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Capítulo 9 de 32

O Segundo Selo

Interpretação Sintética do Apocalipse · Cairbar Schutel

As nações, assim como as sociedades e os indivíduos, têm a sua liberdade de ação, donde resulta o mérito ou o demérito de cada qual. Grande é a "liberdade individual", maior é a das sociedades, e ainda mais ampla, é a das nações, e todos nós para o futuro só colheremos os frutos das sementes que plantarmos bons, quando estas são boas, e maus, quando forem más. Não existem nos "arquivos celestiais" livros que registrem antecipadamente os destinos dos indivíduos, das sociedades, das nações, mas, sim, "livros em branco onde se vão escrevendo os feitos dos indivíduos e da coletividade", visto que há a liberdade individual e a coletiva. Mas, assim como nós podemos prever, da árvore que hoje nasce, o tempo da frutificação, a qualidade dos seus frutos, igualmente os Espíritos de grande elevação, para quem o TEMPO e o ESPAÇO não são medidos pelo metro e pelo pêndulo, podem remontar às profundezas do passado ou fazer com que seus olhares perscrutadores se estendam a uma parcela considerável do futuro, que os olhares humanos não podem abranger.

No caso de que tratamos, do Apocalipse, em que são abertos os "selos" do grandioso "Livro do Futuro", nós já vimos que, apesar de tantos eleitos haver nas Regiões da Luz, só UM conseguiu reunir todos os atributos dos sete Espíritos, para poder chegar ao ponto culminante da HISTÓRIA DO MUNDO, que marcará o REINADO DE DEUS NA TERRA. Em cada Espírito se assinala o DOM DA PREVISÃO; uns têm-no em pequena escala, outros em maior, de acordo sempre com a sua elevação moral e capacidade científica; mas para ver o que se acha descrito no Apocalipse, e foi transmitido ao Médium Extático desterrado em Patmos, eram precisos "SETE OLHOS", que só AQUELE QUE VENCEU TODOS OS OBSTÁCULOS possuía, para "romper os sete selos" (1). (1) - Apocalipse, V, 2 e 6. Estas considerações deviam preceder a abertura do segundo selo, para que se não nos atribua a crença num "Deus Vingativo", que tem às suas ordens "Espíritos do Mal", a quem manda produzir a morte, a peste, a fome.

Cremos que existem "instrumentos" que, no uso de sua liberdade, podem produzir o mal, assim como há missionários para o Bem. Cada um responderá pelos seus feitos. O mesmo Apocalipse, na parte referente ao Juízo, diz: "cada um foi julgado segundo SUAS OBRAS" (2). (2) - Apocalipse XX, 12. Vamos, agora, à interpretação do exposto no "segundo selo": "Saiu outro cavalo, VERMELHO, e ao que estava montado nele foi-lhe dado que tirasse da Terra a paz, e para que os homens se matassem uns aos outros, e foi-lhe entregue uma grande espada. Não é preciso ter o dom de discernimento muito apurado para ver o Imperador da Alemanha, o Kaiser encarnando a personagem referida pelo profeta. O trecho que se leu está em relação com o SERMÃO PROFÉTICO, (1) que descreve, com precisão matemática, tudo o que o mundo tem passado nestes últimos 19 séculos e o que vai passar para a realização do REINADO CRISTÃO na Terra. (1) - S. Mateus XXIV. Ainda uma consideração, acerca do último trecho do cap. VI do Apocalipse, versículo 4: "E foi-lhe entregue uma grande espada". Foi entregue por quem? - perguntará o leitor. Por todos aqueles, respondemos, que desviados dos preceitos evangélicos concorreram para a ereção da FORÇA contra o DIREITO.

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