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Capítulo 5 de 24

A Autobiografia de Kaspar Hauser — parte 3 de 3

A Interdependência dos Seres · Luiz Guilherme Marques, pelo espírito Montaigne

O homem me deu logo em seguida a caneca, me deixou beber; quando eu bebi a água, me senti tão leve que fica difícil de descrever. Eu exigia dele os cavalos e disse: “cavalo casa”, e ele disse várias vezes: eu não sei o que é isso que você quer, eu também disse de novo as palavras, mas eu já não podia mais repetir de forma clara, e disse “eu não sei” e com o cavalo em casa eu queria dizer, que ele devia também me dar meus cavalos. Ele não me entendeu, isso que eu quis, e se levantou, foi até o seu canto de descanso e me deixou assim sozinho. Nesse momento o relógio começou a tocar, o que me alegrou infinitamente, tanto que eu esqueci das minhas dores, e sentia saudades do meu abrigo antigo. Agora veio o guarda da prisão Hiltel, ele trouxe a água e o pão, o que eu reconheci na mesma hora e lhe disse: “eu quero me tornar um cavaleiro, como pai é”, pelo o que eu dizia ao pão: agora, você não pode mais partir e nem mais me deixar atormentado assim.

Ele colocou o pão ao meu lado; eu o peguei imediatamente com as mãos; ele colocou água na caneca; colocou no chão. Então ele começou a me questionar. Ele me questionou com uma voz tão rápida, que ele me causou muita dor na cabeça, eu chorei e disse: “eu também gostaria de me tornar um cavaleiro, como pai é”, “mostrar casa”, “eu não sei”, “na cidade grande, lá está seu pai”. Essas palavras eu dizia sem distinção para exigir aquilo que eu queria. O guarda da prisão foi embora, porque não me entendeu, ele entendia bem as palavras, o que elas queriam dizer, mas não o que eu disse com elas e eu não o entendi também, o que ele me disse.

Eu comi meu pão, quando eu o levei à boca ele não estava tão duro quanto o outro que eu tinha no meu abrigo antigo. Eu o vi e considerei que era um pão, mas não tinha o mesmo gosto e dureza. Eu comi mesmo assim, porque eu estava com fome, eu o tive por alguns minutos no estômago e comecei a sentir dores fortes pelo corpo, eu comecei a chorar e disse: “mostrar casa”, pelo o que eu queria dizer que não deveriam me fazer tão mal assim e deveriam me levar para lá onde estavam os meus cavalos. Então eu ouvi de novo o trompete imperial; eu escutei e me alegrei bastante porque minha esperança estava que quando os cavalos chegassem eu contaria para eles o que eu tinha escutado. Eu escutei por bastante tempo, eu não ouvi mais nada.

Então chegou novamente o guarda da prisão, trouxe com ele um pedacinho de papel e um lápis. Isso eu não reconheci imediatamente, com o que eu me alegrei enormemente que eu não posso descrever, porque eu pensava: vou ganhar meus cavalos. Ele me deu o papel e o lápis na mão e eu escrevi o que o homem tinha me ensinado, e era o meu nome que eu nem sabia que tinha escrito. Quando eu terminei de escrever eu disse: “eu gostaria de me tornar um cavaleiro, como pai foi”, com o que eu dizia: que eles deviam me dar os cavalos agora. Ele disse alguma coisa com uma voz alta que eu não entendi e pegou o papel e foi embora. 1 - A EVOLUÇÃO Quando Charles Darwin falou em evolução, no século XIX, tudo parecia um tanto estranho para os cérebros desacostumados com a ideia de aperfeiçoamento que não fosse aquele visível, das experiências comuns da vida de cada um, voltada para o aprendizado que começa com o nascimento dos seres humanos e termina com sua morte corporal.

Todavia, mesmo o grande inovador da Ciência, ignorando as informações que a Ciência Espírita tinha esparzido a mancheias, ficou limitado nas suas conclusões. Milênios antes, Pitágoras, na Grécia gloriosa da Filosofia, já tinha ensinado sobre a reencarnação, todavia, a própria Filosofia das Academias e Universidades propositadamente desdenhava essa realidade, atendo-se ao imediatismo e à descrença. Sem o acolhimento da realidade reencarnatória, Darwin nunca poderia ultrapassar os limites em que esbarrou. Por isso, sendo a maioria dos encarnados despreparada espiritualmente para assimilar esse tópico da Lei Divina, vive ainda em sofrimento, compreendendo apenas uma pequena parcela do que seja a evolução, uma vez que a reencarnação lhe parece uma fantasia. Reencarnação e evolução são duas almas gêmeas univitelinas, interdependentes, inseparáveis.

Felizes os que estão evoluídos espiritualmente para entendê-las, contanto que sua vida prática os faça agir conforme essa compreensão. Evoluir é uma fatalidade, não havendo nenhum ser da Criação que esteja estagnado, mas é importante que ninguém seja simplesmente “empurrado para a frente” pela Força da Lei do Progresso, contudo sem sua participação consciente nessa trajetória, pois, nesse caso, é a dor que impulsiona os recalcitrantes e os mandriões, causando-lhes as consequentes agruras físicas ou morais. Mais compensa deixar-se levar pelo Amor, seguindo mais acelerado no caminho do aperfeiçoamento: esses são, realmente, os realizados na inteligência e na moralidade. Essas duas asas ruflam em harmonia para voos nas alturas somente quando o Amor habita o coração de cada um desses seres elevados, pois a Verdade e a Paz somente são concedidas aos puros de coração, aos pobres de espírito, aos pacíficos, aos mansos e aos humildes, aos desapegados e aos renunciantes às vaidades por Amor a Deus e aos seres da Criação. A evolução se faz, como se sabe, pela dor ou pelo Amor.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.