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Capítulo 17 de 32
As Bestas e os Seus Caracteres
Interpretação Sintética do Apocalipse · Cairbar Schutel
Chegamos ao capítulo XIII, chamado, pelo vidente, o capítulo da SABEDORIA, porque, para sua interpretação, não basta o auxilio da inspiração; é preciso estudo, conhecimento amplo, preciso, nítido das Escrituras e da História. BESTA, em linguagem bíblica, significa O PODER INFERIOR, A FORÇA MATERIAL sobrepujando todos os direitos e sufocando todos os nobres sentimentos; é a DEIFICAÇÃO de um HOMEM, para quem se voltam todas as vistas e diante do qual todas as cabeças se curvam. A história de Nabucodonosor é um exemplo frisante da BESTIALIDADE guindada ao "poder supremo". O seu SONHO, (1) que representa a sua própria pessoa alçada às culminâncias do PODER, dá a idéia perfeita da BESTA, expressão empregada, pelos profetas, para significar o absolutismo e a ignorância impondo leis e costumes, leis e costumes que só dominavam com o auxílio da FORÇA ARMADA. (1) - Daniel, II No "livro de DANIEL", este profeta, em suas visões, vê diversas BESTAS, uma que encarna os reis da Média e da Pérsia, outra que encarna o rei da Grécia, esta última representada por um BODE PELUDO (1). (1) - Daniel, VIII, 21. A BESTA é sempre um sinal da violência, do poder despótico.
Na idade média, eram chamados BESTAS, os instrumentos de GUERRA. Havia a BESTA DE GARRUCHA, com que se despediam garrochas, virotões, (setas curtas); a do BODOQUE, que servia para atirar balas de barro; a do PELOURO, com que se atiravam balas de chumbo; a do ESCORPIÃO, que arremessava setas ervadas com heléboro, uma erva venenosa, chamada, em Portugal, erva besteira. Os soldados da idade média chamavam-se BESTEIROS, E se dividiam em besteiros da câmara, besteiros de cavalo, besteiros de garrucha, besteiros de fraldilha, besteiros do mar, besteiros do monte e besteiros do conto. Estes últimos eram os besteiros arrolados, fornecidos pelos municípios, sendo, cada corpo de tropas, comandado pelo seu anadel (capitão de besteiros) e todos eles pelo anadelmor, e que, usando da BESTA, formavam, em Portugal, uma milícia semelhante à dos Yeomin ingleses, que também eram as bestas das comunas. Traduzida, pois, a expressão enfática "BESTA", que designa o PODER DAS TREVAS, em linguagem evangélica, vamos iniciar a tradução do capítulo, que sintetiza, pode-se dizer, todo o Apocalipse.
É pena que não pudéssemos obter um exemplar da obra "SPACIO DELA BESTIA TRIONFANTE" (Expulsão da Besta Triunfante), do inolvidável Giordano Bruno, livro que só conhecemos de nome, mas que dizem ser a sua mais famosa obra, que explica, antecipadamente, o motivo por que a Igreja o mandou queimar no dia 17 de fevereiro de 1600. Mas entremos no assunto, sem nos esquecermos de que o cap. XIII acha-se intimamente ligado ao cap. XVII. No cap. XIII, o vidente vê desenrolar-se ante seus olhos o quadro das BESTAS com todos os seus feitos. No cap. XVII, UM DOS SETE ANJOS dá ao profeta a interpretação da sua visão. Recomendamos a leitura de ambos os capítulos, para boa compreensão do estudo que fazemos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.