Capítulo 6 de 12
Aum (1) — parte 5 de 7
Bhagavad Gita
sas formas e concepções, êles querem adorar a Mim, sem o saberem. E, em verdade te digo, eu aceito e recompenso essa fé e adoração, uma vez que seja honesta e conscienciosa. Êsses homens fazem o melhor que podem, conforme o estado de seu desenvolvimento, e receberão os benefícios que procuram, conforme a sua fé; todo benefício, porém, emana de Mim. Tal é o meu Amor, a minha Razão e a minha Justiça. 23. Mas lembra-te, ó príncipe, que as recompensas desses desejos momentâneos, finitos, perecíveis, são igualmente de pouca duração. Os homens que adoram os deuses inferiores, as caricaturas e sombras imperfeitas da Divindade, vão aos mundos de sombra, governados por êsses deuses-sombras. Mas aqueles que são sábios e capazes de Me conhecer como Sou, Um e Tudo, vêm a Mim, ao meu mundo de Realidade, onde não há sombras, onde tudo é real, até mesmo a chama que faz a sombra desaparecer. 24. Entre os homens, há muitos que, faltandolhes o discernimento, pensam de Mim (o Imanifesto em essência), como se Eu fosse manifesto e visível a seus olhos. Sabe, porém, ó Arjuna, que, em minha essência, não sou manifesto ou visível aos homens.
25. Detrás das minhas formas emanadas, Eu permaneço indescoberto e invisível ao ignorante. Inato e imortal sou Eu, mas o mundo obscurecido pela ilusão, não o discerne, pensando que a sombra é a substância. 26. Eu bem conheço todos os inumeráveis seres que existiram no vasto universo, em tôdas as épocas passadas; igualmente conheço todos os que existem presentemente; e, além disso — grande mistério para os homens, ó príncipe! — conheço todos os que, no futuro, hão de aparecer no campo da existência. Mas de todos os sêres, passados, presentes ou futuros, nenhum Me conhece plenamente. Eu os tenho todos em minha mente, mas as suas mentes não podem conter-Me em minha essência. 27. Os seus olhos vivem enganados pela dualidade dos contrastes, ó Arjuna e, em vez dá Unidade, vêem as formas opostas e de gôsto e desgôsto, simpatia e antipatia, desejo e aborrecimento. 28. Porém, não são todos assim; há um pequeno número de homens que se libertaram dessa ilusão da dualidade dos contrastes, vencendo o egoísmo e os pecados.
Êstes Me conhecem como Um e Tudo e, firmes em sua vontade, constantes 91 em seu amor e sua devoção, comigo se unem e a Mim pertencem. 29. Os que em Mim 86 refugiam e a Mim pertencem, repousando em Mim como a criança CAPÍTULO VIII no seio da mãe, esforçam-se por se libertarem dos vínculos da mortalidade e reconhecem-Me AKSHARA PARABRAHMA YOGA — O CAMINHO como Brama, como o Eu Real, o Infinito, O Eter- PARA A DIVINDADE SUPREMA no, o Absoluto. 30. Êles sabem que Eu sou Arkyâtman (a Deus está sempre presente em tudo, vialma das almas), Karma (a Lei da causalidade), vificando o iluminando todos os sêres. Quem se deixa iluminar pelos ralos da 8a-bodorla, Adhibhûta (Princípio universal de vida), Adhi- torna-se sábio; a Sabedoria Divina nêle é daiva (Deus dos Deuses, a Deidade suprema) e uma força viva que o conduz ao conhecimento da Imortalidade. Adhiyajña (o Supremo Sacrifício).
Quem assim Me conhece, e com o coração cheio de amor e com 1. Então dirigiu Arjuna ao Mestre Divino a mente firme em Mim pensa, na hora da morte as seguintes perguntas: comigo se unirá para sempre". "Dize-me, ó Imortal: Que é Brama? Que é Adhyâtman? Que é Karma? Que 6 Adhibhûta e Adhidaiva? 2. Como pode, ó Fortíssimo Herói! Adhiyajña (o Supremo Sacrifício) estar neste corpo, e como podem conhecer-Te na hora da morte aquêles que a Ti se dedicaram?" 3. Explica o Verbo Divino: "Brama, o Criador, é o Ser Supremo, o Ser Indiviso, simples e eterno. A sua essência cha-
92 93 ma-se Adhyâtman, Alma das almas. Eu mesmo sou Brama. De Mim emana a Alma das almas, a vida universal, a vida una do universo. Karma, a Lei da causalidade, e que chamam também Essência da ação, é aquele princípio da minha emanação que faz com que os seres vivos nasçam, se movam e ajam. 4. Ahibhûta, o principio universal de vida, não é senão a minha Vontade manifestada nas leis naturais do universo. Adhidaiva, a suprema deidade, é o Espírito, cuja atividade perpétua produz a geração dos sêres e das formas. Adhiyjña, o Supremo Sacrifício, é o meu aparecimento em corpo; êste mistério torna-se claro só àqueles que são capazes de compreender os ensinos superiores (1). 5. Quem, na hora da morte, em Mim fixa o pensamento, entra, depois de ter deixado o corpo, diretamente em minha Divina Essência. 6. Aquêle, porém, que, na hora da morte, não
pensou em Mim, mas dirigiu todos os pensa-
(1) Deus que, em sua essência, é imanifesto, invisível, imaterial, assume forma humana; como a Luz penetra as trevas e as transmuta em luz, assim a Divindade penetra a humanidade, para torná-la
divina. Êste é o Supremo Sacrifício.
mentos a um outro sêr (2), depois da morte a êste sêr se une. Porque cada um chega a ser o que desejou ser; o semelhante atrai o semelhante. 7. Dirige, pois, a Mim todos os teus pensamentos e luta. Se a tua mente e o teu coração em Mim firmemente fixares, com certeza, enfim, a Mim chegarás. 8. Quem, abandonando todos os desejos pessoais, não tem a mente concentrada em nenhum outro sêr mas no Espírito Eterno, praticando o Reto Pensar e a Reta Ação, ao Espírito Eterno virá. 9. Quem, com a mente elevada e cheia de fé e amor, pensa em Mim, o Eterno, o Onipresente, Onisciente e Todo Poderoso; quem sabe que Eu sou, ao mesmo tempo, infinitamente pequeno e infinitamente grande, impalpável, o Senhor e sustentador de tudo; quem, com a visão espiritual, percebeu a majestade da minha face, eternamente velada ao ôlho material, e mais resplandescente do que o sol ao meio-dia: (2) Há sêres de natureza espiritual ("devas" ou "deuses") que, para nós, são invisíveis; o espírito humano pode entrar em relação com êles, se a êles dirige firmemente a sua vontade e o seu pensar. 95 10. Êsse participa da vida verdadeira e, na morte, se torna imortal; porque o sen espírito, tendo rompido todos os vínculos, entra em minha Vida, em minha Paz e em minha Essência. 11. Quero descrever-te, em poucas palavras, o caminho ao Espírito Eterno, a que as Escrituras Sagradas chamam o caminho para a imortalidade.
Êste caminho é seguido por todos os que dominaram a si mesmos e se libertaram das paixões, e é escolhido por aqueles que se dedicam a uma vida santa, de continência, ascetismo, estudo das verdades divinas e meditação. 12. Ouve as instruções: Fecha bem as portas dos teus sentidos corporais. Domina o teu coração, concentra a tua mente sobre o teu Eu interior, e não a
deixes vaguear no exterior, nem ocupar-se com os pensamentos estranhos. 13. Sê constante e firme em teu propósito, e
repete silenciosamente a mística palavra AUM, cujos três sons ou letras são símbolos do Sêr Supremo,
como Criador, Conservador e Destruidor. Se assim te comportares, quando chegar a hora de deixares o teu invólucro corpóreo, entra-ras no caminho da
Suprema Ventura. 14. O yogi que pensa em Mim incessante e
fixamente, ó príncipe, e nunca se apega com
os seus pensamentos a qualquer outro objeto, com facilidade Me achará (1). 15. Todos os nobres e elevados espíritos que se uniram comigo, não precisam mais renascer na terra, neste lugar de sofrimentos e limitações. Não, êles não têm mais necessidade de voltar a esta escola de vida, porque já atingiram a esfera da Perfeita Sabedoria, Suprema Ventura e Vida imperecível. 16. Todos os mundos e universos (2), mesmo o mundo de Brama, onde um dia é igual a mil yugas (3), e a noite da mesma extensão, todos hão de passar. Mas, ainda que passem e se renovem e de novo passem, não há necessidade de volta para a alma do sábio que se uniu a Mim. (1) Isto não quer dizer que não devamos ocupar-nos com os negócios e objetos exteriores, mas que devemos, qualquer que seja a nossa ocupação, fazer tudo com boas intenções e sem nunca nos esquecermos da divina origem e do divino alvo da nossa vida. (2) Os hindus distinguem sete mundos (lokas) ou planos espirituais, a saber: 1 — bhurloka (o mundo físico); 2 — Antariskshaloka (o mundo astral); 3 — Swarloka (De-vakhan, o céu); 4 — Maharloka (o mundo das almas elevadas) ; 5 — Janaloka; 6 — Tapasloka; 7 — Satyaloka. Estes três últimos chamam-se Brahmalokas, mundos Divinos. O sétimo é o mundo da Realidade, Verdade Absoluta (satya — verdade). (3) Um Maha-yuga dura 4.320.000 anos solares.
17. Aos dias de Brama sucedem as noites de Brama; a sua duração é enorme, pois conta-se em milhares de séculos. 18. No princípio de cada dia bramânico, emergem tôdas as coisas da invisibilidade e fazem-se visíveis; quando, porém, começa a noite bramâ-nica, tôdas as coisas visíveis dissolvem-se e tornam a ser invisíveis. 19. Esta multidão de sêres, tendo existido antes, manifesta-se com o despontar do novo dia, e desaparece necessàriamente ao chegar a noite, para ressurgir com o alvorecer do novo dia seguinte. 20. Pois acima desta natureza visível e in-
visível existe o que se chama o Imanifesto, o Imperecível. 21. Neste supremo caminho, ó príncipe! chegase ao Brama, que é o Imanifesto e Indestrutível; e quem o atingiu, não o perderá nunca mais; esta é a minha morada suprema. 22. Á suprema Essência, em que tôdas as coisas têm o seu sêr, e pela qual todo êste universo foi criado, pode ser encontrada só pelo espírito purificado, submisso à Vontade Suprema, desapegado de tudo o que não é divino.
23. Agora vou esclarecer-te sôbre as condições que determinam se os que passaram pela porta da morte hão de renascer, ou se não voltam mais à terra. 24. Aqueles que se desencarnam quando nêles arde o fogo do amor divino, iluminados pela luz do verdadeiro conhecimento que distribui o sol da sabedoria, conhecem o Espírito Supremo e com Êle se unem; êsses não são obrigados a renascer. 25. Aquêles, porém, que se desencarnam no meio da fumaça dos êrros, na noite da ignorância, não podem ultrapassar a região da Lua (1) e hão de voltar à esfera da mortalidade e ir renascendo até que adquiram o grau necessário de amor e de saber. 26. Êstes dois caminhos são denominados os caminhos eternos do mundo: um é claro, o outro é escuro.
Pelo primeiro chega-se à esfera donde não volta mais; o segundo vai até a certa altura e dá volta para trás. 27. O verdadeiro yogi, o homem que se dedica todo à Divindade, sabe isto e não tem mêdo. (1) Isto é, a região astro-mental ou de Kama-Manas. 99 Aperfeiçoa-te, pois, em yoga, e esforça-te por atingir o Saber Perfeito. 28. Os frutos dêste Saber, ó Arjuna! são superiores a tudo o que se pode alcançar pelo estudo das Escrituras Sagradas, pelos ritos e sacrifícios, pelas CAPÍTULO IX austeridades e pela distribuição de esmolas. O yogi que possui o Saber Perfeito, alcançou o Alvo RÂJA-VIDYA — RÂJA-GUHYA YOGA — A Supremo". SUBLIME CIÊNCIA E O SOBERANO SEGRÊDO A quem tem a verdadeira fé, inabalável esperança e o divino amor, pode ser comunicada a mais sublime Ciência e revelado o Soberano Segrêdo, que é a presença Divina na Humanidade. 1. Fala o Verbo Divino: "A ti, ó Arjuna, cujo coração está livre de contradição, ensinarei agora a misteriosa ciência suprema, a Ciência dos Reis (1) e o Real Segrêdo (2), cujo conhecimento te tornará para sempre livre do mal e da desventura. 2. Esta ciência é o mais alto conhecimento, o mais profundo mistério, o perfeito Purificador, compreensível pela intuição, eterna, infalível e fa cilmente praticável.
(1) Râja-vidya. (2) Râja-guhya. 100 101 3. Aquêles que não a possuem, não podem chegar a Mim e, por isso, depois de desencarnados voltam a se reencarnarem neste mundo. 4. Todo êste universo, tanto em suas partes, como em sua totalidade, é uma emanação minha, e Eu o penetro com minha natureza invisível, Eu que sou o Imanifesto. Tôdas as coisas de Mim provêm, mas Eu não
tenho origem nelas; em Mim estão todas as coisas, mas Eu — em minha Divindade — não estou circunscrito por elas. 5. Não penses que tôdas as coisas sejam Eu mesmo. Eu sou o sustentador de tudo, penetro tudo, mas não sou limitado nem encerrado nisso. 6. Como o vasto volume de ar, em tôda a parte presente e em constante atividade, é sustentado e contido dentro do éter universal, assim tôdas as coisas em Mim estão, no Imanifesto. Pondera bem, ó Arjuna, sôbre êste mistério. 7. No fim de um Kalpa (1), todos os sêres e tôdas as coisas refluem em minha natureza imaterial e, no princípio de outro Kalpa, torno a emanar de Mim tôdas as coisas e todos os sêres.
(1) Um Kalpa, período de atividade criadora, é um dia de Brama, que dura 4.320.000.000 de anos solares. Corresponde ao que os teósofos chamam uma Cadeia Planetária.
8. Por meio da minha Natureza material, emano tôdas as classes de sêres e coisas que constituem o universo, dando-lhes nova existência: a minha Vontade os vivifica; a Natureza por si mesma é impotente para fazê-lo. 9. Mas tôdas estas obras, ó príncipe! não Me alteram e não Me limitam; sou superior e indiferente a elas. 10. Obedecendo à Minha Vontade, a Natureza cria e destrói, produzindo os sêres animados e inanimados: eis a razão por que o universo se move. 11. Os que carecem da verdadeira Luz espiritual, desprezam-Me, quando apareço em forma humana, porque desconhecem a minha verdadeira natureza e ignoram que sou o Senhor Supremo do Universo. 12. Vaidosos são êles em suas esperanças, egoistas em suas ações, tolos em seu saber e sem conhecimento da Verdade, vivendo nos planos inferiores da consciência, onde a malícia, a brutalidade e o engano dominam. 13. Mas os homens iluminados, que têm de senvolvido a sua natureza superior, participam do meu Sêr Divino e adoram-Me com o ânimo sin- 103 cero, com a dedicação completa dos seus corações, porque Me reconhecem como a Infinita e Eterna Origem de tudo. 14. Tendo vivo conhecimento do meu Poder, com seriedade Me procuram, com vontade firme,
fé inabalável e coração puro Me adoram, nunca se desviando do caminho que a Mim condas. 15. Outros Me adoram pelo sacrifício de conhecimento, contemplando em tôdas as coisas a minha Unidade e minha Natureza indivisível. 16. Eu sou presente em tôda adoração; sim, Eu mesmo sou a adoração; Eu sou o sacrifício, a oblação e os perfumes sacrificiais; Eu sou a prece e a invocação; Eu sou o fogo que consome o sacrifício. 17. Eu sou o Pai do Universo e igualmente a Mãe; Eu sou a Origem e o Conservador de tudo. Eu sou o objeto do verdadeiro conhecimento; Eu sou a
palavra mística AUM; Eu sou o Rig, Salma e Yajus- Veda (1). 18. Eu sou o Caminho, o Criador e o Sustentador, o Juiz e a Testemunha, o Abrigo e a
Morada, o Amigo, o Princípio e o fim, a Criação e a Destruição, o Espaço e o Conteúdo, o Se-
(1) Isto é, toda a ciência.
meador e a Semente Eterna que dá frutos perpètuamente. 19. Eu produzo o calor e a luz do Sol; Eu mando e retenho a chuva; Eu sou a Morte e a Imortalidade; e, não obstante, sou Um e sempre o mesmo. 20. Os que seguem as prescrições dos Vedas, oferecendo muitos sacrifícios, bebendo Soma (1) sagrado e purificando-se dos pecados, e imploram o caminho do céu, serão admitidos no céu de Indra (2) e ali obterão o alimento celeste e gozarão os prazeres dos deuses. 21. Quando, porém, tiverem passado neste estado de delícias tanto tempo quanto mereceram pelas suas boas obras, hão de voltar a esta terra e renascer neste mundo terrestre; porque, ainda que tenham seguido as prescrições dos Livros Sagrados, eram observadores de formalidades e não (1) Soma é a bebida sagrada dos br&manes, extraída de uma planta rara; corresponde à ambrosia ou nectar dos gregos e à Eucaristia dos cristãos. (2) O céu Indra é o mais alto dos céus onde, porém, ainda existe a ilusão da separatividade dos sêres, e por isso, não pode ser o estado perfeito e eterno.
Também ali há mo-cidade e velhice, isto é, as fôrças espirituais exaurem-se, o espirito entra m inconsciêncla e torna a reencarnar-se nesta terra ou em algum outro planeta. 105 chegaram ao conhecimento do Eterno. Dedicaram-se ao que é transitório e, por isso, é transitório o efeito da sua devoção. 22. Mas, quem a Mim unicamente adora e em Mim procura o refúgio, lhe darei a Ventura imperecível. 23. Entretanto, não te esqueças, ó caríssi mo! de que mesmo aquele que adora outros deu
ses, porque não Me conhece, a Mim adora, sem o saber. Se êle assim faz com fé e amor, Eu aceito a sua adoração e o recompenso segundo seu merecimento.
24. Pois Eu sou o Senhor de todos os sacrifícios, e recebo-os todos. Mas aqueles que não Me conhecem em verdade, não podem chegar a Mim, e, por isso, hão de caminhar de renascimento em renascimento. 25. Cada um chega ao objeto de sua devoção. Os que adoram os antepassados, com eles morarão. Os que adoram os espíritos inferiores, à sua esfera irão. E aqueles que adoram a Mim, em minha Essência, comigo se unirão.
26. Sabe também, ó Arjuna! que Eu aceito toda a oferenda que se Me faça com amor: seja uma fôlha, uma flor, uma fruta ou apenas gotas
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