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Capítulo 22 de 32
As Sete Últimas Pragas
Interpretação Sintética do Apocalipse · Cairbar Schutel
No começo deste capítulo (XVI) é a visão premonitória do "fim do mundo": fim do absolutismo, da prepotência, do orgulho, do egoísmo; fim das aristocracias, dos governos venais; fim das castas privilegiadas que usurpam os direitos dos povos; fim, em suma, do mundo material, que dará lugar ao mundo moral, em que reinará o Bem, haverá justiça, e a Verdade será procurada e abraçada por todos. Mas, até que chegue esse tempo, a humanidade há de passar por grandes sofrimentos, que extirparão as suas paixões, os seus vícios, a fim de preparar os homens, tornando-os limpos de pecados, para se revestirem da alva túnica a que alude a Parábola do Festim de Núpcias. Os sete anjos representam os poderes celestiais atuando na transformação do nosso planeta. O número sete, como já vimos, indica um número completo. As sete últimas pragas indicam todas as fases de transformação por que há de passar o mundo, para que se torne uma região de felicidade.
O mundo, atingindo um período de maturidade, se agita, como para expelir os elementos parasitários que se ajuntaram, como a lhe dar uma decrepitude nociva. A lei da evolução, que rege todas as cousas, do simples grão de areia aos gigantescos astros, do mais insignificante zoófito ao Espírito de Santidade, atuando sobre o planeta terreno, pelos seus executores, o transforma, produzindo revoluções intestinas que explodem na sua superfície. Todas as renovações são acompanhadas de abalos. Acresce, ainda, que a modificação atmosférica acarreta, forçosamente, a modificação das condições do planeta que, juntamente com o sistema solar, de que faz parte, caminha com velocidade superior à de uma bala de fuzil, pelo espaço afora, em busca da Constelação de Hércules.
É natural, pois, que a atmosfera se vá modificando, fato bem notado nos últimos tempos, sendo que essa transformação há de necessariamente dar lugar a fenômenos físicos, lembrados no Apocalipse, e que, ao VIDENTE, foram mostrados em forma alegórica de "taças derramadas sobre o mar, sobre a terra, sobre os rios, etc ". (1). (1) - Apocalipse, XVI, 3 a 7. É fato historicamente registrado que as perturbações morais da humanidade coincidem com as perturbações de natureza física. Parece que cada época de 2.000 anos, mais ou menos, é assinalada por grandes fenômenos de ordem moral. Nessas ocasiões, parece fazer-se necessária uma nova Revelação, porque a depressão do caráter, a propensão para o mal, para o crime, se acentua de tal forma que toda ciência se torna estéril, toda religião é vã. No tempo em que Buda recebeu a Revelação dos céus, reinava uma verdadeira anarquia moral, e foi preciso que viesse mais uma VERDADE NOVA tirar os homens da apatia em que se achavam, para renascidos espiritualmente, cumprirem os seus deveres morais.
A Revelação Budista precedeu 2.000 anos à de Moisés, e, nessa ocasião, provavelmente, realizou-se a agitação do mundo produzindo-se cataclismos. Por ocasião da Revelação Mosaica, a História Sagrada, a Bíblia, dá testemunho dos fatos surpreendentes ocorridos naquela época. Dois mil anos depois, aparece Jesus; foi a época do nascimento do Cristianismo, e, ocioso se torna recapitular o que, então, se deu, porque aí estão os Evangelhos para serem estudados por todos, e que, melhor do que nós, levarão ao conhecimento dos leitores não só os fenômenos sísmicos e atmosféricos, que aterrorizavam as gentes, mas também os fatos portentosos de ordem espiritual que eram como vergastas a açoitar o torpor de uma raça transviada. Estamos quase alcançando os 2.000 anos que nos separam do aparecimento do Cristianismo, e que é o que deparam em nossos dias?
Sem falar na guerra da Rússia com o Japão, que foi uma medonha carnificina; na guerra ítalo-turca, que foi o início da conflagração mundial que enche de luto a nossa época, "há como diz um nosso erudito companheiro - um verdadeiro rosário de desastres a assinalar: erupções vulcânicas, terremotos de horríveis conseqüências, como os da Calábria, de S. Francisco da Califórnia, de Valparaíso e, recentemente, os da Guatemala; inundações em diversos países, naufrágios, explosões; de vez em vez, a fúria dos elementos ceifando vidas aos milhares, e, ao lado desses horrores naturais, a forre, o ódio de classes e de crenças, os suicídios, os assassínios". Deus, porém, nunca desampara os seus filhos, e sua misericórdia se faz sentir nos grandes momentos em que o homem dela mais necessita.
Aí temos a REVELAÇÃO ESPÍRITA, que é a tábua de salvação oferecida a todos. (1) Ao lado do materialismo desesperador e tenebroso, manifesta-se a luz da imortalidade, revive nos corações a esperança; os aflitos recebem a consolação e os deserdados a Caridade. (1) - O Evangelho Segundo o Espiritismo. Os "mortos" se manifestam para demonstrar a Vida no Além, e os Mensageiros de Deus se esforçam para espiritualizar as almas, nelas solicitando as virtudes que as elevarão à felicidade. Estes dois quadros que, rapidamente, desenhamos - de um lado a agonia do mundo velho, do outro o nascimento do mundo novo - não serão o "mar de vidro misturado com fogo", (2) visto pelo profeta? (2) - Apocalipse, XV, 2. Não será o ESPIRITISMO o CÂNTICO que "os que venceram a besta, a sua imagem e número do seu nome, entoavam, repetindo o CÂNTICO DE MOISÉS (O DECÁLOGO) E O CÂNTICO DO CORDEIRO (O CRISTIANISMO). (3). (3) - Deuteronômio V, 6 e 7; S. Mateus V, VI. Prosseguindo com a leitura das SETE PRAGAS, vemos aqueles que tratam de revoluções materiais, outras referentes às de ordem moral e espiritual.
Ao lado de uma grande seca lembrada nos versículos 8 e 9 do cap. XVI, a "TAÇA DE TREVAS" é derramada sobre o trono da BESTA, ficando o seu reino mergulhado em trevas". (1) E a ignorância das cousas espirituais, que, como um manto negro, envolve a Cúria Romana engolfada na materialidade. Não vemos o Papa cerceado pelo "poder das trevas" sem se pronunciar sobre a conflagração mundial? Não vemos os seus ministros, de todas as nações, cada qual invocando sentimentos de patriotismo, empunhando o bacamarte: padres alemães, austríacos, turcos, etc., contra franceses, ingleses, italianos, e vice-versa, embora se digam todos discípulos daquele que mandou "nos amássemos uns aos outros"? (1) - S. Mateus, XXI, 33 a 46; XXIII, 1 a 39. Estamos em vésperas da derrocada católica. Em seguida a essa visão, outra se mostrou ao profeta, a qual anuncia "grandes tempestades, relâmpagos, trovões, vozes e mais terremotos", ao ponto de um deles dividir a GRANDE CIDADE em TRÊS PARTES e as cidades das nações caírem.
A GRANDE BABILÔNIA não escapou: fugiu toda a ilha e os montes não foram achados. (2) (2) - Apocalipse, XVI, 17 a 21. Se pusermos este capítulo em concordância com o versículo 21 do cap. XVI II, concluiremos que não é só uma queda moral que aguarda Roma, senão também a sua destruição completa. Não terminam ainda aqui os grandes acontecimentos; outras expiações e provações estão preparadas para os que sobreviverem a todos esses cataclismos: "uma grande chuva de pedras, pedras do peso de um talento caiu do céu sobre os homens, e os homens blasfemaram de Deus, por causa da praga da chuva de pedras".
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.