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Capítulo 9 de 11

D E U S — parte 8 de 10

Reencontro no Céu · Osvaldo Polidoro

Primeiros sinais Depois daquele saudoso dia, começou um belo serviço da parte de Edgard. Altair começava a sentir estranhos e suaves frêmitos, tremedeiras esquisitas e adormecimentos nos braços. De noite falava muito, parecia conversar com alguém. O nome do tio era freqüentemente pronunciado. E a família vivia pensando em mil coisas. Pensava, apenas, até o dia em que a moça teve o seu primeiro ataque. Então, correram ao médico da família, também da mesma seita protestante. Este, constrangidamente, confrangedoramente, falou em epilepsia. Receitou ampolas, fortificantes, choques elétricos, etc. Uns vinte e poucos dias depois do primeiro ataque, foi a família visitada por um amigo muito íntimo, praticamente ocultista. Era este companheiro de trabalho do pai de Altair; havia mais de trinta anos que trabalhavam juntos. E nenhum conseguia convencer ao outro, sobre as vantagens doutrinárias esposadas. De sólido havia a amizade, estabelecida sobre camaradagem e mútuo respeito às qualidades de caráter de cada um. Quis Deus, sem dúvida, estivesse ali Paulo a conversar com o pai de Altair, ao ter ela mais um de seus ataques. A família acorreu, pressurosa. E fricções foram feitas, movimentos de membros, etc. O vizinho veio aplicar uma ampola, mas, fato estranho, a moça, para eles, não deixou aplicá-la, tendo afastado a mão do amigo servidor. – Isso – sentenciou o ocultista – é puro caso espiritual... Ela está tomada de um espírito... E com o dizer isso, pôs a casa em polvorosa. A Bíblia foi posta sobre o peito arfante da jovem, tendo outros recitado versículos do Livro de Salmos. Todos começaram a pensar em diabos e diabinhos, projetando imagens pensadas ao éter circunstante. Nós, isto é, Altair, a avó, Edgard e eu, sofríamos com isso, porque o triste pensar nos afastava, por quebra do padrão vibratório.

Para eles, sem dúvida, estavam operando com Jesus Cristo; mas, na realidade, dado o medo reinante e a má fé contra a Suprema Vontade, estavam é operando de modo contrário. E foi por isso que a veneranda Altair, projetando um raio de luz para onde não sei, convocou uma turma de seres trabalhadores; estes, assim chegados, começaram a atuar sobre Edgard, ele que deveria, assim lhe fosse possível, falar a todos em nome do Pai, avisando-lhes da necessidade de poupar a jovem dos medicamentos violentos que lhe estavam sendo ministrados. Também, tanto bastou que aqueles seres atuassem, com seus fluidos mais densos, para que Edgard dominasse completamente a jovem, em sua organização mediúnica. A palavra do amigo se fez ouvida, ficando todos atentos, achando alguns que era a moça que voltava ao estado natural. Todavia, Edgard falava brando com a voz bem mais grave. Depois de dizer quem era, e para o que tinha vindo ali, alguns poucos tornaram-se satisfeitos, tendo outros, em seus íntimos, julgado ser aquilo uma das manhas do diabo. Urias, o pai da jovem Altair, que era irmão de Edgard, talvez por ser pai e por desejar o restabelecimento da filha, consultou ao irmão desencarnado, como agir para a cura. Nisso, também sua esposa, a mãe da jovem, entrava na conversa, para reclamar a cura da mesma, com brevidade. – Não há cura por dar-se – disse Edgard – porque ela não é doente. É apenas uma médium, ou uma profetisa, segundo como se dizia nos velhos tempos. É, o que se está passando, um prolongamento do batismo de Espírito, para que, assim como o fez Jesus, a VERDADE não seja pregada só teoricamente. Como a Revelação acompanhou o Messias, assim terá que acompanhar os seus apóstolos. – Como te encontras, Edgard? – inquiriu o irmão encarnado. – Muito bem, graças a Deus! A vovó Altair manda-vos saudações... – respondia o irmão desencarnado, pelo órgão vocal da jovem sobrinha. – E Dalva? – indagou a mãe da jovem. – Está bem, mercê do Senhor... Trabalha em outro lugar, por isso não nos acompanhou... – Quem está aqui com você?... – perguntou de novo o irmão encarnado. – A vovó Altair, e um amigo chamado Alonso. – Vovó é feliz? – perguntou um pequenito, entrando na conversa, sem medo.

– Vovó, querido, é um espírito de grande envergadura... Nós não somos todos iguais em todos os pontos... Uns mais evoluídos, outros menos, e, assim por diante. Deus é justo e nada há errado em Sua Obra. Nós é que ignoramos muito, sendo que não faltam os que gozam com o saber menos ainda. Enquanto o espírito falava, e ia longe em suas afirmativas, a veneranda senhora pousava suas mãos luminosas sobre todas as cabeças, uma por vez. E, depois de alguns esclarecimentos mais, Edgard prometeu voltar, contando que, na quinta-feira próxima, todos se reunissem em torno a uma mesa, pensando em Jesus Cristo. Eunice, a mãe da jovem Altair, pediu muito pela saúde da filha. E Edgard lhe respondeu que deles mesmos dependia a cura, uma vez que doença não havia. No coração daquela mãe, uma alegria infinita pareceu entrar. E o cunhado morto terminou por lhe pedir transmitisse aos seus, que estava bem vivo e na paz de Deus. Depois da retirada do amigo, ficamos por um pouco na residência. Com a volta consciente da jovem Altair, todos se alegraram. E choviam sobre ela, perguntas e mais perguntas. De um modo geral, porém, todos ficaram satisfeitos, por notar-lhe a ótima disposição e a alegria espontânea. Paulo, o ocultista, sentia-se, como amigo da casa e da causa, esfuziante de alegria. Era como um tabu, para eles, que nada entendiam de tais coisas. Disse coisas, falou nos Patriarcas hebreus, em Moisés, nos Profetas, no Cristo e nos Apóstolos, dizendo que todos eles haviam sido médiuns ou profetas, isto é, que tinham sido intermediários entre o mundo dos encarnados e o dos desencarnados, de conformidade com as faculdades e a altura de suas possibilidades e investimentos missionários.

Na residência de Rogério Triste do homem que não tem coragem nem fibra intelecto-moral para, sendo necessário, contradizer suas próprias convicções, assim, sejam ou se tornem estas carentes de reforma. Tal processo, sem dúvida, só pode alojar-se num cérebro doentio, sectário e angustiado, por isso mesmo incapaz de compreender as variações da vida e os infinitos tons e matizes da VERDADE. Foi em torno dessa lógica que se conversou na residência de Rogério, onde o casal Edgard havia combinado encontrar-se. Urias, o pai da jovem Altair, foi bem apreciado pela veneranda avó Altair, que disse esperar dele muitos resultados em proveito da disseminação do Evangelho progressivo. Depois de minutos, a veneranda senhora despediu-se e sumiu de nossa frente; e o casal Edgard fez o mesmo, mas saindo a caminhar, lentamente, talvez para saborear o prazer de mútua companhia. A madrugada estava calma, na região onde eu naqueles dias habitava. Um luar muito pálido banhava todas as coisas. De longe em longe, um pio de ave ou um silvar de inseto fazia pensar no quanto as terras do céu se parecem com a terra dos encarnados. Do conjunto das idéias, do apanhado geral, um pensamento surgia que se impunha: teria havido, algum dia, começo ou fim? Como teria agido Deus, a ESSÊNCIA TOTAL, ou qualquer de seus delegados, para dar aos seres e às coisas, tais disposições? E como criticar violentamente a um negador de tanta majestosidade, se a própria majestade torna a mente, por vezes, incapaz de discernir? Porque, para mim, sinto que é muito fácil conceber a um PRINCÍPIO COMUM de todas as coisas; mas é quase impossível predizer em que infinitos matizados se desdobra tal PRINCÍPIO. A síntese é facílima; o poder analítico é falho. Muita síntese é muita ignorância. Pouca análise já é bastante sabedoria. Sobretudo, cumpre dizer que fazemos parte do plano analítico, da chamada Obra Divina, tendo muito mais de ver para com o plano analítico ou relativista, do que para com o plano da

síntese. O que somos é originário da SUPREMA SÍNTESE; tudo o de que carecemos é derivância dela; mas, em verdade, estando no quadro das derivâncias, muito mais delas carecemos. Nenhum de nós dá nem recebe da SUPREMA SÍNTESE, sendo que é apenas um elemento ornamento do quadro relativista, que, por isso mesmo, de modo algum pode prescindir do dever de fraternal cooperação. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos? Creio que esse dispositivo do códice decalogal não filtra o espírito da SUPREMA ESSÊNCIA, pois de modo algum é ELA egoísta, a ponto de aquinhoar bem a quem lhe propínqüe eternos louvores, embora por pouco azucrine a seu próximo. Deus, de forma alguma, exigiu jamais a adoração de quem quer; isso é invenção de homens, isso é produto de informes medíocres, advindos de entidades involuídas. As trevas astrais estão abarrotadas de grandes louvaminheiros, de criaturas que, para adorar a Deus, nunca respeitaram o direito do próximo. Digo, por conhecimento próprio, que bem se encontram aqueles que pelo seu próximo deram até suas vidas em sacrifício. Para com Deus, que está tão acima do poder concepcional humano, basta um sincero sentir que é o que é, a ORIGEM de tudo e todos, e que nos quer ver puros e sábios. Um dia, quando os homens se tornarem mais puros e sábios, todas as maneiras de adoração exterior cessarão, todos os beatismos rolarão por terra. Haverá no coração de cada homem, uma tocha acesa em sinal vivo, vibrante de ação moral e inteligente para com AQUELE que lhe é o FUNDAMENTO. Para servir a Deus, adorá-Lo, amá-Lo, o homem procurará por todos os modos encontrar a um irmão, por quem possa fazer alguma coisa útil. Fora do AMOR não há bem aventurança. Fora do AMOR todas as adorações são paliativos estultos, hipócritas e mercenários. Nas regiões tenebrosas ouvi muita gente advogar em causa própria, dizendo: – Senhor! Meu Deus! Virgem Maria! Jesus Cristo! Rezei muito! Confesseime toda a vida! Li o Evangelho! Era católico! Era espírita! Era protestante! etc. Mas só dor e desespero tinham por herdade, porque, sem dúvida, suas obras em sociedade não tinham primado pelo melhor fraternismo. Creio que se o Cristo, o transmissor do Evangelho, da Carta de Alforria, volvesse ao mundo em carne de novo, outra vez repetiria: “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS”. Porque os sacerdotismos do mundo, em verdade, estão muito longe dos determinismos divinais. Espiritualismo não é espiritualidade. Religiosismo não é religião. Rótulo não é essência. Aparência não é realidade. Presunção não é

mérito. E os títulos do mundo não suportam o guante da Suprema Justiça, na maioria das vezes. O Consolador tem muito que fazer ainda. Como, porém, é lei geral ou fundamental, cumpre que os homens se façam arautos sinceros. Sua tremenda força latente, nada seria sem que os modernos apóstolos lhes dessem expressão humana vigorosa. A VERDADE não precisa de quem lhe testemunhe o valor intrínseco; mas apela no sentido de que apareçam os bons divulgadores de suas excelências irretorquíveis. Também, cumpre se não faça o homem cultor de rotinismos. Um ponto de doutrina é um ponto; não é toda a doutrina. Quem faz círculo vicioso, pensando ser apóstolo do Cristo, torna-se o do anti-Cristo, isto é, da involução. Quem pensa que já sabe muito sobre o Evangelho, por ter-lhe decorado a letra, é contra o Evangelho. O Evangelho não é o livro, mas sim a lei geral do AMOR e da CIÊNCIA, tal como a VIDA expõe. Era preciso revelar uma síntese, e, ao mundo veio um Excelso Transmissor. Os homens, ou os clericalismos, fizeram do transmissor Deus e do livro o Evangelho! Cada qual tem em si a Deus e ao Evangelho; porque tem um FUNDAMENTO e é parte da LEI GERAL do AMOR e da CIÊNCIA. É o que é e faz parte do plano geral. Despertar em AMOR e em CIÊNCIA significa ir ao encontro do FUNDAMENTO e por com ELE sintonizar, filtrar-LHE a VONTADE. Todos estamos votados ao estado crístico. E os que atingiram tal e stado de sublimação, agem como delegados do FUNDAMENTO, do PRINCÍPIO ao qual chamamos Deus.

Na próxima quinta-feira Estamos todos submissos à lei de associação. Portanto, cada um de nós levou para o recinto de Urias, vários amigos. E da parte dos encarnados, também a coisa assim se passou. Redundou tudo em muita gente, para assistir a uma sessão espírita, reprodução, em grau relativamente diferente, daquilo que Jesus fez no alto do Tabor. Fazia uma hora, mais ou menos, que a veneranda Senhora Altair havia se aproximado da jovem médium Altair, quando eu e muitos outros chegamos ao recinto. Em nossa companhia, desta vez, estava Dalva. E o seu primeiro desejo foi oscular a sobrinhada toda. Em dado momento, disse a jovem médium: – Não sei bem porque, mas sinto-me tão alegre, mamãe. – Naturalmente, filha, por não se terem repetido os ataques. – Não... Não é isso, mamãe... é qualquer coisa de indefinível. Ela, o que sentia, sem compreender, era a presença benfazeja da bisavó, que lhe transmitia poderosos eflúvios luminosos. No momento da reunião, todos os olhares volviam-se para a jovem. E Urias quis que o ocultista falasse qualquer coisa. Paulo, o ocultista, pediu uma Bíblia, e de Bíblia em punho, falou na Revelação, por intermédio dos espíritos ou anjos, a começar do Gênese e a terminar no Apocalipse. Deus, dizia ele, por meio dos anjos ou dos espíritos, sempre instruiu aos homens. E como só existe um relato apostolar sobre o modo de reunião dos Apóstolos, o ocultista foi lê-lo, na carta de Paulo aos Coríntios, primeira carta, capítulo quatorze. E sentenciou, com todo o vigor de seu entusiasmo: – Esse era o sistema de reunião dos Apóstolos, e cópia exata do grande acontecimento do Pentecostes, quando se cumpriu o batismo de Espírito, para o que veio ao mundo o Cristo! Para que, pela Revelação, torne-se o homem conhecedor das coisas de Deus! O Cristo, portanto, recomendou o AMOR e

prometeu a Revelação; e nós teremos, hoje, mercê de Deus, mais uma vez a promessa do Cristo testemunhada! O tom sincero, poderosamente vibrante do ocultista, sacudia nossas sensibilidades. E a veneranda Altair, a avó de Urias e bisavó da jovem médium, não pode fazer de menos ao lançar mão da jovem, para a todos saudar, por tão grata oportunidade. Suas primeiras palavras foram de gratidão pelo orador da noite. Depois, a todos se dirigiu, com maternal carinho. A consoladora manifestação dos espíritos arrasta consigo a necessidade de orientação de entidades sofredoras; porque, com isso, avança o homem num sentido a mais da solidariedade, sem deixar de ter sempre, pela frente, profundo compêndio natural de psicologia. Lucram ambos os planos, porque lucra a humanidade em si mesma, ela que é sempre a mesma, para aquém ou para além do túmulo. Depois de algumas considerações a mais, atendendo à curiosidade até de alguns dos presentes, a veneranda senhora pediu ao ocultista, ele que era mais conhecedor de quantos ali estavam, de tais questões: – Amigo Paulo, desejo que oriente a um irmão sofredor que aqui se encontra; como sabe, amigo, Jesus ensinou a fazer isso, embora tenham os historiadores interessados em outros aspectos doutrinários, feito questão de subtrair aos livros sacros, ensinos tão verdadeiros o quão úteis. E havendo-se posto o homem ao dispor da entidade iluminada, saiu ela do lado da jovem, para que três outros trabalhadores dela avizinhassem um homem de triste catadura, que se retorcia em dores atrozes. Logo, dominando a organização mediúnica da jovem, o sofredor se impunha, fazendo-a reproduzir tudo o que de si mesmo era. Retorcia a jovem, chorava e gemia dolorosamente, pedindo amparo pelo amor de Deus. E o ocultista passou a dizer ao sofredor, que já era um desencarnado, que precisava disso certificar-se, para poder trilhar uma vida de recuperação, em paz, saúde e trabalhos. A entidade não podia ouvi-lo, porquanto estava, dominada por dor atroz. E o homem pediu a todos, uma prece por ela. Nesse instante, parece que deixando cada qual de ser muito curioso, entrou a orar. E o conjunto era formoso, porque cada um dirigia ao sofredor, um contínuo jato de fluidos curadores. Aos poucos, mais do que com muita conversa, o homem sofredor foi ganhando paz e saúde. Quando já estava bem melhor, a veneranda se lhe tornou visível, e faloulhe com muito carinho. O homem estranhava que, sendo um morto, pudesse ter

um corpo para sofrer tanto. E a veneranda fez-lhe sentir, que um corpo é sempre um corpo, em qualquer grau de densidade, porque está em justaposta relatividade com o grau consciencional do ser espiritual. Pediu-lhe ela elevasse o pensamento a Deus, o Sagrado Princípio, para que sua cura ficasse a melhor possível no momento. E o homem, tendo orado com fervor, tornou-se receptáculo de eflúvios sublimes, findando por agradecer a Deus, e a todos, com ternas lágrimas. Ao perguntar para onde teria de ir, respondeu-lhe a veneranda que, com um dos presentes, iria para uma região adequada ao seu merecimento, para aprender e trabalhar pelo bem comum. E o homem se foi. Estava ali presente, também, da parte dos encarnados, um homem que depois fiquei sabendo, era lente de uma faculdade e parente da casa. Era homem que esposava idéias deístas um tanto singulares, pois acreditava em um possível Deus, mas um Deus mais imaginário do que real, uma espécie de símbolo do todo. A este pediu para dirigir-se, uma entidade de cor que ali dera entrada, num repente. Contrastava com a cor da pele, a alvura de suas radiações. O preto era muito alvo de espírito. E a veneranda concedeu-lhe a oportunidade desejada. Assim que o preto falou, dirigiu-se ao tal professor, com muito de intimidade. E o doutor levantara-se para ouvir melhor. A entidade, então, lhe disse: – Sou o Bento, doutor Aníbal... O servente. Faz três anos que deixei o corpo mais denso, em troca de outro mais leve e a gosto. O doutor estava em ambiente a si estranho, tendo dificuldade em travar diálogo com o espírito do velho serventuário. Mas, disse a certa altura, quando já o julgava com medo ou incapaz de falar: – Bem. E quer me dizer alguma coisa? Em que lhe poderei ser útil? – Lembra-se de quando dizia aos alunos: “Se o culto das virtudes for uma ilusão perante a morte, assim mesmo será a mais nobre realidade da vida”? – Lembro-me... Pois ainda o digo... – tornou a falar o doutor, respondendo ao preto iluminado, que lhe falava do continente da morte, através de Altair. – Pois prossiga, caro doutor, que nenhuma coisa é ilusão na vida, desde que o espírito a viva, mesmo que seja por um momento fugaz. Foi só para lhe dizer isso que vim, a pedido da dona Francisca, sua mãe, que lhe manda bênçãos, muitas bênçãos... E adeus, caro doutor... Adeus, meus irmãos.

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