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Capítulo 23 de 24
Federação Espírita Brasileira — parte 22 de 23
Ação e Reação · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
refazem-se a pouco e pouco... A reencarnação retificadora, isto é, a internação na carne em condições penosas, surge por alternativa inevitável. Será preciso renascer, suportando os obstáculos tremendos, oriundos da desarmonia perispirítica criada por nós mesmos. Ainda assim, quanto possível, antes do novo berço entre os homens, é imprescindível melhorar as contas... Daí o motivo por que instituições qual a nossa funcionam, em vários campos das regiões inferiores, que, na velha teologia, equivalem a regiões infernais... O que, porém, existe, de fato, é o imenso Umbral, situado entre a Terra e o Céu, dolorosa região de sombras, erguida e cultivada pela mente humana, em geral rebelde e ociosa, desvairada e enfermiça.
Os companheiros desencarnados que despertam, devagarinho, para a responsabilidade de viver, encarando face a face o imperativo do renascimento difícil no mundo, passam a trabalhar aqui laboriosamente, vencendo óbices terríveis e superando tempestades de toda a sorte, para a conquista dos méritos que descuraram durante a permanência no corpo, de modo a implantarem, no próprio espírito, os valores morais de que não prescindem para a sustentação de novas e abençoadas lutas no plano material. O orientador, mostrando o olhar coruscante de entendimento e carinho, à feição do professor emérito e bondoso que deseja o progresso dos aprendizes, fez longa pausa e perguntou-nos: – Compreenderam? – Sim, sim... – respondemos a um só tempo, interessados em maior amplitude da lição. – É assim que todos nós – continuou ele –, para o recomeço das lides carnais, solicitamos o regime de sanções, ou alguém, quando não disponhamos do direito de fazê-lo, no-lo obtém, suplicando-o, em nosso benefício, às autoridades superiores. – Regime de sanções? – indagou Hilário, surpreendido. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 245
– Perfeitamente. Não nos reportamos aqui ás medidas de natureza moral, pelas quais enfrentamos, compreensivelmente, na família consangüínea ou na intimidade da luta, a reaproximação com os Espíritos de que sejamos devedores de paciência e ternura, tolerância e sacrifício, na solução de certas dívidas que nos obscurecem a senda, mas sim a providências retificantes, depois de muitas quedas reiteradas nos mesmos deslizes e deserções, que imploramos em favor de nós e em nós mesmos, quais sejam as deficiências congeniais com que ressurgimos no berço físico. Aqueles que por vezes diversas perderam vastas oportunidades de trabalho na Terra, pela ingestão sistemática de elementos corrosivos, como sejam o álcool e outros venenos das forças orgânicas, tanto quanto os inveterados cultores da gula, quase sempre atravessam as águas da morte como suicidas indiretos e, despertando para a obra de reajuste que lhes é indispensável, imploram o regresso à carne em corpos desde a infância inclinados à estenose do piloro, à ulceração gástrica, ao desequilíbrio do pâncreas, à colite e às múltiplas enfermidades do intestino que lhes impõem torturas sistemáticas, embora suportáveis, no decurso da existência inteira.
Inteligências notáveis, com sucessivas quedas morais, através da leviandade com que se utilizaram do esporte e da dança, espalhando desespero e infortúnio nos corações afetuosos e sensíveis, pedem formas orgânicas ameaçadas de paralisia e reumatismo, visitadas de achaques e neoplasmas diversos, que lhes obstem os movimentos demasiado livres. Companheiros que, em muitas circunstâncias, se deixaram envenenar pelos olhos e pelos ouvidos, comprometendo-se em vasta rede de criminalidade, através da calúnia e da maledicência, imploram veículos fisiológicos castigados por deficiências auditivas e visuais que lhes impeçam recidivas desastrosas. Intelectuais e artistas que despedem sagrados recursos do espírito na perversão dos sentimentos humanos, por intermédio da criação de imagens menos dignas, rogam aparelhos cerebrais com inibições graves e dolorosas para que, Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 246
nas reflexões de temporário ostracismo, possam desenvolver as esquecidas qualidades do coração. Homens e mulheres que abusaram de dotes físicos, manobrando a beleza e a perfeição das formas para disseminar a loucura e o sofrimento naqueles que lhes admitiam as falsas promessas, solicitam corpos vulneráveis às dermatoses aflitivas, quais o eczema e a tumoração cutânea, ou portadores de alterações da tireóide que os constranjam a reiteradas lutas educativas. Grandes faladores que escarneceram da divina missão do verbo, conturbando multidões ou enlouquecendo almas desprevenidas, suplicam doenças das cordas vocais, para que, atravessando afonias periódicas, desistam de tumultuar os espíritos por intermédio da palavra brilhante. E milhares de pessoas que transformaram o santuário do sexo numa forja de perturbações para a vida alheia, arruinando lares e infelicitando consciências, imploram equipamentos físicos atormentados por lesões importantes no campo genésico, experimentando, desde a puberdade, inquietantes desequilíbrios ovarianos e testiculares.
A cegueira, a mudez, a idiotia, a surdez, a paralisia, o câncer, a lepra, a epilepsia, o diabete, o pênfigo, a loucura e todo o conjunto das moléstias dificilmente curáveis significam sanções instituídas pela Misericórdia Divina, portas a dentro da Justiça Universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas. – Mas, existem institutos especiais que providenciem, por exemplo, as irregularidades orgânicas pedidas para a reencarnação? – perguntou meu colega, intrigado. O interlocutor generoso sorriu, significativamente, e acentuou: – Sim, Hilário, a Bondade do Senhor é infinita e permite-nos a graça de suplicar os impedimentos a que nos referimos, porque o reconhecimento de nossas fraquezas e transgressões nos faz Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 247
imenso bem ao espírito endividado. A humildade, em qualquer situação, acende luz em nossas almas, gerando, em torno de nós, abençoados recursos de simpatia fraterna. Entretanto, ainda mesmo que não pedíssemos a aplicação das penas de que necessitamos, nossa posição não se modificaria, porquanto a prática do mal opera lesões imediatas em nossa consciência, que, entrando em condição desarmônica, desajusta, ela própria, os centros de força em que se mantém. Desse modo, os nossos institutos de trabalho para a reencarnação colaboram para que todos venhamos a receber na ribalta terrestre a vestimenta carnal merecida. – Então, de que vale a súplica, rogando essa ou aquela medida, atinente à nossa reeducação? – Oh! não formule semelhante problema! – falou Druso em voz grave. – A prece, no sentido a que aludimos, é sempre um atestado de boa-vontade e compreensão, no testemunho da nossa condição de Espíritos devedores...
Sem dúvida, não poderá modificar o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo não só como abençoada plantação de solidariedade em nosso benefício, mas também como vacina contra reincidência no mal. Além disso, a prece faculta-nos a aproximação com os grandes benfeitores que nos presidem os passos, auxiliando-nos a organização de novo roteiro para a caminhada segura. Meu companheiro guardou, reverente, a anotação e considerou: – Caro instrutor, depreendemos da elucidação que, ao nos reencarnarmos, conduzimos conosco os remanescentes de nossas faltas, que nos partilham o renascimento, na máquina fisiológica, como raízes congeniais dos males que nós mesmos plantamos... – Perfeitamente – acentuou o mentor amigo –, nossas disposições, para com essa ou aquela enfermidade no corpo terrestre, representam zonas de atração magnética que dizem de nossas Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 248
dívidas, diante das Leis Eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito. Druso meditou alguns instantes, como se estivesse ponderando no íntimo a gravidade do assunto, e apreciou: – Nossas assertivas não excluem, decerto, a necessidade da assepsia e da higiene, da medicação e do cuidado preciso, no tratamento dos enfermos de qualquer procedência. Desejamos simplesmente acentuar que a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo as próprias falhas a se lhe refletirem na veste carnal, como zonas favoráveis à eclosão de determinadas moléstias, oferecendo campo propício ao desenvolvimento de vírus, bacilos e bactérias inúmeros, capazes de conduzi-la aos mais graves padecimentos, de acordo com os débitos que haja contraído, mas também carrega consigo as faculdades de criar no próprio cosmo orgânico todas as espécies de anticorpos, imunizando-se contra as exigências da carne, faculdades essas que pode ampliar consideravelmente pela oração, pelas disciplinas retificadoras a que se afeiçoe, pela resistência mental ou pelo serviço ao próximo com que atrai preciosos recursos em seu favor.
Não podemos esquecer que o bem é o verdadeiro antídoto do mal. – Ainda assim – ajuntou Hilário –, será lícito recordar que os animais igualmente sofrem moléstias diagnosticáveis, como sejam a aftose, a raiva e a pneumonia. – Como também as plantas experimentam enfermidades peculiares, reclamando adubos e fungicidas completou o mentor, sorrindo. E acrescentou: – A dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão. O ferro sob o malho, a semente na cova, o animal em sacrifício, tanto quanto a criança chorando, irresponsável ou semiconsciente, para desenvolver os próprios órgãos, so- Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 249
frem a dor-evolução, que atua de fora para dentro, aprimorando o ser, sem a qual não existiria progresso. Em nosso estudo, porém, analisamos a dor-expiação, que vem de dentro para fora, marcando a criatura no caminho dos séculos, detendo-a em complicados labirintos de aflição, para regenerá-la, perante a Justiça... É muito diferente... – Curioso! – exclamou Hilário – não havia pensado ainda em semelhantes conceitos... Dor-evolução, dor-expiação... – Como temos ainda dor-auxílio – atalhou Druso, benevolente. – Como assim? E percebendo a surpresa que se nos estampava no rosto, o orientador aduziu: – Em muitas ocasiões, no decurso da luta humana, nossa alma adquire compromissos vultosos nesse ou naquele sentido. Habitualmente, logramos vantagens em determinados setores da experiência, perdendo em outros. Às vezes, interessamo-nos vivamente pela sublimação do próximo, olvidando a melhoria de nós mesmos.
É assim que, pela intercessão de amigos devotados à nossa felicidade e à nossa vitória, recebemos a bênção de prolongadas e dolorosas enfermidades no envoltório físico, seja para evitar-nos a queda no abismo da criminalidade, seja, mais freqüentemente, para o serviço preparatório da desencarnação, a fim de que não sejamos colhidos por surpresas arrasadoras, na transição da morte. O enfarte, a trombose, a hemiplegia, o câncer penosamente suportado, a senilidade prematura e outras calamidades da vida orgânica constituem, por vezes, dores-auxílio, para que a alma se recupere de certos enganos em que haja incorrido na existência do corpo denso, habilitando-se, através de longas reflexões e benéficas disciplinas, para o ingresso respeitável na Vida Espiritual. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 250
Druso, no entanto, a essa altura, foi chamado a outras linhas de ação, deixando-nos entregues aos nossos pensamentos. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 251
Comovente surpresa Durante três anos estivemos quase que diariamente na “Mansão Paz”, estudando lições preciosas e aprendendo a servir. Ali, ao pé de Druso, na comunhão fraternal de Silas e junto de outros amigos prestimosos, recolhemos experiências e apontamentos sublimes. Em verdade, o sofrimento, naquele pouso castigado de extrema luta, era a nota constante em todas as direções. Muitas vezes, a casa tremia nos alicerces sob convulsões magnéticas indescritíveis, noutras ocasiões, sob o ataque de legiões ferozes, assemelhava-se a fortaleza, em regime de sítio inquietante, que só a Misericórdia Divina poderia salvar. Todavia, em quaisquer emergências, Druso convocava-nos a todos à oração e nossas preces nunca ficaram sem resposta. Suprimentos e recursos, diretrizes e bálsamos, fluíam invariavelmente dos Planos Superiores, amparando-nos a necessidade ou subtraindo-nos a indecisão. O orientador da casa constituía para nós o mais elevado padrão de intangibilidade moral, não obstante a humildade com que pautava todas as atitudes. Nunca lhe surpreendemos o mínimo gesto em desacordo com o nobre e extenso mandato de que dispunha.
Sabia ser firme sem rispidez, justo sem parcialidade, bondoso sem fraqueza. Valorizava não apenas o conselho dos grandes Espíritos que nos visitavam o Cenáculo, mas também os votos humildes dos míseros sofredores que nos batiam à porta. Mantinha amorosa reverência diante dos supervisores da Mansão, a cujos avisos atendia, presto, tanto quanto mostrava o melhor carinho no desvelo incessante em favor Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 252
dos infelizes que nos rogavam concurso e entendimento. Desdobrava-se. Não se circunscrevia ao venerável mister do administrador central, a quem devíamos homenagem constante. Era o conselheiro devotado de todos os assessores, o médico dos internados, o mentor das expedições e o enfermeiro tolerante e simples, sempre que as circunstâncias o exigissem. Contudo, onde lhe notávamos a mais impressionante assiduidade era justamente à cabeceira dos desditosos irmãos, recolhidos nos tenebrosos desfiladeiros em que se situava a instituição. Noite a noite, sempre que desejássemos, podíamos acompanhar-lhe os serviços magnéticos, junto de Silas, identificando criaturas infortunadas que, a se desvairarem nas sombras, haviam perdido a noção de si mesmas, dementadas pela viciação ou transtornadas pelo próprio desespero. Era sempre doloroso encarar os companheiros disformes e irreconhecíveis que a flagelação mental ensandecera. Por mais de uma vez, Hilário e eu desfizéramo-nos em pranto, à frente daquelas torvas fisionomias que o extremo desequilíbrio imobilizava em terrível prostração ou amotinava em crises de loucura. Druso, porém, inclinava-se sobre todos os infelizes, sempre com a mesma ternura.
Depois da oração costumeira, articulava operações magnéticas assistenciais e, logo após, com a devida segurança, interrogava os recém-recolhidos, enquanto fixávamos anotações diversas, atinentes à colaboração que nos cabia desenvolver. Duas, três, quatro horas despendia ele, pessoalmente, cada noite, no trabalho socorrista que considerava sagrado, sem que nenhum dos companheiros encontrasse a menor oportunidade de substituí-lo. À exceção dele, todos nos revezávamos na cooperação solicitada ou espontânea, no serviço de amparo e consulta aos irmãos que o mergulho indiscriminado nas sombras havia enlouquecido. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 253
Foi assim que, certa noite para nós inesquecível, pobre mulher cadaverizada foi trazida pelos enfermeiros à sala de nossas atividades habituais para o socorro necessário. O corpo seviciado, que imundos trapos mal cobriam, as mãos cujos dedos terminavam em forma de garras e o semblante completamente alterado por terrível hipertrofia falavam sem palavras dos longos tormentos de que fora vítima. Embora preliminarmente atendida pela enfermagem da Mansão, a infortunada criatura exalava nauseante bafio. Druso, no entanto, qual acontecia noutros casos, afagava-lhe a fronte com paternal carinho. Finda a prece com que assinalava o início da tarefa assistencial, começou a aplicação de passes, acordando-lhe as energias. Em seguida, notando que fundos gemidos se lhe exteriorizavam do peito, o abnegado amigo concentrou os seus potenciais de força magnética no cérebro da infeliz, que começou a mover-se, subitamente reanimada. Via-se claramente que Druso interferia no córtex encefálico, incentivando-a ao necessário despertamento. Foi então que a boca hirta, arrastada hipnoticamente à movimentação, descerrou-se, de leve, e gritou: – Druso!... Druso!... compadece-te de mim!...
Surpreendidos, vimos o chefe da Mansão cambalear, quase desfalecente, qual se fora atingido por invisíveis raios de angústia e morte. Mas a estupefação não o atingira tão-somente. Silas, fazendo-se lívido, avançou para ele, enlaçando-lhe o busto, como se lhe temesse a queda inevitável. Algo de estranho ocorria, cujo sentido, de pronto, não conseguíamos perceber. Buscando dominar-se, o venerável diretor ergueu os olhos lúcidos para o Alto, em pranto mudo, invocando a inspiração divina, na linguagem da prece silenciosa em que a Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 254
alma se comunica particularmente com Deus, e, após momentos rápidos, perguntou à infeliz: – Irmã, que tens a dizer-nos? A interpelada abriu os olhos que se reviravam nas órbitas, sem qualquer expressão de lucidez e, parecendo temer a presença de inimigos ocultos, clamou triste: – Tragam meu esposo!... Druso me perdoará... Estou cansada, vencida... Por amor de Deus, libertem-me!... Libertem-me!... Quero ar!... ar puro!... Não terei pago suficientemente o meu crime?... Não creio que Deus nos criasse para o inferno sem-fim. Se errei, conscientemente, adquirindo grande culpa, não desconheço... que as minhas penas reparadoras... têm sido igualmente enormes!... Conduzam-me à presença de meu esposo... para que me ajoelhe... Druso retirar-me-á do local dos réprobos... Compreenderá que não sou assim tão cruel, como querem que eu seja... Meu marido era sumamente bondoso, tratava-me como um pai!... Há quantos anos padeço, ó Senhor!? Tu que curaste os leprosos e os endemoninhados, estende-me os braços de amor! Retira-me do inferno a que fui arrastada!... Ajuda-me, ó Cristo!... Deixa que eu recolha do esposo que humilhei o perdão de que necessito, para que a minha consciência possa orar com fervor!...
O remorso é fogo que me consome!... Piedade!... Ante o intervalo que se fizera espontâneo, vimos que o grande condutor jazia entregue a lágrimas copiosas. Pela primeira vez aos nossos olhos, Silas interferiu no socorro magnético. Embora o espanto que se lhe estampava na face, com a tácita aprovação do chefe que lhe cedia o lugar em silêncio, interrogou, preocupado e indeciso: – Como te chamas? Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 255
– Aída... – foi a resposta que nos despertou mais acurada atenção. O Assistente, contudo, no evidente propósito de obter mais informes, tão seguros quanto possíveis, continuou indagando em voz trêmula: – Aída, se és a esposa de Druso, como nos fazes crer, não te recordas de mais alguém? De mais alguém que te partilhasse no mundo a vida no lar? – Oh! sim... – retrucou a interlocutora com indizível carinho – lembro-me... lembro-me... Meu esposo trazia um filho das primeiras núpcias, um jovem médico de nome Silas... E, dando-nos a conhecer a extrema fixação mental a que se ajustava, exclamou sussurrante: – Onde está Silas que também não me ouve? A princípio... contrariava-se com a minha presença... Entretanto... com o tempo... tornou-se-me um filho do coração, condescendente amigo... Silas!... sim... sim... quem me fez recordar o passado?!... Agigantava-se-nos a constrangedora surpresa. Ambos os socorristas caíram de joelhos em pranto insofreável. Num átimo, entendemos tudo, rememorando a noite inolvidável em que Silas algo nos falara de sua história comovente. A pobre dementada era Aída, a madrasta sofredora.
Somente agora percebíamos que o Instrutor e o Assistente haviam sido, entre os homens, pai e filho... Daí, a discreta intimidade com que se associavam, automaticamente, em todos os serviços. Decerto – pensei –, haviam abraçado aflitiva missão naquele perseguido instituto de caridade, não apenas atendendo aos desencarnados infelizes, mas também com elevados objetivos do coração. Entretanto, não consegui divagar muito tempo, de vez que Druso, num gesto enternecedor, recolheu a infortunada criatura Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 256
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.