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Capítulo 18 de 32
A Primeira Besta
Interpretação Sintética do Apocalipse · Cairbar Schutel
"O vidente vê sair do MAR uma BESTA que se assemelha muito ao DRAGÃO. Tem sete cabeças e dez chifres; em cada cabeça um nome de blasfêmia. (1). (1) - Apocalipse, XIII, 1. A BESTA é semelhante ao LEOPARDO; (2) mas os seus pés são de URSO, a boca de LEÃO, e o DRAGÃO deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande poderio. (2) - Apocalipse, XIII, 4 e 5. Uma BESTA surge do MAR; é esta que, em primeiro lugar, procuramos decifrar; a outra surge da TERRA. A expressão MAR não significa - "a grande massa de água salgada que cobre aproximadamente três quartas partes do globo terráqueo"; - foi empregada pelo profeta em sentido figurado, e é uma alusão aos povos, às nações, que haviam de dar importância à BESTA, que, como veremos, depois adotou o título de UNIVERSAL, CATÓLICA. No versículo 15 do cap. XVII do Apocalipse, quando o vidente escreve a explicação que o anjo lhe dá, explica bem o seu pensamento: "as ÁGUAS QUE VISTE, onde está sentada a prostituta, SÃO POVOS E MULTIDÕES, NAÇÕES E LÍNGUAS".
As "SETE CABEÇAS", diz o anjo no capítulo XVII, 9 e 10, "são sete montes sobre os quais está sentada a MULHER". "São também sete reis; cinco caíram, um está, e o outro não veio ainda, e, quando vier, durará pouco tempo". E, no versículo seguinte, acrescenta: "E a besta, que era e já não é, é também o OITAVO REI e É UM DOS SETE e vai ser a perdição". Estes trechos fazem já descortinar, às nossas vistas, a grande cidade de ROMA, pois é a única no mundo fundada sobre sete montes: Capitolino, Palatino, Aventino, Coelio, Esquilino, Quirinal e Viminal. Os SETE REIS devem ser as sete formas de governo que se sucederam em ROMA: 1a.) Monarquia Primitiva, ou o período de domínio dos sete reis: Rômulo, Numa Pompílio, Tulo Ostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo. 2a.) República Aristocrática, em que governam os cônsules e senadores. 3a.)
República Democrática, em que, ao lado dos senadores, havia os tribunos do povo, os quais tinham o direito de recusar as leis do Senado, quando eram prejudiciais ao povo. 4a.) O Triunvirato: o de César, Pompeu e Crasso, (que formam o 1.ª triunvirato); e o de Otávio, Antônio e Lépido (que formam o 2.ª triunvirato). 5a.) A Ditadura, forma de governo que por várias vezes imperou em Roma. 6a.) O Império Romano, que teve início no ano 29 antes de Cristo, do qual foi primeiro imperador Lépido, um dos membros do 2.ª triunvirato, recebendo do Senado o nome de Augusto. 7a.) Reino da Itália, proclamado por Odoacro, no ano de 475, e o reinado posterior da Casa de Sabóia. O OITAVO REI, de que fala o versículo 11, do citado capítulo XVII, não pode ser outro senão o PAPADO, "QUE É DOS SETE", diz o texto. - Ora, o PAPA, intitulando-se REI DOS REIS, como o fazia, e usando sobre a sua cabeça a tríplice coroa de ouro com brilhantes, é REI, e o É DOS REIS; reveste-se dos característicos de que fala S. João.
Mas continuemos o nosso estudo; já interpretamos o mistério das sete cabeças; vamos tratar agora dos DEZ CHIFRES. Estes são, forçosamente, as DEZ NAÇÕES, que já tinham aparecido no tempo em que S. João recebeu a palavra profética de que nos ocupamos, as quais, depois do desmembramento do Império Romano, agiram de acordo com o PAPADO: 1a.) A França, que até 1870 conservou um exército em Roma para proteger o Papa. 2a.) A Espanha que foi um dos braços fortes da Inquisição, e que, até hoje, obedece à política de Roma. 3a.) Portugal, com as suas colônias, foco do fanatismo romano. 4a.) A Inglaterra, onde tanto sangue foi derramado por ocasião da reforma protestante. 5a.) A Itália, berço do Vaticano. 6a.) A Alemanha e suas possessões, onde, por ordem do Papa Eugênio IV, foram queimados, em um palheiro, mil partidários de João Huss. 7a.)
A Áustria-Hungria, (1) que tanta força tem dado ao Papado. (1) - Lembremo-nos de que o autor trata dos acontecimentos de acordo com a situação política das nações, na época, situação essa hoje bastante modificada. 8a.) A Rússia. 9a.) A Grécia. 10a.) A Península Escandinava, compreendendo a Suécia e a Noruega. Foi sobre essas ÁGUAS: "povos, nações e línguas", (2) que Roma assentou o seu poder e dominou pelo ferro e pelo fogo, como todos sabem. (Leia-se a "História dos Papas" e a "História de Roma"). (2) - Apocalipse, XVII, 15. Continuemos o estudo do capítulo XIII: "vi uma de suas cabeças como que ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada, e toda a Terra se maravilhou após a besta; adoraram o dragão que deu à besta o seu poder, dizendo: QUEM É SEMELHANTE A BESTA?
QUEM PODERÁ BATALHAR CONTRA ELA?" (3). (3) - Apocalipse, XIII, 4. A cabeça ferida de morte, e depois curada, é o brado da REFORMA, com as teses afixadas em 31 de outubro de 1517, na principal igreja de Wittenberg, por Martinho Lutero, e a repercussão produzida no mundo pela audácia do grande reformador, que foi seguido por muitos outros, e precedido por homens eminentes que não cessavam de criticar os dogmas absurdos de Roma e a sua ação nefasta, sustentada pelos reis e imperadores. É Wycliffe, é João Huss, Erasmo e tantos outros que lhes seguiram as pegadas, - Melanchthon, Farel, Calvino, etc.... etc.... O último trecho do versículo, que imprimimos com caracteres maiúsculos, é sempre repetido pelos padres e pelos católicos: quando se lhes observa o erro do papado e caducidade de suas doutrinas, eles bradam com todas as suas forças: - QUAL RELIGIÃO É SEMELHANTE À CATÓLICA? QUEM PODERÁ LUTAR CONTRA ELA, QUE SEMPRE FOI BATIDA, MAS NUNCA FOI VENCIDA? Mas os padres ignoravam talvez que "a boca que lhes fora dada, para falar grandezas e blasfêmias", (1) não duraria mais de 42 meses.
O poder "para fazer guerra aos santos e vencê-los, e para DOMINAR toda a língua, tribo, nação", (2) não se podia estender ao infinito; o mal não se pode eternizar; só Deus e a sua Lei são eternos. Mas procuremos a interpretação dos 42 MESES FATAIS, anunciados por S. João. Já dissemos que a linguagem apocalíptica é ordenada de alegorias, catacreses, metáforas; O Evangelho, em geral, é cheio de PARÁBOLAS edificantes, para prender melhor a nossa imaginação e nos obrigar a raciocinar, a estudar a parte esotérica, ou interior, espiritual. É assim que devemos interpretar meses de trinta anos, em vez de meses de trinta dias, os referidos pelo profeta. O calendário tem variado segundo os tempos e os povos. Por exemplo: o calendário dos romanos, importado dos sabinos e dos albanos, tinha, primitivamente, 304 dias, distribuídos por 10 meses.
Numa Pompílio reformulou esse calendário, instituindo um ano de 355 dias, juntando, aos meses antigos, mais dois: januarius e februarius, e acrescentando (para harmonizar o ano lunar com o ano solar), de dois em dois anos, um mês suplementar a que chamou mercedonius ou mercidinus, que foi colocado entre februarius e maius. Júlio César suprimiu esse mês suplementar e estabeleceu o ano de 365 dias. O mesmo tem acontecido com a contagem do tempo em meses, dias e horas, etc.. As semanas de Daniel, por exemplo, eram de sete anos cada uma. Os Egípcios contavam, antigamente, um dia - Um ano. Depois, chamaram ano a uma só idade da lua, ou mês. Mesmo no catolicismo romano há o DIA ARTIFICIAL; assim se chama o momento em que o Sol aparece no horizonte e há luz para os tratos e ofícios religiosos. As HORAS DOS HEBREUS abrangiam, cada uma, três das nossas, AS HORAS DO ANO são as quatro estações, cada uma de três meses; inverno, primavera, estio, outono.
Por isso Homero (como explica Eustáquio) introduz quatro deusas HORAS na sua Ilíada, as quais tinham por ofício: duas fechar o Ano, desde que os dias minguam, e duas abrilo, desde que crescem. Contando, pois, como dissemos, um dia apocalíptico por um ano, temos 30 x 42 = 1260 anos, que correspondem, justamente, aos 1260 dias, também de anos, tempo este predito pelo profeta no cap. XII, a acerca da fuga da mulher para o deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar para ser alimentada. Newton, que escreveu um livro sobre as PROFECIAS DE DANIEL, que, como o Apocalipse, diz serem as BESTAS os inimigos do Reino de Deus, fez estudos elucidativos dessas ALIMÁRIAS, baseado na lista dos eclipses notados por Ptolomeu, e, estendendo-se em largas considerações astronômicas, citou o testemunho de muitos historiadores antigos, que trataram dos anos lunares e dos anos solares, nas suas interpretações bíblicas.
É argumento deles que, tendo Deus "criado o sol e a lua para iluminarem a Terra, aquele para GOVERNAR o dia, e a outra para GOVERNAR a noite", (1) o tempo poderia ser contado como ano solar ou lunar. (1) - Gênese, de Moisés cap. I, 14 a 16. E dessas deduções fazem considerações sobre as velhas bestas que representam o Reino Babilônico, o Império Medo-Persa, etc.. Mas continuemos a análise dos 120 dias do ano, e examinemos se, com efeito, não foi esse o período em que o PAPADO exerceu toda a soberania. A História narra o surgimento do PAPADO no sétimo século, justamente no ano de 610 depois de Cristo. No ano 607, o Imperador Focas elevou o Papa ao supremo poder, mas só em 610, e, daí em diante, é que ele pôde exercer amplamente a sua supremacia. De 607 a 1866, temos exatamente, 1260 anos solares. Em 1866, como se sabe, acentuou-se uma ação terrível, em toda a parte, contra as doutrinas da IGREJA ROMANA e o PAPADO, o que fez estremecer os alicerces de Roma.
Com o intuito de reforçálos, Pio IX reuniu um Concílio, que decretou, em 1870, a INFALIBILIDADE DO PAPA. (2) No dia imediato, foi declarada a guerra franco-alemã. Em conseqüência da derrota da França, as tropas francesas, que guardavam Roma, servindo de braço forte ao Papa, foram retiradas e, no dia 20 de setembro, as tropas de Victor Emmanuel entraram em Roma e despojaram o Papa do seu PODER TEMPORAL. (2) - "Roma e o Evangelho", discurso do Bispo Strossmayer. Interessante é que Focas, assassinado por ordem de Heracílio, morreu a 5 de outubro do ano de 610, e, dessa data a 1870, temos justamente 1260 anos. São coincidências estas, mas que também concordam com as profecias apocalípticas que estamos estudando.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.