Capítulo 7 de 12
Aum (1) — parte 6 de 7
Bhagavad Gita
de água. Eu não olho o valor da oferenda, mas olho o coração de quem a faz. 27. Por isso, qualquer coisa que faças, quer comas ou bebas, quer recebas ou dês, quer jejues ou ores, sempre pensa em Mim e oferece tudo a Mim. 28. E oferecendo a Mim tôdas as tuas ações, serás livre dos vínculos da ação e das suas conseqüências. A tua mente torna-se, assim bem equilibrada e harmonizada, e capaz de unir-se a Mim. 29. A todos os meus filhos no mundo, a todos os viventes, eu olho com igual amor e simplicidade. Todos Me são igualmente caros; não repilo a ninguém e a ninguém prefiro.
Aquêles, porém, que Me adoram e a Mim se dedicam, êsses estão em Mim e Eu nêles. 30. Se um grande pecador a Mim se dirige e Me dedica o amor de sua alma, é digno de louvor, porque procura a verdade. 31. Em breve êle encontrará o caminho da retidão e, trilhando-o com perseverança, alcançará a Paz Eterna; pois Eu não abandono a nenhum dos que Me adoram em verdade. 32. Cada um que a Mim se dirige, acha em Mim o refúgio, e anda pelo soberano caminho, 107 mesmo que nascido de família pecadora, seja homem ou mulher, rústico ou peão. 33. Tanto mais os santos brâmanes e os pios reis-sábios! Compreende isto, ó príncipe! e considera esta terra como uma morada passageira, CAPÍTULO X transitória. VIBHUTI YOGA - A EXCELÊNCIA DIVINA 34. Conhece-Me, adora-Me, fixa em Mim a tua mente e sem distração une a tua vontade à Deus n&o é diferentes coisas, mas Tudo Minha, e nesta união encontrarás a mais perfeita em tudo.
Me é a Unidade de que procedem todos os números; Êle é, em tudo, o felicidade da tua vida". verdadeiro fundamento e a verdadeira essência. Em si mesmo imutável, manifestase de variadissimos modos, conforme os pontos. Dele não podemos dizer que seja, em si mesmo, perfeito ou imperfeito, bom ou mau, porque Me é a Perfeição e a Bondade mesma; em tôdas as coisas, Êle é o mais perfeito Sêr. 1. 0 Verbo Divino continua: "Ouve, ó forte Herói! a doutrina mais importante que te quero expôr, porque a minha palavra te alegra e porque quero o teu bem. 2. Não conhecem a minha origem nem os anjos, nem os deuses, nem os grandes espíritos, nem os adeptos ou outros homens adiantados no saber; porque Eu sou a origem dêles todos. 3. Quem se adiantou em sabedoria, tanto que Me conhece como Ser Infinito, sem princípio
e sem fim, o Senhor do Universo, êsse anda sem pecado, sem ilusão e sem êrro, no meio dos mortais. 4. Sabe que de Mim procedem todas as qualidades dos sêres individuais, como: a razão, o conhecimento, a sabedoria, paciência, verdade, cle-
mência, domínio de si próprio, tranqüilidade, prazer e dor, nascimento e morte, coragem e mêdo. 5. Igualmente: a inocência, equanimidade, abstinência, contentamento, afabilidade, caridade, severidade, glória e modéstia. 6. De Mim tiraram origem os sete grandes Rishis ou reis-sábios, os quatro patriarcas (1) e os Manus (2): todos foram emanados da minha Mente, e dêles proveio o gênero humano. 7. Quem conhece esta minha soberania e a minha fôrça mística, sem dúvida é dotado de infalível e inteligente fé e devoção. 8. Eu sou a Origem de tudo. O universo inteiro de Mim emana. Os sábios, que são Minha imagem e semelhança, conhecendo esta verdade, dirigem-se a Mim com adoração.
(1) Os quatro patriarcas são os quatro espíritos ema nados de Brama; Sanatkumara, Sanaka, Sanatana e Sanan dana. (2) Manus são os chefes e legisladores de uma raça.
9. Conservando-Me sempre em suas mentes, e fazendo a sua vida confluir com a minha, glorificam- Me constantemente, regozijam-se e são felizes. Eu, de contínuo, os ilumino o inspiro, e êles instruem uns aos outros e, com a luz do seu espírito, dissipam as trevas e a ignorância do mundo exterior. 10. A todos os que Me oferecem o coração, Eu sou a ciência do discernimento e intuição, para chegarem até Mim. 11. Residindo no centro das suas almas, façoos sentir a Minha misericórdia, o Meu Amor, o espalho dali os raios do verdadeiro conhecimento, cuja luz dissipa as trevas oriundas da ignorância". 12. Exclama Arjuna: "Em verdade, Tu és Parabram, o Senhor Supremo! Os deuses, anjos e sábios reconhecem-Te como o Refúgio universal, a mais elevada Morada, Eterno Criador, Sêr Absoluto Puríssimo, Onipotente, Onisciente, Onipresente! 13. Assim Te chamam os sábios, e Tu mesmo o confirmaste falando a mim. E eu Te creio em tudo e sem reserva, ó Senhor Abençoado! 14. A Tua presente manifestação encarnada, a Tua presença em forma terrestre é um gran 111 de mistério, que não compreendem nem os deuses, nem os anjos, nem os espíritos adiantados de todos os mundos. 15. Só Tu, único, Te compreendes, ó Fonte da vida, ó Senhor Supremo do universo inteiro, Deus
dos deuses, Governador de Tudo o que é, foi e será! 16. Eu, Teu indigno discípulo, rogo-Te: podes me esclarecer a respeito das Tuas perfeições divinas e dizer-me com que misteriosa fôrça penetras todos os mundos e, no entanto, permaneces imutável em Ti mesmo?
17. Como poderei eu chegar a conhecer-Te? Como devo pensar em Ti? Como meditar em Ti, se não conheço a Tua forma própria? 18. Fala-me mais ainda, e mais extensamente, do Teu misterioso Sêr, das Tuas forças, dos Teus poderes e formas de manifestação, ó Senhor dos mundos! Eu tenho sêde de ouvir as Tuas imortais palavras, como quem há muitos dias não bebeu águas. Refrigera-me com os Teus ensinos, ó Mestre inigualável!" 19. 0 Verbo Divino: "Ouve, meu caríssimo! Descrever-te-ei as principais das minhas divinas características e
manifestações; só as principais, porque sabes que o Meu Sêr e a Minha Natureza essencial são infinitos; as Minhas manifestações e Minhas fôrças não têm limites. 20. Eu, ó príncipe! sou o Espírito que reside na consciência de todos os sêres, e cujo reflexo é conhecido por todos como o "Eu" (ou Ego). Eu sou o princípio, o meio e o fim de tôdas as coisas. 21. Entre as Adityas (Deuses planetários), sou Vishnu (Deus Conservador); Entre os sóis brilhantes, sou o Sol Supremo; Entre os ventos, sou Marichi (Deus dos ventos); Entre os astros, sou a Lua. 22. No Vedas, sou o Sama-Veda (livros de hinos sagrados: Entre os deuses, védicos, sou Indra (o Rei dos deuses); Entre as faculdades, sou a Razão e, nos sêres vivos, sou a Vida. 23. Entre os aniquiladores, sou Shankara (o Destruidor); nos gigantes, sou a Grandeza; nos sêres elementares, sou o Elemento; entre os montes, sou Meru (a Montanha Santa). 24. Entre os sacerdotes, sou o Sumo Pontífice; entre os generais, sou Skanda (deus da guerra); entre as águas, sou o Oceano. 25. Entre os sábios, sou a Sabedoria; en tre as palavras, a silaba AUM.
Entre os sacri- 113 fícios, sou a elevação do espírito. Entre as montanhas, sou o Himalaia. 26. Entre as árvores, sou a figueira sagra da (a árvore da vida). Entre os iluminados, sou a luz; no música das esferas, a harmonia; nos santos, a Santidade. 27. Entre os cavalos, sou Utchaisrava, o cavalo de Indra (símbolo da poesia), que nasceu de Amrita (água da imortalidade). Dos elefantes, sou Airavata (símbolo de sabedoria e grandeza), e entre os homens, o Governador. 28. Das armas, sou o raio, e Kâmaduk (sím bolo da fertilidade) entre as vacas. Entre os amantes, sou o Amor; entre as serpentes, sou Vasuki (rei das serpentes, símbolo do saber).
29. Entre os dragões, sou Ananta (símbo lo da inteligência); entre os sêres aquáticos, sou Varuna (deus da água); entre os Pitris (antepas sados), sou Aryaman (o seu chefe), e dos juizes, sou Yama (o juiz dos mortos). 30. Sou Pralada entre os Daityas (1); Tempo entre suas medidas; leão entre as feras, e águia entre as aves.
(1) Daityas — Deuses intelectuais, opostos aos deuses meramente rituais, e inimigos de puja, sacrifícios.
31. Entre os purificadores, sou o puro ar; entre os guerreiros, sou Rama (poderoso conquistador). Entre os peixes sou Makara (o sagrado crocodilo); Entre os rios, sou o Gânges (o rio sagrado dos hindus). 32. De tôda a criação, Eu sou o princípio, o meio e o fim. Das ciências, sou a ciência do Espírito e o verbo dos oradores. 33. Das letras, sou o A; nas palavras a conjunção. Eu sou o tempo perdurável e Aquêle cuja face se volta para tôdas as partes. 34. Eu sou tanto a Morte, que não poupa a ninguém, como o Renascimento, que dissolve a Morte. Eu sou a Glória, a Fortuna, a Eloqüência, a Memória, o Juízo, a Fôrça, a Fidelidade, a Paciência. 35. Entre os cantos, sou o Hino Sublime; entre os versos, sou o Verso Místico. Entre as estações, sou a Primavera; entre os meses, sou o mês mais frutífero. 36. Eu sou a Sorte entre os jogadores, e o Esplendor de tudo o que brilha.
Eu sou a Valentia e a Vitória; Eu sou a Bondade dos bons. 37. Eu sou o Chefe de grandes tribus e famílias; Eu sou o Sábio dos sábios, o Poeta dos 115 poetas, o Bardo dos bardos, o Vidente dos videntes, o Profeta. 38. Para os governadores, sou o Cetro do poder; entre os estadistas e conquistadores, sou a Diplomacia e a Política. Sou o Silêncio dos CAPÍTULO XI segredos, e o Saber dos eruditos. VIÇVA-RUPA-DÂRÇANAM — A VISÃO DA 39. Em suma, ó príncipe! Eu sou Aquilo que é FORMA DIVINA UNIVERSAL o princípio essencial na semente de todos os sêres e de tôdas as coisas na Natureza; cada sêr, animado ou A forma divina ou personalidade de inanimado, é por Mim penetrado, e, sem Mim, nada Deus consiste na soma de tôdas as formas e pode existir nem por um instante. atividades, em que se manifesta o seu poder. 40. Sem fim são as minhas manifestações 1. Então dirigiu Arjuna ao Senhor Aben divinas, ó Arjuna!
Só exemplos delas te apresentei. çoado estas palavras: Os meus poderes são infinitos em qualidade e "Os Teus ensinos, ó Senhor 1 com os quais Te variedade. dignaste explicar-me o grande mistério do Espíri- 41. Todo sêr e tôda coisa são o produto de uma to, destruíram a minha ilusão e ignorância. infinitésima porção do meu Poder e da minha Glória. 2. Tu me revelaste a plena verdade a res- 42. Mas para que mais minúcias, ó príncipe? peito da criação e destruição de tôdas as coisas, a Sabe que Eu sustento todo êste universo conti- respeito da Tua grandeza, infinita perfeição e nuamente, só com um infinitesimal fragmento de universal imanência. Mim mesmo". 3. Tu és, em verdade, o Senhor do universo, como me expuseste e me convenceste. Mas, se é possível, ó meu Senhor e Mestre! mostra-me a Tua majestosa forma.
4. Se julgas que sou capaz de vê-la, faz-me 10. Neste aspecto, viu-se como Muitos em ver a Tua própria Face e Forma, o Teu Eterno Um só: com inúmeras faces e olhos e bocas, inú- Eu, ó Adorado!" meras aparências, consciências e formas, com todo 5. A Divindade responde: o esplendor de adôrnos celestes, com tôdas as "Vê, pois, ó filho da Terra, e contempla-me, fôrças de poder divino, divinamente vestido e coque sou Um só, em milhares e milhões de diferentes roado, exalando agradabilíssimos perfumes. e variadíssimas formas. 11. Luminoso, radiante, maravilhoso, cheio de graça, e onividente era o seu Semblante. 6. Imerge o teu olhar no reino dos deuses, anjos e arcanjos, espíritos planetários, diretores dos 12. Se mil sóis, ao mesmo tempo, brilhasmundos e muitos outros sêres misteriosos, com que sem no firmamento, a luz dêles haveria de empanão sonha nem a mais indómita especulação e lidecer na presença da Glória que aquele Semblanfantasia. te irradiava em todas as direções. 7. Vê e observa o Universo inteiro, com todos 13. Arjuna viu, então, todo o Universo, vaos seres animados ou inanimados, resumido no meu riadíssimo em suas múltiplas aparências, formando corpo.
Nêle encontras tudo o que desejas ver. uma Unidade no Corpo do Ser Absoluto, e ma- 8. Mas não é com os teus olhos materiais que nifestando-se como muitíssimas partes nos corpos Me podes ver. Para isto, abro-te a tua visão espiritual. dos deuses. Olha, pois, e vê agora a minha gloriosa Natureza 14. Arrebatado e pasmado, e com os cabe Mística!" los arrepiados, mirou e admirou essa Visão Ma ravilhosa; e, inclinando a cabeça com reverência 9. Sanjaya: e devoção, juntou as mãos e dirigiu-se ao Altís "Tendo o Senhor dos Mundos assim dito, deu-se simo, dizendo: a conhecer ao Filho da Terra em seu supremo aspecto 15. (Arjuna): de Senhor Absoluto, cujo domínio abrange o universo inteiro "No corpo Teu, ó Deus! eu vejo todos Os deuses, os degraus de sêres todos;
Noto o Brama, sentado em flor do loto, E a seu redor os Santos com os Sábios. 16. Inúmeros Teus braços são, o os olhos; Inúmeros Tens peitos, Tuas bôcas. Eu vejo que no Teu Sêr infinito Não há princípio, ou meio, ou fim algum. 17. Sôbre a cabeça trazes a corôa, Na mão o cetro e o disco segurando. Por tôda a parte irradias viva Luz, Tão forte, que os olhos meus ofuscas. 18. És indiviso, ó Rei dos entes todos! A Lei e o Coração de todo o Cosmos; Tu és o Alvo mais alto do saber, — De todo sêr que existe, a Eterna Fonte. 19. Não tens princípio, meio ou fim algum. É eterno o Teu poder, a Tua ação. Teus olhos são o claro Sol e a Lua, A Tua face brilha como fogo. 20. Com Tua luz, Tu enches os espaços, O Teu amor aquece os mundos todos; Todas as terras, todos os empíreos De Ti, de Tua glória cheios são.
21. Porém, vendo a estupenda face Tua, Os mundos tremem, fogem-Te os demônios, E as multidões dos santos e dos pios As mãos estendem, dando-Te louvores. 22. Com hinos Te celebram, Grande Deus, Tôdas as multidões e classes de anjos, Arcanjos, querubins e serafins, E todos os mais entes celestiais.
28. Reunindo-se em falanges numerosas, Admiram, ó Senhor! a Tua forma. Os mundos, vendo a Tua majestade, Pasmam, e em mim palpita o coração. 24. Com a cabeça tocas o alto céu, Em milhares de côres resplandesces; A Tua bôca aberta está, horror! E como os grandes olhos Teus flamejam! 25. Teus dentes, ai! se ouriçam e me assustam, A Tua bôca ao mundo lança incêndio. Que aspecto aterrador é para mim! Já perco os meus sentidos; tem piedade! 26. De Dhritarâshtra os filhos, e com êles A multidão dos grandes generais, O invencível Bhishma, Drôna, Karna, E dos guerreiros nossos os mais fortes... 27. Desaparecem nessa horrível bôca, Da qual os aguçados dentes vejo. Ai!
Muitos vejo já com membros triturados; Despedaçados são por êsses dentes! 28. Como os rios, correndo ao mar enorme, Com rapidez ao alvo seu encaminham, Irresistivelmentc vão lançar-se Êsses heróis em Tua garganta ardente. 29. Como as moscas, à luz da vela voando, Vão perecer na chama que procuram: Assim os mundos vão se aproximando, A passos apressados, do seu fim. 30. Em Teus lábios, Senhor, em Tua garganta, Todos os mortais sumir-se eu vejo; 121 A Tua luz penetra todo o mundo, E Teus fogosos olhos queimam tudo. 31. Oh! dize-me quem és, que tão terrível Aspecto tens? Perante Ti me prostro; Oh! tem piedade! quero conhecer-Te, Mas esta aparição eu não compreendo." 32. O Sublime fala: "Eu sou o Tempo, destruidor dos mundos.
Sob esta terrível forma, aqui Me empenho na destruição Desta multidão de príncipes. De todos os guerreiros que aqui vês, Nenhum Me escapará. Só tu os sobreviverás. 33. Levanta-te, pois, teu é o poder; Combate, tu serás o vencedor, Meu braço já abateu teus inimigos; Sê instrumento Meu; sê Meu executor. 34. Derrota todos: Bhishma, Drôna, Karna, E Yayadratha com os mais heróis; Eu já os destrui, não estremeças! Coragem! e serás o vencedor!" 35. Sanjaya: 0 heróico Arjuna, ouvindo estas palavras do Senhor dos
mundos, prosternado e humilhado estendeu as mãos e disse com trêmula voz: 36. Arjuna:
"0 mundo, com razão, Senhor, se alegra Em Tua luz e Tua majestade.
Adoram-Te com júbilo os anjos, Porém, fogem de Ti os maus, os demos. 37. A Ti pertence a glória, a Ti sòmente, Sêr dos seres, mais alto do que Brahm! Espírito Infinito, Único, Eterno, Que, ao mesmo tempo, és o Sêr e o Não-sêr! 38. Tu és o Deus Supremo, o Criador, Sustentador de todo êste Universo; De todos os sêres és a Origem, És a Verdade estável, e o Saber. 39. Tu és o fogo, és a Água, o Vento, a Terra, A Lua; és o Senhor e o Pai dos homens. Sòmente a Ti pertence a glória vera, A Ti sòmente deve-se adorar. 40. Senhor, louvado sejas nas alturas E nas profundidades dos abismos; Sem fim é Teu poder e Tua fôrça, Tu és o Todo, e tudo Tu sustentas. 41. Perdoa-me que, confidentemente, Eu Te chamava: "Ó Krishna! amigo meu!" Perdoa-me esta leviandade E a falta de respeito a Ti devido. 42. Perdoa as faltas minhas, cometidas, Talvez, no gracejar, em companhia, Ou quando estava só, em pé, no leito, Parado ou caminhando, em ignorância! 43. Ó Senhor do Universo! Pai de tudo! Ó Fonte do Saber! Supremo Mestre!
Não há ninguém que seja igual a Ti, Tu, infinitamente poderoso! 123 44. Humildemente, prostro-me a Teus pés Imploro, meu Senhor, Tua clemência: Oh! sê-me afável, como o pai ao filho, Como um amigo, ou um amante, ao outro. 45. Mirando as Tuas grandes maravilhas, Me extasio, porém temor me invade; Desejo em outra forma contemplar-Te; Oh! mostra-Te, Bondoso, noutro aspecto! 46. Desejo ver-Te, como eu antes Te vi; Ver-Te com a corôa, o cetro e o disco. De novo, aparece-me nessa forma, Que me sugere amor, e não me espanta!'* 47. Disse Krishna: "Por Meu poder contemplaste, Arjuna, Infinita e radiante, a minha forma, Que em si contêm dos sêres o conjunto; Ninguém dos outros ainda assim Me viu. 48. Nem dos Sagrados Livros os estudos, Nem esforços mentais, nem sacrifícios, Nem boas obras, nem a penitência Me podem revelar assim aos homens 49. Não temas, não te assustes, caro, Por teres visto esta minha forma; Liberta-te do todo o mêdo, e vê-Me De novo, agora, em minha forma humana. 50. Sanjaya: Pronunciadas estas palavras, apareceu Krishna ao príncipe pândava outra vez em sua
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