérita. A não lembrança dos sonhos tem em vista preservar o mérito de cada um, creditando à sua iniciativa e ao bom uso do seu livre arbítrio a ação tomada após o recebimento da referida inspiração.
Outros sonhos não recordados, frutos da vivência de desprendimentos com propósitos incorretos, objetivam evitar ao encarnado o surgimento de maiores obstáculos nas suas relações com o próximo, pois a finalidade da reencarnação é a evolução conjunta das criaturas. Nenhum benefício traria ao encarnado, por exemplo, lembrar ter sido perseguido por um inimigo, adversário de outras reencarnações, o qual hoje reencarnado lhe é pessoa muito ligada pelos laços consanguíneos. De regra, a maioria das pessoas recorda parcialmente de seus sonhos. Quanto aos sentimentos, diversos são os que se pode ter ao despertar, indicando cada um deles os efeitos dos fatos ou atos vivenciados durante o desprendimento. Podem ser classificados em: - positivamente ativos - negativamente ativos - positivamente neutros - negativamente neutros Positivamente ativos: são aqueles que, além de serem úteis a si próprio, podem mudar a vida de terceiros, influenciando-os à prática do bem e a uma aproximação com Jesus. São verdadeiros exercícios de caridade. Exemplos: otimismo, alegria, fé, amor. Negativamente ativos: são os que prejudicam quem os sente e chegam a causar prejuízo a outras pessoas.
Exemplos: ódio, raiva, vingança. Positivamente neutros: são aqueles onde só se busca benefício próprio, mas sem atingir ninguém. Exemplos: satisfação, resignação. Negalivamente neutros: são os sentimentos negativos que só afetam aquele que os sente, sem atingir terceiros. Exemplo: desânimo, angústia. Os sentimentos não são isolados, podendo coe- xistir entre si: ódio e raiva, alegria e preguiça, angústia e desânimo e assim por diante. Como regra geral tem-se que os sentimentos positivos resultam de atitudes boas praticadas na Espiritualidade quando houve o desprendimento. Sentimentos negativos são frutos de atitudes más ou resultado de pensamentos reflexivos frustrados. O estado em que o encarnado se encontra ao despertar pode indicar o tipo de desprendimento que teve. Assim, a título de ilustração: Alegria: dever cumprido pela realização de boas obras no plano espiritual, com reflexo no material. Felicidade: reencontro com amigos, parentes, entes queridos. Disposição: encontro com mentores. Medo: reencontro com inimigos, inclusive obsessores, vinganças, situações mal resolvidas. Mau humor: misto de frustração por não ter conseguido o que pretendia, em termos negativos, e encontros com desafetos.
Desânimo: frustração de intento espiritual negativo; tentativa sem êxito de ação positiva; reflexão sem solução para resolver problemas. Preguiça: frustração com a vida física, fuga, imagens relacionadas com isolamento, tentativa de afastamento de elementos que possam trazer reminiscências da vida material, à qual está inadaptado, decepção. Doença: contato com regiões umbralinas de forte carga fluídica negativa, intoxicando o perispírito pela inalação de gases ou proporcionando ferimentos perispirituais adquiridos em entreveros, com reflexos no corpo material. Cansaço: atividade negativa em geral, perseguições a Espíritos, duelos, combates. Durante o desprendimento é possível haver mais de um tipo de atividade. Assim, num primeiro momento, o encarnado pode ter contato com seu mentor, haurindo bons fluidos, retomando em seguida próximo de seu corpo, aí plasmando ideias próprias reflexivamente. Ao despertar pode lembrar-se dos dois momentos, de somente um deles ou de nenhum, conforme a necessidade, a critério da Espiritualidade. Não tem este livro a pretensão de criar um dicionário de significados dos sonhos - cujas interpretações são bastante relativas - abrangendo todas as situações pertinentes aos desprendimentos.
A variedade de emoções que o encarnado possui ao despertar exemplifica os vários tipos de sonho na vida de cada um. Vários desses sentimentos podem ser colocados juntos em uma mesma figura. Às vezes, um mescla-se com outro, pois o desprendimento traz diversas sensações. O objetivo dessa ilustração é demonstrar a importância do zelo que o encarnado deve ter com sua vida cotidiana para que se prepare devidamente quan- 127to aos caminhos que irá percorrer durante o sono físico, evitando contrair dívidas e visando adquirir bons frutos. Todo resultado dos desprendimentos reflete-se na forma emocional do despertar. Sonhos Reflexivos. Espíritas e Proféticos Conforme as percepções visuais do ser desprendido pelo sono, seu sonho pode ser reflexivo, espírita ou profético: Reflexivo: o encarnado, desprendido e permanecendo próximo ao seu corpo físico adormecido, faz reflexões que podem ser positivas ou negativas: - Positivas: reflete a respeito de si mesmo, analisando seu modo de viver e de ser, com vistas à sua evolução espiritual, podendo fazê-lo com uma desenvoltura que não conseguiria se preso ao seu corpo material; medita e chega a conclusões úteis ao seu desenvolvimento; - Negativas: por reflexão, produz uma imagem ideoplástica inferior, passando a vivenciá-la.
Pode, por exemplo, plasmar a imagem de uma amante, em seu próprio quarto e, nessa forma-pensamento negativa, mentalizar a prática de um ato sexual. Sua esposa, cujo corpo também está adormecido, desprendida ao lado, pode observar o quadro projetado, configurando-se assim um adultério através de ideoplastia. A propósito do assunto, cabe lembrar a recomendação de Jesus, quando diz: "aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério"17, buscando nos fazer compreender que o adultério deve ser evitado até mesmo em pensamento, por estabelecer sintonia inferior, contrária à nossa harmonia interior em relação às leis divinas que regem o Universo e a Vida. Espírita: o encarnado desprende-se, relaciona-se com outros Espíritos, desencarnados ou não, buscando a satisfação de seus anseios, tendo atitudes positivas ou negativas. Profético: durante o sonho espírita pode ter contato com mentores que lhe revelam acontecimentos futuros, de ordem particular ou geral, através de projeções fluídicas positivas.
Representa, portanto, o recebimento de ideias e vivências do Mundo Espiritual, que expressam conselhos e orientações superiores, favorecidos para o aprimoramento das atividades do homem na Crosta. Geralmente prevê alguma coisa nova, pois a Espiritualidade Superior tem por
17 (17) - "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capitulo VIII, item 5, pág. 142, 52‘ edição, FEB. objetivo a construção de um mundo melhor. Pode o homem despertar com o pressentimento de algo futuro para os encarnados, mas que é presente no Plano Espiritual, trazendo na mente projetos originais para o trabalho positivo na Terra. Memória Espiritual Durante o desprendimento há a possibilidade de se fazer um levantamento de memória. O encarnado pode ter visões relativas ao arquivo do seu próprio subconsciente, onde está guardado o registro de suas vivências passadas, através de estímulos provocados pelos mentores. Isso é permitido para que tenha noções do pretérito, as quais venham em auxílio da sua atividade presente e futura. Obtém-se, nessa regressão de memória, algumas imagens pertinentes a reencamações precedentes e a períodos vividos na erraticidade. Por outro lado, se em vigília sentimos que já vivemos certos momentos é porque geralmente já os vivenciamos de fato. A sensibilização do homem, quando desperto o corpo, é uma autêntica situação de despertamento momentâneo de reminiscências do passado.
A memória do encarnado capta o presente para a vitalização do futuro. Não está morta para o mundo, mas apenas adormecida providencialmente em muitos aspectos. Nada impede que contatos com um local onde já se viveu em outras vidas sensibilize o indivíduo e, pressionada a memória, ocorra um despertamento momentâneo, trazendo lembranças de uma era que já passou. Há, porém, casos especiais em que criaturas desejam tanto conhecer determinado local, que seus próprios sentimentos podem provocar emoções peculiares quando comparecem ao lugar. Pode não ser, assim, um despertamento de memória, mas simplesmente a satisfação de um desejo incontido, que se realiza em nível psicológico. Conclusão Finalizando a abordagem sobre os sonhos, sem desejar com isso esgotar o assunto, registre- se o seguinte: - só se pode dormir se houver desprendimento e só haverá sonho se o desprendimento ocorrer, por menor que seja18. - a alma do encarnado não necessita de qualquer posição especial do corpo para se desprender. - há equipes espirituais de apoio aos desprendimentos dos encarnados.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.