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Capítulo 2 de 24

Parte 2

A Interdependência dos Seres · Luiz Guilherme Marques, pelo espírito Montaigne

1 - A evolução 1.1 – “Vós sois deuses”: o gérmen da perfeição 1.2 – A evolução intelectual 1.3 - A evolução moral 2 – A socialização 2.1 – No mundo vegetal 2.2 – No mundo animal 2.3 – Entre os humanos 3 – A missão dos pais e professores 4 – A missão dos professores (detalhamento) 5 – Alguns defeitos morais 5.1 – A ingratidão 5.2 – O orgulho 5.3 – O egoísmo 6 – A Lei de Causa e Efeito 6. 1 – Bons resultados 6.2 – Maus resultados 7 – Alerta final Conclusões INTRODUÇÃO Qualquer preleção teórica que viéssemos a fazer para demonstrar a interdependência entre os seres humanos seria insuficiente, sabendo que, na verdade, só aprendem no contato uns com os outros. Por isso, de início, transcrevemos a Autobiografia de Kaspar Hauser [1] a que tivemos acesso, a fim de mostrar aos prezados leitores o em que se transforma um ser humano que viva sem contato com os demais, ou seja, sua degradação é tão acentuada que se equipara a um vegetal, sequer podendo se considerar um animal. É conveniente que os que nunca ouviram falar do referido personagem interrompam a leitura neste ponto e consultem a nota para, somente depois, continuarem a leitura desta Introdução.

Trata-se esta nossa obra de um ensaio filosóficoreligioso, que se destina a ser estudada metodicamente, e não lida de afogadilho, com pressa de se chegar ao final. Por isso, é preferível estudá-la lentamente, com paradas para reflexão, a fim de sua mensagem ser assimilada, visando a compreensão da interdependência absoluta entre os seres. A partir deste ponto da sequência do estudo, argumentaremos, como dito, no sentido da interdependência entre os seres humanos e os animais, vegetais e minerais. Sabemos, conforme os ensinamentos espíritas, que a divisão dos seres criados por Deus em humanos, animais, vegetais e minerais é artificial, sendo certo que os minerais não são o “começo” nem os Espíritos humanos o “final” da trajetória evolutiva. Não temos condições de imaginar o microcosmo nem o macrocosmo, devido à nossa limitação intelecto-moral.

Todavia, devemos seguir adiante na procura da compreensão da infinitude da Criação Divina, onde estamos inseridos, ao lado de todos os demais seres, numa irmandade que Francisco de Assis percebeu, a partir do Amor Universal que Jesus ensinou, sobretudo, com Sua Exemplificação, pois as palavras eram insuficientes para traduzir aos homens e mulheres do Seu tempo as Suas Lições. Repetimos que visamos despertar os nossos irmãos e irmãs em humanidade para a Fraternidade Universal, ou, em outras palavras, o Amor a que Jesus se referiu, o qual, inclusive, conforme Sua Afirmação, cobre “a multidão dos pecados”, estes últimos que nada mais são do que o resultado da ignorância da nossa própria essência de filhos de Deus, destinados à perfeição relativa. Mas devemos entender que todos os demais seres são igualmente filhos de Deus, portanto, nossos irmãos, de quem dependemos umbilicalmente.

Solicitamos aos prezados leitores que leiam a íntegra do texto transcrito, ou seja, a Autobiografia de Kaspar Hauser, mesmo que se sintam chocados com seus sofrimentos, pois, somente assim, poderão estar preparados para compreenderem, com base nesse caso verídico, o quanto dependemos uns dos outros, somando informações intelectomorais e condicionamentos para chegarmos a ser o que somos, ou seja, seres desenvolvidos na inteligência e na moralidade e continuarmos evoluindo, para não dizer continuarmos vivendo de forma no mínimo razoável. Sem essa convivência e permuta incessantes, a desagregação intelecto-moral chega a situações inimagináveis, como a dos ovoides, relacionados por André Luiz em suas obras da série Nosso Lar, os quais, com o monoideísmo, vão perdendo até a forma humana e transformando-se em verdadeiros vegetais e, para recuperarem o status humano, terão de percorrer um caminho de volta muito longo, em que deverão ser ajudados e se esforçarem muito, adquirindo a certeza de que somente com a gratidão, a humildade e o reconhecimento da interdependência universal, abaixo da reverência a Deus, se pode viver bem em qualquer ponto do Universo.

Os ingratos, os orgulhosos e os egoístas reflitam sobre sua própria vida, imaginando-se na pele de Kaspar Hauser! Aprendam a ser humildes, agradecidos a tudo e todos e colaboradores! Somente com a mentalidade de equipe se evolui; apenas interagindo com bondade se vive feliz! O atual quadro de autossuficiência, que as pessoas têm feito questão de cultuar, tem gerado suicídios, violência, corrupção, criminalidade, vícios e infelicidades sem conta. Jesus é o único Modelo das virtudes e somente Ele exemplificou a interdependência de forma tão perfeita, pois, mesmo podendo realizar tudo sozinho, delegou a cada discípulo tarefas que visavam engrandecê-los, dando-lhes a oportunidade de servir. Aprendam, de uma vez por todas, que ninguém deve pensar que é autossuficiente, começando a agradecer a vida a Deus, a encarnação aos seus pais terrenos, as primeiras lições igualmente a eles e sua família, depois aos professores e conviventes e assim por diante, sem contar as gerações passadas, os contemporâneos, os amigos e os inimigos, os animais, que costumam servir de alimentos, os vegetais, que são utilizados para a mesma finalidade; enfim, cada ser servindo como incentivo ao enriquecimento interior dos demais outros, sem contar que todos os seres emitem energia em todas direções e recebem as emanações dos demais, sustentando e sendo sustentados numa troca incessante, tudo mantido pelo Pensamento Divino, que cria a Vida pela Sua Vontade Poderosa e Absoluta.

Louvado seja Deus pelo Seu Amor em dar a vida a cada partícula da Criação, interligando-as por laços inquebrantáveis, apesar de imperceptíveis aos olhos dos orgulhosos, egoístas e ingratos. Iremos tratar desses três defeitos morais, tentando contribuir para o despertamento dessas criaturas infelizes, para o próprio bem delas e para o desenvolvimento da mentalidade colaboracionista nesta fase da Terra como mundo de regeneração.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.