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Capítulo 2 de 10

Parte 1 de 9

Estudos Filosóficos – A Psique · Manuel Sanz Benito

Imp. e Liv. de Jorge Montero Acera, 4 y 6 e Cascajares, 2. España, 1900

Manuel Sanz Benito (1860 - 1911)

O filósofo Manuel Sanz Benito foi um destacado espírita, ligado desde a juventude à revista O Critério Espírita e a Alverico Perón. Publicou notáveis obras filosóficas como A Ciência Espírita ou A Psique. Foi professor de Metafísica e Lógica nas universidades de Barcelona, Valhadolid e Madri. Liberal, também esteve ligado à corrente filosófica krausista de Julián Sanz del Río, como Francisco de Paula Canalejas (a quem Alverico Perón dedicou sua Carta de um Espírita). Por suas profundas convicções espíritas, teve de suportar a intolerância e o fanatismo de alguns setores para poder exercer sua cátedra em Barcelona.

Os anos de juventude e seu compromisso social Manuel Sanz Benito nasceu na província de Madri em 15 de fevereiro de 1860. Conheceu muito cedo a filosofia espírita, pois em 1877, aos 17 anos, publicou o artigo "A dúvida na sociedade" no O Critério Espírita. Sua colaboração na revista criada por Alverico Perón e com a Sociedade Espírita Espanhola foi muito frutífera, e se prolongou até 1889. Recebeu seu doutorado pela Faculdade de Filosofia e Letras e ganhou em concurso uma cátedra de Filosofia. No Instituto de Lugo permaneceu por espaço de 3 anos. A partir daí tornou-se professor de Filosofia em

Guadalajara, onde desenvolveu uma importante atividade cultural. Nesta cidade foi um destacado membro do Ateneu Caracense, que presidiu em 1891. E ali proferiu o discurso Determinismo e liberdade. Além disso, na cidade alcarrense, foi diretor da Revista Ateneu Escolar e participou do encontro do Centro Volapukista (língua artificial, concorrente do Esperanto). Entre seus trabalhos sociais, deve-se destacar que foi o promotor da Caridade Escolar, uma sociedade benéfica fundada em 1889 em Guadalajara. O seu objetivo era fornecer vestuário e calçado aos filhos de famílias trabalhadoras que se distinguissem em aplicação nos estudos e conduta exemplar. As obras filosóficas e espíritas

Durante seus anos como professor em Guadalajara, tornou-se um dos principais defensores do espiritismo na Espanha. Participava de congressos internacionais e publicava artigos no O Critério Espírita e na Revista de Estudos Psicológicos. Em 1890 Manuel Sanz Benito publicava A Ciência Espírita, com prólogo do Vizconde Torres-Solanot, e em 1891 presidiu o Ateneu Caracense em Guadalajara, onde proferiu o discurso Determinismo e Liberdade. No alvorecer do século XX, em 1900 publicou A psique, obra onde trata do estudo da alma ou espírito, onde afirma: “Pelo contrário, o espiritismo sustenta a existência da alma como realidade palpável perante a consciência, da mesma forma que os objetos materiais são percebidos perante os sentidos. E enquanto o materialismo nega a existência do Eu e da personalidade humana idêntica em cada momento do tempo, o espiritualismo racional faz dessa identidade pessoal o primeiro princípio de prova para suas elucubrações. Ele afirma, também, não apenas a existência da alma, a Psique, como entidade não emanada de forças orgânicas, mas possuindo características próprias de espontaneidade e liberdade em seu modo de agir, e como resultado de tudo, a persistente individualidade fora da carne, a transcendência da vida do ser”. O magistério na universidade

Em 22 de março de 1893, ele ganhou em concurso a cátedra de Metafísica da Universidade de Barcelona. Este fato parecia provar que na Espanha era

possível existir um Espiritismo de cátedra, rigoroso e científico. No entanto, logo a reação de clericalistas e carlistas desencadeou um ataque furibundo contra o novo professor, como evidenciado por inúmeras altercações que podem ser acompanhadas na imprensa contemporânea, como O Dilúvio. Este fato não era novo, já fora sofrido por outros professores como o krausista Julián Sanz del Río em 1865 na Universidade Central de Madri. Como consequência desta perseguição, Manuel Sanz Benito permutou a cátedra em Barcelona pela de Valhadolid. E mais tarde, por concurso, ocupou a cátedra de Lógica Fundamental na Universidade de Madri. Desencarnou em Madri em 1911 e, como Sanz del Río ou González Soriano, foi sepultado no cemitério livre. Bibliografia de Manuel Sanz Benito

1890. A ciência espírita, Barcelona: Imprensa de Daniel Cortezo e Companhia, 199 págs. (com um prefácio do Vizconde de Torres-Solanot) 1891. Determinismo e liberdade. Discurso pronunciado no Ateneu Caracense pelo presidente do centro Sr. Manuel Sanz Benito, Valhadolid: Imprensa de Jorge Montero, 19 págs. 1893. Programa vigente na área de Metafísica. Barcelona: F. Giró, 35 págs. 1897. Programa de Metafísica. Valhadolid: Sucessores Hijos de Rodríguez, 36 págs. 1900. A psique, Valhadolid: Imprensa de Jorge Montero, 167 págs. 1900. Propedêutica lógica. Valhadolid: Imprensa de Jorge Montero, 36 págs. [s.a.] Filosofia popular: palestra dada na Sociedade El Fomento de las Artes de Madrid. Valhadolid: Imprensa de Jorge Montero, 30 págs. Artigos no O Critério Espírita

1877. «A dúvida na sociedade», O Critério Espírita, 10, págs. 101-104. 1882. «Dúvida ou realidade. O que é a verdade?», O Critério Espírita, 15, págs. 113-115. 1883. «O que é o homem?», O Critério Espírita, 16, págs. 1-4. 1884. «Discurso na comemoração do aniversário de Allan Kardec», O Critério Espírita, 16, págs. 50-53. 1884. «Discurso sobre Allan Kardec», O Critério Espírita, 17, págs. 64-67.

1885. «Ao espírito de Allan Kardec. A morte», O Critério Espírita, págs. 52- ss. 1886. «Recordando Kardec», O Critério Espírita, 19, págs. 56-ss. 1886. «A liberdade iluminando o mundo», O Critério Espírita, 19, págs. 146-148. 1887. «Idealidade na vida», O Critério Espírita, 20, págs. 142-144. 1888. «O impossível», O Critério Espírita, 21, págs. 45-47. 1888. «Trabalhemos com Kardec», O Critério Espírita, 21, págs. 76-ss. 1888. «Resumo do discurso pronunciado no Congresso Internacional Espírita», O Critério Espírita, 21, págs. 166-ss. 1889. «Positivismo e espiritismo», O Critério Espírita, 22, págs. 87-89. 1889. «O raciocínio, sinal de pouco entendimento: os bons e os sábios», O Critério Espírita, 22, págs. 103-ss. 1889. «O Espiritismo do ponto de vista vulgar», O Critério Espírita, 22, págs. 118-ss. 1889. «Congresso Espírita de Paris. Discurso pronunciado nesse Congresso», O Critério Espírita, 22, págs. 161-164. 1889. «O Espírito: sua realidade, sua imortalidade e progresso indefinido», O Critério Espírita, 22, págs. 181-185. Outras colaborações

1889. Discours dans le Congrès Spiritualiste International tenu à Paris a l’occasion de l’Exposition Universelle de 1889. Valhadolid. 1893. «O Espírito: sua realidade, sua imortalidade e progresso indefinido», Revista de Estudos Psicológicos, 25, págs. 163-169. 1893. «Discurso (sobre espiritismo)», Revista de Estudos Psicológicos, 25, págs. 292-297. Fontes

O Critério Espírita (1868-1878) (Na Biblioteca Digital Hispânica podem ser consultados alguns anos desta revista 1868, 1869 y 1878) 1927. MÉNDEZ BEJARANO, M. História da Filosofia na Espanha até o século XX. Madri: Renascimento. 1934. V Congresso Espírita Internacional. Livro resumo.

Sumário Introdução — pág. 09 Capítulo I - A Psique — pág. 13 Capítulo II - A Psique em sua atividade originária — pág. 16 Capítulo III - O Eu: sua persistência — pág. 20 Capítulo IV - A força psíquica. Os atos materiais e os atos anímicos — pág. 23 Capítulo V - A força psíquica e as forças orgânicas — pág. 26 Capítulo VI - A psicofísica — pág. 30 Capítulo VII - A consciência — pág. 33 Capítulo VIII - Caracteres do espírito em si mesmo — pág. 36 Capítulo IX - As faculdades anímicas — pág. 40 Capítulo X - A razão — pág. 43 Capítulo XI - A imortalidade da alma — pág. 46 Capítulo XII - A inteligência em geral e a inteligência discursiva — pág. 51 Capítulo XIII - A sensação e a ideia — pág. 54 Capítulo XIV - A energia e o hábito — pág. 57 Capítulo XV - O trabalho — pág. 62 Capítulo XVI - O Positivismo, como verdadeiro Idealismo — pág. 65 Capítulo XVII - O novo hipnotismo — pág. 70 Capítulo XVIII - A lei moral, como lei universal.

O bem e o mal — pág. 74 Capítulo XIX - A Filosofia em sua aplicação social — pág. 79 Capítulo XX - A força das ideias — pág. 84 Capítulo XXI - A causa absoluta. Unidade substancial divina — pág. 87

Introdução

Surpreendente movimento, o da inteligência, sempre investigando um além, sempre fixando o olhar em um horizonte mais vasto, mais grandioso. A realidade a atrai e a encanta; mas, como a realidade é infinita, o conteúdo nunca se esgota. É por isso que a inteligência descobre um além em cada verdade conhecida. Os sábios pretendem ligar o átomo incoercível com a mais poderosa massa, a força invisível do pensamento com a força impalpável que move mundos e sistemas, o sopro de nossa vida com a vida dos seres em progressão crescente. Alguns, como Pictet, querem encontrar o zero da temperatura, onde cessam as combinações e reações da matéria, para surpreender a natureza em estados nunca antes imaginados. Outros, como Roentgen, por meio de raios X, conseguem enxergar através de corpos opacos. Enquanto os astrônomos dirigem com afã seus binóculos para ver de comprovar os canais do planeta Marte, descobertos por Schiaparelli, os matemáticos chegam a dar, como Tomson, a fórmula da magnitude que esse átomo pode ter.

E enquanto uma milésima parte de um grão chega a poder ser pesada pela balança, pelo espectroscópio pode ser apreciada a cento e oitenta milionésima parte de um grão de sódio; e a precisão da matemática chega a tal ponto que é possível medir o comprimento da onda luminosa, de 393 milionésima parte de milímetro para a cor violeta e 760 para o vermelho, e o número de vibrações dessas ondas, em um segundo de tempo, é contado por trilhões. Diante dessas e de outras descobertas, devemos ser cautelosos em questões científicas para nunca tomar como firme a última palavra de qualquer coisa, pois o impossível, como disse Arago, deve ser apagado do Dicionário, porque aquilo que julgamos impossível chega a se tornar, com o tempo, real e positivo, e a utopia de um século é a realidade do seguinte, como assinala Victor Hugo. É por isso que Augusto Comte ficou desmentido quando em 1842, falando dos corpos celestes, afirmou que jamais poderíamos conhecer sua

composição química e sua estrutura mineralógica, pois alguns anos depois, em 1859, foi descoberta em Heidelberg a análise espectral que deixou em mau lugar as afirmações do positivista francês. Descartes foi mais prudente quando exigia a dúvida metódica no início de toda pesquisa científica: quem não duvida, não pensa, e quem toma tudo como já averiguado e conhecido, é incapaz de contribuir com seu grão de areia para a obra comum do saber. Portanto, não devemos admitir nenhuma teoria como fechada, nenhuma ideia como cristalizada em determinadas formas, que não seja suscetível de avanços posteriores. Hegel com sua doutrina do devir, que ele aplica a toda a realidade, vem confirmar esta mesma coisa: que não há e não pode haver nenhuma ideia imutável. Todas elas mostram a condensação do pensamento em uma determinada direção, a síntese do estado intelectual sobre uma questão científica, da mesma maneira que, de um Código ou de uma obra de arte, dizemos que são a expressão do espírito de uma época.

Mas à medida que o tempo passa e as ideias progridem, o molde dentro do qual elas estão contidas torna-se muito estreito e é preciso um novo, dentro do qual caibam as novas descobertas. Isso acontece na esfera política com todos os partidos, cujo programa chega a se tornar anacrônico após certo tempo; acontece com as descobertas da indústria, que chegam a ser anuladas por outras posteriores com melhores resultados; e isso acontece, em geral, no campo da ciência. Houve um tempo em que o sistema do mundo de Ptolomeu formou a teogonia da Idade Média até que Copérnico deitou por terra aquele céu. Na Medicina, o estudo em que se examinava a composição dos órgãos como resultado da combinação de vários tecidos, cedeu lugar ao estudo dos elementos materiais a partir da investigação da célula, graças aos trabalhos de microscópio; e na Cirurgia, os procedimentos de assepsia e antissepsia trouxeram grandes avanços na antiga arte da cura.

Da mesma forma, na Literatura, o poema Fausto de Goethe rompe com os moldes até então atribuídos a esse tipo de obras; e no que concerne à Filosofia, vários filósofos quiseram determinar os limites a que a inteligência humana pode chegar em suas pesquisas, apontando as leis que regem a atividade intelectual, desde as chamadas categorias de pensamento de Aristóteles e Kant, até as barreiras traçadas a ele por Spencer em sua teoria do incognoscível, ou por Hartmann no que ele chama de o inconsciente; e

repetidas vezes essas barragens foram quebradas e a inteligência rompeu todos os obstáculos que se interpuseram em seu caminho. Mas, dir-se-á: será que o que é verdade hoje chega a se tornar erro mais tarde? Ou tudo é um erro relativo, e o homem vai de conhecimento em conhecimento, proclamando ora um princípio, ora outro, sem jamais possuir a verdade de nada? Se acreditássemos que a verdade não é possível, cairíamos em um ceticismo mais ou menos exagerado, e jamais poderíamos professar uma Doutrina de afirmações; toda ela seria composta de negações e dúvidas. Também não podemos admitir que a verdade, em qualquer matéria, implique a verdade absoluta e completa, porque isso exigiria uma inteligência infinita que compreendesse tudo, absolutamente tudo, sem que nada escapasse ao seu conhecimento. O que há é que, qualquer objeto da realidade, entanto que possa ser conhecido, seja que pertença ao nosso ser, seja que se refira ao mundo exterior, limitado ou infinito, encerra em si um conteúdo inesgotável de investigação. Isto indica que a obra do conhecimento é longa e trabalhosa.

Indica mais: que devemos acomodar nossa inteligência à realidade do conhecido, subordinando o subjetivo que dizem os filósofos, ao objetivo; isto é, nossas faculdades, à coisa conhecida. É por isso que o objetivo prevalece sobre o subjetivo; é por isso que dizemos que a necessidade obriga, que os fatos prevalecem. Em uma palavra, que, apesar de nossa vontade, a realidade impera sobre nós. Será em vão forjar uma teoria para explicar um fato ou uma série de fatos, se essa teoria for refutada pela experiência; um único caso que a negue e retifique, acaba por invalidá-la. A atividade aplicada à pesquisa científica descobre novos métodos e procedimentos, com a ajuda dos quais e de instrumentos poderosos, pode analisar e perceber do mesmo modo, tanto o dito infinitamente grande, quanto o infinitamente pequeno; determinar suas leis e fazer proveitosas aplicações nas ciências e artes. A filosofia não poderia permanecer estacionária neste período de renovação científica: a observação substituiu o antigo método silogístico, perscrutando melhor as profundezas de nossa consciência, onde há abismos como nos mares e grandezas como nos céus.

Dentre as obras filosóficas da época, destacam-se aquelas cuja finalidade é estabelecer os caracteres, relações, analogias e contrastes entre o elemento físico, corpóreo, e nosso ser anímico, que em sentido amplo se denomina Psique. Daí o título deste trabalho.

Capítulo I A Psique

O povo grego, com suas admiráveis faculdades para idealizar e embelezar todas as coisas, deu o nome de borboleta (psique) ao que na linguagem de todos os tempos e povos significa nossa alma ou nosso espírito; a força interna que em nós pensa, sente e deseja; o ser que imagina e pensa, que goza ou sofre, desanima ou se fortalece, que aspira e deseja, odeia e ama. Esse povo já adivinhava que, se é possível e relativamente fácil especificar o peso e a magnitude de nosso corpo, a direção de seus movimentos e a força e o alcance de sua atividade, não é possível especificar da mesma maneira o movimento do pensamento que, na sua versatilidade, vai de ideia em ideia, como uma borboleta de flor em flor, pensando em uma infinidade de coisas diferentes em um instante, sem levemente se deter nelas; ou então libando, como a própria borboleta, as belezas que a alma encontra nas ideias que nossa fantasia acaricia e se apoderam dos nossos corações. Os gregos também gravaram a famosa inscrição no frontispício do templo

de Delfos: noci seauton (nosce te ipsum) , indicando assim à posteridade o caminho do verdadeiro conhecimento que deve começar pelo exame e estudo do nosso próprio ser.

Nota de SEDE: Conhece-te a ti mesmo. A partir de então, o problema relacionado com a nossa alma tem ficado cada vez mais complicado pelos novos dados que a observação veio fornecendo, e embora ainda existam muitas incógnitas por esclarecer, outras, em troca, foram sendo eliminadas ou resolvidas. É verdade que o tema nunca estará completamente esgotado, por mais séculos que a humanidade viva, mas isso não é exclusivo desta questão, acontece igualmente com todas elas: todas são teoremas que sempre contêm corolários.

Sendo nosso propósito dar a conhecer apenas algumas das verdades mais importantes sobre esse princípio e força interior que impulsiona e dirige nossas ações, indicaremos os pontos principais da maneira mais fácil que nos for possível. Até há pouco, apenas o método de observação interior chamado introspectivo era seguido no exame psicológico para ver em nós mesmos os atos e fenômenos anímicos, método que, em sua abrangência, é de capital importância e insubstituível por outro, porque sem dúvida a melhor maneira de entender um fenômeno ou estado especial é observá-lo em si mesmo, passando por esse estado, para assim perceber como e por que isso acontece. Mas não é suficiente; há estados na alma humana que é impossível se determinar e estudar pelo próprio ser onde ocorrem, porque acontecendo em momentos em que sua consciência não adquiriu a necessária força de reflexão, ou estando perturbadas suas faculdades, é impossível para ele analisá-los.

Os atos psíquicos verificados no estado de infância ou em períodos anormais de loucura, delírio, surto, embriaguez e outros, é impossível para o mesmo indivíduo que os executa examiná-los introspectivamente, pois no caso deixaria de existir nesse estado: não seria mais criança, não seria louco, atordoado ou bêbado. Daqui nasceu o fato de se ter recorrido ao método de observação externa, fazendo, de alguns anos a esta parte, delicados trabalhos referentes a estas questões; e da mesma forma que os anatômicos com o bisturi mostraram as fibras e tecidos de nosso corpo, psicólogos renomados deixaram ao descoberto alguns fenômenos anímicos em que a psicologia tradicional não havia reparado.

Cada um deles, seguindo suas preferências, impôs-se uma tarefa, e entre todos eles distribuíram o trabalho; houve aqueles que se dedicaram a fazer estudos detalhados sobre psicologia infantil (Egger, Sully e Mun, Kausmal, Taine, Preyer e B. Pérez); outros se dedicaram a fazer importantes observações sobre psicologia fisiológica e médica (Lotze, Maudsley, Kraff e Lombroso, Wundt, Mata); alguns, estudando as manifestações anímicas em indivíduos de diferentes raças, deram origem à Psicologia Etnográfica (Waitz, Gerland, Gobineau, Royer); outros, com predileção pelo estudo da vontade, criaram a Etologia ou ciência do caráter (Stuart Mill, Hercen Bain). E as investigações não pararam por aqui: usando as descobertas que a

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