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Capítulo 10 de 11

D E U S — parte 9 de 10

Reencontro no Céu · Osvaldo Polidoro

E depois de fazer um gesto reverente para com a veneranda senhora que lhe dera oportunidade de falar ao doutor encarnado, despediu-se e sumiu na imensidade. O doutor sentou-se, depois de volver para o seu lugar, ostentando no rosto uns filetes que refletiam a luz da lâmpada próxima. Nós podíamos notar, perfeitamente, que aquele homem era um sensível, um homem de bem, como se diz. Porque, ao lhe penetrarem pela alma a dentro tais palavras, todo ele aureolou-se de um azulino muito belo. Foi como uma tocha iluminadora, que de si dera o que tinha, ao primeiro desejo de quem lhe achegara. Ato contínuo, a veneranda Altair pediu a Edgard para que se pronunciasse pela jovem médium. E ele o fez com muito gosto. Falou a todos, perguntou e respondeu à vontade e como melhor pôde, sobre assuntos vários. A um sobrinho que lhe fizera interessante pergunta, mas impossível de ser respondida, disse ele: – Conto com alguma lucidez a mais, e com muita facilidade de locomoção; mas ainda não me tornei onisciente... Sou o mesmo que era, exceção daquilo que já disse, mercê de Deus, orna-me agora a personalidade. Portanto, nada posso dizer sobre onde habite Jesus, nem sobre o que esteja fazendo neste instante. E para vos dizer uma grande verdade, e recomendá-la mesmo como de grande utilidade, digo que é bom se vá o encarnado habituando ao hábito das restrições, pois vivemos aqui tal e qual na Terra, em meio circundante que se expressa à base de leis limitadoras. Para vencê-las, amigos, temos de vencernos a nós mesmos em primeiro lugar. Sem melhoras internas, ninguém conseguirá melhoras externas. E o problema de Deus, como qualquer outro problema de ordem hierárquica, tanto quanto aí, aqui também é apenas infinito. Os grandes seres, quando vêm a nós para nos instruir, falam relativamente sobre questões profundas, deixando-nos compreender que a parte mais interessante, toca a cada um por si resolver, pois é mais questão de realização do que de conhecimento teórico apenas. E depois de sondar de certo modo a uma pergunta formulada na mente de um dos presentes, disse: – Mas como chamaria Deus a alguém para junto de si? Como haver precedentes desonestos em Deus? E tecnicamente falando, meu amigo, implica isso em tremendo erro, pois nem Deus é antropomórfico, ou figura individual, nem em Sua Justiça há lugar para exceções. Deus é o Princípio Sagrado que em tudo e todos é fundamento. Quem tiver em mente a idéia de um Deus externo a si, esteja certo de que está errado! E ao Deus interno, ninguém irá por meio de favores ou formalismos religiosistas, nem tampouco por concepções intelectualistas fanáticas. A Deus só iremos, amigos, por meio dos santos caminhos que são a Pureza e a Sabedoria. Tais caminhos serão sempre de

ordem interna; quanto ao mais, amigos, são estrepolias clericalistas, que o tempo se encarregará de banir da mente humana. Volveu levemente a cabeça para Eunice, a mãe de família, e respondeu-lhe de modo insinuante: – Sim, minha bondosa irmã, no cumprimento do DEVER está a grande e pura doutrina de Jesus Cristo, moralmente encarnada. O mais, verdadeiramente, é CIÊNCIA. E quem aliar à sabedoria moralidade inatacável, estará trilhando o melhor caminho. Sem tais fatores, pergunto, quem honraria a VIDA? E quem desprezar a VIDA, o mais fundamental e direto fenômeno que nos diz respeito, como poderia prezar ao seu próximo? E sem amor ao próximo, sem compreensão do ambiente circundante, onde haveria culto digno? O sentido moral da vida vale mais do que a própria vida, já o disse alguém, e sem aqueles fatores, como respeitar o sentido moral da vida? Os amigos de ambos os lados estavam imaginando em tais palavras, quando o companheiro disse, despedindo-se: – O reino do céu jamais virá a nós, porque em Deus tudo é fundamental. Ele nos fez, se assim quiserdes pensar, com natureza para tudo, conferindo-nos o direito de podermos andar mais depressa ou mais devagar. Todos os valores evolucionistas nos são ingênitos, e, por isso mesmo, não peçamos a Deus aquilo de que por natureza já somos herdeiros. Basta de religiosismos estúpidos! Basta de mentiras teologais! Basta de pensar em um Deus traficante! As velhas concepções espiritualistas estão abarrotadas de erros tremendos! Procurai saber mais e melhor sobre a VERDADE, que está dentro de vós e de quem sois parte, tornando-vos templos de AMOR e CIÊNCIA! Adeus! Em seguida, a veneranda Altair tomou a médium Altair, sua bisneta, para recomendar o prosseguimento dos trabalhos; e tendo pedido um pensamento de amor para com os desencarnados sofredores, que deveria ser feito em silêncio, por todos, despediu-se, recomendando meditassem bem no que haviam visto e ouvido, não deixando de relacionar tudo, com a promessa do Cristo, sobre um Consolador que seria espraiado sobre toda a carne. Fez uma breve pausa e, sorrindo, concluiu: – Mas, se não quiserdes convir com a Soberana Vontade de Deus, nem por isso detereis a marcha triunfante da VERDADE... que são as coisas de Deus... Porque Deus, verdadeiramente, é a VERDADE que o homem desconhece, mas que aos poucos, de um modo ou de outro, terá que conhecer... Deus, irmãos queridos, é a CAUSA e é o EFEITO... Adeus. Urias, o chefe da casa, havendo-se posto em pé, falou brevemente:

– Meu Deus! Sinto-me como um perfeito analfabeto diante de Tua sabedoria; mas, minha alma transborda de contentamento! Só Tu poderias fazer estas coisas e propinar a Teus filhos tão gratas e santas satisfações. Por isso, Senhor, em nome do Teu Santo Enviado, Jesus Cristo, nós humildemente Te agradecemos. E pedimos, Senhor, que estas mesmas graças penetrem o coração de todos os filhos Teus, principalmente daqueles que mais precisam, que são os que ainda medram nos planos dolorosos da ignorância espiritual. Envia, Senhor, Teus santos mensageiros a todos os lares, para que a terra inteira se torne pródiga em amores santos! A Ti, Jesus, Divino Mestre, agradecemos hoje o Amor exemplificado, bem como o Consolador prometido. Herdeiros da promessa e livres para cultivar o Amor, que mais Te poderíamos pedir? Senhor! Um dia, na vida, agradeceste aos discípulos por terem estado contigo nas duras provações; por terem pontilhado do desbravamento dos desertos do espírito humano! E é por isso, Mestre, que queremos lembrar, não um pedido, mas sim uma bênção. Para que possamos fazer de hoje em diante, do viver o Evangelho, assim como Tu exemplificaste! E aos mensageiros da Paz, agradecemos carinhosamente o doce convívio. Sempre foram anjos ou espíritos os intermediários entre o Pai, o Mestre e os homens bem intencionados de todos os tempos. Desejamos, queridos amigos, que vos pague Deus por tanta nobreza de alma! Seu rosto estava sendo banhado por filetes cristalinos. Sua alma transmitia-nos raios de luz inteligentes e respeitáveis em pura afetividade. O ambiente estava, todo ele, psiquicamente santificado. E nós, um grande número de invisíveis ou mortos, sentimos necessidade de agradecer aos planos superiores da vida, aos chefes, àquelas entidades por meio de quem se filtram os Sagrados Poderes. A veneranda Altair foi colocar sua mão sobre a bisneta, fazendo-a desdobrar o suficiente para ver um pouco do que lhes ia em torno. E o chefe da casa pediu: – Oremos para encerrar!... Depois do encerramento, cada qual fazia o seu comentário. As dúvidas haviam sido, quase todas, vencidas. Nós não iríamos prestar atenção na conversa dos duvidosos, ficamos observando o que diria a jovem Altair, e ela disse:

– Que coisa maravilhosa vi, no final dos trabalhos!... Uma mulher que brilhava como se fosse um sol! E quanta gente alegre! Ao longe, porém, havia gente triste. Gente amarrada. Gente que gemia e chorava. A veneranda Altair ficou contente. Queria mesmo, disse, dar uma amostra do quadro geral; fazer ver que uma sessão espírita é coisa muito mais séria do que muitas criaturas julgam. – Mas nem todos podem ter visões assim, ficando o conhecimento dessa verdade, apenasa cargo das afirmações de alguns poucos! – disse alguém do círculo de seres regularmente envolvidos. E a veneranda respondeu: – E quem recebe, sem méritos? Quem quiser colher, que semeie! Há um grande número, amigo, que só faz jus ao lodo, porque outra coisa não cultivou. Como poderíamos passar por cima da auto-brutalidade e fazê-los receber o que não procuraram ter de direito? Lembre-se das últimas palavras do irmão Edgard, falando a nós todos. “Todos os valores evolutivos nos são ingênitos, e, por isso mesmo, não peçamos a Deus aquilo de que por natureza já somos herdeiros”. Logo, amigo, o reino do céu é questão de educação aplicada! – Mas as falhas doutrinárias, irmã, não prejudicam tanto? – Nenhuma doutrina impõe-se ao espírito, menos que este o permita! O cetro está com o ser filho de Deus e não com a doutrina. O contrário seria reduzir o ser a um simples autômato. E assim não quis Deus. Fê-lo com valores fundamentais por natureza, conferindo-lhe o poder e a liberdade de discernimento, para efeito de auto-diretriz. Logo, quando tenha evolvido até poder dizer-se racional, faça correto uso de tais conquistas. Se, porém, depois de conquistar o plano do discernimento, por fanatismo, quiser fazer-se apenas sectário, quem tem culpa disso? Também, não é certo que, contra espíritos de envergadura, de nada valeram as cruzes, as fogueiras, as martirizações em geral? Silenciou um pouco, para sondar o vasto número de sofredores que circundavam o ambiente, e, focalizou certo setor intelecto-moral: – E no campo da descrença? E sobre as negações espirituais? Se desde os Vedas existem sábias lições de espiritualidade, quem pediu ao homem para que se brutalizasse? E brutalizando-se, tornando-se presa de animalismos degradantes, por que não deveria sofrer as conseqüências? – O mau exemplo dos sacerdotes, muitas vezes... – ia dizer o mesmo irmão.

– Não convence, jamais, aos seres equilibrados! O erro de um é erro dele, e, só poderia influir por derivação. Quem crê ou explora o erro de um, para justificar o seu ou de quem quer, é muito mais errado ainda. Os bons corações, amigo, não têm gosto para incriminar; passam por cima dos erros, e, não se esqueça, trabalham pelo próprio melhoramento doutrinário, mesmo à custa da própria vida! A Terra, porém, está habitada, em sua maioria, por seres portadores de tremendas taras. Dão-se às negações, aos clericalismos, aos rotinismos degradantes, aos animalismos, e, por fim, querem um responsável externo para todos esses delitos! Muitas vezes, mesmo, criminam aos Livros Sagrados! Esquecem-se de que são eles transmissores de informes relativistas, produtos do trabalho de espíritos relativamente evoluídos, carentes uns e outros de avançamentos. – O problema é complexo! – disse o irmão admirado. – É simples! – emendou a veneranda Altair – Quem tem elementos naturais para trilhar o bom caminho, e deles faz uso para trilhar o mau, de quem e do que se poderá queixar? Estava ela assim dizendo, quando infeliz entidade se lhe aproximou, abrindo caminho por entre a multidão que a ouvia. E tendo-se bem perto, fez esta indagação: – Venerável irmã, queira ter a bondade de me esclarecer: não deveria Moisés responder pelo meu sofrimento? Afinal, senhora, fiz só aquilo que ele mandou fazer, tal como está no livro dos Levíticos! – Não! – respondeu ela com firmeza, devassando-lhe penetrantemente o ser, em fração de minuto. – Por que não?!... Afinal, que mal fiz?... Oficiei!... Oficiei!... A veneranda explicou, brandamente: – Três grandes coisas fez Moisés: pregar a vinda do Cristo; transmitir a Lei; e, recorrer à Revelação para obter os informes precisos no tempo. A chave foi sempre a Revelação. E quantas vezes o amigo deixou de parte os formalismos, os erros de Moisés, para sondar a VERDADE pelo culto da Revelação? – Ele mesmo proibiu o culto do intercâmbio com os mortos! – Um homem sábio, amigo, não cai na asneira de negar teoricamente, precisamente ao que faz praticamente! O feito de Moisés, no conclave dos setenta, quando daquele primeiro batismo de Espírito, faz bem compreender que a proibição não vem dele. Mas, que o fosse, por que o senhor usou de sua inteligência para cultivar o que era opinião do homem e não a graça de Deus?

Mesmo, amigo, seu crime é posterior ao Cristo! Porque ficou com Moisés e deixou o Cristo? Moisés prometeu um Cristo, enquanto o Cristo prometeu um Consolador; quem lhe ordenou no sentido de desprezar o melhor ensino em benefício do medíocre? Mesmo quando quisesse ser contra Jesus, porque não respeitou os ensinos da Revelação? E terá de fato sido um mosaísta? Não teria feito de Moisés, assim como inúmeros fazem do Cristo, do Evangelho e da Revelação, apenas pretexto para a defesa de sanhas imediatistas? O bolso, o estômago, o título nobiliárquico, o jacobinismo prático, os interesses inconfessáveis que costumamos alimentar na vida... enfim, a falta de respeito que votamos a nós mesmos, não terá sido isso e não Moisés, o porquê do seu fracasso? O pobre irmão, sacerdote com vestes esfarrapadas, barbudo e sujíssimo, inclinou a cabeça e não mais falou. Ia retirar-se; mas, quando começou a abrir brecha por entre a multidão, a veneranda o chamou, dizendo: – Eleazar, caro irmão, vem para junto de mim!... Filho do céu!... Deixa o orgulho!... Deixa a prevenção contra o teu próximo!... Só o Amor é lei salvadora!... O homem parou, e voltou para ela seu rosto desfigurado e triste. E ela foi a ele, bondosa e leve como uma pluma, dizendo-lhe ao tempo que o abraçava: – Se for caso de perdão, perdoa; se o for de penitência, penitencia-te... Para com Deus, Eleazar, ninguém conseguirá ser, nem simples nem orgulhoso, nem tolerante nem perseguidor... Entre nós, porém, reine a mútua tolerância e o desejo de crescimento em Pureza e em Sabedoria. – Não te chegues a mim... Vê, estou todo sujo de barro e bichos... – disse o pobre sacerdote, procurando afastar-se dela. Ela apertou-o a si, enquanto lhe falou com carinho: – Contra essa sujeira, amigo, anteponha o vigor do teu pensar; contanto que o faças com sincero desejo de reabilitação, tudo conseguirás. Chegou o teu tempo de recuperação... Está vencido um ciclo de purgação. – Ajudem-me, então... – balbuciou o homem, chorando copiosas lágrimas. A veneranda pôs-lhe as mãos sobre a cabeça, e orou com todo o seu poder de alma educada nos caminhos do amor. E mais um irmão faltoso, naquela hora, recebeu a recompensa de ter considerado sobre seus próprios erros. Houve como que uma transfiguração em miniatura. E a veneranda, chamando a si um dos trabalhadores presentes, entregou-lhe o agradecido

irmão. Ele se foi, sem poder dizer uma palavra, no seu semblante, todavia, estampada estava a imagem de gratidão. Depois de minutos, rumamos para nossos penates siderais, cada qual para o local que por turno ou devotamente, por necessidade ou dedicação, estivesselhe servindo de país, de oficina, de motivo ascensional.

O Juízo Final Não peço desculpas por dizer o seguinte: ou muita estupidez infiltrou-se pela mente a dentro dos chamados historiadores sacros; ou muita corrupção clerical deslustrou grandes ensinos religiosos; ou muitas verdades excelentes sofreram os prejuízos concepcionais e interpretativos do homem; ou, muita gente bem mal informada, gente destas bandas, disse coisas ao homem, que não devera dizer! Não adianta me digam que cada tempo faz jus à sua verdade; essa forma de dispensar respeito ao absurdo, não me serve. Pelo contrário, gosto muito de quem é capaz de dizer: “como eu, ontem, era bem mais parvo do que hoje!”. Ou: “como me alegra saber que amanhã poderei pensar melhor do que hoje!” Porque, amigos, dogmatizar é cometer ato absurdo! Ninguém sabe, que saiba eu, na Terra, o suficiente para poder dogmatizar, seja para que fim for, sobre conhecimentos quaisquer. Como dissera o grande vulto francês, Pascal, o homem nada sabe profundamente. Tudo o que sabe é superficialmente. Nada sabe de prático sobre as origens, nem tampouco com relação às supremas expressões. E, por isso mesmo, como me fazem rir as rígidas disposições dos estatutos humanos, quando pretendem advogar causas e coisas de domínio espiritual. Um simples dispositivo teologal, a querer passar por decreto de Deus! E quanta gente já morreu por dizer o contrário? E quanto patife ainda vive feliz por explorar tais dispositivos? Todavia, sem saber ao certo sobre umas tantas afirmações bíblicas, digo que erros tais comportam, que horríveis sofrimentos causam, apesar de tantos e tão sublimes estímulos terem sugerido. Não saberia quem culpar; se aos informantes astrais, se aos intérpretes encarnados, médiuns ou profetas, ou se aos possíveis corruptores. O que sei é que certas afirmações pecam pela base! São virtualmente inverídicas, completamente falhas de sentido e aplicação. Pelo menos, que eu saiba, Deus não as usa!... E se já usou, que bem o diga, faz para

além de muitos milhares de anos, coisa de que nenhum de meus amigos, superiores e baluartes da espiritualidade, pode falar de memória ou erudição. Um ponto é o tão decantado Juízo Final; tão final que, para falar francamente, nem sequer teve jamais começo! Pelo menos, ninguém sabe dizer, por estas bandas por onde transito, que alguém isso viva a esperar. Todos sabem, porém, que o juízo data do momento da ação, seja boa ou ruim. O juízo seria, portanto, sempre inicial. Sempre em justaposta condição com o ato praticado! Em face da lei do Carma, onde haveria lugar e tempo para o Juízo Final? E quem o teria inventado? Vamos, todavia, ao caso em apreço; porque francamente, não havendo pedido o Supremo Ser, a Essência Básica, conselho a quem quer para dar andamento a tudo, de ninguém o conselho carece, para que tudo ande direitinho, regido por leis de ordem geral, tanto bastando para que a felicidade se estabeleça nos seres, que se façam sintonizantes com tais fundamentais princípios. Porque, medite-se bem, não existe felicidade por razões particulares! Existe, digamos, uma lei, uma ordem; essa fraciona-se em gamas infinitas. E os seres vão escalando as gamas, transitando pelas sub-leis, até atingirem o ponto culminante. Toda e qualquer expressão de lei, porém, é de ordem universal. Há, pois, uma mesma JUSTIÇA para todos! E essa JUSTIÇA não fica para estranhos poderes, não apela para outros seres, não vai a tribunais estabelecidos pelo conchavismo teologal do mundo; ela é ingênita a tudo e todos, em tudo age e se impõe de dentro para fora. Se é matéria, em si comporta os intrínsecos valores para todos os fenômenos, todas as mutações possíveis. E se é espírito, igualmente se passa. Quem, pois, um ato qualquer vier a praticar, comportará ele, naturalmente, uma correspondência moral, e, ninguém jamais separaria o ser agente, da responsabilidade intrínseca ao feito! É essa a lei do Carma, de causa e efeito. E o Juízo Final nunca teve o que fazer na Obra de Deus! Quem esperar que a terra, o mar ou o quer seja, devolvam um dia tudo, para um judiciado final e absoluto, que perca a euforia sectária, e que se prepare para enfrentar a vida, sempre a vida, em qualquer circunstância que seja, boa ou ruim, assim como se tenha proposto, pelas obras.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.