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Capítulo 9 de 24
2 – A Socialização
A Interdependência dos Seres · Luiz Guilherme Marques, pelo espírito Montaigne
Alguns podem pensar que a socialização começou na fase humana, no entanto, ocorreu muito antes até de fase vivida no Reino vegetal, pois os cristais se agrupam, formando aglomerados, que se compactam nas rochas, montanhas, e as moléculas de H2O nos oceanos e cursos d’água etc. Deus inseriu no gérmen que está no íntimo de cada criatura o sentido da vida em coletividade, ou seja, a socialização. Somente na fase humana, em determinada época da trajetória evolutiva, quando o ser humano passa a refletir se compensa ou não ser solidário, tendem muitos a se isolarem ou procurarem explorar a singeleza de seus irmãos em humanidade e daqueles que lhes estão abaixo na escala evolutiva. Os seres foram criados para serem interdependentes, gregários, como os cristais formando aglomerados, como os animais que se aproximam uns dos outros, aquecendo-se reciprocamente quando a chuva fria lhes ameaça enregelar o couro.
Assim, tanto quanto os seres todos da Criação se associam, muitos de forma inconsciente, atendendo ao determinismo da Lei Divina, os seres humanos devem associar-se não só a outros seres da mesma fase evolutiva, mas a todos os demais, superiores e inferiores. Os superiores necessitam de conviver com os inferiores e ajudá-los, tanto quanto as substâncias venenosas fazem bem ao organismo vivo quando ministradas na dose certa, enquanto que os inferiores precisam da energia fecundante dos superiores, que os magnetizam para o progresso intelectomoral. Jesus, mesmo sendo um Espírito Puro, carece da energia dos seres humanos terrenos, tanto quanto Ele nos ilumina com Sua Luz, na qualidade de verdadeiro Sol Espiritual. Os pais e mães terrenos devem ensinar aos seus filhos a socialização, tanto quanto essa lição deve ser ministrada nas escolas, mas uma socialização benéfica, construtiva, à base da solidariedade. Hoje em dia veem-se jovens se reunindo para o consumo de bebidas alcoólicas e utilização de drogas, quando deveriam estar juntos na prática de esportes saudáveis, estudos sobre uma série de Ciências voltadas para o Bem e o Belo.
Veem-se adultos enquistados no egoísmo, cada qual voltado para seus interesses imediatistas, e idosos decadentes, pensativos e aguardando a hora da morte, muitas vezes abandonados pelos mais novos, que os julgam inúteis para o trabalho, quando poderiam produzir dentro das limitações que o corpo cansado lhes possibilita. A socialização nunca deve ser esquecida, mas valorizada pelo seu lado construtivo, irmanando seres humanos, animais, vegetais e minerais, num grande abraço universal, no mínimo pelo pensamento, mas, de preferência, real, concreto, tal como Francisco de Assis e Chico Xavier, este último que conversava com todos os seres como o primeiro. Ninguém se julgue acima dos demais seres nem também indigno de compor o grande quadro dos seres de Deus, irmãos e irmãs de todos, dentro da Criação, que abarca o Universo inteiro, visível e invisível.
Cada um se sinta membro dessa grande irmandade, que abarca o infinito da Criação, estendendo o pensamento a trilhões de anos luz, onde habitam seres que nunca verá com os olhos de carne, mas cujo pulsar mental nos alimenta a todos nessa troca incessante de energia, de que necessitamos para viver, tanto quanto os demais também necessitam. A socialização deve ser pensada, sentida e vivida, como a meta principal da vida, abaixo somente da reverência e gratidão a Deus, sendo que, em outras palavras, repete o que Jesus ensinou: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.”
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.