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Capítulo 2 de 12

Aum (1) — parte 1 de 7

Bhagavad Gita

Bhagavad-Gítâ CAPÍTULO I O DESÂNIMO DE ARJUNA Neste capitulo se descreve o combate entre o "Bem" e o "Mal", que provém do rompimento da Unidade, tanto no Homem como na Natureza. O Homem, representado por Arjuna, acha-se rodeado de ilusões que pertencem à sua natureza inferior, mortal, e deve vencê-las; porém, como se acostumou a identificar-se com elas, falta-lhe o necessário ânimo. 1. Disse Dhritarâshtra (2). rei dos Kurus, falando com o fiel Sanjaya: (1) Em nome de Deus! Palavra Sagrada entre os hindus, alusiva à Trindade Divina. (2) Representante da Vida material (fôrças cegas).

"Conta-me, ó Sanjaya, os feitos dos meus guerreiros e os do exército dos Pândavas, quando se reuniram para se combaterem no sagrado campo dos Kurus". 2. Pôs-se a relatar Sanjaya:

"Quando o teu filho Duryôdhana (1), o comandante supremo dos teus exércitos, ó rei, avistou as falanges dos Pândavas (2), preparadas para o combate, se aproximou do seu preceptor Drô-na, o filho de Bharadvaja, e disse: 3. Vê, ó Mestre, as poderosas multidões dos filhos de Pându, que constam de vastas fileiras de guerreiros experientes e audaciosos, comandadas pelo valente e sábio filho de Drupada, teu discí pulo. 4. Vê como é grande o número daqueles com batentes fortes que ali estão em seus carros de guerra e com seus arcos e flechas. Há, entre eles, heróis iguais a Bhima (3) e Arjuna (4).

(1) Dificilmente vencível; obstinação. (2) Os Kurus representam as fôrças inferiores da alma humana; os Pândavas (ou filhos de Pându), as forças superiores. (8) Bima (terrível) é a vontade espiritual. (4) Arjuna é o homem em seu desenvolvimento.

5. Lá estão: Virâta, Yuyudhâna, Drupada, Dhristakêtu, Chekitâna, o rei dos Kasis, Purujit, Kuntiboja, Saivya. 6. Ali estão: o audaz Yudhâmanyo, o forte Uttamauja, o filho de Subhadra e todos os filhos de Drupada (1). 7. Porém, igualmente do nosso lado, sob o meu comando, encontras os melhores generais e heróis do nosso povo. 8. Aqui estás tu mesmo, e conosco se Vê Bhishma, Karna, Kripa, Asvatthâman, Vikarna, Somadatti. 9. Todos êstes e muitos outros guerreiros fortes, valentes e experimentados, trazendo as suas armas favoritas, prontos estão para comba ter por nossa causa e, com entusiasmo, arriscarão a vida por mim. 10. Porém, ó Mestre hei de confessar-te que êste nosso exército, se bem que muito valen- (1) Os heróis mencionados aqui e nos seguintes versículos representam fôrças intelectuais, inclinações, faculdades, paixões, artes e ciência. Os "carros" são os corpos pelos quais essas fôrças se manifestam no homem.

As fôrças inferiores são servidoras do egoísmo e do instinto cego, ao passo que as superiores agem em harmonia com a Vontade Divina. 17 te e comandado por Bhishma (2), na minha opinião não tem o número e a força suficientes, enquanto era nossa frente está o inimigo, comandado por ma, em posição ameaçadora, e muito mais forte.. 11. Ordena, pois, aos capitães do meu exér cito que todos ocupem os seus lugares e que se preparem para auxiliar e defender o nosso co mandante Bhima." 12. Soprou então Bhima, o velho chefe dos Kurus, em sua grande corneta e o seu toque soôu como o rugido do leão, excitando a coragem e o ânimo de seus guerreiros. 13. E, em resposta, imediatamente se ouviu o som tumultuoso de inumeráveis outras cornetas e conchas, címbalos, tambores e trombetas, nas falanges dos Kurus. 14. Igualmente deram sinal bélico Krishna, a encarnação de Deus, e Arjuna, filho de Pându, que estavam em seu magnífico carro de guerra,

(2) Bhishma (terror) é o egoísmo. O exército doa Kurus, isto é, as fôrças inferiores, têm por chefes o Egoísmo e a obstinação; o exército pândava, isto é as fôrças espirituais, superiores, obedecem à vontade Divina.

ornado com ouro e pedras preciosas, e puxado por cavalos brancos (1). E responderam os instrumentos dos Pândavas em som repetido o desafiador, como o som de trovão violento. 15. A corneta que tocava Krishna, o dominador dos sentidos, fôra feita de osso de gigante. O nome da corneta de Arjuna era Devadatta (dom de Deus). 16. O forte Bhima tocava a corneta com o nome de Paundra (o Povo). Yudishtira, filho de Kunti, a "Vitória"; Nakula e Sahadeva tocavam a "Harmonia" e a "Glória". 17. Ouvia-se o toque dos famosos guerreiros Kâsya, Sikhandin, Dhrishtadyumna, Virâta, Sâ-tyakij 18. E de Drupada e seu povo, e dos filhos valentes de Subhadra. 19. E vibrou o ar, como quando se prepara uma horrível tempestade, e a superfície da terra vibrou no mesmo ritmo. E o povo de Dhritarâshtra estremeceu aterrorizado. (1) Branco é o símbolo da pureza; cavalo, o símbolo da fôrça e da obediência.

20. Então Arjuna, em cuja cimeira figurava um macaco (1), vendo que os Kurus estavam já em ordem de batalha, e que as flechas começavam a voar pelos ares, tomou na mão o seu arco e disse a Krishna, que estava com êle no carro: 21. "Faze parar, ó Imutável, o nosso carro no meio do espaço entre êstes dois exércitos opostos.

22. Quero ver de perto os que aqui estão reunidos com o desejo de nos matarem, e com os quais devo travar sangrento combate. 23. Deixa-me ver os meus inimigos, os partidários insensatos do malicioso e vingativo filho de Dhritarâshtra". 24. Quando Arjuna assim falou, Krishna fêz parar o carro no meio do espaço entre os dois exércitos contrários (2). 25. Ali, em frente de Bhishma, Drôna e dos outros principais da terra, disse Krishna a Arjuna: "Vê, ó filho de Prithi, a família dos Kurus, ali reunida!"

(1) Tomado como símbolo da audácia e engenho. (2) Antaskârana, a "ponte" ou o "caminho" entre a terrena e a divina parte da mente.

26. E viu Arjuna que, divididos em dois partidos bélicos, ali estavam seus parentes: pais e filhos, irmão, cunhados, avós e netos, tios e sobrinhos, sogros e genros. 27. Notou também que mestres, benfeitores, amigos e camaradas ali estavam, preparados para se combaterem reciprocamente (1). 28. E quando Arjuna viu isso, entristeceu-se no seu nobre coração e, cheio de aflição e dó, proferiu estas palavras: 29. Ó Senhor, vendo eu as faces e os vultos dos parentes que querem lutar uns contra os outros, sinto exaustos de fôrças os meus membros e sem sangue o meu coração. 30. As minhas pernas tremem, os meus braços não me obedecem; a minha face está em agonia; a febre queima-me a pele; os pensamentos se confundem no meu cérebro; todo o meu corpo está em convulsões de horror; o arco cái das minhas mãos. (1) Também as fôrças "inimigas" são nossos amigos e mestres, pois por meio delas é que alcançamos a experiência: elas são os degraus pelos quais o homem sobe até ao conhecimento perfeito de. si mesmo.

\ 31. Maus sinais vejo nos ares, e extranhas vozes ouço falar ao redor de mim; estou todo confuso e indeciso. Não vejo nada de bom em matar em guerra os meus parentes e meus companheiros. 32. Não desejo a glória de vencedor, 6 Krishna! Não aspiro nem ao reino nem aos pra zeres, nem ao domínio; para que me serve o do mínio, a riqueza ou a vida mesma? 33. Todas estas coisas me parecem muito vãs e sem agrado, enquanto que aqueles para quem tudo isso seria desejável desprezam a própria vida!

34. Tutores, pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, primos, cunhados, mestres e companheiros vejo perante mim: não quero matá-los, embora êles tenham sêde do meu sangue.

35. Não quero matá-los, embora com isso obtivesse o reino dos três mundos, quanto mais pelo governo de um pedaço de terra! 36. Se eu matar os meus consangüíneos, os filhos de Dhritarâshtra, que felicidade ou gôzo poderia me alegrar!! Se nós os derrotarmos, o remorso seria o nosso companheiro contínuo.

37. Penso que devemos abster-nos de matarmos os nossos parentes e consangüíneos; porque como poderemos ser felizes, se exterminamos a nossa própria raça? 38. Não podemos desculpar-nos dizendo que êles são tão depravados e sedentos de sangue, que não vêem mal algum em derramarem o sangue de seus parentes e amigos. 39. Tal argumento não nos justifica, porque nós sabemos melhor que a matança dos parentes é grande pecado e horror. 40. Tem-nos sido ensinado que, com o extermínio de uma geração, se destrói a virtude, e com a destruição da virtude e da religião de um povo, apoderam-se de tôda a raça o vício e a impiedade. 41. Onde reina a impiedade, corrompem-se também as mulheres nobres, e onde a mulher está corrompida, desaparece a pureza do sangue. 42. A adulteração do sangue é precursora do esquecimento dos ritos devidos aos antepassados, e êstes (se as doutrinas do povo são verdadeiras) (1), sendo privados dos sacrifícios de que se sustentam, caem das alturas celestes. (1) A tradição, que prescrevia o respeito à família, aos parentes, aos instrutores, aos ritos, a instituição e de- 23 43. A conseqüência de tal corrupção é o ani quilamento dos destruidores da raça e dos direi tos eternos da família. 44. Os homens que destróem a religião da CAPÍTULO II família, vão para o inferno.

Assim nos ensinam os nossos livros sagrados. SANKHYA YOGA — A VERDADEIRA 45. Ai de mim! Ai de nós, que nos estamos NATUREZA DO ESPÍRITO preparando para cometer o horrível crime de matar os Neste capítulo se ensina como se pode, próprios parentes e consangüíneos pela bagatela de por meio da meditação filosófica, obter a obter o domínio pelo desejo do poder! verdadeira concepção do Universo, isto é, o conhecimento da nulidade e instabilidade de 46. Eu preferiria entregar o meu peito des- todas as formas que existem no mundo dos fenômenos, em contraste com o Sêr Eterno, e coberto às armas dos Kurus, e deixá-los beber o como êste conhecimento nos conduz ao sangue do meu coração. Eu preferiria esperar a sua caminho da liberdade espiritual e da chegada, desarmado, e receber dêles o golpe mortal, imortalidade. sem me defender. De certo, isto seria melhor para Continua Sanjaya a contar: mim do que cometer êsse horrível crime! Ai de mim!

Ai de nós todos!" 1. Krishna, cheio de amor, piedade e com- 47. Assim clamando, sentou-se Arjuna no paixão, disse a Arjuna, vendo a sua pungente banco do carro e deixou cair o arco e as flechas da tristeza e as lágrimas nos seus olhos: sua mão, todo entregue à aflição e ao desespero que 2. "Donde te vem, ó Arjuna, essa pusilanilhe consumiam o coração. midade? Esta fraqueza, indigna de um homem, fazte infeliz, pois te fecha as portas do céu (1). veres das castas, sem o que a alma cairia em condições piores, antes (1) O homem que está cheio de medo e dúvidas afasta-se e depois da morte. por si mesmo do céu da bem-aventurança, que é próprio à alma que conhece a verdade. 24 25 3. Não te entregues a ela; sacode de ti essa cisma desprezível; levanta-te resoluto e bravo, 6 vencedor de inimigos 1"

4. Respondeu Arjuna: "Ó meu caríssimo I como posso eu atacar e combater a Bishma e Drôna, quando a ambos respeito e estimo?! 5. Seria melhor, para mim, comer o pão sêco e sem sabor de mendigo, do que ser o instrumento de morte a êstes nobres e respeitáveis homens, que eram meus preceptores e mestres! É verdade que êles são ávidos dos meus bens; mas como poderia eu gosar a riqueza e o poder, sôbre os quais há manchas de sangue dos meus queridos?! 6. Não posso dizer se 6 melhor que nós os vençamos ou que êles nos vençam a nós. Mas sei que eu não desejaria viver nem um minuto mais, se visse morrer os meus parentes e amigos, os filhos do rei Dhritarâshtra e o povo de Kuru. 7. Compaixão e ânsia comprimem o meu coração, e a minha mente vacila diante do problema que se lhe apresenta. Não sei o que devo fazer. Dissipa tu, ó Krishna, estas dúvidas; dize-

me, qual é o meu dever. Eu sou teu discípulo: prostrado perante Ti, peço que me dês as instruções de que careço. 8. Tão confuso está o meu entendimento, que não posso descobrir nada que acalme a febre da minha mente; o meu interior está em fogo que seca as minhas faculdades. Ainda que eu ganhasse um reino na terra, cujo brilho excedesse a todos os outros reinos como o sol excede às estrêlas, ou conseguisse o poder dos deuses e o domínio sôbre os exércitos celestes, minha aflição não diminuiria. Não, eu não quero combater." 9. Continua Sanjaya: Depois de ter falado assim ao Senhor da Criação, Arjuna caiu em silêncio. 10. Então Krishna, sorrindo ternamente, di rigiu ao desanimado as seguintes palavras, achando-se ambos no meio do espaço entre os dois exér citos: Palavras do Verbo Divino (1) 11. "Sem necessidade te entristeces e afli ges; contudo, as tuas palavras têm grãos de ver dade. Elas exprimem a sabedoria do mundo ex- (1) Krishna é o representante do Verbo Divino ou Logos (Cristo em nós). 27 terior (esotérica), mas não satisfazem à mente interior (esotèricamente); são, pois, apenas a expressão de uma parte da verdade. Os sábios não se entristecem nem por causa dos vivos nem por causa dos mortos.

12. Sabe, ó príncipe de Pându, que nunca houve tempo em que não existíssemos eu ou tu, ou qualquer dêstes príncipes da terra; igualmente, nunca virá tempo em que algum de nós deixe de existir (1). 13. Assim como a alma, vestindo este corpo material, passa pelos estados de infância, mocidade, virilidade e velhice, assim, no tempo devido, ela passa a um outro corpo, e em outras encarnações, viverá outra vez. Os que possuem a sabedoria da doutrina esotérica (interior), sabem isto é, não se deixam influenciar pelas mudanças a que está sujeito êste mundo exterior. 14. Os sentidos dão-te, pelas apropriadas faculdades mentais, o sentimento do calor e do frio, do prazer e da dôr. Mas estas mudanças

(1) O que no homem é divino, o seu Sêr verdadeiro, é eterno. Não nasce nem morre, e forma a sua individualidade, que aparece periòdicamente, vestida de corpo material, mas é independente dêle.

vêm e vão, porque pertencem ao temporário, impermanente, inconstante. Suporta-as com equanimidade, valentia e paciência, ó príncipe! 15. O homem que não se deixa mais atormentar por essas coisas, — que se conserva firme e inabalável no meio do prazer e da dôr, — que possui a verdadeira igualdade de ânimo: esse, crême, entrou no caminho que conduz à imortalidade. 16. Aquilo que é irreal, ilusório, não tem em si o Sêr Real, não existe na realidade, e sim só na ilusão; e aquilo que é o Sêr Real, nunca cessa de ser, — nunca pode deixar de existir, apesar de todas as aparências contrárias. Os sábios, ó Arjuna, fizeram pesquisas relativas a isto e descobriram a verdadeira Essência e o sentido interior das coisas (1). 17. Sabe que o Sêr Absoluto, de que todo o Universo tem o seu princípio, está em tudo, e é indestrutível.

Ninguém pode causar a destruição dêsse Imperecível (2). (1) Só aquêle Sêr, no homem que é penetrado pela Verdade, pode conhecê-la, porque a Verdade é a sua essência e conhece-se, no homem, a si mesma. (2) O corpo é o instrumento do Espirito; é a sombra incorporizada, em que a Luz se esforça por manifestar-se. 29 18. Êstes corpos caducos, que servem como envoltórios para as almas que os ocupam, são coisas finitas, coisas do momento, e não são o verdadeiro homem real. Êles perecem, como tôdas as coisas finitas; deixa-os perecer, ó príncipe de Pându, e, sabendo isto, prepara-te para o combate. 19. Aquele que pensa, em sua ignorância: "Eu mato" ou "Eu serei morto", procede como criança que não tem conhecimento da verdade, porque o que Ê na realidade, é eterno, e o Eterno não pode matar nem ser morto. 20. Conhece esta verdade, ó príncipe! O Homem real, isto é, o Espírito do homem, não nasce nem morre. Inato, imortal, perpétuo e eterno, sempre existiu e sempre existirá. O corpo pode morrer ou ser morto e destruído; porém, aquêle que ocupou o corpo, permanece depois da morte dêste (1).

21. Quem conhece a verdade de que o Homem real é eterno, indestrutível, superior ao tempo,

à mudança e aos acidentes, não pode cometer

(1) O Espírito é a vida mesma; isto é, a Vida Eterna, de que a vida exterior, corporal, é só um reflexo, uma manifestação de ordem inferior.

a estultice de pensar que pode matar ou ser morto. 22. Como a gente tira do corpo as roupas usadas e as substitui por novas e melhores, assim também o habitante do corpo (que é o Espírito), tendo abandonado a velha morada mortal, entra em outra, nova e recém-preparada para êle (1). 23. O Homem real, o Espírito, não pode ser ferido por armas, nem queimado pelo fogo; a água não o molha, o vento não o seca nem move. 24. Êle é impermeável, incombustível, indissolúvel, imortal, permanente, imutável, inalterável, eterno, e penetra tudo. 25. Em sua essência, é invisível, inconcebível, incognoscível (2). Sabendo isto, não te entregues à aflição pueril. (1) A reencarnação é uma lei universal em tôda a natureza. O espírito do homem desencarnado volta, depois de um tempo de descanso, a ocupar um novo corpo, formando assim nova pessoa.

Enquanto a alma não tem conhecimento espiritual de si mesma êste processo é inconsciente. (2) Isto é, para o intelecto exterior; mas é cognoscível para a percepção interior de homem espiritualmente ilumi. nado. 31 26. Se, porém, não o crês, e pensas que nascimento e morte são coisas reais, mesmo assim te pergunto: por que te lamentas e entristeces? 27. Pois, em verdade, a morte deriva do nascimento, e o nascimento dimana da morte. Não te aflijas, pois, pelo inevitável. 28. Aqueles que carecem da Sabedoria Interior, ignoram de onde Vimos e para onde vamos; conhecem só aquilo que é transitório. No Sêr Eterno, tôdas as coisas são compreendidas no estado invisível; depois se fazem visíveis, e na morte tornam a ser invisíveis. Por que então, lamentar? 29. Quanto à alma, o Homem real, Espírito ou Sêr Eterno, alguns o tomam por coisa maravilhosa; outros ouvem falar e falam dêle como de uma maravilha, com incredulidade e sem compreensão.

Mas a mente mortal não compreende esse mistério, nem o conhece em sua natureza verdadeira e essencial, apesar de tudo o que foi dito, ensinado e pensado a seu respeito (1). 30. O Espírito, êsse Homem real que habita o corpo, é invulnerável e indestrutível: é a

(1) Só pode compreender o Ser Eterno, quem o realizou em si mesmo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.