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Capítulo 28 de 32
Novo Céu e Nova Terra
Interpretação Sintética do Apocalipse · Cairbar Schutel
"A palavra CÉU designa, em geral, o espaço infinito que circunda a Terra, e mais particularmente a parte que está acima do nosso horizonte: vem do latim coelum, formada do grego coilos, côncavo, porque o céu parece uma imensa concavidade. "Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por centro. "Girando essas esferas, em torno da Terra, arrastavam consigo os astros que se achavam em seu circuito. "Esta idéia provinha da deficiência de conhecimentos astronômicos; foi a idéia de todas as teorias, que fizeram dos céus, assim escalados, os diversos de graus da bemaventurança: o último deles era abrigo da suprema felicidade. "Segundo a opinião mais comum, havia sete céus, e daí a expressão - estar no sétimo céu - para exprimir perfeita felicidade. Os muçulmanos admitem nove céus, em cada um dos quais se aumenta a felicidade dos crentes.
"O astrônomo Ptolomeu (1) contava onze, e denominava o último Empíreo (2) por causa da luz brilhante que nele reina. (1) - Ptolomeu viveu em Alexandria, Egito, no segundo século da Era Cristã. (2) - Empíreo, do grego pur ou pyr, fogo. "O CÉU é ainda hoje o nome poético dado ao lugar da glória eterna. A teologia conhece três céus: o primeiro é o da região do ar e das nuvens; o segundo, o espaço em que giram os astros, e o terceiro, para além deste, é a morada do Altíssimo, a habitação dos que o contemplam face a face. É conforme a esta crença que se diz que São Paulo foi alçado ao terceiro céu". (3) (3) - Allan Kardec, "O Céu e o Inferno", cap. III. Estas considerações deveriam, forçosamente, preceder o estudo do capítulo que nos prende a atenção.
Depois das negras tramas com que os déspotas da Terra e as potestades inferiores do Espaço aniquilaram o mundo, aparece, diante do Vidente, UM NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA. (4) (4) - Apocalipse, XXI, 1. Depuradas as camadas atmosféricas pela evolução do planeta, que como dissemos, caminha vertiginosamente pelo Espaço afora, em busca da constelação de Hércules; livre dos ESPÍRITOS PERTURBADORES, que insuflavam o orgulho e o egoísmo, estabeleciam a desunião, a discórdia nas almas, o CÉU, que é considerado o MUNDO INVISÍVEL que envolve a TERRA, se renovou, tornando-se novamente morada dos justos, dos santos e dos sábios, que não mais precisam se encarnar; estes tomam parte na segunda e final RESSURREIÇÃO.
Por sua vez, também a TERRA, atingindo um grau de depuração muito avançado, e varridos da sua superfície os ESPÍRITOS MATERIAIS, os déspotas, os assassinos, os ladrões, os sensuais, os hipócritas, que serão arrastados para MUNDOS INFERIORES (lançados nos lagos de fogo) (1), tornar-se-á forçosamente uma TERRA NOVA, onde a Luz da Verdade brilhará com todo o fulgor, e, de planeta de provação e de expiação, que é atualmente, se converterá numa ESCOLA SUPERIOR, onde as almas encarnadas receberão, ao mesmo tempo que o PÃO DA VIDA, o linho da instrução moral para tecerem as suas túnicas de pureza. (1) - Inferno, do latim infernus - inferior, baixo. Assim teremos terra renovada, Espaço purificado, e as duas humanidades, visível e invisível, orientadas por N.S. Jesus Cristo, e obedecendo só à sua suprema direção, constituirão neste mundo o REINO DE DEUS, que solicitamos quando dizemos a Oração Dominical. A NOVA JERUSALÉM, a Jerusalém Celestial, é o Mundo Invisível, com todos os seus esplendores, que foi mostrado ao VIDENTE pelo Espírito.
A sua descrição, o seu BRILHO, a sua magnificência, traduzida em linguagem oriental pelo Apóstolo, denunciam bem um REINO ESPIRITUAL. O fato por ele lembrado, que "a cidade não precisa nem do sol nem da lua para lhe darem claridade, porque a glória de Deus a iluminou e o Cordeiro é a sua candeia" (1), deixa bem patente não se tratar de uma cidade material, mas, sim, etérea, fluídica, celestial. "Nela, acrescenta o evangelista, não entrará coisa alguma impura, nem o que prática a abominação e a mentira, mas somente os que estão INSCRITOS NO LIVRO DA VIDA DO CORDEIRO". (2) (1) - Apocalipse, XXI, 23. (2) - Apocalipse, XXI, 27. Concluímos este capítulo aconselhando ao leitor uma vista de olhos para a VIDA SUPERIOR, capítulo XXXV da importante obra de Léon Denis, Depois da Morte, e do anterior, XXXIV, ERRATICIDADE a fim de fazer uma idéia, mais ou menos aproximada, da descrição da Cidade Celeste, narrada pelo evangelista.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.