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Capítulo 4 de 11

D E U S — parte 3 de 10

Reencontro no Céu · Osvaldo Polidoro

– Antes, porém, terá que trabalhar uns três anos em serviços nobres, porque, sem esse preparo, iria ao mundo para se deixar arrastar pelo pesado lastro do passado, redundando em mais ruína. Para uma boa performance no mundo, amigo Alonso, preciso se faz uma preparação psicológica prática. O só saber o que seja bom, o puro intelectualismo, de nada vale como força de embalagem construtiva e feliz. Portanto, não se esqueça de que irá ter grandes oportunidades de serviço, antes de reencarnar. – Trabalhando junto dos espiritistas encarnados? – aventurei. – Não; atendendo grandes sofridos advindos dos baixios... Curando irmãos em suas chagas mais íntimas, à custa de seus naturais dotes magnetizadores... – E o senhor está bem a par disso tudo? Sabe que treinei nesse sentido e que conseguia exteriorizar com facilidade o natural poder magnético? – Eu fui o seu guia, ou o seu anjo da guarda, como querem outros, durante os seus dias terrenos... De minha parte, amigo Alonso, fui correto em tudo, distribuindo meios, conhecimentos, oportunidades, etc. Fiz o meu serviço, como deveria mesmo tê-lo feito, sendo que o senhor procurava se acercar do saber, na mesma proporção em que se afastava do agir, do dever de corresponder ao conhecimento adquirido. Desta feita, amigos, pouco ou nada tinha para pensar; tudo era para darme o direito de me tornar um basbaque. E creio que vivi muito bem essa fase material e moral, pois, não estava apenas ante um irmão qualquer, mas, em frente ao amigo mais direto, mais próximo, em matéria de intercâmbio de obrigações. Eu bem sabia que nunca falta um agente intermediário, invisível ou às vezes em parte visível, entre o ser encarnado e os poderes superiores da vida. O de que nunca me havia ocorrido pensar, porém, é que tivesse um dia de enfrentá-lo, para dele ouvir palavras e conceitos dolorosos, que o eram, para mim e para ele. E derramei lágrimas doloridas. Ele, por sua vez, também fê-las deslizar pelas faces serenas, onde um sulco fazia se expusesse uma dor íntima. E tive vontade de ajoelhar-me a seus pés, de pedir-lhe perdão, por tanta ingratidão consumada. Por fim, foi ele quem me veio abraçar, comovido e tolerante. E me disse: – Eu, ou qualquer outro, amigo Alonso, poderia ter feito pior... Quero apenas que vença, uma vez que sua vitória refletirá sobre mim e sobre muitos de nossos irmãos. Afinal, por se entrosarem na vida todos os interesses, embora sendo distintos em parte, somos sempre interdevedores de fato. Ninguém acerta nem erra sozinho... eis a dura regra...

– Venha de onde vier uma razão atenuante, não a aceitarei, caro senhor; faço questão de assumir toda a culpa possível, pois, jamais alguém teria o direito de ser tão ingrato, para com quem é tão nobre e dedicado amigo. No que vier a me ser dado fazer, sendo consciente, tudo farei para merecer perdão. Deus há de querer que assim seja!... – Deus sempre quer o bem, amigo Alonso. – anuiu o bom homem – Nós, porém, dispondo do direito relativo de nos usar bem ou mal, julgamos que Deus, de tempo para tempo, de momento para momento venha a ajudar ou desajudar, a fazer favores ou desaforos. Não consigo apelar para o Supremo, assim como o fazem muitos, pretendendo que Ele se torne particularista; sei muito bem que Deus é, em tudo o que é, em sentido geral ou universal, e que, regendo por leis, por leis deve ser buscado. Tudo o mais, caro Alonso, é falho de lógica. – De fato – intervi – deve ser assim mesmo. Como poderia tornar-se Deus ou Sua Justiça, de atuação particular? Devem ser as leis, quanto muito, particularmente diretas; nunca, porém, que Deus em si se dê ao serviço falho de abrir ouvido a uns e não a outros, por isto ou por aquilo, às vezes sim e às vezes não. Quem dá segundo obras, por certo que o faz por leis; e as leis devem ser definidas, porém, não particularistas. – Exatamente, pelo menos para mim – concordou o bom homem. E esclareceu certos pontos, dizendo: – No âmbito do mecanismo das reencarnações e dos acontecimentos dele derivados, os seres são atingidos pelos seus próprios feitos, embora os tempos encubram aparências e modifiquem o ambiente de trabalhos. Veja, amigo, que vindo nós dois de longos séculos, presos um ao outro por cadeias intelectomorais, por compromissos sérios, aqui de novo nos achamos, frente-a-frente, para traçar rumos e resolver problemas. Cheguei a ser, em dia que aparentemente vai longe, um grande teorista; e você foi, amigo, o mais avançado discípulo. Assenhoreou-se bem de tudo, principalmente do falar muito e fazer pouco... E estacou, como que a medir a extensão natural das leis, em suas possibilidades flexíveis, mas justas. Depois, argumentou, pensativo: – Não teria sido você, nesta última vida na carne, o motivo usado pela Suprema Justiça, para fazer-me pensar e sofrer, e, assim sendo, reequilibrar moralmente a situação? E você, Alonso, não teria ido apenas para o que foi, para em reconhecendo e sofrendo, também, reajustar-se em si mesmo, preparando-se para dias e condições melhores? Fez outro estacato, bem longo, tendo em seguida ponderado:

– Quem diria ter sido essa a razão de nunca ter podido interferir no seu direito de livre arbítrio, como em muitos outros casos se dá, podendo-se enveredar o ser tutelado para rumo melhor? Porque, afinal, sempre que queria forçá-lo pela dor, por qualquer meio fácil de encontrar e de aplicar, sempre intervinha um alguém a dizer: – “Não faça uso desse recurso... Deixe-o à vontade... Deus sabe o que faz... Seja resignado... Queira sofrer com o seu tutelado... etc.” – Seus superiores nunca lhe disseram nada? – perguntei. – Naquela região brilhante onde esteve, indicaram-lhe diretamente qualquer coisa por fazer, qualquer plano por realizar? Não é certo que, embora indicando a direção, nem por isso determinaram o caminho? – Como sabe disso?... – Tenho o seu dossier em meu poder, para efeito de diretriz por seguir, para seu e meu bem. Mas, nada mais sei do que aquilo que acabo de dizer. Tudo me está como que encoberto, como que confuso... – Não tem a quem recorrer para fim de colher informes orientadores? – Tenho uma entrevista marcada para amanhã, com o chefe do departamento de transferências; não sei, todavia, dada a rotina, para que fim será a mesma, se para tratar de caso pessoal, se para fim de serviços, como de costume. – É para quem tem ordem de me apresentar? – Isso, no caso de querer aceitar um trabalho... Do contrário, amigo Alonso, teria de migrar para outro plano de vida e condições, bem mais sofrível. Peço, porém, pelo amor de Deus, que aceite um trabalho. Seria horrível fazer o contrário disso, mais para si que para mim, mas, em geral, doloroso em seus efeitos. – Prometo ser-lhe fiel ao máximo, caro senhor. Tenho para consigo um grande débito, embora confesse o senhor, ser, em parte, motivador direto disso tudo. Hei de fazer tudo para vencer, também. E quero me apresente o mais depressa possível à autoridade competente. Já e já, caso seja possível. Tenho um incontido desejo de trabalhar e vencer. Reconhecer no passado os motivos da difícil situação do presente, não me é desagradável; pelo contrário, gosto disso. O homem sorriu, satisfeito, tendo comentado:

– Quanto tempo temi por este encontro! Temia pelo seu modo de pensar e temia pela minha ignorância, por tanta falta de certos conhecimentos, de minha parte. Temia, enfim, pela treva que me tolhe o conhecimento de certas verdades. Agora, porém, dada a sua boa vontade e desejo de vencer, uma grande, a maior parte dos prejuízos derretem-se, tornam-se fúteis. – Deus nunca fecha os caminhos a quem quer – considerei. – De mim – disse ele – sei que Deus nem fecha nem abre, pois, em Deus e para Deus, com Deus e por Deus, tudo é como é, por fundamento inalterável. Ao que dizemos ser por intervenção particularista de Deus, nada mais é do que reação de nossas ações, por via de leis que imperam, intervindo e fazendo intervir seres e acontecimentos. Deus está, como Sagrado e Íntimo Agente, muito acima de nossas falsas concepções. Prova isso, amigo Alonso, o fato de ignorarmos relativíssimas leis e seus efeitos. Como, pois, querermos discernir a Suprema Lei? Lembrei-me dos conhecimentos adquiridos na Terra, à custa de ler tudo quanto me fora possível, em torno às revelações; e por temer as divergências entre teoria e prática, balbuciei: – Os credos do mundo podem estar certos em suas linhas gerais; mas, deste lado, o panorama prático revela-se bem outro, bem diferente!... O seu caso, por exemplo, dá-me muito o que pensar. Porque francamente, estando em relativa paz, tendo por moradia um plano de justiça, sabendo muito dos porquês, é, no entanto, ou continua a ser escravo de uma situação criada por suas ações, à custa de pensar como pôde ou como quis, livremente. E, para os credos do mundo, todos eles ornamentados com florões milagreiros, absolvicionistas e favoritistas, não pareceria que, um tal espírito pudesse, depois, de ser de tudo isso consciente, ser livre de tantas auto-influências? Onde está, pois, o Deus particularista das religiões mercantilistas e inçadas de hierarquias? Onde estão os céus vendáveis? Onde o perdão? Onde a ira de Deus, segundo as versões antigas? Onde a liberdade total dos seres, segundo os conceitos panteístas orientais? Onde o poder do espírito à revelia das leis fundamentais? – De qualquer forma – interveio o bom homem – por leis governa Deus o mundo dos seres e das coisas, e por leis devem os homens vencer ou fracassar! Jamais tive oportunidades, estas ou aquelas, para poder pensar em contrário, desde que estou por estas bandas da vida. Leis, leis, sempre leis, graças a Deus! E nunca tive conhecimento de que uma lei houvesse, que revelasse a Deus como particularista. Sempre gerais são as leis, e, quem se enquadrar em qualquer delas, vem a se achar segundo como ela determine. Quem quiser melhorar, pois, que se enquadre em melhores e mais sublimes leis. O resto é

falácia, apenas falácia! O homem terá sempre, por moradia, precisamente aquele ambiente que para si tenha preparado, à custa de cultivar leis, estas ou aquelas. – Felizes os que amam muito! – tive de dizer, num ímpeto, movido por estranho e sublimado poder. – Graças a Deus! – disse uma bela figura de jovem, que a nosso lado se fez visível. E o bom homem arrojou-se a seus braços, chorando de alegria e exclamando: – Minha irmã!... Lourdes!... Como estás cheia de graças!... Depois, passados os instantes primeiros e de choque, apresentou-me: – É Alonso, um amigo e um sócio em venturas e desventuras... – Sei de tudo. – disse ela – Estava aqui faz muito tempo, além de saber do que ocorre entre nós todos, desde remotos dias. Também tenho parte, também sou da sociedade, nas venturas e desventuras. E, como Deus quer o melhor para todos, de hoje em diante, um dia novo e mais cheio de luz brilhará para nós. Minha alma exultava, todo o meu ser vibrava, ante aquela expressão sublimada da espiritualidade, que se apresentava pessoalizada num ente a quem sentia estar bem perto de mim, de minha sorte e dos meus mais íntimos interesses. Naquela região em que havia estado, de grande esplendor celestial, tudo era bem, tudo era muito maior; mas, tudo era grande demais, antes me fazia sentir mal do que bem. E esta jovem, fascinante de virtudes espirituais, linda como um anjo, parecia trazer consigo, o poder de balsamizar dolorosas feridas de alma. O céu em sua integralidade, perturbar-nos-ia a vida. Assim é que posso praticamente dizer. Para nos sentirmos bem em face da VERDADE, preciso se faz se torne ela fracionável em extremo, oferecendo-se à apreciação por nuances tênues e ao par de nossas possibilidades de assimilação ou absorção. E, como antes de nós pensarmos, já procede Deus de modo mais justo, através de leis, ali estava, pensei de momento, quem viria ser luz em nossos caminhos. De muito que estava consciente de jamais agir Deus, ou qualquer das autoridades superiores, de modo direto; de muito que sabia haver, entre Eles e Seus dirigidos, vastidões de cadeias hierárquicas, falanges de seres em trânsito para os planos superiores da vida, e que, em servindo assim é que para lá vão, como acontece conosco. Por isso mesmo é que sinto repugnância pelo que

medra no mundo, nos dois planos, de religiosismo tacanho, desse religiosismo que quer engolir Deus através de nojentos beatismos, enquanto vomita sobre o próximo a bílis dos mais feios e anti-cristãos procederes. Aguardava, portanto, um mundo de coisas daquela moça, que mais não era que um pouco do céu em boa dosagem. Seria como uma pedra no caminho de um Francisco de Assis... irmã para servir e ser servida. E foi com elevado penhor que a ouvi dizer: – Acompanhem-me... E quando menos esperava, eis que já me tinha em trânsito para uma bela região, um lugar simples e sob o encanto de uma paz celestial. Ir para o ar, viajar sob o impulso de superior poder, foi só por ter querido ela que assim fosse. Não é que isso fosse difícil para mim; mas é que, desta feita, fi-lo sem querer e com todo o coração respirando livre consolo, suave esperança e firme confiança. Ela era como um alguém que bem pesava na balança dos meus velhos tesouros de alma. Eu o sentia francamente. – E que tal acham esta vilazinha? – perguntou ela, correndo a vista em torno, detendo-se nos acidentes de terreno, deixando-se absorver pelo profundo horizonte, emoldurado de vales e montes. – Só a paisagem conforta a alma! – falou o bom amigo, extasiado. – Há um sentido de paz aqui, bem diferente de outros que tenho experimentado, senhora Lourdes. Aqui já devo ter vivido, aqui já terei sonhado, neste berço terei dormido. Meu ser parece que se reencontra de novo, minha alma parece que volve, em tendo de novo este lugar ante suas vistas, ao seu estado natural. Creio que me dará a explicação de que careço – foi o que lhe respondi. – Bem... Bem... – disse ela, estacando e pondo-se pensativa. – Se lhe não for possível dizer... – concordei, notando-lhe a preocupação. – É que tudo depende do seu desiderato, do seu querer aceitar um serviço redentor. – emendou ela – O senhor errou com conhecimento de causa, de sorte que deve procurar reparar as faltas, decisivamente, deliberadamente. Assim como se for tornando merecedor, por prática ressarcitiva, assim se lhe irá abrindo o panorama do passado, até o total reencontro de si mesmo, no seu estado ótimo. Senti-me invadido por um rasgo de tristeza, de dor moral, ao ouvi-la dizer aquelas palavras, que valiam por uma sentença, ou pela transmissão da mesma. E disse-lhe, reverente:

– Sei que é intermediária entre a Justiça Divina e os meus erros, de conformidade com a profundidade mecânica das leis de causa e efeito. Peço, por isso, para que leve em conta esta minha confissão de fé penitencial: quero servir ao meu próximo, ainda que me custe o que for, por saber que, só assim, só por essa via sacra, poderei servir a Deus, libertando-me das falhas. Aceite este meu protesto de redenção, fazendo que seus conselhos se transformem em ordens superiores. – Nesta região, em suas variantes condições ambientais, isto é, do seu mínimo ao seu máximo poder expressivo, o senhor viveu os seus melhores dias de ser consciente. Como sabe, cada céu ou faixa subdivide-se em quatro zonas. Está, pois, amigo Alonso, devolvido ao seu plano natural de merecimento, de quem esteve afastado por muitas dezenas de anos. Espero, como diz e creio, faça-se merecedor do que está sendo dado adiantadamente... – Bem o sinto, senhora Lourdes. – Chame-me apenas Lourdes, pois já fui sua filha, num tempo em que foi um pai extremamente bom... Não quero dizer, não é preciso, em vista de saberem todos o quanto de sublime há num reencontro destes. Fundimos nossas almas num pranto feliz, embalando nossos eus para os mais ternos e puros sentimentos.

Velhas Amizades Tendo acompanhado Lourdes à sua residência, que se convertera em nossa, vim a travar conhecimento e a trocar amizades, com seus pais e demais parentes. Um jovem, também, enamorado de Lourdes, tecia o romance de sua vida, freqüentando a casa, preparando-se para novos ingressos no plano físico da vida, onde seus sonhos haviam de merecer as bênçãos superiores. E como o Consolador prosseguia, nos dois planos, a engendrar a unificação religiosa, tinham eles por função, por dever de trabalho, atender ao apelo de parentes do mundo carnal, que, por necessidade, haviam procurado o Espiritismo. O rebate atingira ao plano devido. Suas preces foram ouvidas. E as autoridades cumpriram seus deveres, enviando meios e possibilidades de trabalho, havendo procurado, dentro do elemento inteligente, seres afins, criaturas entre si ligadas por profundos liames históricos, morais e intelectuais. Ao primeiro contato, pois, fui posto a par de tudo, em linhas gerais. E aquele homem venerando, que na última passagem pela terra fizera o papel de pai de Lourdes, disse-me: – O que você não fez intelectualmente, distribuindo dádivas informativas durante a sua última vida, fá-lo-á agora, com trabalhos práticos através exercícios por vezes duros. Todo caso, como há sempre o tom natural, em tudo e para tudo na vida, aqui ou onde for, para este ou para o fim que seja, creio que, com um pouco de simplicidade, tudo fará bem. E quando ao dia seguinte, pela manhã, acordei, tive um sonho fantástico para contar. É certo que o senhor Rogério sorria inteligentemente, assim como quem já está a par de tudo. Calei-me, é claro, vendo-o assim, bem como a todos os mais, todos, quem mais e quem menos, cientes do que havia ocorrido.

– Diga, diga, Alonso; que é do seu relato que faremos um apanhado do seu estado de alma e de sua disposição anímica, para com certos deveres por executar. Tendo ouvido o senhor Rogério assim dizer, falei: – Foi um sonho maravilhoso, sem dúvida, embora, por vezes pontilhado de acontecimentos esquisitos e sofríveis. Lembro-me bem de ter sido procurado por um homem robusto, muito alto, rosto alegre, olhar profundamente penetrante e voz de um tom regularmente grave, ungida de paternal assento nas inflexões. Este homem me disse: – Vamos dar um passeio pela sua história? Há muita coisa interessante para você saber. E eu lhe respondi afirmativamente, dado que todo ele era amigo: – Vamos... Mas, fará o senhor isso? Teremos de ler muita coisa?... – Não – disse ele, sorrindo e acrescentando: – Muito mais do que nós sabe Deus, não acha? – Sim, sem dúvida. – respondi – Todavia, não convém confundir o que sabe e o que pode Deus, com o que sabemos e o que podemos nós. Quando muito, senhor, o que podemos e devemos fazer é confiar em Deus... – Meus princípios são outros, caro senhor Alonso... – Conhece-me?... – Sim; mas prefiro tratar dos princípios a tratar de qualquer de nós. Pelos princípios poderemos atingir a humanidade, muito mais facilmente do que procurando fazê-lo por intermédio de uma pessoa, seja ela quem for. E assim sendo, amigo Alonso, viver confiando em Deus é prova de malbaratar a vida. Isso não é coisa que se pense e faça, pois, quer Deus que saibamos tanto, a ponto de servirmos de canais ou filtros de Sua infinidade, em todos os sentidos. Enquanto ele falava, coisas estranhas se passavam, pois o ambiente modificava-se constantemente. E ele prosseguia: – Os espíritos chefes, das galáxias e dos sistemas, dos planetas e dos povos dos infindos mundos, não são aqueles que apenas vivem confiando em Deus. São aqueles que lutaram, que lutam, por mais conhecimentos e aprimoramentos de toda ordem. Confiar em Deus é qualquer coisa que pesa na balança das virtudes positivas, mas não é tudo. O tudo é um conjunto de fatores. Portanto, amigo Alonso, o que nos cumpre é confiar trabalhando, investigando, progredindo sempre.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.